01. Para quem está chegando agora, o que é o gênero Steampunk?

R: O Steampunk é um subgênero de Ficção Científica nascido do também subgênero Cyberpunk, uma contraposição da FC positivista de meados do século XX, a qual geralmente mostrava um futuro quase perfeito, sem nossos problemas atuais. Assim, o Cyberpunk mostra um futuro mais próximo (de 50 a 100 anos no máximo) e pessimista (punk) onde a tecnologia (cyber) perverteu a sociedade.

No Steampunk temos essa mesma idéia da luta pela supremacia tecnológica pervertendo as pessoas, só que colocada na Era Vitoriana.

Assim, ao invés de realidade virtual, nanotecnologia e coisas assim, temos a tecnologia do século XIX (vapor, início da eletricidade e do motor a explosão, assim como balões, dirigíveis e automoveis, navios a vapor, submarinos, protótipos de aviões e robos) dando as cartas, modificando a sociedade da época, fazendo entrar na mesma decadência que o cyberpunk vê como presente em nosso futuro próximo.

É esse possível trabalho com a história que faz com que o Steampunk muitas vezes seja uma História Alternativa (subgenero da ficção que trabalha linhas alternativas de nossa história), pois uma tecnologia que não deveria existir, ao menos na proporção apresentada nas estórias, termina por modificar a história como nós a conhecemos.

Um dos grandes trunfos do Steampunk, inclusive, é trabalhar personagens reais que tenham vivido na época, e faze-los contracenar muitas vezes com personagens literários de estórias que, apesar de antecederem a criação do genero em questão, nascido no final dos anos 80, início dos 90, trabalharam essa idéia. Assim, podemos ver, por exemplo o Capitão Nemo, de 20 mil Léguas Submarinas; Robur, de Robur, o Conquistador, ambos de Julio Verne; ou o Dr. Frankenstein, do livro de mesmo nome, de Mary Shelley, contracenando com cientistas e inventores reais como Santos Dumont ou Nikola Tesla.

 

02. Dá para trabalhar o Steampunk em um cenário brasileiro?

R: Apesar de, devido a ligação com a Era Vitoriana, as estórias normalmente se passarem na Europa, não existe nada que impeça o autor em trabalhar outros cenários, seja na Russia, no Oriente, ou mesmo no Brasil. No livro mesmo existem contos que acontecem aqui, ou com personagens brasileiros, ficcionais e reais.

 

03. Algum conto te surpreendeu em especial?

R: Praticamente todos os contos me surpreenderam de uma maneira ou de outra. Seja por sua ligação com personagens literários, com personagens históricos, ou como eles lidaram com a história e a teconologia  do século XIX, o que eu sei, demandou bastante pesquisa. Isso sem contar a criatividade dos autores em trabalharem o gênero, mesclando o mesmo com outros, como o drama de guerra, o suspense, o romance, o terror e a aventura. Realmente o conjunto do livro ficou, como o próprio nome indica: extraordinário.

Sem advogar em causa própria, da capa aos contos, o livro está valendo a pena!

 

04. O que você mais gostou ao escrever Steampunk?

R: Por mais incrível que pareça, apesar de haver gostado de clássicos como Blade Runner (o livro e o filme), e Neuromancer, e de ser um leitor de gostos ecléticos, eu me ligo bem mais nos gêneros ligados à Fantasia do que em Ficção Científica. Assim, o que eu gostei em escrever Steampunk foi que, por minha estória ser uma Ficção Alternativa ligada a história do século XIX, ela pessoalmente me pareceu bem mais como uma aventura de Fantasia do que efetivamente como uma narrativa de Ficção Científica. Ou quem sabe, por nunca haver tentado escrever, eu só tenha me surpreendido com o gênero. Tanto que espero escrever mais, tanto Steampunk como outros subgêneros da FC.

 

05. Finalmente: O que podemos esperar da Tarja daqui para frente?

R: Bom. De minha parte (como escritor), posso dizer que gostei tanto de escrever Steampunk e da trama que criei para meu conto, que estou dando continuidade ao projeto e transformado-o num romance. Aguardem!

Já em relação a Tarja (como editor), eu posso garantir que nossa idéia não é ficar só no Steampunk – Histórias de um Passado Extraordinário, mas trabalhar outros com a mesma idéia de unir autores que estejam despontando no mercado de Literatura Fantástica em torno de um conceito. No caso do segundo volume, nossa idéia é trabalhar o gênero que gerou o Steampunk (citado inclusive em questões acima), o Cyberpunk.

2 comentários em “Gian Celli fala da coletânea Steampunk”

  1. fantastik.com.br - » chamada2 comentou:

    [...] Por aqui, você vê a relação de autores, trechos de contos e uma entrevista com o organizador Gian Celli. Aproveitando a capa super elogiada, o Fantastik inaugura o Capa Comentada, com o capista Marcelo [...]

  2. fantastik.com.br - » chamada1 comentou:

    [...] Por aqui, você vê a relação de autores, trechos de contos e uma entrevista com o organizador Gian Celli. Aproveitando a capa super elogiada, o Fantastik inaugura o Capa Comentada, com o capista Marcelo [...]

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