Martha Argel é uma autora paulistana que divide seu tempo entre livros de literatura fantástica e publicações sobre aves. A Martha é bióloga com doutorado em ecologia de aves, possui diversos trabalhos na área, e um dos mais famosos é o Maravilhas do Brasil: Aves. O livro foi um grande sucesso de vendas e esgotou a primeira edição em menos de um ano, gerando um calendário premiado e uma agenda. Novos volumes devem sair em breve.
Na parte de literatura fantástica, um de seus trabalhos de maiores destaque é O Vampiro Antes de Drácula, escrito com o Humberto Moura Neto. Se você quer saber como as histórias de vampiro foram se transformando na literatura e no cinema até chegar ao que conhecemos hoje, é por ele que você deve começar. O livro é dividido em uma parte teórica, com muita pesquisa, e uma parte de contos, com presença de Bram Stoker e Allan poe, por exemplo. Ela também participou da coletânea Amor Vampiro, ao lado de André Vianco e Giulia Moon, dos autores ícones da literatura vampiresca.
Release de O Vampiro da Mata Atlântica:
Dois jovens cientistas, Xavier Damasceno e Júlio Leverreaux, são contratados para avaliar a biodiversidade de uma área a ser preservada, situada na região do Alto Ribeira, sul do estado de São Paulo.
Depois de uma viagem difícil, chegam ao local e ficam fascinados com a beleza da floresta e o excelente estado de conservação do ambiente. As descobertas se sucedem, mas uma delas não é nada do que esperavam. Daí em diante, eles vão ter que se esforçar muito para conseguirem ficar vivos!
O Vampiro da Mata Atlântica traz todos os ingredientes de uma boa aventura na selva: os heróis destemidos e idealistas, a floresta exuberante, uma sucessão de fatos emocionantes e, especialmente, um vilão feroz, assustador e cruel.
Não fosse suficiente a trama intrigante e bem tecida, o livro ainda traz uma qualidade que o torna único. Ao mesmo tempo em que narra as fascinantes descobertas e os perigos vividos por dois jovens cientistas na floresta tropical da Serra do Mar, o romance traz, como pano de fundo, um retrato vívido do dia a dia dos pesquisadores brasileiros em campo e de como é gerado o conhecimento sobre nosso ambiente.
Recheado de informações sobre a Mata Atlântica, sua biodiversidade e os perigos que enfrenta, este livro destaca-se pelo modo como combina, de modo hábil, a ficção e a realidade. Embora abundante, a informação científica não aparece de forma gratuita ou maçante. A Mata Atlântica, com todas as características que vão sendo descritas ao longo do livro, tem um papel importantíssimo em toda a trama, e é sem dúvida um personagem tão destacado quanto os dois biólogos e o monstro que os ameaça.
Nascido sobretudo da vivência de quase 30 anos de Martha Argel em seu trabalho como ornitóloga e ecóloga, O Vampiro da Mata Atlântica revela uma certa tonalidade autobiográfica. Isso porque em suas páginas aparecem inúmeras situações reais, vividas de verdade pela autora e por seus colegas cientistas.
Para tornar o livro ainda mais especial, ao final foi incluído um apêndice com informações adicionais sobre a Mata Atlântica, espécies animais citadas no texto e outros assuntos de interesse, além de sugestões de leitura e a bibliografia usada.
A Mata Atlântica, considerada um dos hotspots mundiais de diversidade biológica (isto é, uma das áreas mais ricas em espécies no mundo), é um patrimônio dos brasileiros e da humanidade. Entendê-la, para entender como enfrentar os perigos que a ameaçam, é, mais que um dever, um direito de todos aqueles que se importam com a sobrevivência da Vida no planeta Terra. Conhecer melhor o patrimônio natural brasileiro nos dá mais instrumentos para defender o que é de todos. E isso nada mais é do que o exercício da cidadania.
Personagens:
Xavier Damasceno é um jovem ornitólogo (especialista no estudo das aves) que batalhou muito para romper a barreira do racismo informal brasileiro, e agora está terminando sua dissertação de mestrado sobre a mais magnífica das aves brasileiras: a espetacular harpia, ou gavião-real. E é por causa de sua paixão científica que acaba se metendo na mais assustadora experiência que já enfrentou.
Júlio Leverreaux é um mastozoólogo, ou seja, especialista em mamíferos. Além de ser um excelente pesquisador, com uma energia e um conhecimento impressionantes, é um safado oportunista e folgado. Mas uma coisa deve ficar clara: embora tenha sido dele a desastrosa idéia da excursão às matas do Alto Ribeira, ele não teve culpa alguma pelos acontecimentos horríveis que se desenrolaram.
O vampiro. Dizem que ele mora lá pros lados da Saripoca. Andou matando gente. Hoje a vila está abandonada, fugiu todo mundo por causa dessa assombração horrorosa. Vocês querem passar a noite lá? Isso é coisa de maluco!
Saindo um pouco da literatura vampiresca, Martha lançou em 2006 o pocket O livro dos contos enfeitiçados, da coleção Novos Caminhos da editora Landy.
O livro dos contos enfeitiçados
São 109 páginas, divididas em 7 contos:
- Amarelo… amarelo…
- Eu detesto futebol
- O verdadeiro poder
- O olho vermelho
- Final feliz (meu predileto, uma verdadeira crítica ao hipermodernismo e a sociedade de consumo)
- O livro dos contos enfeitiçados
- Sofia
Um pouco da introdução:
“Desde que surgiu como espécie, o ser humano tenta entender os fenômenos que ocorrem ao seu redor, procurando estabelecer as relações de causa e efeito capazes de explicar os acontecimentos que testemunha e que interferem em sua vida.
Quando tais relações não são evidentes, ou de tão complexas são rejeitadas pelo senso comum, surgem as explicações sobrenaturais. Evocam-se processos maravilhosos, míticos e mágicos como responsáveis por fatos de outra forma inexplicáveis atribuídos a seres de outras dimensões – deuses, espíritos, demônios, fadas.
Afinal, existe ou não magia?
Quem pode saber se as bruxas, os feiticeiros e a magia são reais ou não?”.
Atuando com força total em livros de contos, Martha Argel publicou sem primeiro romance em 2002. Uma história policial com vampiros, nas palavras da própria autora.
Release de Relações de Sangue:
Esqueça os cemitérios, masmorras ou castelos isolados em algum país distante. Em seu romance de estréia, Relações de Sangue, Martha Argel traz os vampiros para o dia-a-dia, para o cotidiano de uma metrópole brasileira, para dentro de nossa vida.
Ambientado na capital paulista, o livro é narrado por Clara, uma mulher que levava uma vida comum até o dia em que a primeira criatura das trevas cruzou seu caminho. Para ajudar Lucila, sua sedutora “amiga” vampira, Clara envolve-se cada vez mais com o perigoso mundo dos vampiros e com a investigação de uma série de mortes misteriosas. De um lado, a vida normal e os amigos mortais, que quer a todo custo proteger; de outro, o fascínio pelo encanto e poder dos vampiros. Clara sabe que sua vida nunca mais será a mesma e que terá que lutar para continuar… viva!
Com uma narrativa bem-humorada e inteligente, Relações de Sangue é um livro com um ritmo alucinante e uma trama envolvente, que prende a atenção dos leitores do início ao fim.
Martha Argel aproxima os vampiros de nosso dia a dia, trazendo-os para um cenário tipicamente brasileiro e moderno. Nada de caixões, capas, frágeis donzelas e vampiros monstruosos. O que há de mais aterrorizante nesses vampiros é que eles podem estar em qualquer lugar: dirigindo o carro da frente ou assistindo a um filme a seu lado no cinema. E se você não reconhece o inimigo, como poderá se proteger?
Um trecho do primeiro capítulo:
“Eu levava uma vida bem normalzinha até que conheci meu primeiro vampiro. Na verdade, uma vampira. Uma coisinha delicada, do tipo mignon, que logo de cara quebrou o pescoço de dois sujeitos, secou um terceiro e ainda por cima me passou uma cantada. Hum, essa última pode não parecer grande coisa pra você, mas considerando o quão raras eram as cantadas na minha vida de eremita voluntária, que nunca na vida eu tinha levado uma cantada de outra mulher, e muito menos de alguém que vive de chupar sangue dos outros…
Mas acredite, um vampiro traz outro, o primeiro pode demorar, mas depois de algum tempo sua vida fica cheia deles. Opa, a palavra-chave aí é vida. Desde que você continue vivo, bem entendido.
Eu pelo menos continuo. So far, so good, como dizem os anglófonos, “Até aqui, tudo bem”.
Depois da primeira, não demorou muito pra aparecer o segundo.
Eram duas da manhã, pouco mais, pouco menos, e eu lutando contra o sono para continuar vertendo para o inglês um trabalho científico. É o que eu faço para viver. Quer dizer, uma das coisas que faço. Faço de tudo um pouco. Aproveito minha formação em biologia, minha natural facilidade em escrever e um dom para as línguas, e vivo de quebrar o galho de outros que foram menos favorecidos pela natureza nesses quesitos. Traduções de livros-texto, documentários e bulas de remédio, revisões de trabalhos científicos, um servicinho aqui e ali como ghost-writer para médicos e cientistas que acham que uma cultura geral é dispensável se você consegue um título acadêmico alto o suficiente, e vou tocando a vidinha. Não vou ficar rica com isso, mas dá pra viver. Também não é emocionante. O bom da coisa é não ter de sair de casa. Pensando bem, acho que melhor ainda é não ter de enfrentar classe após classe de alunos pentelhos, como fiz durante oito anos de minha vida. Não me arrependo dos anos de docência, mas também não me arrependo de ter largado dessa vida”.
No ano seguinte, Martha voltou aos contos com o instigante O vampiro de cada um.
Release:
“Qual é seu vampiro? Porque, claro, você tem um vampiro. Todos nós temos, na imaginação ou dentro do coração. E qualquer que seja ele, você o encontrará nestas páginas. O vampiro sedutor. O vampiro seduzido. O morto-vivo ambulante. O monstro sedento de sangue, vida e energia ou o ser imortal e irresistível faminto de amor e paixão. Em um destes treze contos, lá estará ele: o vampiro dos seus sonhos. Ou de seus pesadelos.
Espere a noite cair, sirva-se de uma taça de bom vinho tinto e escolha a poltrona mais confortável. Uma trilha sonora adequada. Não esqueça o crucifixo e a água benta e dê início à caçada…”
Pesquisando um pouco, consegui achar a lista dos contos e uma explicação sobre cada um deles.
Contos:
- Introdução: O vampiro de todos nós >> Porque todos nós somos vampiros…
- Maldição – Um conto manuelino >> Um conto gótico, inspirado na delicada e exuberante arquitetura do Mosteiro dos Jerônimos, uma das mais belas construções de Portugal.
- Filha da noite >> O que você faria caso se encontrasse com uma vampira em plena noite paulistana? A vampira Lucila, personagem do romance Relações de Sangue, revela-se ao leitor, neste conto, sem nenhum disfarce.
- Mas eu não queria… >> Pode ser arriscado bisbilhotar a conversa alheia…
- Lua de sangue >> Existem criaturas muito mais aterradoras que os vampiros. Você duvida?
- Notas boas >> Algo estranho acontece na escola do diretor Cléuber e ele não vai descansar até desvendar esse mistério!
- O amor e a queda >> O fim de um romance é sempre trágico, em especial quando envolve um vampiro.
- A noite do voyeur >> Um jogo de sedução com a vampira Lucila, baseado num roteiro do escritor Adriano Siqueira.
- Reencontro com a humanidade >> Até mesmo um vampiro pode precisar de um pouquinho de encorajamento…
- Roupas e vingança, que mulher não adora? >> Tudo é possível quando uma escritora resolve contracenar com sua própria vampira!
- O defunto assanhado >> No bairro do Ariá, ali memo na divisa cum Minas,cunticia cada coisa que contano ansim ninguém nem cridita. Qui nem o causo do difunto assanhado…
- A lei do mais forte >> Os vampiros existem, e exigem seus direitos de cidadãos mortos-vivos. Inclusive o direito de matar.
- Um conto trash >> O pânico invade as pequenas cidades de Murituba e Sepodi quando os mortos resolvem atacar os vivos.
- De arte e imortalidade >> Um debate sobre a mortalidade do artista e a permanência da arte, na Veneza renascentista. Este conto é um prólogo para meu próximo livro, uma história de sedução e dominação passada no século XVIII.
Trecho do conto A noite do voyeur:
“Ele está lá. Ela se aproxima da janela, e erguendo os braços começa uma dança sensual, ao som da música que diz que cada coisa tem seu tempo. Mesmo daquela distância ela sabe que o coração dele bate mais forte. Ela conhece o homem que a vigia. Ela o compreende. Ele, seu brinquedo.
Ela fecha os olhos e deixa-se levar pela música para o centro da sala, onde pés descalços afundam no tapete espesso. Há semanas ela sabe que toda noite ele estará àquela janela, por trás da luneta, observando-a, sabendo-se percebido e sabendo que, assim como ela tem a atenção dele, ele tem a dela. Jogo à distância, dois jogadores com movimentos diferentes e objetivos diferentes, mas um só jogo.
E há semanas ela brinca com ele. Veste-se para ele. Escolhe suas vítimas para ele. O homem gordo, o adolescente cheio de espinhas, o velho trêmulo, o mendigo andrajoso. Mais que petiscos, palavra que uma noite ela lhe sussurrou ao ouvido, eles são instrumentos. Qual o escandaliza mais? Qual o excita mais?
Toda as noites ela tem dançado, corpo ondulando num ritual hipnótico, a mira mais nos olhos dele que nos do amante fugaz, nunca o mesmo, sempre igual”.
Pela antiga editora Writers, lançou 2 livros de contos e organizou 1:
Release:
Nove contos que exploram situações pelas quais muita gente já passou: Você nunca se pegou imaginando o que se passa por trás do olhar profundo de um gato? Quantas mulheres já não desejaram que o futebol sumisse da face da terra? Quantos amigos ou parentes seus não terão tido a terrível experiência de serem assaltados no meio da noite?
Lista de contos:
Olhos de gato
Aparências enganam…
Terceira de Górecki
Do lado errado do Atlântico
Mas existem vampiros?
Eu detesto futebol
Bichinhos cheios de pernas
Más companhias
Durante as compras
A última colheita
Trecho do conto As aparências enganam:
“Era uma daquelas noites típicas de julho, gelada e seca, em que o ar corta os pulmões da gente a cada respiração. O céu estava tão estrelado que a lua, nova por essa época, nem fazia falta; daria para ler um jornal só com a luz das estrelas, se os jornais chegassem naquelas lonjuras. O inverno tinha calado os grilos e espantado para terras mais quentes quase todas as aves noturnas. A paisagem parecia ter sido mergulhada em algum líquido conservante escuro e frio, e parecia que ia ficar assim para sempre, imóvel, silenciosa e sem vida.
É em noites como aquela que a gente não só se sente inclinado a acreditar que os discos voadores existem, e que estão visitando nosso planetinha a toda hora, como tem a sensação de que seria um desperdício se não existissem visitantes alienígenas.
Ela foi acordada por um facho de luz que vinha lá de fora através da janela da sala e, passando pela porta de comunicação, iluminava todo o pequeno hall para o qual se abriam os quartos e o banheiro.
Um raio de luz branca, poderoso, que se movia para os lados, para cima e para baixo, examinando tudo e procurando algo. Ela se arrepiou inteira”.
Os outros são Contos Improváveis, com nove histórias que vão do humor ao terror…
Consulte o Aurélio
Cola
O mal que as estatísticas ocultam
Amarelo… amarelo…
Para além da vida e da morte
Guardião
Vizinhança
A escolha
… e Lugar de Mulher é na Cozinha, que merece um relançamento ou segunda versão (né, Martha?).
Release e participantes:
“Esta coletânea que coordenei é formada por doze contos de Literatura Fantástica, Fantasia e Ficção Científica, escritos por doze autoras, sobre mulheres, cozinhas, coisas que mulheres fazem na cozinha e coisas que você jamais pensaria que uma mulher pudesse fazer na cozinha… Participaram deste apetitoso projeto: Liliana Medeiros, Ana Cristina Luz (de Portugal), Giulia Pierro, Nilza Amaral, Mariana Albuquerque, Neusa Ximenes, Fernanda Bohm, Maria Lúcia Perrone Passos, May Parreira e Ferreira, Adrana Simon, Viviane Scholtz e Martha Argel”
A Autora:





September 4th, 2008 at 9:49 pm
[...] por Martha Argel e Humberto Moura, sai em edição caprichada da editora Aleph o livro O Vampiro antes de [...]
September 10th, 2008 at 1:59 am
[...] A Flor do Mal, de Martha Argel, é ambientado na fria Florença, numa época que nos remete à efervescência do Renascimento. A [...]
November 23rd, 2008 at 12:35 am
[...] o link de uma entrevista que fiz com a Martha Argel para o Aguarrás. Você também pode ver um resumo das obras da autora no Fantastik. Ah, e se na verdade você quer saber mais sobre a editora, eu também dou uma [...]
February 7th, 2009 at 12:48 pm
[...] o link de uma entrevista que fiz com a Martha Argel para o Aguarrás. Você também pode ver um resumo das obras da autora no Fantastik. Ah, e se na verdade você quer saber mais sobre a editora, eu também dou uma [...]
April 22nd, 2009 at 1:45 pm
[...] na parte de livros. O primeiro a chegar é O Vampiro da Mata Atlântica, da digníssima Martha Argel. Você já pode ler o release do livro e um perfil completo da [...]
April 26th, 2009 at 4:50 am
[...] informações sobre O Vampiro da Mata Atlântica. Foi liberado um preview dos [...]
June 8th, 2009 at 2:24 am
[...] de O vampiro antes de Drácula, livro de referência para qualquer amante do tema. A autora, Martha Argel, também aparece bem posicionada, acredito que não só pelo bom desempenho contínuo de “O [...]
October 13th, 2009 at 5:45 pm
[...] escritora Martha Argel, autora de O Vampiro da Mata Atlântica e O Livro dos Contos Enfeitiçados, publicou um conto no [...]