1. Qual a trama de Hansel e Gretel?

HANSEL & GRETEL conta a história de dois irmãos gêmeos albinos e bivetelinos, com um passado trágico, de onde saíram mutilados, vítimas de atos canibais por uma velha antropófaga, em busca do pai na industrial metrópole de Echtra.

Em suas desventuras, eles se deparam com uma garotinha acusada por um homicídio culposo; a apresentadora de um Circo de Horrores; uma dançarina de cabaré mal-humorada; um Mercenário arqueiro e um felino humanóide disposto a protegê-los a qualquer custo! Paralelamente ocorre a trama de uma jovem perturbada e um nefilin disposto a matá-los por propósitos mais complexos do que se aparenta.
Essa é a sinopse-padrão e resume bem a trama, que os leitores poderão conferir em breve.

 

2. Como entram os elementos steampunks da história?

Esses elementos são tanto gráficos quanto conceituais e estão impregnados de forma essencial na trama. Visualmente, o steampunk pode ser notado em toda Echtra, uma cidade industrial, movida a ferro e vapor, onde há construtos com motor funcionando via vaporização, dirigíveis e veículos com um visual diferenciado, trens Maria-Fumaça que viajam pela cidade e em suas entranhas, a vestimenta dos personagens, alguns objetos usados por estes, certos elementos de cenário etc.

Dentro do conceito, o steampunk está ali para explicar a funcionalidade deste universo, a engrenagem que conduz a história principal e a faz se encontrar com as várias subtramas, está na essência dos personagens, seu modo de agir. Está nos braços mecânicos extras de Hansel, no estranho relógio de Alice ou na bizarra máscara de um personagem misterioso que aparece na trama.

O jornalista especialista no universo de animes e mangás, Alexandre Soares (Lancaster), definiu a obra como Fantasia Screampunk, porque além de mesclar elementos fantásticos (a presença de alguém como o ‘vilão’ Turpis, que controla as sombras, por exemplo, algo mais “místico”), com elementos steampunk (cenário, personagens, objetos, explicados acima) e do gênero Terror (há um suspense e fortes dosagens de terror em muitas situações da trama, que também brinca com a bizarria), definiu esta rotulação.

Editorialmente, preferimos não rotular o mangá em gênero algum, para não causar estranhamento num público leigo, já que o objetivo é atingir a todos que queiram curtir uma trama de aventura, com muitas surpresas embutidas, mas é isso.


3. Por que a escolha pelo traço de mangá?

Eu adoro quadrinhos desde que me conheço por gente. Comecei minha carreira de Roteirista com os gibis da Turma da Mônica, ou seja: cartoon, e quis enveredar por outros gêneros, já que sou apaixonado por todos, comics e mangás entre eles. Mas a escolha pelo mangá é pelo fato que sua linguagem cinematográfica é formidável, permite ao contador de histórias gerar uma trama dinâmica e interessante ao mesmo tempo, sem cair no lugar-comum (e isso, assim como em qualquer outro, é possível). O mangá tem toda uma linguagem única, específica, que ao meu ver, para esta trama que eu queria escrever, funcionava mais, sem erro.

Tenho planos futuros para uma graphic novel mais intimista e, na ocasião, por exemplo, contatarei um ilustrador com traço mais próximo dos álbuns europeus, porque o que dita o traço, para mim, é o estilo da narrativa.

Hansel&Gretel, desde sua gestação, sempre teve tudo a ver com mangá. E Ulisses Perez, o excelente desenhista com quem tive o prazer de trabalhar nesta obra, tem um dos traços de mangá mais fantásticos do mercado atual e mundial, inegável!

 

4. Quais as semelhanças entre o conto original João e Maria e seu mangá Hansel&Gretel?

Entenda assim: Hulk, da Marvel, é um personagem único, original, criado pela editora americana. Mas todo seu conceito remete ao Médico e o Monstro (Dr. Jekyll e Mr. Hyde, do Stevenson). Com este mangá é a mesma coisa. Remete, apenas. Parte de um princípio semelhante, mas tomas rumos diferentes. É outra coisa, e de forma alguma é “João e Maria”. E de igual mesmo, só o nome.

Tanto no conto quanto no mangá, as crianças são abandonadas na floresta pelo pai e encontram a Casa de Doces. Mas no original é uma bruxa que transforma tudo em doce e neste quadrinho é uma velha, que cruelmente pratica o canibalismo há anos e se alimenta de crianças ingênuas que batem a sua porta.
Todos conhecem Chapéuzinho Vermelho e notaram pouquíssimas semelhanças entre ela e Lilita Redcap. O mesmo pode ser dito entre Cachinhos Dourados e Sofia Goldynn, entre outros.

Eu os homenageio, colocando um elemento semelhante aqui e ali, ou o mesmo nome, ou até um ponto em comum, como algo em seu histórico ou personalidade. Mas só. Não são os contos recontados por “uma outra ótica” (como o outro mangá da NewPOP, Grimms Mangá, fez de forma competente).

Hansel&Gretel é uma trama original que brinca de forma perversa com o conceito de alguns contos universais e os distorce para narrar uma nova história, plenamente diferente, com novos elementos.

Um comentário em “Douglas MCT fala de Hansel e Gretel (mangá)”

  1. Conselho SteamPunk ~ Loja São Paulo » Blog Archive » Hansel & Gretel comentou:

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