Release:
Um vampiro desperta em São Luís, num casarão abandonado, e apaixona-se pela restauradora do imóvel. A partir daí a história se desenvolve num vaivém amoroso. Intrigas, falsidade, poder, vingança; tudo em nome do amor. Os personagens centrais são fortes, decididos, seja para o bem ou para o mal, dando o toque de suspense e de reviravolta nas tramas. A autora narra os encontros e desencontros de Jan Kman e Kara Ramos através dos séculos. As surpresas e as ironias da vida. O amor e o ódio caminhando juntos. A tentativa de Kara de fugir de um destino já traçado.
Alma e Sangue é um best-seller da literatura fantástica nacional, com mais de 5.000 cópias vendidas.

Trecho do livro:

O aparelho de som parou. Ergui-me preguiçosa do assento e dei uma longa olhada no desenho. Ficara perfeito. Satisfeita com o resultado, resolvi encerrar o trabalho. Olhei pela janela, fitei o relógio de pulso e me assustei. Passava das sete horas, o vigia estava muito atrasado. Recolhi minhas coisas e deixei tudo organizado à minha volta. Tirei o boné e penteei o cabelo rapidamente, para logo em seguida refazer o rabo – de – cavalo. Mochila nas costas, mesa organizada, tomadas desligadas, tudo arrumado… A janela! Fui até ela e a fechei; cruzei o quarto em direção à porta e nesse momento as luzes se apagaram. Não somente as da sala, mas todas as luzes do casarão. O susto foi tão grande que gritei. Simplesmente, não via um palmo à frente do nariz. Não sobrou
nada, nem uma fresta de luz para guiar-me. Fiz meia-volta e ali fiquei, tentando achar qualquer coisa para guiar minha saída do casarão.
— Estúpida! — gritei comigo mesma. Afinal, tinha um isqueiro no chaveiro.
Toquei a calça em busca das chaves e do isqueiro para me lembrar que o havia retirado dali a pedido de Alva… — Ai, droga! Merda… — xinguei, após esbarrar na mesa e machucar o quadril. Era isso! Estava sobre a mesa em algum lugar, mas onde? Toquei a superfície da mesa e passei a mão sobre papéis, canetas, tesoura… Onde está? — perguntava- me, desesperada.Medo. Esta era a definição mais precisa para o que sentia. Sempre tive medo do escuro, fugia ao meu controle, perdia a noção de espaço, de onde estava e, simplesmente, me sentia sufocar. Levei a mão à testa suada e notei que tremia de tão apavorada.
Decidida a me acalmar, comecei a repetir:
— Não há nada no escuro, não há nada no escuro. — Enquanto dizia as palavras, respirava fundo tentando recobrar o fôlego e o controle. Com as mãos sobre a mesa, recomecei uma busca mais calma; quando toquei o isqueiro, gritei de alegria. — Graças a Deus! — Afinal, não foi fácil encontrá-lo e quanto mais acendê-lo. Tentei três vezes sem nada conseguir. Só consegui respirar melhor depois de ver a chama frágil tremular à minha frente, dando-me confiança.
— Não tenha tanto medo do escuro.
O aviso soou de maneira suave, sensual, cortando a escuridão como uma flecha. Ergui os olhos e dei de cara com um completo desconhecido. Sentado comodamente na cadeira, na cabeceira da mesa, ele me observava de maneira calma. Fiquei tão aborrecida com a possibilidade de ele ter me visto naquele estado de pavor que não o olhei direito.
— Que houve com as luzes? — perguntei, achando que se tratava do vigia.
— Eu as apaguei — falou insolente, sem sequer levantar-se.
— E por que o fez? Não há necessidade de o casarão ficar às escuras — falei
taxativa.
— Gosto do escuro — falou, sem dar um pingo de importância ao que eu dizia.
Seu rosto não parecia ter movimento; os olhos azuis brilhavam no escuro, fazendo aquele efeito só conseguido por cães e gatos.
Ele pareceu notar que eu o observava e deu-me um leve sorriso, mas um sorriso malévolo e malicioso. Recuei para trás um tanto assustada.
— Quem é você e o que faz aqui? — perguntei, notando que a voz estava trêmula.
— Acho que a invasora aqui é você — falou, apontando o dedo em riste em
minha direção. Somente naquele momento percebi suas roupas estranhas, ou melhor, antigas. A manga de sua camisa era larga e trazia no punho cordões e uma renda que provavelmente algum dia fora branca, bem como o resto da camisa.
— Vamos, diga! Que faz em minha casa? Que está havendo, onde estão os móveis e todo o resto? — perguntou, alteando a voz, fazendo-me piscar de susto.
Fiquei tão atônita surpresa que ri dele. Foi isso mesmo, eu ri. Nervosismo, medo, sei lá! Mas não foi uma das atitudes mais acertadas a tomar,
porque ele ficou furioso. Saltou da cadeira e ficou em pé para mostrar quanto era alto e forte. Seus ombros largos eram valorizados pela camisa de tecido solto. Foi com grande surpresa que notei o lenço de seda em volta de seu pescoço largo. Era um Plastron, uma espécie de gravata usada no século XIX, se não me engano.
— Do que ri? Acha que sou algum bufão, um truão para rir de mim? — perguntou
mais alto e muito mais agressivo enquanto andava para a frente.
— Não se aproxime! — gritei, reagindo no mesmo tom, recuando para trás.
— E quem pensa que é para gritar comigo, sua pequena insignificante! — Seus movimentos assemelhavam-se ao de um tigre. A calça preta moldada perfeitamente às suas pernas másculas, fortes. Não sei bem ao certo como, mas, totalmente assustada, ainda conseguia sentir-me atraída. Sua beleza chegava a ser um insulto, a assustar, essa era a verdade. — É só isso que consegue sentir? Medo? — o homem perguntou, quase ofendido. Passou a mão pelos cabelos loiros presos numa fita escura e continuou a falar: — Kara, Kara, Kara, pensei que fosse mais corajosa, forte, decidida — falou com um leve sotaque que, no momento, não identifiquei.
— Como… como sabe meu nome? — tentava lembrar-me de onde conhecia seu  rosto. Foi em vão; nunca o tinha visto em toda minha vida, mas seu olhar… eu conhecia.
— Sua amiga, a negra forra, falou, enquanto usava aquela estranha máquina.
Diga-me, sua mão melhorou? — O modo descuidado como falou me chocou.
— De onde afinal você saiu?
— Do sótão, é claro.
— Ai, meu Deus!
— Você chama muito a “Deus”; ele a ajuda tanto como parece?
— Olhe, não sei de onde diabos saiu, mas ordeno que saia desta casa imediatamente!— falei, tentando parecer o mais segura possível. O silêncio foi quebrado com
sua gargalhada, no mínimo gostosa.
— Kara, você deve ter sido uma menina muito mimada e levada, mas lhe digo,uma boca tão perfeita e carnuda não deveria ser manchada com tantos palavrões; contei quatro, apenas enquanto a vigiava — comentou cínico. — Agora, vamos — falou, estendendo a mão num convite perturbador.
— Acho melhor não tentar.

Resenha no site Speculum.


Release:
Melhor do que revisitar antigos personagens é poder dar a eles uma nova vida, mais detalhes e, acima de tudo, muito mais força e carisma. É o que Nazarethe Fonseca fez em sua nova obra, com Kara Ramos e Jan Kmam, o casal de vampiros mais complexo e apaixonante dos últimos séculos.
Neste livro, fica clara a referência aos vampiros clássicos, como o de Bram Stocker, que são jogados em um caldeirão de romantismo digno dos protagonistas de Francis Ford Copolla. Para quem espera algo leve, este é o livro errado, pois a intriga e o terror se entrelaçam como ervas daninhas ao romance dos casal.
Envolvente, atual e real. Acima de tudo, assustadoramente real. É isso o que você pode esperar deste romance. Sinta-se à vontade para entrar na vida de Kara e Kmam. O risco é inteiramente seu! A trama: Um casal de vampiros se vê em meio a uma grande rede de intrigas, perigos e poder. Sua existência é regada a doses vertiginosas de romance e sedução, do tipo que somente as criaturas da noite são capazes de criar. E, como não poderia deixar de ser, igualmente permeada de interesses, jogos de poder e vingança. Os protagonistas da trama já são velhos conhecidos dos amantes dos vampiros: surgiram aos milhares nos velhos séculos e suas histórias foram contadas em Alma e Sangue, o despertar do vampiro. Agora ressurgem com muito mais paixão e fascínio para dar continuidade a esta saga de alma e sangue.

Trecho do livro:
O tom de voz firme, a pergunta direta me alertou, ele estava desconfiado de algo. Estendi a mão e peguei o roupão, Jan não me impediu. Continuou dentro da banheira, majestoso, fitando-me como o mestre, esperando por meus movimentos, por minhas
mentiras.
– Está sempre desconfiando de tudo que digo e faço – reclamei sentida.
– Por que se aborrece quando sabe que é meu dever como seu mestre?
– Vigiar-me, desconfiar? – lutaria até o fim por minha liberdade.
– Kara, não faça drama – ele reclamou, erguendo-se para pegar a toalha.
Ficou à minha frente enquanto enrolava a toalha na cintura, empurrava os cabelos úmidos para trás e prosseguiu:
– O que fez hoje merecia punição – Jan me censurou com firmeza.
– É isso? Quer me punir, usar seu poder de “mestre”?
– Kara… Não seja atrevida – ele avisou.
– O que fiz de errado? Eu apenas despenquei de um prédio…
– Não se faça de tola, Kara! – falou, pondo as mãos na cintura larga. – Quem a ensinou a fazer o bloqueio? Otávio? – pensou e por fim revelou seguro. – Não, ele jamais o faria. Foi Asti, não foi? – Jan Kmam cobrou aborrecido. – Ela não tem o direito de passar por cima de minha autoridade – quem falava era o mestre e não meu amante. – Eu decido o que você deve ou não aprender. Além disso, é um dom de proteção e não de vigilância, como acredita ser, Kara.Jan Kmam deixou o banheiro e foi para o quarto sem ouvir meus pedidos de desculpa. Chegando lá, vestiu somente o roupão de seda negra com impaciência.
Não prendeu os cabelos ou procurou os chinelos, continuou descalço. E quando entrei no quarto ele foi para a cozinha se servir de um cálice de sangue. Mas podia sentir seu olhar sobre mim enquanto me penteava.

A autora:
Nazarethe Fonseca nasceu em São Luís, no Maranhão. Leitora voraz desde a infância, manteve o hábito de devorar seus livros na calada da noite. Sua paixão pelo soturno passou a abraçar os filmes, as músicas e tudo com uma capacidade inerente de gerar a atmosfera fascinante do sobrenatural. Como predestinação, os vampiros foram os personagens que mais marcaram esse prazer, fazendo aflorar a arte das letras, que a autora exerce desde seu primeiro romance.

Entrevista para o site Vampirus Brasil

Entrevista para o site Cranik


5 comentários em “Nazarethe Fonseca”

  1. fantastik.com.br » Anno Domini comentou:

    [...] pouco ou mais conhecidos, e também de autores veteranos, como Raphael Draccon, Claudio Villa, Nazarethe Fonseca e Madô Martins. Uma viagem a um passado muito mais presente em nossas vidas do que [...]

  2. fantastik.com.br » Alma e Sangue está de volta. comentou:

    [...] Século) e ler um trecho de Kara e Kmam (lançado pela editora Tarja), é só visitar a página da Nazarethe Fonseca dentro do Fantastik. frontpage Fantastik.com.br – design de Carolina [...]

  3. fantastik.com.br » Nua pensativa comentou:

    [...] volumes da coleção Necrópole e também da coleção Paradigmas, além de ter criado a capa de Kara e Kmam e Protocolo Anúbis, sem contar as belíssimas capas da coleção Paradigmas, muito [...]

  4. fantastik.com.br » Você sabe o que é um vampiro? comentou:

    [...] para a Nazarethe Fonseca, autora da saga Alma e Sangue, fazer um artigo simples sobre vampiros aqui para o Fantastik. Ia [...]

  5. Nazarethe Fonseca | podcast do Aguarrás comentou:

    [...] @ Fantastik [...]

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