Kaori: Perfume de Vampira
Século XVII: Kaori, uma bela garota com o perfume da sedução, trilha caminhos perigosos entre samurais, senhores feudais, prostitutas e criaturas mágicas do folclore japonês. No seu caminho, surge José Calixto, um artista sensível e apaixonado, capaz de tudo para dar vida a uma obra imortal.
Século XXI: na fervilhante Avenida Paulista, coração de São Paulo, Samuel Jouza tem uma profissão peculiar. Ele observa vampiros para um misterioso instituto de pesquisas. Mas o olheiro percebe que a sua profissão é muito mais perigosa do que imaginava, ao salvar um menino das garras dos sanguessugas.
De um lado, a magia das sagas heróicas de samurais, o mistério das antigas lendas do Japão. Do outro, uma aventura ágil e atual, que tem como cenário o Brasil. Dois universos se entrelaçam e se cruzam neste novo romance de vampiros escrita por Giulia Moon.
Trecho do Capítulo III - Aqueles que Vêm com a Noite
1648 – Período Tokugawa, Japão
A garota abriu os olhos. Encontrava-se dentro de uma construção empoeirada. Havia uma vela acesa perto de si. Trêmula, a menina ergueu a vela para ver melhor onde estava. Parecia um antigo jinja1 abandonado. Havia um altar com o deus Hachiman2 coberto de pó. De repente, a chama da vela iluminou um vulto agachado num dos cantos. Dois olhos sinistros faiscaram. Com um grito de pavor, Kaori soltou a vela e correu para o lado oposto, procurando pela saída. Havia uma entrada principal, mas estava lacrada pelo lado de fora. A jovem, desesperada, começou a bater com os punhos na barreira.
– Não há como sair… Você não pode fugir de mim.
Kaori voltou-se, tremendo, para o homem desconhecido e encontrou-o de pé, acendendo a vela que ela deixara cair. Usava uma veste rota, com calças esfarrapadas e uma túnica esburacada, sob a qual surgiam dois grandes pés nus, escuros de sujeira. Tecidos cobriam o seu rosto, onde apenas os dois olhos brilhantes estavam à vista. Tinham íris amareladas, como os de um tigre. Olhos de oni3! Aterrorizada, a menina sentiu as pernas bambas. Ela deslizou rente à parede, até agachar-se no chão, apavorada. Assim, com o rosto escondido entre os braços, ouviu-o aproximar-se. Estremeceu quando sentiu as mãos dele sobre os seus braços, obrigando-a a se erguer.
Ele a colocou sobre o ombro, como se fosse um fardo qualquer, e levou-a até um canto, onde havia um acolchoado e almofadas. Depositou-a sobre o leito, e ficou ali, olhando, até que ela abrisse os olhos. Então levou a mão ao seu próprio rosto e puxou o tecido que lhe cobria a boca. A menina arregalou os olhos. A boca era grande, sensual. Os lábios, rosados e úmidos. Os caninos curvados eram os maiores que já vira. Já ouvira falar de uma criatura assim. Ele era um kyuketsuki4. O demônio sugador de sangue.
1. Jinja – templo xintoísta.
2. Hachiman – deus identificado com o antigo imperador Ojin e deus da guerra.
3. Oni – demônio.
4. Kyuketsuki – vampiro, em japonês. Palavra composta de três ideogramas: Kiu (sugador),
Ketsu (sangue), Ki (demônio).
A Dama Morcega
Onze contos fantásticos. Onze narrativas que trazem personagens do imaginário brasileiro ao lado de vampiros, assombrações e outras criaturas clássicas de terror universal. Giulia Moon conta neste seu novo livro onze estranhas aventuras de seres sobrenaturais: um menino e o seu amigo invisível; um herói que carrega um diabinho tagarela no ombro; um ser bizarro que assombra livros usados; uma conversa do Saci com o Menino Jesus. O conto A Dama-Morcega, que dá nome ao livro, narra a história de uma misteriosa mulher desmemoriada descoberta num circo de horrores por um médico, Olavo Alencar, que se dedica a descobrir o fenômeno oculto sob a sua fisiologia peculiar. Uma vampira de verdade? Ou apenas uma aberração médica? O conto A Dama-Morcega revisita as clássicas narrativas de cientista versus criatura fantástica, acrescentando à trama o colorido bem brasileiro de uma São Paulo nos primeiros anos do século XX.
O livro A Dama-Morcega traz o prefácio de R. F. Lucchetti, escritor e roteirista de cinema e quadrinhos.
Os contos:
Luna Errante
Júnior e o Seu Gnuko
O Vampiro e a Donzela
Perdido!
O Paraíso
O Ser Obscuro
O Herói e o Diabrete
Perigosa Ilusão
A Tia-Madrinha
A Dama-Morcega
Pé-de-Moleque em Dezembro
Trecho do livro, extraído do conto A Dama Morcega:
“A jaula estava lá. E, dentro, Agnes. Usava um vestido branco, diáfano, de bailarina. A platéia remexia-se, incomodada. Uma mulher frágil estava ali, dentro da jaula, olhando para os assistentes com ar de desamparo. Algumas pessoas sussurraram umas com outras. De repente, alguém gritou:
– Covarde, solte a pobre moça!
Como resposta, Schiavo estalou o chicote. O público soltou uma exclamação em uníssono. Agnes tinha saltado para o teto da jaula e encontrava-se pendurada de cabeça para baixo, desafiando a gravidade como um morcego de verdade. O tambor soou. O chicote estalou de novo. E ela voltou para o chão, onde ficou agachada, os olhos rubros a vigiar os passos do domador.”
Vampiros no Espelho
Em relatos fantásticos em que o inusitado é apresentado com surpreendente realismo, Giulia Moon nos conduz através de histórias de criaturas extraordinárias num jogo de espelhos às vezes apavorante e cruel, noutras vezes bem-humorado.
Por tradição, vampiros não têm reflexo nos espelhos. Por isso, desde sempre, a única forma de se registrar a presença de um vampiro tem sido através de narrativas que trazem à luz detalhes e “retratos falados” desses seres fascinantes. Eis o motivo da primeira parte deste livro denominar-se Vampiros no Espelho. Cruéis, ariscos, perigosos e até mesmo engraçados – eles aparecem com todo o seu mistério, refletidos nas palavras deste espelho.
A segunda parte deste volume, Seres Obscuros, fala de outros personagens fabulosos. Dezessete contos fantásticos relatam instantes em que criaturas sobrenaturais roçam de forma ligeira, mas definitiva, a vida dos mortais. São seres famintos de amor, de vida, de sangue. Rondam nas sombras, espreitam nas frestas, dançam e cantam sob a luz das estrelas. Assombrações, mortos-vivos, dragões, bruxas – e mais vampiros – fazem a sua performance para a platéia deste espelho, atravessando campos e florestas imaginários ou agindo em cenários familiares de uma cidade, um bairro, uma rua como a sua.
Por isso, observe os vampiros e os demais seres obscuros neste espelho de palavras. Se você já sentiu algum dia um fascínio inexplicável por uma noite de lua cheia, desejou seguir uma música encantadora que vem da floresta, ou quis descobrir de onde vem o choro lúgubre que ecoa nos cantos escuros de uma velha casa, aceite o convite de Giulia para esta jornada. Delicie-se com Vampiros no Espelho & Outros Seres Obscuros.
Os contos:
I. VAMPIROS NO ESPELHO
Rock’n Rose
O Verdadeiro Rosto de Satan
Festa Rubra
Mater Dolorosa
Cenas de Cinema
Dama-da-Noite
Pequena Lição de Educação Sexual
Danse Macabre
Retrato em Sépia
Mil e Trezentos Vampiros
A Santa dos Meninos de Rua
Uma Vampira no Rio
Amor Vampiro
Amor Mortal
Amor Venial
Pater Nobilis
II. SERES OBSCUROS
O Monstro que Devorou a Lua
Jantar a Bordo
Natal Escarlate
Cássia
E-Maus
O Cabelo
O Dragão Tricéfalo contra o Santo Valente
Vida de Artista
Miado Blues
Pesadelo
O Noviço Sem Orelhas
A Voz
Ele Está Observando Você
Boneco de Pano
Kiuketsuki
Parasitas!
Era Uma Vez
Trecho do livro, extraído do conto Mil e trezentos vampiros:
“Ela estava lá, como num sonho. Os cabelos curtos mostrando um pescoço fino e alvo. A jaqueta vermelha era um morango reluzente e macio. Nem sabia por que tinha tanto tesão por uma magriça. Tanta mulher mais gostosa por aí… De repente, ela estava sobre ele, fazendo-o sentir coisas. Suas mãos pequenas eram hábeis, tanto em excitar quanto em submetê-lo de uma forma esquisita. Segurava o seu braço, apertava o seu rosto de um jeito que não gostava. Mesmo excitado. Mesmo louco para que ela não parasse o que estava fazendo. Então… O que estava fazendo… mesmo?
Ela estava se alimentando. Empoleirado sobre a laje de uma construção a alguma distância, Augusto os observava. Afastou o binóculo dos olhos e anotou na caderneta: técnica mista de sedução e hipnotismo. Tratava-se de uma vampira experiente, a elegância no ataque era exemplar. Nada de sujeira desnecessária, violência ou sofrimento da presa. Vampiros urbanos eram assim mesmo, sutis. Por isso os admirava.”
Sinopse de Luar de Vampiros:
A noite é dos vampiros. Eles amam. Matam. Ou apenas passam como sombras pelas janelas dos mortais. No submundo da noite reinam, predadores noturnos sutis e cruéis. Aqui, você vai conhecer esses seres sob o olhar da lua. O luar – luz noturna – flagra momentos de vampiros, criaturas ariscas e raras, em seu habitat. Vampiros de espécies diferentes, como o são os seres humanos, tão diversos em caráter, temperamento, destino e, por isso mesmo, tão fascinantes. Os vampiros sempre exerceram um fascínio irresistível sobre nós, pobres mortais. Entre num mundo proibido através do livro LUAR DE VAMPIROS, o livro de estréia de Giulia Moon. São dez contos de vampiros. Dez faces pálidas na escuridão. Apague as luzes e espere. Eles não gostam da claridade. A não ser a do luar.
Os contos:
Um tédio de matar
O amante noturno
Educação milenar
Uma vampira em Nova York
Gia e o seu alvo
Incompatibilidade de gênios
Sangue de Lúcifer
O sorriso de Felícia
Desejos são rubros
A Dama Branca
Trecho do livro, extraído do conto Uma Vampira em Nova York
“O toalete feminino era perfumado com um aroma amadeirado. Telas de tecidos tingidos de vermelho – ah, a cor favorita, depois do negro… – e espelhos. Espelhos que não refletem Maya. Apenas mostram a figura espantada da garota – mamma mia – que se depara com os caninos brancos da vampira ao voltar-se, após lavar as mãos e retocar a maquiagem borrada. Um gosto agridoce de sangue jovem, anos de spaghetti al sugo que nem os won-tons de banana com canela conseguiram eliminar… e o efeito estonteante de vinho de qualidade correndo ainda nas veias vigorosas da ragazza.
Então a amiga saindo da toalete olha, estupefata, para o corpo da companheira no chão. E depois, para o rosto pálido de Maya a um centímetro do seu.
– Cara mia… – Um doce sussurro nos ouvidos enfeitados pelos brincos dourados. Um leve roçar nos piercings do umbigo e o corpo sob o seu, completamente abandonado…
Maya sorriu, admirando o tatoo no ombro branco e largo da bella bambina. Uma rosa vermelha. Um sinal. Um gosto delicioso de pecado. – Bitch! – Era possível? A vagabunda gritara. E a xingara. Com um movimento implacável, Maya dobrou-a em dois. As costelas perfuraram o top, ossos brancos surgindo sob a estampa colorida. Um jorro de sangue quente colheu o rosto de Maya. Um grito. Mais gritos. Logo, um restaurante chamado Indochina iria parar nas manchetes dos jornais.”
Luar de Vampiros está quase esgotado.
Você ainda pode encontrá-lo na livraria Asabeça ou nos sebos da cidade.
Entrevista da Giulia para o site O entrevistador.




August 27th, 2008 at 2:37 am
[...] O prefácio é de Giulia Moon. [...]
November 8th, 2008 at 8:41 pm
[...] poe, por exemplo. Ela também participou da coletânea Amor Vampiro, ao lado de André Vianco e Giulia Moon, dos autores ícones da literatura [...]
March 24th, 2009 at 2:22 pm
[...] Giulia Moon dá a boa notícia. Terminou seu primeiro romance vampiresco. Para quem não sabe, a Giulia é uma contista de mão cheia e o romance é aguardado com bastante ansiedade entre os fãs da escritora e de literatura vampiresca em geral. Para começar a divulgação, um trecho do livro foi disponibilizado no blog da autora com o título Kaori – perfume de vampira. frontpage Fantastik.com.br – design de Carolina Vigna-Maru [...]
July 23rd, 2009 at 1:13 pm
[...] Giulia Moon manda avisar que o conto Ciclo Vital acaba de ser publicado online no site Contos Fantásticos. [...]
August 26th, 2009 at 12:40 am
[...] pessoár! Essa semana o Fantastik colocou no centro da roda a escritora Giulia Moon. A Giulia é uma contista de mão cheia e está lançando o seu primeiro romance, Kaori: Perfume de [...]
August 28th, 2009 at 8:31 am
[...] prosseguimento à semana especialíssima de divulgação de Giulia Moon e seu Kaori: Perfume de Vampira, fica aí o primeiro bloco da entrevista que a Giulia deu para [...]
December 23rd, 2009 at 3:38 pm
[...] Giulia Moon lança seu primeiro romance. Kaori – Perfume de Vampira mistura elementos da cultura japonesa com o frenesi da cidade de São Paulo. Como parte da semana de divulgação do livro, a autora comenta qual Trilha Sonora inspirou a criação de Kaori (me apresentando Gackt Camui) e de quebra dá uma entrevista falando sobre o livro. [...]
December 23rd, 2009 at 5:33 pm
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February 3rd, 2010 at 2:54 am
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February 3rd, 2010 at 3:23 am
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March 4th, 2010 at 1:15 am
[...] Giulia Moon no Fantastik [...]