1. Fale um pouco sobre a história de Kaori: Perfume de Vampira?

“Kaori” traz dois mundos, duas histórias, duas narrativas distantes no tempo e espaço. A protagonista principal, Kaori, é uma garota que foi transformada em vampira durante a adolescência na época do Japão feudal. Uma parte do livro conta como foi essa transformação, de que forma Kaori atravessou dois séculos, sobrevivendo nas sombras durante o período Tokugawa, no Japão. A Kaori do passado se depara com pérfidas cortesãs, bravos samurais, daimyôs impiedosos e criaturas fantásticas do folclore japonês como nekomata, um gato monstruoso de duas caudas, ou os karasu-tengus, demônios com corpo de gente e cabeça de corvo.

Outra parte do livro se passa na São Paulo atual, quando Kaori se envolve com um mortal, Samuel Jouza, um homem que exerce uma profissão peculiar – ele é um vampwatcher, um observador de vampiros que cataloga os desmortos para um misterioso instituto de pesquisas. Uma trama de suspense vai se desenrolando em meio ao caos urbano da megalópole paulista. Entram em cena os modernos vampiros urbanos providos com toda a parafernália tecnológica dos paulistanos endinheirados, o intrigante instituto de pesquisas e os seus objetivos secretos, o aparecimento dos famélicos, uma nova raça de criaturas fantásticas, e a nevrálgica relação entre a vampira Kaori e o mortal Samuel.

As duas partes vão sendo narradas em paralelo, os capítulos do passado se alternando às do presente, os acontecimentos do século XVII desvendando os mistérios de 2008, até se fundirem ao final. É importante que o livro seja lido na ordem para que a leitura seja mais recompensadora e intensa.

 

2. Qual a relação com suas obras anteriores?

Kaori  se tornou conhecida na coletânea Amor Vampiro, publicada pela Giz Editorial em 2008. No conto da coletânea, Dragões Tatuados, ela e o vampwatcher Samuel se encontram pela primeira vez, com todas as implicações perigosas decorrentes de um relacionamento humano-vampira. Na verdade, o Dragões Tatuados é uma parte do livro Kaori, que ainda se encontrava em estado embrionário, que reescrevi em forma de conto para a coletânea. Antes disso, a personagem já tinha aparecido em dois contos curtos, Gueixa e Kyuketsuki. Por aí dá pra se notar que Kaori estava lá, na minha cabeça, há tempos, querendo crescer.

Isso aconteceu depois de uma conversa com o editor Ednei Procópio, da Giz, na Bienal do Livro de 2008. Eu tinha resolvido dedicar seis meses da minha vida, abandonando todos os outros compromissos extra-literatura, para escrever. Apenas escrever. Só não sabia direito o quê. Ednei me disse: “reveja tudo o que você fez até agora como escritora e aí decida no que vale investir esses seis meses”. Fui pra casa aquele dia pensando nisso.

Bom, foi graças à participação na Tinta Rubra, um grupo de escritores de contos de vampiros, que eu comecei a escrever regularmente. Já era conhecida no meio como “escritora de vampiros”, graças aos meus livros anteriores. Os leitores sempre me pediam um romance de vampiros. E, por fim, eu mesma sentia que faltava ainda produzir algo mais longo, mais complexo, dentro do tema. Ora, era inevitável que o meu primeiro romance fosse de vampiros.

Analisando o material que já dispunha, notei que já tinha cerca de sessenta páginas de Kaori , escritos em diferentes épocas, onde estava mais ou menos delineada parte do seu passado, além de algumas situações de uma aventura no presente. E eu sempre desejara escrever uma história que tivesse como cenário o Japão antigo, de samurais e xóguns. Pronto, havia motivos suficientes para escolher Kaori  como o meu primeiro romance. Ele se tornou uma consequência natural da minha trajetória até aqui como escritora.

 

3. Como foi a transição dos contos para o romance?

Ah, escrever um romance é muito diferente de escrever um conto. O conto precisa necessariamente de boas idéias para funcionar, mas, depois que você as tem, flui rápido, termina logo. Você pode escrever um bom conto nas suas horas livres, como um hobby. Eu demoro poucas horas para terminar o primeiro esboço de um conto médio. Bem, para acabar a primeira versão de Kaori levei cerca de sete meses. Para escrever um romance do jeito que eu queria, todo o esforço tinha que ser multiplicado. Foi uma mudança até de estilo de vida, pois, como disse antes, havia deixado o meu emprego para trabalhar exclusivamente com literatura durante um período. Passei a dedicar doze, catorze horas por dia para escrever Kaori. Passava os dias sem horário fixo, levantando no meio da madrugada para trabalhar, pesquisar sobre determinado assunto. Comia fora de hora, dormia ao amanhecer, estava com a mente ocupada o tempo todo com o enredo de Kaori. Teve dias que não coloquei o nariz para fora de casa, trabalhando sem parar, obcecada em concluir alguma cena mais difícil. Nos últimos meses, passei a ignorar até os e-mails, deixando de abrir a caixa postal durante dias. Não entrava mais no Orkut, nem nos grupos de discussão. Isolei-me completamente em termos virtuais, só falava pessoalmente com a minha família, os amigos mais próximos, o namorado. Não queria perder tempo com outra coisa. Queria acabar Kaori, e logo. Não sei se isso acontece com todo mundo, mas para mim foi mesmo uma mudança brusca de hábitos, de atitudes, de vida. Kaori representou uma aventura à parte na vida real da escritora.

 

4. Quando vai ser o lançamento e onde? Como se sente agora que Kaori está prestes a sair do forno?

Estou em pleno TPL – tensão pré-lançamento! Agora que a notícia da chegada de Kaori  está correndo, percebi que tem um monte de gente, que me conhece de diferentes formas, de diferentes lugares, que está me incentivando mandando mensagens, falando comigo. Muitos leitores que se aproximam e deixam um voto de sucesso, uma palavra amiga. Isso foi um aspecto muito positivo, que me emocionou muito. Eu sei que fiz tudo o que podia para que o livro saísse o melhor possível, e que Kaori é um bom livro. Eu tenho consciência, também, que ainda tenho muito a aprender, que Kaori é um dos muitos passos que ainda tenho a dar para me tornar uma escritora cada vez melhor. Mas, mais do que nunca, não quero decepcionar todas essas pessoas amáveis que estão torcendo por mim. No momento, Kaori é como o primeiro filho, que sai agora das vistas da mãe para correr o mundo, caminhar com as próprias pernas e enfrentar por si mesmo todos os desafios. E isso dá um misto de medo, de expectativa e de muita, muita ansiedade!

Agora, o convite. O lançamento em São Paulo vai ser no dia 3 de setembro, uma quinta-feira, às 19h30 na Saraiva Megastore do Shopping Paulista. Vai ter também um lançamento na Bienal do Livro, no Rio, no dia 13 de setembro, domingo, às 16h00. Espero todo mundo lá – e aqui!

7 comentários em “Giulia Moon fala de Kaori: perfume de vampira”

  1. fantastik.com.br » Semana Giulia Moon comentou:

    [...] Para comemorar, ela aceitou participar das rodadas de tortura aqui do site. Começamos com a entrevista sobre o livro que mistura cultura oriental e ocidental e que você lê aqui embaixo ou no menu: [...]

  2. Universo Insônia » Blog Archive » [ENTREVISTAS] Entrevista com Giulia Moon comentou:

    [...] Eric Novello também entrevistou Giulia para o site Fantastik. Confiram aqui. [...]

  3. Eric Novello » Blog Archive » Kaori: Perfume de Vampira comentou:

    [...] Fantastik fez uma semana especial com a Giulia Moon com entrevista, trilha sonora de Kaori (dois vídeos ótimos) e links para [...]

  4. fantastik.com.br » Kaori, dia de lançamento! comentou:

    [...] no Fantastik você acompanhou a semana especial Giulia Moon com entrevista, trilha sonora de Kaori (dois vídeos ótimos) e links para [...]

  5. fantastik.com.br - » chamada2 comentou:

    [...] Sonora inspirou a criação de Kaori (me apresentando Gackt Camui) e de quebra dá uma entrevista falando sobre o [...]

  6. fantastik.com.br - » chamada1 comentou:

    [...] Sonora inspirou a criação de Kaori (me apresentando Gackt Camui) e de quebra dá uma entrevista falando sobre o [...]

  7. fantastik.com.br - » Chamada3 comentou:

    [...] Sonora inspirou a criação de Kaori (me apresentando Gackt Camui) e de quebra dá uma entrevista falando sobre o [...]

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