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Alaor Chaves

9:11 pm

Com base na Nanotecnologia, o cientista Albert Jalsberg inventa um método revolucionário para produzir hidrogênio. Mantém em segredo sua técnica e cria a Nanocarbon, que se transforma em um império monopolizador da energia do Planeta. Pressionada a abrir sua caixa de segredos, a Nanocarbon resiste e torna-se alvo de agressões que culminam em terrorismo. Jalsberg manifesta a intenção de revelar suas técnicas e sofre um atentado cometido por seus próprios sócios. Na clandestinidade, o inventor luta para escapar de seus perseguidores e para desmontar o império que ele próprio criou.

  

Release de O Legado de Bathory:
Em O Legado de Bathory, Alexandre Heredia utiliza a história da Condessa Elisabeth Bathory como pano de fundo para um romance fictício que se passa na Europa pré-Segunda Guerra Mundial. O autor não deturpa a memória da condessa, nem apela para artifícios místicos. O que ele busca com este artifício é lançar luz sobre o mito, modernizando-o e derrubando estereótipos num romance ágil e envolvente, que prende o leitor do início ao fim. O processo de pesquisa e planejamento para o livro tomou mais de dois anos, durante os quais o autor leu quase tudo referente à vida da condessa Bathory, desde mitos e romances até documentos históricos, para que fosse possível traçar sua trama de maneira coerente e verossímil. Dessa forma, utilizou-se tanto de fatos verdadeiros como de artifícios e licenças poéticas, que tornam seu romance mais saboroso. Ao final, o leitor sente que foi presenteado não só com uma empolgante aventura cheia de tensão e suspense como também com um conteúdo sério sobre uma das figuras mais misteriosas do folclore europeu: Elisabeth Bathory, a Condessa Sanguinária.

O autor:
Alexandre Heredia reside em São Paulo, capital, e é escritor há mais de dez anos. Foi co-editor do NecroZine, um zine voltado à disseminação da literatura brasileira de suspense e terror. Este projeto cresceu e gerou o livro Necrópole – Histórias de Vampiros, lançado pela Editora Alaúde em outubro de 2005, que Alexandre ajudou a organizar e do qual participa com um conto. O volume 2 da coleção, Necrópole – Histórias de Fantasmas foi lançado durante a Bienal do Livro de São Paulo em abril de 2006. Em dezembro do mesmo ano participou da coletânea Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos, pela Tarja Editorial. Criou também o blog Memórias de um Psicopata Enrustido, cujo personagem principal, Zebedeu, narra suas agruras da vida cotidiana para seu terapeuta.

  

Éden 4:
Astronautas, alienígenas, reis medievais e fantasmas. São esses os personagens de ÉDEN 4, o novo livro do jornalista Alexandre Raposo, autor de um texto erudito, mas com surpreendentes pitadas de leveza e humor, que chamou a atenção até do bibliófilo José Mindlin. Os quinze contos do livro nos transportam para um mundo fantástico e sobrenatural, onde o autor deu asas à imaginação, nos levando ora para um planeta no futuro ora para uma favela carioca, passando por reinos medievais em guerra. Os contos de ÉDEN 4 tratam, portanto, de assuntos diversos como clonagem, seqüestro e amor, muitas vezes sem uma moral explícita, deixando para o leitor a conclusão e os ensinamentos. Éden 4, nome do conto que dá título ao livro, nasceu de uma história envolvendo um astronauta perdido no espaço e uma paleontóloga. Numa conversa, ela explica que há milhares de anos não existem mais seres humanos do sexo masculino no seu planeta e por isso ele estava naquele mundo. Éden 4 é um conto sobre clonagem humana, mas acima de tudo, é sobre o amor. O conto fala do milagre da vida e da concepção, e acaba por alertar sobre os riscos de tentar interferir neste processo. Enquanto Éden 4 trata de um futuro longínquo e desastroso, o conto De Olhos Bem Abertos se passa em uma favela na Baixada Fluminense, onde fica o cativeiro do filho de um grande empresário. O rapaz é seqüestrado, fica preso em uma cova no terreiro de uma casa do morro e recebe estranhas visitas de um menino misterioso. Já A Cerveja em Três Tempos conta a história de divertidos bárbaros degustadores de cerveja. Outros contos de ÉDEN 4 como O peixe-rei, Succubus e A onda, fantasiam sobre animais falantes, fantasmas assustadores e extraterrestres que seqüestram seres humanos.

Memórias de um diabo de garrafa:
Renascentismo, grandes navegações, livros raros, música clássica e arqueologia – coisas quase sagradas para os apreciadores da arte, do conhecimento e da aventura. O que, então, teria um demônio a ver com elas? Na narrativa envolvente e bem-humorada deste romance, o escritor e jornalista Alexandre Raposo mostra que, em algumas empreitadas humanas, pode estar o dedo escamoso e frio do demo. O livro é a autobiografia de Giacomo Lorenzo Bembo, um diabo ‘conjurado nas ruínas do Coliseu romano, na madrugada de 31 de outubro do ano de 1526 d.C.’, pelo escultor e ourives renascentista Benvenuto Cellini (1500-1571). A narrativa se estende por cinco séculos, tempo no qual Giacomo se associa a gente famosa, como o pirata Francis Drake, o violinista Nicolò Paganini, bem como a outras criaturas menos célebres, mas igualmente pitorescas. Giacomo é um diabo extremamente inteligente, culto, multilíngue, mas desprovido de certa habilidade fundamental, inerente a todo diabo que se preze – a de ser essencialmente malévolo. Não que seja um anjo de candura, mas a verdade é que a pouca maldade que assimilou em seus quase 500 anos de existência, adquiriu-a dos humanos com quem teve contato. Hoje é cínico, amargo, cético… mas extremamente bem-humorado para alguém tão idoso.

Ana Cristina Rodrigues

Ana Cristina Rodrigues é atual presidenta do Clube de Leitores de Ficção-Científica e ativista nos bastidores da ficção. Lança seu primeiro livro em 2009 reunindo vinte narrativas curtas de ficção especulativa.

Release:
Anacrônicas – Pequenos Contos Mágicos, é o primeiro livro publicado da escritora, reunindo obras espalhadas ao longo dos anos em diferentes websites e blogs.
Ana passeia pelo gênero da fantasia/realismo fantástico com muita variedade em contos sucintos, que trafegam desde a fantasia contemporânea de autores como Neil Gaiman (influência confessa da autora, que está presente como epígrafe no livro – “O mundo sempre parece mais brilhante quando você acaba de criar algo que antes não estava lá” – como também pela revisitação do mito arturiano no conto “A Dama de Shallot”. A medievalidade e a influência histórica – e não custa dizer, a autora é historiadora formada na UFF, com Mestrado em História Moderna e atualmente está fazendo o doutorado em História Medieval na mesma universidade – está também presentes em contos como “Os Olhos de Joana” e “Feitiço sem Nome”, mas há também local para o intimismo cotidiano em “Borboleta”, “Viagem à Terra das Ilusões Perdidas” e “O Mapa da Terra das Fadas”. Há um pouco de tudo no universo de Ana Cristina Rodrigues.
O livro terá 90 páginas ao custo de R$ 20,00, contando com um prefácio do importante escritor de ficção científica Octávio Aragão, autor de A Mão que Cria e do universo conjunto Intempol. Serão vinte contos que trafegam no tempo, no espaço, e mais importante do que tudo, no imaginário.

Os textos:
“É tarde!”
Chiaroscuro
A Princesa de Toda a Dor
O último soneto
A Casa do Escudo Azul
Vida na estante
Os olhos de Joana
O Senhor do Tempo
Deus embaralha…
Feitiço sem nome
A dama de Shalott
Como nos tornamos fogo?
Pelo espaço de um momento
Borboleta
Viagem à terra das ilusões perdidas.
O baile de Máscaras
Lenda do Deserto
Mapa para a Terra das Fadas
O eremita
Apocalypse NOW!

Trecho do livro:

Trecho do livroanacronicas_16

A autora:
Ana Cristina Rodrigues é um dos nomes mais importantes do crescente cenário de ficção científica e fantasia no Brasil. Agitadora cultural por excelência, pegou uma instituição à beira do fechamento como o CLFC e, assumindo sua presidência, o tornou uma entidade viva, ativa e vibrante, aparecendo em diversos eventos como o Jedicon, focado em Guerra nas Estrelas, e na mídia através de programas como o Atitude.com da TV Brasil, e principalmente na internet – tanto em periódicos online como o Aguarrás TV, quanto como criadora do combo cultural Fábrica de Sonhos, dedicado ao gênero fantástico. Nesse meio tempo, criou uma das mais importantes premiações da Ficção Científica brasileira – o Prêmio Bráulio Tavares, cuja votação é eminentemente internáutica e centrada no website de relacionamentos Orkut.


Veja a entrevista de Ana Cristina Rodrigues para o Aguarrás TV.

Resenha do AnaCrônicas no Epistemonike Phantasia.

Livros lançados até agora:
Os Sete
O Senhor da Chuva
Sétimo
Sementes no Gelo
A Casa
Bento
O Vampiro Rei vol. 1
O Vampiro Rei vol. 2
O turno da noite vol. 1: Os filhos de Sétimo
O turno da noite vol. 2: Revelações
O turno da noite vol. 3: O livro de Jó
Vampiros do Rio Douro vol. 1
Vampiros do Rio Douro vol. 2
O Caminho do Poço das Lágrimas

Novo trabalho: Caminho do Poço das Lágrimas.

Release de O caminho do poço das lágrimas:
Jonas viajava com os filhos Ingrid e Bosco por uma estrada escura. De repente, os três adormecem e, quando acordam, depois de muitos sonhos agitados, se dão conta de que estão em um vasto campo verde. O carro em que viajavam desapareceu e a única saída daquele campo é um caminho formado por pedras justapostas… é o Caminho do Poço das Lágrimas. Mas para onde os levará esse caminho? Que mistérios e perigos os esperam?

Areia nos Dentes: Um faroeste, a rivalidade entre duas famílias, a areia do oeste e zumbis.
O romance Areia nos Dentes, de Antônio Xerxenesky, foi lançado pela Não Editora em maio de 2008.
Um faroeste exótico que conta a história de rivalidade entre duas famílias e é narrado, entre uma e outra dose de tequila, por um velho em seu apartamento na Cidade do México. Se, à primeira vista, o romance Areia nos Dentes parece inspirado em filmes clássicos do gênero, espere até conhecer o ingrediente inusitado da obra: zumbis famintos por carne humana e andando sobre as areias quentes do vilarejo de Mavrak.

Areia nos Dentes apresenta a trama de rivalidade entre os Ramírez e os Marlowes, duas famílias de um remoto povoado do Velho Oeste. O assassinato de Martín Ramírez e a vinda de um xerife ortodoxo são os elementos dessa história que rompe os limites da própria literatura. Ou, melhor, da própria morte, pois outros personagens serão evocados por um xamã, diretamente de suas covas no cemitério.

Em texto publicado na orelha da edição, o escritor Daniel Galera fala sobre o estilo de Xerxenesky. “Aos poucos – ou nem tanto, pois o texto vai a galope, enfileirando guinadas –, a trama vai ganhando camadas que convidam o leitor a um jogo típico da literatura pós-modernista. Não se trata mais apenas de descobrir quem vai matar e quem vai morrer, mas também de refletir quem está contando essas histórias – e por que. Em meio às sobreposições metanarrativas e referências a gêneros, em tempo virá a descoberta mais importante: a de que há um mesmo drama humano unindo esses narradores e seus personagens. Na camada mais profunda, essa é uma história de pais e filhos.”

Antônio Xerxenesky nasceu em Porto Alegre em 1984. O autor já publicou o livro de contos Entre (Fumproarte / Ed. Movimento), além de outras narrativas curtas em antologias e revistas. Seu conto O Desvio (publicado na antologia Ficção de Polpa – Volume 1) foi transformado em curta-metragem e adaptado para a televisão pelo diretor Fernando Mantelli em 2007. Areia nos Dentes é seu primeiro romance.

Carlos Orsi

4:10 pm

   O que o olho vê


Release de O que o olho vê:

É uma novela fantástica de ficção científica onde vai sendo desfilado ideias de realidade virtual, nanotecnologia, cosmologia, política e religião para a construção de um mundo um tanto plausível.

Um estudante brasileiro de Cosmologia vivendo nos Estados Unidos da América, ou melhor, nos Estados Cristãos da América, acaba se envolvendo em uma emaranhada trama de espionagem internacional. Ele parte para uma missão importante, recuperar os códigos do vírus da gripe suína escondido artificialmente dentro de um olho. O autor nesta novela praticamente antecipou a disseminação da gripe suína, uma vez que este texto foi escrito antes da pandemia mundial de 2009.

Carlos Orsi, Tempos de Fúria (2007), nos brinda com uma narrativa envolvente desde os primeiros parágrafos, utiliza o suspense para prender o leitor que vai crescendo a medida que a teia do mistério vai sendo tecendo até o último parágrafo.

 

Tempos de fúria

‘Tempos de Fúria’ tem ação, sem dúvida, mas toda ela cheia de um sentido peculiar. E, por trás de cada uma das aventuras existem uma mente e um propósito. Há uma ironia nos zumbis, uma perplexidade nos bárbaros, uma sutileza especial nos detetives. Muitos dos contos deste livro têm estruturas e situações que lembram velhos filmes B, mas como os melhores destes filmes, têm também algo mais. Algo que fica com você depois da leitura. Algo que faz o mundo parecer diferente – um pouco fora do lugar, quem sabe até um pouco assustador – ao final de cada conto.

Pelo Sangue e pela fé conta a história de Jonathan Devilla, um jovem carpinteiro e filho de um dos maiores generais de sua terra. Por vinte anos, a ilha de Aldarian vem vivendo em um estado de anarquia, uma vez que o governo central, afundado em dividas e problemas, é incapaz de controlar as diversas províncias que compõe o reino. É nesse cenário de caos que uma das guerras civis mais sangrentas de sua história irá se iniciar, o conflito de cinco anos entre os elfos da lua e o baronato de Valdernan.

Antes parceiros comerciais, ambas as províncias se enfrentam em uma guerra de acusações uma vez que o baronato, composto por humanos, acusa os elfos de terem se tornado demônios e de estarem confabulando com as forças do mal para sabotar e destruir sua produção de rum, sua principal fonte de renda. O conflito se iniciara cinco anos antes quando o barão Gregório de Valdernan fora presenteado por um mineiro de suas minas de cobre com uma bela gema de tom avermelhando. A jóia encontrada nas profundezas da montanha foi dada como tributo ao nobre que acusa os elfos de tentarem tomá-la para dar seqüência a seus rituais profanos.

Tendo perdido seu pai nessa guerra, morto em uma missão de reconhecimento do território inimigo, Jonathan se une ao exército na esperança de poder vingar sua morte e pôr fim a esse conflito. Durante a guerra que irá se seguir, o jovem soldado provará seu valor, aumentará sua sede por sangue demoníaco e irá enfrentar cara a cara o inimigo que tanto aprendeu a odiar. O que ele não sabe é que existe muito mais em jogo por trás dessa guerra e será com a ajuda de uma força superior que ele irá buscar a verdade. Enquanto isso, uma ameaça muito maior do que qualquer conflito lentamente toma forma no horizonte.

Cláudio Villa nasceu em 1979 e desde criança foi apaixonado pela escrita e pelas histórias de capa e espada.  Em 1995, com um grupo de amigos começou a criar o universo ficcional onde se passa essa história. Nesses doze anos , acabou por desenvolver um mundo povoado por diversos reinos, lendas e culturas.  Pelo Sangue e Pela Fé é seu primeiro romance de uma série de histórias fantásticas situadas em épocas distintas e protagonizadas por diferentes personagens.

Entrevista no Overmundo.
Entrevista no meu site. (em breve transferida para cá).
Matéria no Youtube.
Saiba mais sobre a mitologia no site Mundos de Mirr.

Release:
Sinopse:
Nesta coletânea de contos, Cleber Pacheco traz nove histórias sinistras e envolventes. Em Zona Mórfica, dois garotos conseguem controlar seus sonhos; a tênue linha que aparta o mundo real do espaço onírico pode transformar a descoberta num terrível pesadelo. No conto gigante Aemulatores, Daniel desenvolve uma habilidade psicocinética que lhe pode ser útil quando envolto por criaturas ? literalmente ? de outro mundo. William, o garoto das mãos ociosas, recebe incentivo de uma ruiva bastante estranha para vingar-se de um professor. Três seres assombrosamente poderosos se digladiam em Três Bestas.

Trecho do livro:
Parecia um beco. A pequena rua, na medida em que se alongava, era dividida simetricamente por quatro postes enterrados ao final de quatro quebra-molas. O intervalo, de um poste ? ou de um quebra-molas ? a outro, era de três casas. As casas, simples e de arquitetura humilde, possuíam dois andares. Algumas passaram por reformas, retocando suas frontes, embelezando-as em alguns casos, desgraçando-as em outros. Havia doze casas em cada margem da rua. Quatro delas eram privilegiadas: as que marcavam as esquinas. Essas contavam com quintais e garagens, além de mais espaço para a cozinha e banheiros. Na divisa entre o primeiro andar e o segundo, em todas elas, havia azulejos, como se fosse um padrão da rua; nenhum morador poderia alterar aquela configuração. Mais acima, havia fios pretos de telefone e de energia que, como as artérias que se alastram pelo corpo, provinham dos postes para todas as casas. Por pequenas telhas da cor de barro, e bem produzidas, formavam-se telhados; em uma dessas coberturas, estavam Dado e Enzo, apreciando a vista acinzentada do horizonte da Zona Mórfica.

? É bom estar aqui. Não é, Dado?
? É! Primeira, de Luxo! É tudo igual. As casas, os postes, os carros, o prédio de Mônica ali ? Dado apontou para longe -, tudo igual.
- Só que terrivelmente cinza!

- Isso! O que é isso? Neblina?
- Não. Nem sei se existe neblina cinza, aliás, aqui nem deve existir neblina. Os carros devem estar aí porque realmente devem estar, entende?
- Certo -. Dado chamou a atenção de Enzo para um Ford Focus estacionado à frente de sua casa – Esse é o de André. Ele realmente dormiu por aí hoje.

- Isso confirma minhas teorias – Enzo gracejou. – Você não sentiu ainda? É como se não tivesse vento…
- É mesmo – Dado franziu a testa – , não consigo ouvir nenhum som. Tudo é muito parado… como se o mundo estivesse morto.
- O mundo, pelo menos grande parte dele, está dormindo!

Dado permaneceu sentado no teto, junto a Enzo, com os braços envoltos às pernas, refletindo sobre a perseverança de seu colega e sobre sua descoberta espantosa. Ergueu a face ao céu sem nuvens e o observou com interesse. A atmosfera do planeta, a fina neblina que rodeava todos os espaços da Zona Mórfica, a lua, a árvore ancestral do final da rua, tudo era um pouco fora de contraste – feito televisões com falha nos tubos que geram a imagem -, e cinza; como se alguém tivesse passado uma grafite na imensa corporatura do mundo.  Sentiu-se no universo de “A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça” – o de Tim Burton, obviamente. 
Algo emitiu um ruído agudo e embolado à esquerda de Dado. Lembrava uma menina virgem histérica se afogando em uma piscina qualquer.

- Lá vem a coruja – Disse Enzo. – Não tenha medo!

Do alto dos galhos da árvore plantada, há séculos, no final da rua, despencou uma massa densa em tons confusos de azul. Era como se minúsculas luzes azuladas piscassem aleatoriamente dentro da coisa. A massa azul caiu em queda livre por alguns minutos, mas retomou vôo e empinou em direção a Enzo e Dado. Este último percebeu então, com a aproximação do ser, que a massa azulada era uma coruja, e que possuía aquela roupagem por estar na Zona Mórfica.

- Os animais estão nos dois planos simultaneamente, Dado. Mesmo quando estão acordados.
- Aquela coruja tá acordada?
- Claro! E provavelmente caçando.

A coruja rasgou o céu em direção ao final da rua, passando muito próximo aos rapazes.

- Quer dizer que os animais ficam azulados?
- É… se você for até minha sala, vai ver o meu “azuladinho” dormindo.
- Mas feito a coruja? Quer dizer… não dá pra perceber os olhos, a boca, nada? Apenas o formato define se é uma coruja, cachorro etc?

- É! O resto é essa “fluorescência” azulada. Na verdade, Dado, o que eu chamo de “azulados” são as pessoas que aparecem na Zona Mórfica sem precisar passar pelo que nós passamos!
- Peraí! Eu estou tentando controlar isso tudo faz uns quatro meses!
- Eu sei. Mas essas pessoas não percebem que estão aqui. A imagem delas aparece aqui o tempo todo. Ficam com uma fluorescência – Enzo fez o sinal de “abre aspas” com as mãos – azul muito forte. Sabe Jonatan, o jogador de vôlei? Se você for até a casa dele agora, vai entender o que estou dizendo.
- Deixa pra lá!

Enquanto se deleitavam mais uma vez com o lugar, palavras jorraram da boca de Dado:

- Deixa eu ver se posso fazer o que eu quiser, como você disse!
- Pode sim… não se esqueça… você está…

Dado marcou passo pelos telhados como um guerreiro grego a caminho do exército inimigo. Iniciou uma corrida por cima das casas; tomava mais e mais distância de Enzo na medida em que as cobertas passavam. Ao final da cobertura da décima casa – das doze daquele lado -, saltou firme atrás da coruja, e voou tão seguro quanto ela. Enzo, de longe, apenas observara.

  

Release de Hegemonia:
Lançado em dezembro de 2007, pela Arte e Cultura, o livro Hegemonia – O Herdeiro de Basten, vem se tornando lentamente um cult-book entre os leitores do gênero. Uma das razões do sucesso está em um trailer feito para a internet, onde o autor aproveitou sua experiência como roteirista de quadrinhos e cinema para criar uma instigante amostra da história. Em dois minutos e onze segundos, ficamos conhecendo os disonianos, uma raça que conseguiu construir uma redoma em volta do seu sol. Orgulhosos de sua supremacia técnica e cultural sobre outros sistemas, os disonianos se autoproclamaram A Hegemonia. Mas o império entra em decadência quando os seus cidadãos começam a migrar para a realidade virtual em busca de um mundo sem frustrações.
Neste cenário começa O Herdeiro de Basten. A história é uma transcrição dos pensamentos do protagonista, Ron Schowlen, gravados pela derma – misto de computador, internet e super-armadura que faz parte do cotidiano dos disonianos. Ron grava seus pensamentos de forma semelhante aos nossos blogs e, em muitos momentos, percebemos certa malícia em suas intenções e algumas informações são omitidas de acordo com o interesse do narrador.

Inicialmente, Ron parece estar satisfeito consigo mesmo e com a sociedade de Dison, o gigantesco mundo artificial sede da Hegemonia no qual vive há 10 anos como estudante. Uma frustração profissional, o faz retornar ao seu planeta natal. Ele então encontra seus irmãos Shodan e Dúnia, respectivamente rei e rainha de Basten, uma região gelada de um planeta do “terceiro mundo” da Hegemonia. Além dos conflitos emocionais com seus irmãos, Ron enfrenta a disparidade tecnológica entre o seu atrasado planeta natal e a confortável super-tenologia da Hegemonia com a qual se acostumara. O autor exibe habilidade ao desenhar este contraste social e tecnológico. Algo que fica ainda mais claro quando entram em cena os gelfos, – marsupiais que vivem em uma terra distante, leigos quanto à ciência, mas ricos em crenças – que tiveram a cidade invadida por agressivos dragões, e não são capazes de lidar com o problema sozinhos. Mesmo não simpatizando com as criaturas e sem entender os motivos pelos quais os irmãos querem ajudá-los, Ron concorda em se juntar à expedição. A partir daí, começa uma viagem rica em personagens de diversas espécies, mundos com peculiaridades, regras e modos de pensar tão próprios, que às vezes nos lembram muito personagens da nossa vida real. Um jeito que o autor encontrou para explicar (ou criticar) o mundo que inventamos para viver.

Esse é, por si só, um dos fatores envolventes do livro. Mas a história vai além. Quando explode a guerra travada contra dragões, as páginas se abrem em um festival de sangue, aonde entram em cena mostras de tecnologia e do lado místico. Ambos convivendo lado a lado na obra, sem que um ofusque o outro.
Há um destaque para os conflitos psicológicos, sobretudo do protagonista. Na Hegemonia, Ron não via rostos, não divisava expressões faciais e as noções de amor, de sexo e até mesmo de amizade, parecem literalmente atrofiadas, pois a derma cobria a todos, criando um mundo frio e impessoal. De volta a seu planeta natal, ele passa a conviver com os espaçosos gelfos, seres capazes de cheirar emoções e, por isso mesmo, não entendem o porquê de escondê-las. Também volta a conviver com a presença da magia e do sagrado, algo quase doloroso para alguém que se acostumou com a frieza e a objetividade da ciência. Com essa mistura de armas, possibilidades high-tech e lendas antigas, a história consegue surpreender ainda mais quando o roteiro usa as expectativas construídas por nossas experiências anteriores com o gênero para criar reviravoltas inteligentes.

Concebido para ser o primeiro de duas trilogias, O Herdeiro de Basten, acaba deixando um grande número de pontas soltas para serem amarradas nos capítulos seguintes. Após tantas reviravoltas apenas no primeiro livro, ficou um gosto de “quero mais” e só nos resta aguardar ansiosamente pelos próximos.

Release escrito por Érika Ferreira, jornalista.

Trechos do livro:
“Dizem que as despedidas são as experiências mais próximas que podemos ter da morte, pois a própria morte é a despedida definitiva. Quando nos despedimos, acho que, de certa forma estamos morrendo um pouco. Mesmo se voltarmos, não seremos mais os mesmos. Quando a despedida envolve uma jornada em direção a uma batalha, a certeza de morte está ainda mais presente.
O zumbido leve de motores anti-gravitacionais denuncia a entrada da capitã Trillina pela porta.
- Teu esquadrão já está pronto? – indaga puxando um saco de frutas redondas de um azul vivo. Antes que eu possa responder ela me joga a sacola e faz sinal para distribuir as frutas.
- Sim, os pequenos são valentes. Acho que darão conta do serviço.
- Vão precisar de toda a valentia dentro de uma hora, talvez duas. Em Dison vocês dirão um centon. É assim que contam o tempo no planeta da noite eterna. Já estive a enfrentar dragões, isso bem já lhes disse. Morte e inferno, companheiros.
- Eu combati os dragões na floresta recentemente, capitã – lembro. – Eles são realmente traiçoeiros… E Dison não tem só noite. Há os orbes que…
- Teu irmão te contou sobre nossa batalha? Contou? Foi há muitos anos! Aqui mesmo, no delta do Rio Akonadi. Saters, como eles mesmos se intitulam. Nós os chamávamos de fúrias. Não tínhamos armas tão evoluídas na época. Projeteis simples não perturbam a vida dos desgraçados. Sua armadura é como dez camadas de escudos, os dentes são espadas, as garras lanças, o choque de sua cauda é como um raio, as asas como um furacão, e sua respiração é a morte.
- Por que vocês entraram em combate com os dragões? – Novamente Eveld pergunta sobre uma dúvida que estava na minha mente, mas eu não tinha conseguido expressar.
- Tu és o jovem gelfo que viajou com os amigos até o reino de Basten, não é mesmo? – reconhece Trillina admirada.
- Sim, meu amigo Onan também estava entre os que fizeram a jornada até Basten – confirma o gelfo apontando o dedo para Onan que até então admirava os comandos da metralhadora como se fossem as desejadas partes íntimas de uma fêmea cobiçada.
- Viajaram meio mundo! Sim, meus queridos! E este mundo não é um mundo qualquer. É um planeta sede da Hegemonia. É maior do que algumas estrelas no céu. Meu planeta natal cabe na metade da distância que vós percorrerdes. Sim, meu planeta natal tem dia e tem noite. Dormimos a noite, se temos prudência e trabalhamos de dia, se o juízo não nos escapa. Mas a noite também existe para beber a ambusa e, no momento oportuno, brindarei a coragem de vocês. Vejo a indagação em seus olhos, jovem Schowlen. Alguém já te disse que teus olhos falam alto? Não é boa coisa para um político. Mas digo-vos agora. Não sou nascida em Elôh. Vim de Tritárdia, mundo original dos merfolks. Sou, portanto, uma das guerreiras mais antigas de minha cidade…”

““Estava uma tempestade naquele dia. Não foi a maior tempestade pela qual havíamos passado, deus sabe que não foi. Mas poderosa suficiente para avariar nossos instrumentos. Cegos que estávamos, nossa fortuna não era das melhores naquele dia. Pois eu era a piloto do navio, bem me lembro, e os pássaros caíam mortos. Não existe agouro pior do que a morte de um pterante. Sua morte traz consigo o véu da tragédia. E neste dia estive a avistar dois pterantes mortos sobre o navio. O que os matou? Dor de barriga, caxumba, infarto, o que importa? O fato é que eles estavam lá, mortos, abandonados pelas almas que agora descansavam no paraíso dos pterantes. Imediatamente a visão dos finados pássaros, avistei o gigante branco; um relâmpago o revelou de seu esconderijo na escuridão da tempestade. Era um iceberg, uma pedra de gelo do tamanho da necessidade a pairar pela nossa frente como um convite à morte e às portas do inferno. Eu fui ágil nas minhas obrigações de piloto, sim, reverti os motores, virei tudo a bombordo e avisei nosso capitão que ordenou ao artilheiro que abrisse fogo no bloco de gelo. Mas não fomos rápidos o suficiente. Houve um encontrão violento que abriu um rombo na carcaça de carbono. Mas não foi isso que nos condenou. Não senhores. Eu lhes digo que buracos no casco podem ser consertados, a água inundando os porões foi drenada no mesmo dia. Mas com a pancada, um pedaço do iceberg desabou sobre nossas cabeças. A torre de comando foi destruída; guardo até hoje as cicatrizes. Meus companheiros me resgataram do gelo antes de validar meu testamento, mas as cicatrizes ficaram. O fato é que doze marinheiros morreram naquela hora. Eu poderia lhes falar o nome de cada um deles e lhes contar o que cada um fazia, seus planos de vida, suas esperanças, seus medos e suas alegrias… Os reparos no navio demoraram cinco dias, mas foram feitos. A torre destruída não nos impediu de operar o navio da sala de engenharia. Ficamos à deriva sem comunicação, sem poder nos localizar. Mas não conseguimos repor as vidas perdidas.”

 



 A Tarja Editorial lançou o livro Fábulas do Tempo e da Eternidade, da escritora Cristina Lasaitis, que com apenas 24 anos é uma promessa da nova geração.

A obra, ousada no aspecto visual e no conteúdo, é composta por 12 contos que misturam com maestria ficção científica e fantasia, com um humor refinado, comparável ao dos maiores mestres do gênero. Os contos são interligados pela temática do tempo, que em seu constante tiquetaquear, nos conduz ao inevitável fim.

Em uma incursão especulativa pelo mundo da ficção científica e fantástica, Cristina Lasaitis explora as diferentes facetas de Cronos e levanta questões intrigantes sobre a perpétua busca do ser humano em superar o tempo. Com uma narrativa fortemente influenciada por autores como Jorge Luis Borges, Arthur C. Clarke e Ursula K. Le Guin, a autora apresenta épicos modernos, reinventa mitos e se envereda por futuros imaginários e inimagináveis a dissecar o sentido da existência em histórias sobre extrapolação, transcendência e esperança.

Cristina Lasaitis nasceu em 1983. Apaixonada por ciências e por histórias de ficção científica, aprofundou-se nos estudos e na leitura desde muito jovem. Formou-se biomédica pela Unifesp, onde hoje se dedica ao estudo do comportamento humano e usa os conhecimentos científicos adquiridos em sua escrita. Possui contos já publicados no livro Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos (2006) e no FC do B (2008), também na revista Scarium (2007) e no site Novas Visões. Recentemente a autora foi palestrante em dois eventos sobre ficção na Livraria Cultura, tendo participado também de uma mesa-redonda durante a Fantasticon 2008, o maior evento de Literatura Fantástica do Brasil.

Resenha de Fernando Trevisan.

Release:
Um dos maiores telecinéticos do planeta, aluno prodígio da Fundação Cosmos, o pequeno Rigel descobre que sua família ainda está viva, que seu pai o tinha como morto, e toda a vida que conheceu foi calcada em
mentiras.

Poderia escapar à telepatia de seus professores telepatas ou à clarividência dos amigos? Só há uma forma de evadir um paranormal: Teria de perder a si mesmo para reencontrar sua família.

Seu pai não o compreenderia. Seus mestres o perseguiriam. Seus amigos seriam deixados para trás. Mas quando se viu cara a cara com aquela fotografia, sabia que havia apenas uma coisa a ser feita. Precisava fugir.

O autor:
Nascido em São Paulo, Diogo de Souza começou escrevendo peças para teatro e diversos artigos para revistas. Em 2005, estimulado por um amigo, deu forma à história de Fuga de Rigel, que o perseguia incansavelmente há vários anos. Ávido jogador de RPG, também fez breve carreira como ator e diretor de teatro, dos quais nunca perdeu o gosto. Hoje, trabalha como consultor em engenharia de sofware. Em seu primeiro romance, Diogo nos transporta para o mundo dos poderes paranormais e fundações secretas. Através de Rigel, acompanhamos a saga de um jovem telecinético em busca dos laços que o definem, da família que nunca conheceu, e da redescoberta de seus próprios valores.

Release:
Autor brasileiro lança infantil sobre Clarice Lispector na Alemanha e no Brasil
A única boneca de Clarice está molhada. E agora? Brincar com o quê, numa triste tarde de chuva? Procura daqui, procura dali, a menina acaba encontrando um livro. E, sem querer, descobre para si o novo mundo da leitura. Mais do que isso. Da curiosidade infantil em querer descobrir qual o mistério do nascimento dos livros, surge Clarice Lispector, uma das maiores e mais consagradas escritoras da nossa literatura. A história que dá origem a tantas outras histórias é contada de forma leve e didática pelo jovem autor Fábio Fabrício Fabretti.
“Inspirado na escritora, estreei na literatura infantil contando em prosa poética uma história inspirada em um fato da vida Clarice Lispector, quando ela descobre o prazer da leitura e quer desvendar de onde vêm os livros”, conta o autor, que fez as próprias ilustrações da obra. O livro está sendo adotado por algumas escolas do Brasil e ele já foi convidado a escrever uma versão de Cecília Meireles para crianças. 
O livro foi publicado e lançado em julho de 2007 na Alemanha, a convite do Projeto Cria-Brasil – Associação Alemã e Brasileira, Educacional e Cultural – que valoriza no exterior a cultura brasileira e a língua portuguesa das crianças teuto-brasileiras. O lançamento nacional ocorreu meses depois, no Rio de Janeiro, na Oficina de Talentos, com diversas atrações como teatro, dança e música.
“Escrever para crianças é mágico. E tudo aconteceu de brincadeira. Não imagina que o livro fosse repercutir tanto”, afirmou o autor que, em dezembro de 2007, no dia em que Clarice Lispector completou trinta anos de falecimento, teve seu livro transformado em um espetáculo com apresentação inédita, encenado pela Companhia Armacena no Teatro Contemporâneo, no Rio de Janeiro.

Fábio Fabrício Fabretti é escritor, professor e vive no Rio de Janeiro.




Release:
Brasil, outono do século XXI. Uma série de atentados terroristas intriga o país, crimes inesperados e sem um aparente propósito definido. No mais recente deles, parte de um shopping center de Belo Horizonte desaparece em uma violenta explosão, com dezenas de mortes. Entra em ação o policial Tom Rizzatti, da Polícia Unificada, que investiga os crimes com um parceiro da Interpol e uma ajudante hacker. Nesse país futurista, onde muitas coisas mudaram e outras nem tanto, Rizzatti guia o leitor em uma investigação que se torna mais surpreendente a cada passo, que mudará seus conceitos e sua própria vida para sempre. Conheça o Brasil e o mundo do futuro. Leia “Quintessência”.

Quarta capa:
Tudo muda e continua na mesma. O Mal é como um esporo que está pulverizado na atmosfera que respiramos. Todos carregamos partículas dele dentro de nós. A diferença é a susceptibilidade de cada organismo à infecção que ele provoca. Isso é o que varia de ser para ser. Esse é o preço que se paga por ser humano. [...]
Neste mundo chamado ‘civilizado’ em que vivemos, estaremos criando novos monstros para um novo milênio, ou apenas trocando as vestimentas dos antigos, aqueles que se escondem na escuridão que persiste dentro de nós?

Resenha no Aguarrás.
Resenha do Fernando Trevisan.
Resenha no Overmundo.
Entrevista com o Flávio Medeiros.


Release:
Frodo Oliveira tem nome de personagem, mas é um autor que lança seu primeiro livro, no qual reúne alguns contos já antes publicados em seu blog. E nestes exercícios literários, nos brinda com instigantes passeios pelo sobrenatural, pelo suspense e pelo terror, buscando trilhar caminhos inesperados, capazes de levar os leitores pela senda da surpresa.
Os contos, aqui reunidos em Extrema Perfeição, revelam os paradoxos e as crueldades do cotidiano, muitas vezes abafadas pelas aparências e ilusões; é justamente tal contradição o cerne do tom misterioso que alinhava as narrativas e as aloca como peças de um jogo ficcional, interessado em revelar a precariedade humana em meio a sua imperfeição extrema, representada pela sutil ironia do autor.

No conto homônimo do livro, somos surpreendidos pela narrativa que dispõe as peças aos poucos, revelando a cruel tensão entre o perfeito e o imperfeito da alma humana, e, de forma capciosa, desconstruindo qualquer obviedade.
Em Sinistro, o sobrenatural mescla-se à experimentação de uma linguagem representativa da dicção carioca. Essa mesma dicção reaparece em Elvis não morreu, conto que inverte a frase feita e a reinventa, em um enredo que aborda, de forma surpreendente, a semente e o desabrochar da barbárie, em um cotidiano aparentemente normal.
A experimentação com a variação regional lingüística, dessa vez nordestina, reaparece em O almoço, conto que encerra o livro, revelando o desespero da miséria, figurado de forma ainda mais dolorosa em Chumbinho. E se passeia pelas variações lingüísticas nos referidos contos, em O engano mostra como o mau uso da língua portuguesa, quando a serviço de línguas ferinas e ignorantes, é, literalmente, um caso de morte.

Em Kamille, o experimental está na estrutura narrativa, calcada no diálogo com a estratégia do camera-eye; disposta de modo estereoscópico e sustentada pela marcação do tempo, a narrativa aborda as diferentes percepções das personagens, em pontos de vista que se mesclarão no epílogo surpreendente.
Poderíamos ainda destacar no livro a interessante relação entre memória, mentira e resgate em Amnésia e o inusitado conforto trazido pela morte em A menina que fazia chover. Por fim, sublinhamos, em A maldição, o instigante intertexto com a narrativa bíblica e a sedução humana pela cobiça e pela vaidade. Com competência, Frodo Oliveira costura em sua ficção os sonhos, as fragilidades e os desesperos do homem, sempre de forma criativa e inusitada. E é com prazer que anuncio neste prefácio: Frodo é o nome de um autor, que nos convida e desafia em seus contos, a segui-lo em sua viagem fantástica…

 Trecho do conto Abstinência:
“Acordou. Ainda estava escuro lá fora. Pela janela aberta viu a claridade fosca da lua, que entrava pela cortina agitada pelo vento frio da madrugada. Engraçado, podia jurar que a janela do quarto estava fechada quando chegaram. Percebeu que estava sozinho no quarto. Levantou-se para fechar a janela, pois estava sentindo frio. Viu que continuava completamente despido e virou-se para procurar sua roupa, mas escorregou em alguma coisa viscosa que encharcava o chão e quase caiu. Conseguiu equilibrar-se, soltou um palavrão enquanto tateava pela parede, tentando encontrar o interruptor para acender a luz. Apertou o botão, mas estranhamente nada aconteceu. Sentia-se tonto, provavelmente efeito do vinho.
- Andréia, onde está você?
Silêncio.
- Droga! Onde essa mulher se meteu?
Podia sentir a viscosidade grudando seu pé esquerdo no assoalho de tábua corrida. Continuou tateando até encontrar uma estante, e conseguiu divisar um abajur. Puxou a cordinha e a pequena luz acendeu, lançando uma claridade amarelada no quarto escuro. Virou-se, procurando suas roupas. Foi quando percebeu uma mancha escura em cima da cama. Aproximou-se mais, passou um dedo no lençol e examinou aquele líquido que escorria da cama e banhava todo o chão do quarto.
- Mas isso é… Sangue!
Olhou ao redor do quarto mal-iluminado e viu seus próprios passos… O quarto estava coberto por marcas dos seus pés sujos de sangue. Uma mão.   Havia uma mão que saía de baixo da cama. Aproximou-se e levantou a ponta do lençol. Olhou horrorizado, era um corpo. O corpo de Andréia.
Soltou um grito abafado e puxou o corpo pela mão. Ela estava nua, como estivera horas atrás, em seus braços. A diferença é que agora ela estava morta. No rosto, uma expressão de surpresa. No abdômen, uma faca de cozinha cravada até o cabo.”

Sobre o autor:
Frodo Oliveira nasceu em 30 de dezembro de 1967 na cidade de Recife, Pernambuco. Reside há mais de vinte anos no Rio de Janeiro, onde é comerciário e acadêmico de Letras da Faculdade Simonsen. Além do livro Extrema Perfeição (2007), publicou trabalhos nas antologias Noctâmbulos (2007) e Caminhos do Medo (2008), ambas pela Andross Editora, a acaba de concluir seu segundo livro, A Torre Negra, com lançamento previsto para o final de 2008. Mantém atualmente um site no Recanto das Letras e um blog, onde publica contos, crônicas e poemas de sua autoria.

Gerson Couto

1:32 am

 Hemisfério Dorso

Sinopse:
Silêncio. O lugar onde os Deuses habitavam e chamavam de seu. O ponto onde tudo se iniciava e se transformava, mas que, como todos os outros, não era imune ao tempo.
Dez Deuses que, após muito trabalho, conseguiram criar um universo pacífico e sem erros. Um trabalho perfeito, que trouxe alguns inconvenientes. Tudo que tinham de fazer agora era cumprir com seus afazeres. O tempo corria, e nada acontecia. Cansados, um deles, aquele que aparentava ser o mais forte, propôs um jogo.
Deu-se início. Enquanto as peças se moviam, milhares de idéias afloravam em suas cabeças.
O que aparentava ser um simples jogo acabou se transformando no maior planeta já visto até então.
Hemisfério mal havia nascido, e já era o palco para uma estranha e sangrenta batalha. Os Deuses, assustados, observavam. Resolveram intervir. Mas em nenhum momento esperavam tal recepção. Palavras foram arremessadas como flechas. A situação estava fora de controle. Num piscar de olhos, os Deuses se viram de volta à Silêncio. Com o orgulho ferido, decidiram agir. Mas agora era tarde demais.
Daquele dia em diante, os Deuses vêm tentando restabelecer contato com Hemisfério, sem imaginar o que estava a acontecer naquelas terras.
Os mortais, acostumados com uma vida de paz e tranqüilidade, se encontravam agora dentro das mais estranhas situações.
E foi Lad, um desses mortais, o primeiro a descobrir que tudo aquilo era apenas o início.

Trecho do livro:
Silêncio. Entre tantas coisas interessantes e comuns, vidas e sombras, existe o Silêncio. É lá onde eles moram. Dez Deuses, dotados das mais variadas formas e personalidades. Em Silêncio habitam donos de poderes infinitos e pensamentos eternos. Silêncio era uma planície coberta por uma tenra e verde grama. Montanhas não existiam naquele lugar, fazendo com que o vento corresse incessantemente. O infinito verde da grama era recortado, em seu centro, por um colorido jardim. Um jardim de tulipas, das mais variadas cores e tamanhos, com suas flores a abrir e fechar. Os Deuses passavam grande parte do tempo naquele jardim. Por lá ficavam a conversar, tomavam importantes decisões, ou simplesmente observavam o tempo ser carregado pelo vento.

No centro desse belo jardim, se encontrava Kunr Anime, a casa dos Deuses. Aquele jardim era o lugar mais belo daquela planície, e por isso construíram a casa em seu exato centro. Todos os dez nela moravam, por isso a razão de seu tamanho. Era preciso subir grandes escadas dos mais variados formatos para entrar em Kunr Anime, pois, diferente das outras casas, ela não se encontrava no chão. As escadas eram os únicos pontos onde a casa mantinha algum contato com o chão, pois era sustentada por um grande homem com asas, que ficava a sustenta-la em seus braços por todo o tempo. Suas longas asas batiam incessantemente, fazendo assim com que o vento ao redor da casa corresse ainda mais rapidamente. Por todo o tempo, somente suas asas se mexiam.

Toda a casa era constituída de algo semelhante a um mármore azul, que facilmente reluzia qualquer luz. As pilastras que seguravam o teto tinham o formato de grandes tamanduás, que apoiados em suas patas traseiras, levantavam suas cabeças e, com suas línguas, seguravam o estranho teto que parecia mudar a cada instante. Num momento era como o restante da casa, no outro, como se fosse constituído por vários ossos. O chão de Kunr Anime era como um grande rio congelado, pois debaixo de sua crosta transparente, a impressão era que uma grande quantidade de água por ali corria.

Dentre as dezenas de quartos e salas existentes em Kunr Anime, uma era a mais usada, por isso, acabaram apelidando-na de Grande Cauda. Uma grande sala iluminada por abelhas que carregavam troncos recheados de fogo. No centro da Grande Cauda, existia uma grande mesa rodeada por dez cadeiras. Eram inúmeras as vezes em que se reuniam ao seu redor, quando não estavam no jardim. A Grande Cauda era o único cômodo da casa que dava acesso a todos os outros. Era impossível adentrar na casa sem passar por ela. Assim como era impossível um Deus ir para seus aposentos sem passar pelo Salão da Estrela.

O Salão da Estrela foi assim nomeado devido seu formato, que parecia com uma estrela de dez pontas. E cada uma dessas pontas era o corredor que dava acesso a um dos aposentos dos deuses. Cada uma das paredes que compunha os corredores tinha a seu lado, como se a mantivesse erguida, uma gigantesca estátua. Flamingo. Golfinho. Antílope. Esquilo. Jacaré. Gato. Cavalo. Leão-Marinho. Raposa e Polvo. Cada um desses animais, em forma de grandes estátuas, seguravam as paredes dos corredores. E ao fim de cada um destes, existia uma porta que se encontrava sempre fechada. O aposento onde repousavam. Em alguns dos corredores, próximo à porta de seus quartos, residia algo que parecia ser somente uma velha manta. Por todo o tempo elas ali permaneciam.

Por mais bela que fosse a casa, eles gostavam mesmo era de ficar no Jardim das Tulipas, e lá estavam naquele momento. Lóbulos tocava de maneira suave seu Oboé. Próximo a ele, Lahguna e Póllus, que jogavam uma partida de gamão. O jogo preferido dos Deuses. Zathara estava distante do restante do grupo. Olhava para o céu, pois naquele momento, estava a se entreter com suas Nurtas e Bóris. Havia criado três grandes bolas de fogo e três grandes pedras brancas que ficavam a girar pelo céu. Eram bonitos, mas nada como o tempo para fazer com que Zathara rapidamente se esquecesse deles.

Enquanto isso, Anchlión e os outros conversavam.

- Estamos há séculos parados como estátuas. Será que não existe nada no momento que precise de nossa intervenção? Imagino que todos aqui estejam cansados de ficar parados. – Reclamava Golffus.

- Está tudo correndo de maneira pacífica há séculos. Executamos nossos trabalho com perfeição, por isso tudo se encontra na mais perfeita harmonia. Inclusive nós. Mas acredito que em breve teremos algo empolgante para realizarmos. – Dizia Anchlión.

Sobre o autor:
Gerson J.V. Couto é Paulista, cresceu em Minas Gerais e, morando na capital carioca, se dedica às artes como literatura, música, e dança. Atualmente com 27 anos, cursa o Bacharelado em Dança – UFRJ, enquanto se dedica ao término de seu terceiro livro.

Visite o site do autor para adquirir o livro e ver o trailer promocional.

   Crônicas_Taikodom

Release de Crônicas de Taikodom:
Acomode-se confortavelmente em seu holocubo e prepare-se para mergulhar no futuro: a Hoplon Infotainment e a Devir Livraria estão lançando Taikodom: Crônicas, o segundo livro do universo ficcional do maior jogo massivo online já desenvolvido no país e o primeiro que leva a assinatura de Gerson Lodi-Ribeiro, um dos principais nomes da ficção científica brasileira.

Lodi-Ribeiro conhece muito bem os meandros dessa aventura. Colaborador da Hoplon desde 2004, ele é um dos principais escritores do universo autoconsistente onde se desenrola a ação de Taikodom – online e offline. O autor, formado em engenharia eletrônica e astronomia e ex-oficial da Marinha, já escreveu mais de 300 mil palavras sobre esse novo mundo, que ganha forma na internet e é esmiuçado no papel.
Ficção e ciência, ação e romance, conflitos e acordos brotam nas páginas de Taikodom: Crônicas, tornando a leitura eletrizante. As sete histórias da coletânea cobrem quase um quarto de milênio, estimulando a reflexão sobre paradigmas tecnológicos e sociais, mas sem abrir mão da diversão.

Em “Point of K(no)w Return”, por exemplo, o leitor viaja na Prometheus, primeira nave tripulada a extrapolar os limites do Sistema Solar, e tem contato com as diferenças entre as diversas estirpes humanas que habitam o espaço. Saltando no tempo, “Segunda Ressurreição” e “Confronto com Quimera” mostram o primeiro contato face a face entre um humano e um inimigo alienígena, cuja nave é caçada impiedosamente por um comandante com fama de doido. Nem só de batalhas e conflitos, porém, é feito o livro. Para relaxar, há um guia turístico espacial, sob medida para mochileiros futuristas.

Com personagens consistentes e tramas bem elaboradas, Taikodom: Crônicas agrada não apenas os jogadores do game, mas também quem gosta de boas leituras. E o melhor de tudo é que isso é apenas o começo. “Nosso universo é extenso e há todo o Taikodom para explorar”, afirma Lodi-Ribeiro, que já está trabalhando em novos títulos da coleção juntamente com a equipe de universo ficcional.

Contos e noveletas:

point of know return
despertar do físico
moriuri te salutant!
guia tertius do taikodom para o turista independente
escambos com nativos
sefunda ressurreição
confronto com quimera

Outros Brasis

As histórias contidas em Outros Brasis tiveram enorme aceitação quando foram publicadas em Portugal nos livros Outras Histórias…, O Vampiro de Nova Holanda (1998) e O Atlântico Tem Duas Margens.
Os livros de escola nos apresentam a História como uma série de eventos lineares lógicos e, por que não, inevitáveis. Porém, são inúmeras as possibilidades que poderiam ter acontecido caso um destes eventos tivesse um desfecho diferente do que conhecemos. E é partindo deste pressuposto que o escritor Gerson Lodi-Ribeiro presenteia seus leitores com dois arcos de noveletas repletas de possibilidades, pesquisa séria, e uma recriação de época de grande qualidade.
Todo mundo sabe que, há muito tempo, por ordem do grande Zumbi, um agente especial da República de Palmares, aterrorizou o alto comando luso. Que a próspera Nova Holanda, sob o comando de Maurício de Nassau, dominou o Nordeste do antigo Brasil. E que a Gran Republica Del Paraguay assumiu o poder do Cone Sul depois de vencer a Guerra contra a Tríplice Aliança.
Império desmembrado? República de Palmares? E que história é essa de Nova Holanda? Perguntas plausíveis do ponto de vista da História que conhecemos, mas cuja resposta todos sabem dentro do enredo desta História Alternativa.
O autor tenta imaginar o que seria o país se tivéssemos tomado certos desvios no passado. Uma verdadeira aula magna sobre nossa História, e sobre como ela poderia ter sido caso alguns detalhes tivessem ocorrido de forma diferente. Afinal, tudo depende dos detalhes…

O Autor (material retirado do livro Crônicas):
Escritor carioca de ficção científica, graduado em engenharia eletrônica e astronomia pela UFRJ, estreou como autor profissional com a novela Alienígenas Mitológicos (1991) publicada da Isaac Asimoc Magazine, publicando também A Ética da Traição, que inaugura o gênero de história alternativa no Brasil.

Lançou duas coletâneas de ficção curta pela Editorial Caminho, reunindo seus melhores trabalhos até então: Outras Histórias (1997) e O Vampiro de Nova Holanda (1998).  Presente na maioria das antologias de FC&F lançadas em português na última década, publicou os contos Alta Temporal e Caminhos Sem Volta na revista Quark, e a Filha do Prepador na Sci-Fi News.

Como editor, organizou as coletâneas Phantastica Brasiliana (2000) e Como era Gostosa a Minha Alienígena (2002), ambas lançadas pela Ano Luz.

Em 2006 publicou Outros Brasis, que reúne quatro novelas de história alternativa.

Atua como consultor da Hoplon Infotainment desde 2004, tendo criado o universo ficcional do jogo TaikoDom. Seu mais recente lançamento faz parte da coleção Taikodom e se chama Crônicas, reunindo 7 textos entre contos e novelas.

Sobre o Taikodom – É o maior jogo massivo online já produzido no Brasil. Sozinhos ou unidos em corporações, os jogadores participam de combates e atividades de mineração e comércio em pleno espaço. A ação, ambientada no século 23, acontece em tempo real. Free-to-play, o game foi lançado oficialmente em outubro de 2008 depois de quatro anos de trabalho e se mantém em constante desenvolvimento. Para saber mais sobre o universo ficcional do jogo, consulte www.universotaikodom.com.br. Para jogar, acesse www.taikodom.com.br.

 

Giulia Moon

1:46 pm

         Kaori

Kaori: Perfume de Vampira

Século XVII: Kaori, uma bela garota com o perfume da sedução, trilha caminhos perigosos entre samurais, senhores feudais, prostitutas e criaturas mágicas do folclore japonês. No seu caminho, surge José Calixto, um artista sensível e apaixonado, capaz de tudo para dar vida a uma obra imortal.

Século XXI: na fervilhante Avenida Paulista, coração de São Paulo, Samuel Jouza tem uma profissão peculiar. Ele observa vampiros para um misterioso instituto de pesquisas. Mas o olheiro percebe que a sua profissão é muito mais perigosa do que imaginava, ao salvar um menino das garras dos sanguessugas.

De um lado, a magia das sagas heróicas de samurais, o mistério das antigas lendas do Japão. Do outro, uma aventura ágil e atual, que tem como cenário o Brasil. Dois universos se entrelaçam e se cruzam neste novo romance de vampiros escrita por Giulia Moon.

 

Trecho do Capítulo III - Aqueles que Vêm com a Noite

1648 – Período Tokugawa, Japão

A garota abriu os olhos. Encontrava-se dentro de uma construção empoeirada. Havia uma vela acesa perto de si. Trêmula, a menina ergueu a vela para ver melhor onde estava. Parecia um antigo jinja1 abandonado. Havia um altar com o deus Hachiman2 coberto de pó. De repente, a chama da vela iluminou um vulto agachado num dos cantos. Dois olhos sinistros faiscaram. Com um grito de pavor, Kaori soltou a vela e correu para o lado oposto, procurando pela saída. Havia uma entrada principal, mas estava lacrada pelo lado de fora. A jovem, desesperada, começou a bater com os punhos na barreira.
– Não há como sair… Você não pode fugir de mim.
Kaori voltou-se, tremendo, para o homem desconhecido e encontrou-o de pé, acendendo a vela que ela deixara cair. Usava uma veste rota, com calças esfarrapadas e uma túnica esburacada, sob a qual surgiam dois grandes pés nus, escuros de sujeira. Tecidos cobriam o seu rosto, onde apenas os dois olhos brilhantes estavam à vista. Tinham íris amareladas, como os de um tigre. Olhos de oni3! Aterrorizada, a menina sentiu as pernas bambas. Ela deslizou rente à parede, até agachar-se no chão, apavorada. Assim, com o rosto escondido entre os braços, ouviu-o aproximar-se. Estremeceu quando sentiu as mãos dele sobre os seus braços, obrigando-a a se erguer.
Ele a colocou sobre o ombro, como se fosse um fardo qualquer, e levou-a até um canto, onde havia um acolchoado e almofadas. Depositou-a sobre o leito, e ficou ali, olhando, até que ela abrisse os olhos. Então levou a mão ao seu próprio rosto e puxou o tecido que lhe cobria a boca. A menina arregalou os olhos. A boca era grande, sensual. Os lábios, rosados e úmidos. Os caninos curvados eram os maiores que já vira. Já ouvira falar de uma criatura assim. Ele era um kyuketsuki4. O demônio sugador de sangue.

1. Jinja – templo xintoísta.
2. Hachiman – deus identificado com o antigo imperador Ojin e deus da guerra.
3. Oni – demônio.
4. Kyuketsuki – vampiro, em japonês. Palavra composta de três ideogramas: Kiu (sugador),
Ketsu (sangue), Ki (demônio).



A Dama Morcega

Onze contos fantásticos. Onze narrativas que trazem personagens do imaginário brasileiro ao lado de vampiros, assombrações e outras criaturas clássicas de terror universal. Giulia Moon conta neste seu novo livro onze estranhas aventuras de seres sobrenaturais: um menino e o seu amigo invisível; um herói que carrega um diabinho tagarela no ombro; um ser bizarro que assombra livros usados; uma conversa do Saci com o Menino Jesus. O conto A Dama-Morcega, que dá nome ao livro, narra a história de uma misteriosa mulher desmemoriada descoberta num circo de horrores por um médico, Olavo Alencar, que se dedica a descobrir o fenômeno oculto sob a sua fisiologia peculiar. Uma vampira de verdade? Ou apenas uma aberração médica? O conto A Dama-Morcega revisita as clássicas narrativas de cientista versus criatura fantástica, acrescentando à trama o colorido bem brasileiro de uma São Paulo nos primeiros anos do século XX.
O livro A Dama-Morcega traz o prefácio de R. F. Lucchetti, escritor e roteirista de cinema e quadrinhos.

Os contos:
Luna Errante
Júnior e o Seu Gnuko
O Vampiro e a Donzela
Perdido!
O Paraíso
O Ser Obscuro
O Herói e o Diabrete
Perigosa Ilusão
A Tia-Madrinha
A Dama-Morcega
Pé-de-Moleque em Dezembro

Trecho do livro, extraído do conto A Dama Morcega:
“A jaula estava lá. E, dentro, Agnes. Usava um vestido branco, diáfano, de bailarina. A platéia remexia-se, incomodada. Uma mulher frágil estava ali, dentro da jaula, olhando para os assistentes com ar de desamparo. Algumas pessoas sussurraram umas com outras. De repente, alguém gritou:
– Covarde, solte a pobre moça!
Como resposta, Schiavo estalou o chicote. O público soltou uma exclamação em uníssono. Agnes tinha saltado para o teto da jaula e encontrava-se pendurada de cabeça para baixo, desafiando a gravidade como um morcego de verdade. O tambor soou. O chicote estalou de novo. E ela voltou para o chão, onde ficou agachada, os olhos rubros a vigiar os passos do domador.”


Vampiros no Espelho

Em relatos fantásticos em que o inusitado é apresentado com surpreendente realismo, Giulia Moon nos conduz através de histórias de criaturas extraordinárias num jogo de espelhos às vezes apavorante e cruel, noutras vezes bem-humorado.
Por tradição, vampiros não têm reflexo nos espelhos. Por isso, desde sempre, a única forma de se registrar a presença de um vampiro tem sido através de narrativas que trazem à luz detalhes e “retratos falados” desses seres fascinantes. Eis o motivo da primeira parte deste livro denominar-se Vampiros no Espelho. Cruéis, ariscos, perigosos e até mesmo engraçados – eles aparecem com todo o seu mistério, refletidos nas palavras deste espelho.
A segunda parte deste volume, Seres Obscuros, fala de outros personagens fabulosos. Dezessete contos fantásticos relatam instantes em que criaturas sobrenaturais roçam de forma ligeira, mas definitiva, a vida dos mortais. São seres famintos de amor, de vida, de sangue. Rondam nas sombras, espreitam nas frestas, dançam e cantam sob a luz das estrelas. Assombrações, mortos-vivos, dragões, bruxas – e mais vampiros – fazem a sua performance para a platéia deste espelho, atravessando campos e florestas imaginários ou agindo em cenários familiares de uma cidade, um bairro, uma rua como a sua.
Por isso, observe os vampiros e os demais seres obscuros neste espelho de palavras. Se você já sentiu algum dia um fascínio inexplicável por uma noite de lua cheia, desejou seguir uma música encantadora que vem da floresta, ou quis descobrir de onde vem o choro lúgubre que ecoa nos cantos escuros de uma velha casa, aceite o convite de Giulia para esta jornada. Delicie-se com Vampiros no Espelho & Outros Seres Obscuros.

Os contos:
I. VAMPIROS NO ESPELHO
Rock’n Rose 
O Verdadeiro Rosto de Satan 
Festa Rubra
Mater Dolorosa 
Cenas de Cinema 
Dama-da-Noite 
Pequena Lição de Educação Sexual 
Danse Macabre
Retrato em Sépia
Mil e Trezentos Vampiros 
A Santa dos Meninos de Rua 
Uma Vampira no Rio 
Amor Vampiro
Amor Mortal 
Amor Venial 
Pater Nobilis

II. SERES OBSCUROS
O Monstro que Devorou a Lua
Jantar a Bordo
Natal Escarlate 
Cássia
E-Maus 
O Cabelo 
O Dragão Tricéfalo contra o Santo Valente 
Vida de Artista 
Miado Blues 
Pesadelo 
O Noviço Sem Orelhas 
A Voz 
Ele Está Observando Você 
Boneco de Pano 
Kiuketsuki 
Parasitas! 
Era Uma Vez

Trecho do livro, extraído do conto Mil e trezentos vampiros:

“Ela estava lá, como num sonho. Os cabelos curtos mostrando um pescoço fino e alvo. A jaqueta vermelha era um morango reluzente e macio. Nem sabia por que tinha tanto tesão por uma magriça. Tanta mulher mais gostosa por aí… De repente, ela estava sobre ele, fazendo-o sentir coisas. Suas mãos pequenas eram hábeis, tanto em excitar quanto em submetê-lo de uma forma esquisita. Segurava o seu braço, apertava o seu rosto de um jeito que não gostava. Mesmo excitado. Mesmo louco para que ela não parasse o que estava fazendo. Então… O que estava fazendo… mesmo?
Ela estava se alimentando. Empoleirado sobre a laje de uma construção a alguma distância, Augusto os observava. Afastou o binóculo dos olhos e anotou na caderneta: técnica mista de sedução e hipnotismo. Tratava-se de uma vampira experiente, a elegância no ataque era exemplar. Nada de sujeira desnecessária, violência ou sofrimento da presa. Vampiros urbanos eram assim mesmo, sutis. Por isso os admirava.”

Sinopse de Luar de Vampiros:
A noite é dos vampiros. Eles amam. Matam. Ou apenas passam como sombras pelas janelas dos mortais. No submundo da noite reinam, predadores noturnos sutis e cruéis. Aqui, você vai conhecer esses seres sob o olhar da lua. O luar – luz noturna – flagra momentos de vampiros, criaturas ariscas e raras, em seu habitat. Vampiros de espécies diferentes, como o são os seres humanos, tão diversos em caráter, temperamento, destino e, por isso mesmo, tão fascinantes. Os vampiros sempre exerceram um fascínio irresistível sobre nós, pobres mortais. Entre num mundo proibido através do livro LUAR DE VAMPIROS, o livro de estréia de Giulia Moon. São dez contos de vampiros. Dez faces pálidas na escuridão. Apague as luzes e espere. Eles não gostam da claridade. A não ser a do luar.

Os contos:
Um tédio de matar
O amante noturno
Educação milenar
Uma vampira em Nova York
Gia e o seu alvo
Incompatibilidade de gênios
Sangue de Lúcifer
O sorriso de Felícia
Desejos são rubros
A Dama Branca

Trecho do livro, extraído do conto Uma Vampira em Nova York

“O toalete feminino era perfumado com um aroma amadeirado. Telas de tecidos tingidos de vermelho – ah, a cor favorita, depois do negro… – e espelhos. Espelhos que não refletem Maya. Apenas mostram a figura espantada da garota – mamma mia – que se depara com os caninos brancos da vampira ao voltar-se, após lavar as mãos e retocar a maquiagem borrada. Um gosto agridoce de sangue jovem, anos de spaghetti al sugo que nem os won-tons de banana com canela conseguiram eliminar… e o efeito estonteante de vinho de qualidade correndo ainda nas veias vigorosas da ragazza.
Então a amiga saindo da toalete olha, estupefata, para o corpo da companheira no chão. E depois, para o rosto pálido de Maya a um centímetro do seu.
– Cara mia… – Um doce sussurro nos ouvidos enfeitados pelos brincos dourados. Um leve roçar nos piercings do umbigo e o corpo sob o seu, completamente abandonado…
Maya sorriu, admirando o tatoo no ombro branco e largo da bella bambina. Uma rosa vermelha. Um sinal. Um gosto delicioso de pecado. – Bitch! – Era possível? A vagabunda gritara. E a xingara. Com um movimento implacável, Maya dobrou-a em dois. As costelas perfuraram o top, ossos brancos surgindo sob a estampa colorida. Um jorro de sangue quente colheu o rosto de Maya. Um grito. Mais gritos. Logo, um restaurante chamado Indochina iria parar nas manchetes dos jornais.”

Luar de Vampiros está quase esgotado.
Você ainda pode encontrá-lo na livraria Asabeça ou nos sebos da cidade.

Entrevista da Giulia para o site O entrevistador.

Deixando de existir


Sinopse:
Século 23. Em um mundo que superou os seus conflitos, andróides trabalham lado a lado com os humanos. Mas, repentinamente, estranhos acidentes começam a acontecer e um inspetor é chamado para desvendar o mistério da destruição de alguns andróides. Este é o cenário de Deixando de Existir.

Ambientado em um clima de ficção científica, ele discorre sobre temas existenciais como a eutanásia, a depressão e o suicídio com uma abordagem holística e filosófica, que provoca no leitor a reflexão sobre a importância e o sentido da vida.

O autor:
Goulart Gomes nasceu em Salvador da Bahia, em 1 de maio de 1965. Administrador de Empresas, concluiu pós-graduação em Literatura Brasileira (UCSAL) e em Gestão de Comunicação Integrada (ESPM-RJ).

Publicou: Anda Luz (1987), Todo Desejo (1990), Sob a Pele (1994), LinguaJá, o Território Inimigo (2000), Esfinge Lunar e Outros Enigmas (2001), poesias; Trix, Poemetos Tropi-kais (1999) e Minimal, dos males o menor (2007), poetrix; a peça teatral A Greve Geral (1997), o cordel A Divina Comédia (1989); Todo Tipo de Gente, contos (2003), Matrix Revelations – Tudo o que Você Queria Saber sobre o Filme, ensaio (2005) e Deixando de Existir, ficção científica (2009).

       

Release de Reviravolta:
Na noite de seu aniversário de 7 anos, Pedro, protagonista de ‘Reviravolta’, ganha um irmão de mesmo nome. Passa a se chamar Pedro Velho – seu irmão, Pedro Novo. O aniversário dos irmãos é também data da morte da mãe dos meninos e de uma irmã, natimorta. Pedro Novo e Pedro Velho, num jogo de espelhos, passam a viver, a partir de então, num tempo próprio, que se expande e dilata, encolhe e se estreita de acordo com as leis de uma física que é científica, mas beira o realismo fantástico do colombiano Gabriel García Márquez. Na casa dos Pedros, perde-se a chave do cadeado da porta, os vizinhos desaparecem e ninguém sente a necessidade de sair para a rua. É sempre noite. A festa junina da noite de 17 de junho de 1962 se repete, sem cessar, com o passar dos anos. E, entretanto, o tempo passa. A narrativa vai e volta e se reencontra como num desenho elíptico de Escher. O narrador desta epopéia elíptica nos conta a história de um futuro muito distante em que novos paradigmas foram criados e seres humanos usam computadores – ou inteligência não-biológica – implantados no cérebro. É o tempo, paralelo ao tempo, dentro do tempo. Um mergulho nesta obra faz o tempo parar.

Release de O Mágico de Verdade:
Pergunte a uma criança o que é um mágico e ela provavelmente dirá que é alguém que sabe fazer coisas inexplicáveis; pergunte a um adolescente e ele dirá que é alguém que sabe fazer truques. Em ‘O mágico de verdade’, o escritor, ensaísta e professor universitário Gustavo Bernardo ‘brinca’ com o fascinante conceito de ilusionismo para questionar a realidade que vivemos hoje, levando reflexões aprofundadas para o público jovem através de uma narrativa ficcional. O livro reproduz um programa de auditório semanal em que a platéia e os telespectadores são desafiados a descobrir os ‘truques’ de um mágico em troca de um prêmio de um milhão de reais. Um apresentador falastrão conduz a narrativa e arrasta o leitor-telespectador de um bloco a outro do programa, sem perder o fôlego. A tensão aumenta a cada domingo. A cada novo programa, o público se surpreende com uma mágica mais inacreditável que a outra. Audiência recorde, anúncios milionários, contratos com redes de televisão do exterior. O show é um sucesso. Porém, as coisas começam a sair do controle – e os patrocinadores ficam assustados -, já que o tal mágico desafia bem mais do que a simples curiosidade da platéia em relação a seus feitos extraordinários. Por trás de todas as suas mágicas incríveis há sempre uma reflexão que se impõe aos participantes do show e à realidade tal qual a conhecemos.

Desenho Mudo: Nina não falava, mas revelava em seus desenhos uma assombrosa percepção do mundo. Um crime chocante a coloca em contato com um tenente da polícia, encarregado de resolver o caso. Ele também era uma pessoa especial que via cada investigação mais como um meio de fazer descobertas sobre a alma humana do que como um procedimento para identificar os culpados. Entre os dois se estabelece um diálogo inusitado, que sugere o quanto estamos limitados a rótulos nos nossos relacionamentos e tentativas de compreender a vida.

A ficção cética: ‘Dubito ergo sum, vel quod item est, cogito ergo sum’, disse René Descartes, mostrando que pensar é a mesma coisa que duvidar. O ensaio ‘A ficção cética’ parte dessa sentença para discutir a presença do ceticismo na literatura, entendendo-o constitutivo e essencial. Cabe à ficção proteger a dúvida, levantando a suspeita sobre a realidade ao mesmo tempo em que, paradoxalmente, intensifica a vida. É dessa proteção que trata o livro de Gustavo Bernardo, relacionando, por exemplo, Philip K. Dick a Carl Sagan, Shakespeare a Michel de Montaigne e Sófocles a Pirro. Tais diálogos o convencem da necessidade antropológica da ficção e da necessidade moral do ceticismo.


Helena Gomes

1:58 pm

Em um remoto mundo de brumas azuis, a guerra entre dois povos termina com a vitória dos cruéis nergals. Em seu desespero, Loxian, a rainha dos eloras, ordena aos seus três melhores guerreiros o impossível: evitar que os inimigos, liderados por Mudu-za, deixem seu rastro de destruição e morte em civilizações inocentes. A missão, entretanto, fracassa. Milênios depois, em um reino medieval perdido num planeta chamado Terra, uma jovem Sacerdotisa chega em busca do Herdeiro: o único capaz de deter o terror nergal que agora ameaça a raça humana.


Nesta aguardada seqüência de O Arqueiro e a Feiticeira, Thomas parte de seu mundo medieval com o objetivo de desvendar o próprio destino e, principalmente, encontrar aliados na luta desesperada contra os nergals. Além da fenda espacial, entre o tecnológico povo de Gaia e estranhos alienígenas, o arqueiro enfrentará novos perigos, traições e até a morte. Mudu-za, líder nergal, espera apenas o momento certo para atacar.


Dois novos inimigos se unem a um temido nergal nesta aventura que explora o perigoso passado do cavaleiro Vince De Angelis. Em sua luta para consolidar as bases de um novo mundo, o arqueiro Thomas descobre um universo onde a magia poderá ser sua única arma.

No site da autora você pode ler o prólogo dos 3 livros e conhecer mais sobre a saga de A Caverna de Cristais.

Lobo Alpha faz parte da  coleção Plena Lua, da Rocco Jovens Leitores. É um livro repleto de aventura e suspense, totalmente antenado com o universo jovem de hoje. Com trechos do livro narrados em formato de história em quadrinhos (assinadas por Alexandre Barbosa, o Bar), o livro dialoga com outras manifestações culturais como mangás, seriados de TV e cinema, além, é claro, das próprias HQs.
Lobo Alpha narra a saga de Wolfang, um rapaz que faz parte de um clã – as criaturas –, seres humanos com poderes de mutação que vivem anonimamente em toda parte. Wolfang tem o poder de se transformar em lobo e nada pode fazer contra a sua sina de criatura. Apesar de ser o mais fraco e insignificante do clã, acaba salvando a vida de Amy, uma jovem que, sem saber, carrega um segredo capaz de definir o futuro das criaturas. Juntos, eles descobrem traições, enfrentam inimigos poderosos e vivem um romance de grandes aventuras ao redor do mundo. Com uma narrativa densa e envolvente, Lobo Alpha tem linguagem cinematográfica.


Assassinato na biblioteca é uma bem costurada trama de ação e suspense que prende a atenção do leitor do início ao fim. Mas não é só isso. Com um enredo que vai e volta no tempo, o livro conta uma história de mistério que beira o sobrenatural, no ritmo das narrativas policiais, mas oferece mais do que puro entretenimento: para decifrar o assassinato da bibliotecária do tradicional colégio onde estuda, em Santos, no litoral paulista, o jovem Igor se envolve num intricado quebra-cabeças e acaba descobrindo muito sobre um período negro da História do Brasil: a ditadura militar.

Novo na cidade, sem conseguir aceitar a morte do pai e o novo casamento da mãe, Igor é o típico adolescente problema. Em casa, vive trancado no quarto; na escola, tem dificuldade para se integrar com os colegas e passa a maior parte do tempo sozinho na biblioteca, para fugir da chatice das aulas. É justamente numa de suas manhãs na biblioteca vazia, quando na verdade deveria estar em sala, que Conceição, a bibliotecária, é assassinada. O cenário é perfeito para incriminar o menino desajustado. Para provar que não é o assassino, Igor conta com a ajuda de Lara, uma menina-fantasma que mora na biblioteca da escola, local onde foi assassinada, em 1970, período negro do regime militar, quando tinha apenas 14 anos.

Com reviravoltas a todo momento, Assassinato na biblioteca é um romance eletrizante que leva o jovem a refletir sobre a História recente do país, mostrando como a tortura e a repressão modificaram as vidas de milhares de pessoas.

  

Será

Release (por Nelson de Oliveira):
O progresso científico é como um machado nas mãos de um psicopata. Palavras de Einstein.
O primeiro romance de Ivan Hegenberg nos apresenta nada mais nada menos do que o futuro desse progresso. Qual seria ele? O mais assombrado e o mais assombroso possível, coordenado por máquinas inteligentes, suportado por homens e mulheres violentos e inseguros, às vezes esperançosos e confiantes, quase sempre desesperados ou deprimidos. O único futuro possível para o presente no qual vivemos: a continuação caótica do não menos caótico momento atual.
Dezenas de personagens, posicionadas pelo autor em pontos estratégicos, vão revelando pouco a pouco a estranha estrutura social e emocional dessa civilização alucinada, dessa sociedade em certos momentos muito mais angustiante do que as mais célebres distopias da ficção científica: a de George Orwell, em 1984, a de Aldous Huxley, no Admirável mundo novo, e a de Ray Bradbury, em Fahrenheit 451. Mesmo pertencendo a outra linhagem literária, A metamorfose e O castelo, de Franz Kafka, também lançam sua sombra sobre esse futuro.
Todos os fatos aqui revelados se passam no século XXIII. O oxigênio agora é retirado dos oceanos, a realidade virtual aboliu a distância espacial e a temporal (as pessoas podem viajar artificialmente para qualquer lugar e para qualquer época), a propriedade privada também foi abolida, a escassez de água e a superpopulação são as piores ameaças ao equilíbrio do planeta, as pessoas de carne e osso convivem (nem sempre tranqüilamente) com as pessoas virtuais, nos laboratórios os limites do macrocosmo e os do microcosmo são rompidos, as culpas e as neuroses podem ser extirpadas cirurgicamente da mente humana e agora a telepatia é a forma de comunicação mais sutil (até os sentimentos podem ser compartilhados).
A nossa espécie vive o apogeu da tecnologia e do cientificismo. Mas, ironia das ironias, essa situação é o reflexo da forte crise moral e existencial que devagar vai corrompendo as instituições e os indivíduos. Nesse sentido, apesar das possibilidades inimagináveis (a telepatia, a viagem ao centro da célula, a materialidade virtual), a sociedade futura continua estacionada espiritualmente no início do século XX. O fracasso das utopias, a fragmentação da consciência, a indústria cultural, a ideologia de direita e a de esquerda: nada mudou. Diante dos mesmos conflitos vividos por nossos antepassados, conflitos que levaram à Primeira e à Segunda Guerra Mundial, à Guerra do Vietnã e à do Iraque, fica bem claro que o progresso industrial e tecnológico não foi acompanhado pelo fortalecimento da subjetividade humana nem pelo enfraquecimento dos impulsos mais primitivos. Continuamos primatas egoístas e insaciáveis, dominados pelas paixões.
O sexo sádico e autodestrutivo, o fanatismo religioso e o instinto de agressão e dominação continuam testando os limites do amor e da sanidade. A última esperança para esse futuro sombrio e irracional é provavelmente o que a espécie humana vem buscando desde o início dos tempos: o verdadeiro contato com o sagrado. A procura desse contato último irá reunir e separar muitas das dezenas de personagens do romance. Elas precisam provar do sentimento do sagrado. Mesmo que esse sentimento esteja muitas vezes oculto numa cápsula de veneno.

Trecho do livro:
“Uma quinta-feira amanhece na longitude 170 leste, recebe a noite na longitude 40 oeste. Ovos de pássaros, de peixes e de répteis se rompem, maçãs caem das árvores, correm os rios, o mar em ondas visita as rochas. Magma quente percorre galerias subterrâneas, o vento agita as folhas, arrepia os bichos, transporta nuvens. No céu os gaviões atacam codornas, na mata leões devoram antílopes, no mar golfinhos amamentam seus filhotes. Sinais eletrônicos transcorrem o planeta, cai a chuva e estala o deserto sob o sol. Pensamentos e sensações se cruzam à deriva em trajeto pelo ar e milhões de mamíferos copulam no mesmo instante. Rebentam-se bolsas d’água, placas tectônicas rangem suavemente sob o solo, sementes germinam. Amanhece e anoitece no planeta que faz do calor e da luz fontes essenciais para a vida.”

Trecho de resenha (Ronaldo Cagiano):
“O universo narrativo de Ivan Hegenberg projeta-se para o século XXIII, uma época que sofre os efeitos de um caos já ancestral, que se manifesta na estagnação da vida, nos prejuízos causados pelos desequilíbrios sociais e ambientais, levando ao esgotamento não só da natureza, mas também à falta de perspectiva para a própria ciência, ainda que os seres tenham a seu favor todos os benefícios de um progresso alcançado nos séculos passados.  Ao mapear esse novo ambiente em que, de um lado o homem depara-se com os resultados da evolução e, de outro, com as conseqüências da transformação da vida pela tecnologia, criando suas ilhas tanto de excelência produtiva quanto de isolamento, solidão e neurose, o autor compartilha com o leitor uma preocupação com os destinos da humanidade e do Planeta, questionando o modus vivendi de uma civilização cujos ícones vão sendo paulatinamente desmantelados”.

 

Puro enquanto

Terceiro livro de Ivan Hegenberg, Puro enquanto reflete dez anos de trabalho, tendo como ponto de partida a anotação de centenas de sonhos. Com influências ecléticas como os beatniks, Clarice Lispector e James Joyce, o livro se projeta em linguagem própria, tortuosa como o caminho onírico. A narrativa se faz pelo avesso, com um mergulho no inconsciente do qual emergem contornos e acontecimentos tão intensos quanto voláteis, já que o personagem, em coma, duela com a dificuldade de despertar.

 

O autor:
Ivan Hegenberg, não exatamente “O Terrível”, mas assumindo a alcunha de L’Enfant Le Terrible, publicou A Grande Incógnita (contos, 2005), Será (romance, 2007), e prepara para 2008, Puro Enquanto, um dos projetos vencedores do PAC (Programa de Ação Cultural). Nasceu em São Paulo, em 1980, formou-se em Artes Plásticas pela ECA-USP, e atualmente trabalha no mercado editorial.


 

Em ‘Mundo de sombras’, Ivanir Calado mistura a dose certa de suspense, mistério e aventura em uma trama eletrizante. Na pequena cidade de Morro Queimado, estranhas mortes começam a assustar a população. Investigando os crimes, os adolescentes Júlio e Daniel chegam a uma surpreendente descoberta – existe um vampiro à solta. Amigos de infância, Daniel e Júlio estão sempre juntos têm interesses parecidos, idéias parecidas – e acham que continuarão assim para sempre. Até que a morte brutal de sua amiga Lucinha, aos quinze anos, vira de cabeça para baixo a cidade e coloca os dois numa encruzilhada que vai separá-los de modo implacável. Júlio decide que a garota foi morta por um vampiro e acha que precisa fazer alguma coisa a respeito. Mesmo tendo certeza de que a idéia é absurda, Daniel é arrastado para uma investigação que, pouco a pouco, levará os dois ao terror absoluto, onde espreita uma criatura que, antes, parecia existir apenas em livros e filmes.

A Caverna dos Titãs: De repente aquele videogame não é apenas um videogame. Aquele shopping center não é somente um shopping center, e Morro Queimado não é mais uma cidade comum. Então, muitas coisas estranhas começam a acontecer no OuterPlanet Megashopping. Três amigos começam a desconfiar que só poderia ser obra de alguém do outro mundo e resolvem investigar. O resultado é uma aventura incrível, num vertiginoso ritmo de videogame.

J.Modesto

9:09 pm

  

release de Trevas:
Corrupção, submundo do crime, forças do mal. Acredite, você está envolvido!

O Sol ardente contribuía para irradiar a luz própria das igrejas da Cidade do Vaticano. Cenário ideal para uma misteriosa conversa entre o Cardeal Giglio e Sua Santidade, o Papa. Diante de um secreto dossiê, o Papa dá carta branca ao cardeal, para combater o Mal com o Mal.
Perante tal contexto, não se iluda o leitor que está diante de uma mera ficção religiosa. O autor, J. Modesto reuniu neste livro diversas cenas de terror e suspense, e que, de forma inteligente contextualizou-as no submundo do tráfico de entorpecentes de São Paulo e Rio de Janeiro. Lugar no qual o bem e o mal, o certo e o errado, confrontam-se diariamente, mas do que se possa imaginar.
Com esta mistura engenhosa de realidade e ficção, o leitor se depara freqüentemente com a dúvida do que é ou não real. A presença do demônio, disfarçado entre os humanos, une o Cardeal Giglio – com a sagrada missão de combater os inimigos do Senhor, – a um vampiro – que ironicamente só se alimenta de “homens maus” – e a um justiceiro mascarado – que deseja vingar a morte dos pais tentando destruir o “chefão” do crime organizado.
Diferentes objetivos consolidam essa estranha aliança para combater o mal ou o errado, demônios ou criminosos. Ao ler TREVAS, o leitor irá identificar os significados que a obra empresta a cada um dos personagens e chegará à conclusão de que o jovem autor, J. Modesto, reservou um final surpreendente no qual pretende comprovar que ELES ESTÃO POR TODA A PARTE!


Release de Anhangá:
TREZENTOS ANOS ANTES DO DESCOBRIMENTO O MAL JÁ CAMINHAVA SOBRE TERRAS BRASILEIRAS

Neste seu segundo romance o autor J. Modesto transporta-nos a uma época anterior à da descoberta de nosso país. O livro narra o fantástico episódio de quando um dos quatro Demônios Elementais (cujo conceito foi apresentado ao público em seu livro anterior, TREVAS), foi arrastado até as bordas do fim do mundo para ser arremessado no Grande Abismo.

O livro também fala de um mouro, chamado Mohamed, que usou de feitiçaria para, antes de decifrar a mentirosa crença que levava para os portais do inferno, tentar derrotar esse mesmo demônio. Também conhecemos um sábio Pajé indígena, aconselhado pelo deus Tupã, que colabora com a missão de Mohamed.
E como ignorar o fato de que, naquele mesmo cenário, havia uma interminável guerra entre as tribos Tupiniquins e Tupinambás que já se arrastava por séculos? Foi nesse mesmo conflito que o aprendiz e guerreiro indígena Acauã, da tribo Tupiniquim, foi capturado pelo grupo do valente Ibaté, guerreiro da tribo  dos Tupinambás, na ocasião mais inapropriada e crítica de sua vida.
Mas mais do que mostrar as histórias destes personagens, o livro também enfoca a participação na trama de seres mitológicos dentre os quais destaca-se o Curupira, deus protetor das matas, e Iara, deusa das águas. Os dois intervêm nos assuntos humanos pela primeira vez desde muito tempo.

E onde entra o tal Anhangá? Afinal, ele é o personagem que dá nome ao romance. Na verdade, o livro narra a trajetória de como um Demônio Elemental, que usa essa mesma denominação,  escapa de uma crio-prisão para destruir e devastar as “ermas terras de Pindorama” e consagrar ali seu novo reino. Será que o demônio Anhangá conseguirá atingir seu objetivo? Poderia o nosso país ter sido amaldiçoado antes mesmo de nascer? Seria possível fazer desaparecer diferenças e divergências culturais para que inimigos seculares consigam unirem-se em torno de um bem comum?
Esta e outras perguntas serão respondas em ANHANGÁ – A Fúria do Demônio.

 

 

O Autor:
O escritor J. Modesto nasceu em 1966, na cidade de São Paulo. Formado em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, resolveu transportar para as páginas a estética cinza das selvas de pedra. Entre suas influências estão H. P. Lovecraft, Bram Stoker, Stephen King, Anne Rice, Mary Shelley, Edgar Allan Poe e André Vianco. Fã ardoroso de histórias em quadrinhos e literatura fantástica, decidiu transformar um de seus contos de horror em um romance, de onde deu origem ao livro TREVAS.

 

Release:
Assim começa esta alucinante aventura. A busca obstinada do personagem por si mesmo e, conseqüentemente, por uma “verdade oculta”, que está intimamente ligada com a sua situação atual, e que é o centro desta intrincada trama.
Caminhe lado a lado com este homem em uma jornada recheada de perigos sobrenaturais e inesperadas reviravoltas, se relacione com vários personagens inusitados e descubra, junto com ele, quais são os seus aliados e quais são os inimigos.
Com uma forte veia místico-religiosa, a obra tem na Bíblia e nos apócrifos cristãos grandes fontes de inspiração, mas não as únicas. Beba das mesmas fontes que o autor usou para compor esta inovadora obra e se maravilhe em descobrir personagens que todos julgavam conhecer intimamente. Até agora.

Imortalidade, Maldições, Magia e Pactos Místicos são recorrentes no decorrer da trama, que mistura, em um mesmo cotidiano, lobisomens, vampiros, demônios, gênios, deuses pagãos e personagens cristãos, tanto Bíblicos quanto apócrifos, e, claro, pessoas comuns. O suspense é mantido desde o primeiro capítulo, onde um mendigo sem memória é apresentado, até o último, onde, em meio a trágicos eventos, toda trama é revelada.

Autor:
O autor nasceu em 1967, na cidade de Aparecida d´Oeste no Paraná. Desde muito cedo desenvolveu o gosto pela leituta. Fã de cinema, HQs e autores de terror, sempre teve predileção por histórias que se aventuravam pelos tortuosos caminhos da religião e do misticismo. E agora resolveu ele mesmo trilhar estes caminhos. Com vários personagens bíblicos, revisitados sob a ótica dos textos apócrifos, o seu romance de estréia é uma intrigante viagem a um dos momentos mais conhecidos e mal documentados da história.

      Trilogia Padrões de Contato

Padrões de Contato – volume único:

“[Agradeço] ao Sr. Jorge Luiz Calife, do Rio de Janeiro, por uma carta que me fez pensar seriamente numa possível continuação [de 2001: Uma Odisséia no Espaço]”
Como este agradecimento em 2010: Uma Odisséia no Espaço II, Arthur C. Clarke colocou o brasileiro Calife no mapa da ficção científica mundial, abrindo a ele as portas para escrever a Trilogia Padrões de Contato:

Século XXV. A humanidade controla o Sistema Solar e vive uma era de hedonismo e tranqüilidade econômica e social. Empreiteiros espaciais disputam megaprojetos de ultratecnologia, dividindo o Sistema Solar entre seus interesses. Residências aéreas dão forma a uma vida paradisíaca nos céus da Terra. Golfinhos mantêm contato telepático com uma inteligência galáctica de bilhões de anos, a Tríade, guardiã da segurança da humanidade. Mas tudo começa a mudar com a chegada do Batedor, sonda de uma civilização distante que oferece testemunho de como o destino da humanidade deve ser entre as estrelas.

Século XXVI. A humanidade tenta encontrar saídas para a colonização estelar. Tensões aumentam entre os que desejam manter a pureza do corpo humano, os que se querem a fusão com a máquina, e os que buscam a simbiose com organismos geneticamente manipulados. Baleias trabalham na construção civil em Europa, a lua de Júpiter, e jovens simbiontes conseguem flutuar no vácuo sem trajes espaciais. Contudo, um problema de preservação ambiental pode limitar a construção de um novo porto espacial de grande importância para a Terra.

Século XXVIII. A ultratecnologia trouxe a felicidade? Não para um grupo de transcendentalistas que enviam apelos ao espaço com radiotelescópios. Para eles, a Tríade tem a solução — a fusão de mentes individuais à sua matriz cristalina, unindo a espécie humana à sua consciência coletiva ancestral.

Assim Jorge Luiz Calife constrói a sua história do futuro. O fio condutor é Angela Duncan, mulher tornada imortal pela Tríade. A saga avança com a descoberta de uma nave de gerações tripulada por brasileiros e vítima de uma cruel ditadura militar, uma guerra com parasitas espaciais, jornadas por de um buraco negro até o passado da Terra, e a resolução do mistério da Tríade.

“Um brasileiro imaginativo, bem informado e irreverente, capaz de lidar com a ficção científica tão bem quanto os melhores autores estrangeiros do gênero.”
—Miriam Paglia Costa, Veja.


Sereias do Espaço

O futuro chegou e não é como imaginávamos. Em pleno século XXI, apesar dos absurdos avanços tecnológicos, não saracoteamos pela cidade em carros voadores. Ou passamos nossas férias em outro sistema solar. Mas a ficção científica nunca tentou prever o futuro e, sim, proporcionar aos fãs diversão de primeira qualidade. O maior escritor brasileiro do gênero – e que inspirou Arthur C. Clarke a escrever a continuação de 2001: uma odisséia no espaço – apresenta vários futuros imaginados, desde viagem no tempo até clonagem em série. Em AS SEREIAS DO ESPAÇO, Jorge Luis Calife traz uma coletânea de quatorze brilhantes contos de ficção científica.


Como os astronautas vão ao banheiro?

Descubra como é viver no espaço, a bordo de uma nave ou estação orbital. Como se toma banho, como se usa o sanitário, que roupa se pode vestir e qual o cardápio no almoço e no jantar. Depois de uma trilogia de romances de ficção científica, da coletânea de contos ‘Sereias do espaço’ (que ganhou o prêmio Argus de melhor livro de ficção científica de 2002) e de ‘Espaçonaves Tripuladas – Uma história da conquista do espaço’, Jorge Luiz Calife esclarece, neste livro, as principais dúvidas sobre a exploração espacial. O autor pretende, também, derrubar mitos e idéias ultrapassadas, como as lendas de que os astronautas comem pílulas, a história de que os homens que foram à Lua ficaram malucos ou de que o governo americano capturou extraterrestres ou forjou os pousos lunares num estúdio de cinema. O livro mostra a realidade por trás desses mitos, numa época em que a vida real já superou a ficção em vários campos da ciência, como a informática, a genética e também a astronáutica. Mas, o leitor não deve se enganar com a quantidade de informações – o livro é pura diversão. Num texto cativante, Calife conta tudo, tudo mesmo que acontece no espaço. Ou nos dá uma boa idéia de como as coisas podem ser.


Entrevista no Overmundo.

Resenha no Ponto de Convergência, blog de Romeu Martins.

Resenha no Terra Magazine.

     

O livro de Dinaer

Sinopse: O primeiro dos quatro livros é narrado por um ser imortal e sobre-humano conhecido pelos alguianos e algarianos como o Grande Guia ou Dinaer. Por meio da voz do Grande Guia, narra-se a saga de Rairom Guenor e de seu irmão mais novo, Tairom. No Livro de Dinaer, os dois enfrentam grandes dificuldades, em decorrência da guerra travada entre seu pai, Zairom Guenor, e o Imperador Fairom Norgat. É um livro sobre a mudança e as perdas que o tempo traz. Uma história em que a adaptação à nova realidade é um imperativo para a sobrevivência.

Texto introdutório: “A minha senhora revelou-me, por meio de imagens, uma antiga profecia. Esse segredo ela partilhou apenas comigo e com aquele que a Irmandade chama de Dinaer. A profecia fala de um tempo de decadência, quando dos velhos impérios só restarem escombros. Fala de um lugar onde o frio da neve se encontra  com o calor do magma dos vulcões: uma grande ilha no sul do mundo. Lá nascerá o alorain, aquele que proclamará o retorno da antiga guerra, o conflito que definirá o destino de homens e deuses. Meditei sobre essas imagens por dois longos dias e, depois, exausto, adormeci. Em meu sonho, vi a face do rapaz, ainda muito jovem. Vi também um grande exército, que marchava sobre as terras planálticas. Compreendi que a vida do alorain estava por um fio! Como poderia ele enfrentar tal obstáculo? Teria que fugir? Mas para onde? Quando tentava vislumbrar o que aconteceria, surgiu diante de mim a face do deus da Irmandade, Dinaer. Ele observava o rapaz e aqueles que o acompanhavam e parecia compreender tudo o que transcorria muito melhor do que eu. Senti um forte desejo de conhecer a história do alorain. Queria saber se ele conseguiria sobreviver para depois cumprir seu destino! Acordei, porém, naquele instante e as imagens se perderam…” (autor desconhecido — Pergaminhos de Aquelam)


O livro de Ariela

Sinopse: O segundo dos quatro livros é narrado pela Princesa de Délon, Ariela Delonien. A história passa-se onze anos após O Livro de Dinaer. A Princesa acompanha Rairom em uma misteriosa jornada através da Península Oreânica, em direção às Montanhas Queialiam. O desenrolar dessa aventura, bem como suas relevantes conseqüências formam o principal foco narrativo de O Livro de Ariela. O Livro de Ariela fala sobre Rairom Guenor e seu destino. Muito é definido nesse volume surpreendente.

Texto introdutório: “Uma espada pende sobre nossas cabeças. Tolos são aqueles que escolhem ignorá-la. Os Pergaminhos de Ecstar previram o nascimento do alorain, do enviado da morte destinado a trazer a antiga guerra ao mundo dos homens mortais. Ele será como nós: também um ser humano, na aparência. Mas sua mente será impelida pela sombra de seu nefasto destino em direção ao inevitável. Forças poderosas, eternas, conspirarão em favor do sinistro propósito que o anima. Mas antes que tudo esteja definido, um de nós deverá encontrá-lo. Um guardião do mundo estará com o alorain e terá a oportunidade de destruí-lo! Os pergaminhos são muito claros a esse respeito, para os que sabem interpretá-los. Infelizmente, o sucesso do guardião não está assegurado. Longe disso! Uma nebulosidade paira sobre o texto e sobre a visão do profeta. Estranhamente, ele fala de amor e de ódio, de guerra e de paz, como se tais conceitos não fossem opostos… como se houvesse uma sutil complementariedade entre eles. E tudo termina em derramamento de sangue e no medo mais essencial. A releitura dos pergaminhos só torna mais sombria sua mensagem.”(Comentário aos Pergaminhos – autor desconhecido)


Sinopse de Crianças da noite:
Quando o sol se põe e as trevas depositam sua ira sobre a face da Terra, seres sombrios despertam.
Criaturas sobrenaturais como os vampiros espreitam pela noite, realizando suas caçadas sangrentas às escondidas dos olhos mortais. Mas até mesmo no mundo proibido dos vampiros existe política, conflito e, principalmente, traição. No momento que se descobre um vampiro espião infiltrado em uma poderosa seita, tem início uma verdadeira guerra. Uma violenta guerra que trás à tona um valioso segredo que vem desde a época da criação do mundo. Esse segredo que é a base para o verdadeiro conhecimento.
Antigos pergaminhos que narram uma terrível profecia foram espalhados pelo mundo. Agora é necessário uma união improvável entre alguns vampiros para que se descubra os mistérios desta profecia.
O tempo corre contra. Sinais precedem o Fim dos Tempos.
Vampiros, Lobisomens, Magos, Aparições. Um verdadeiro universo obscuro existe ao nosso redor.
A batalha entre os vampiros mudará a vida humana.

 

Trecho do livro:
Não andavam depressa. Havia raízes e tocos de ávores no caminho, pouco visíveis na escuridão quase total. Procuravam desviar de gravetos para fazer o mínimo possível de barulho.
- Vocês repararam no silêncio?
- Sim, eu estava percebendo isso há algum tempo.
- Engraçado. Nas outra noites havia bastante barulho e… PARA TRÁS DAQUELA ÁRVORE!
Foram para fora da trilha, e ficaram atrás de um enorme carvalho. Um puxou a faca que estava escondida na sua calça, enquanto um outro apagava a lanterna. Apuraram os ouvidos. Alguma coisa deslisava pelas folhas mortas ali perto. Concentraram na trilha escura à frente, mas, passados alguns segundos, o ruído desapareceu.
- Estamos em perigo.
- O que era?
- Não era apenas um lobo.

Um som estalado e alto, e, de repente, a carne das costas rasgada por uma poderosa garra.
A escuridão parecia estar empurando para dentro as órbitas dos olhos dos outros vampiros, enquanto observavam aterrorizados.
Então eles viram a criatura que atacara. A verdadeira Morte Final sobre duas pernas grandes e peludas. Com três metros e pouco, presas e garras enormes, a cabeça de um lobo e músculos de aço sob um espesso casaco de peles: um Lobisomem na sua forma mais poderosa…

O autor:
Juliano é Engenheiro Agrônomo e escritor. Nasceu a 6 de dezembro de 1985, em Andradas, MG. Escreveu seu primeiro livro (uma publicação independente) com 18 anos. Gosta de diversos gêneros literários, sendo o preferido: literatura fantástica. Boêmio, gosta de sair e se divertir. Adora fazer novas amizades e ter contato direto com os leitores. Escreveu livros de suspense e de fantasia. Criou um mundo habitado por elfos, magos, anões, guerreiros, dragões e outras criaturas mágicas, no qual já escreveu as duas primeiras das quatros histórias programadas.

Kizzy Ysatis

2:07 pm

  


Release de O Diário de Sibila Rubra:
O Retorno das Bruxas é a história de Elaine, uma jovem aprendiz de bruxa da Ordem das Sibilas Rubras. Ao mesmo tempo, surge uma ameaça capaz de pôr fim a antiga Ordem a qual pertence. Apostando que assim garantirá a vitória, resolve se aliar a um mal ainda maior: o vampiro Luar. Em destaque descobrimos como ocorreu o primeiro encontro de Elaine com o belo e cruel vampiro Luar e, consecutivamente, o encontro de Luar com o Fausto, o lobisomem adolescente que trabalha como guardião do vampiro. Assim, os três protagonistas se unem para lutar contra um mal comum. Os três protagonistas, a bruxa, o vampiro e o lobisomem, formam um machadiano triangulo amoroso que pode não terminar bem. Recheado de reviravoltas e surpresas, o clima de tensão é crescente, com atenção voltada para a trama fragmentada e na construção das personagens. O livro também reflete sobre a violência feminina (tema real) e os sacrifícios feitos em nome do amor (sem pieguice). Enriquecido com poesias e dados históricos, o livro ensina ao mesmo tempo em que entretém.

Trecho de Diário da Sibila Rubra:
“Chocado, Thomas examinava a apavorante entidade que obsidiava sua mãe. O ser tinha a pele azulada e viscosa, chupada pelos ossos que pareciam saltar. Era corcunda. Completamente liso de pelos e cabelos. Orelhas pontiagudas e braços muito longos. Pelo corpo deslizava uma porção de bichos escuros de aspecto asqueroso. Enxergou morcegos grudados como aranhas, com unhas e dentes cravados na pele esbranquecida. Arrastavam-se pelo corpo como ratos: uns se desprendiam voando e outros apareciam pela porta para vir grudar nele, como fazem as abelhas.

Thomas chorava encarando a mãe que retribuía as lágrimas. Aquele monstro com a garra encardida apertando o rosto dela forçando-a a engolir alguma nojeira que estava no cálice, mas ela não bebia, sequer olhava para o vampiro que insistia:

— Bebeeeeeeeeee…

Dentro do casebre, a perereca cantou para mulher não acordar, enquanto uma miríade de besouros negros entrava por baixo da porta. Da espessa poça de besouros que se formou, foi saindo a bruxa encapuzada: primeiro a cabeça, depois os ombros; e, conforme ela subia, a poça diminuía de tamanho. Logo, ela emergiu completa. E os últimos besourinhos varreram-se para debaixo do manto. Virou-se abrindo a boca para receber o anfíbio que saltou num disparo certeiro. No interior da mandíbula, a criaturinha úmida metamorfoseou-se em língua.”


Release de Clube dos Imortais:
O CLUBE DOS IMORTAIS – A Nova Quimera dos Vampiros. Neste romance, o cético Luciano não sabe por que Álvares de Azevedo visita seus sonhos até ser levado pelo vampiro Luar. Seus amigos o buscam numa jornada sem volta aonde vão se deparar com um gótico sedutor, um motociclista lobisomem e a misteriosa Sibila Rubra. Luciano não acredita em Luar mas entre cemitérios e danceterias góticas este estranho atraente lhe desvendará A Nova Quimera dos Vampiros e o propósito do Clube dos Imortais numa noite de sexo, morte e INXS.

Trecho de O Clube dos Imortais:
“Despiu encorpado sobretudo num gesto trivial. Eis aí o esbelto físico revelado. Mesmo tendo quase dois metros de altura, jamais dispensava o salto alto e suas botas levavam um contorno todo feminino, com o cano coberto por justas calças de vinil. Já a malha de segunda pele, emprestava um novo significado à refinada silhueta.
O público afastou-se criando precisa circunferência ao seu redor. Podia-se dizer que se valeu de poderes mágicos, ao passo que tal cena fazia crer na existência de um campo de força invisível em torno dele para a todos repelir.

Soltou o sobretudo nas mãos de um rapaz de jaqueta de couro e seguiu dançando. A fantástica personagem movia-se de modo extraordinário; mais próximo de um efeito digital do que real, porém visto ao vivo e a cores. Atirou a perna para o alto, quebrava os quadris e, no girar sinistro da cabeça, lançava vida própria à cabeleira petróleo na excitante coreografia; tendo (às vezes) suas mãos a deslizarem, líquidas, por seu corpo esguio. Todos quedaram-se estupefatos.”

Leandro Reis

2:35 pm

     

Release:
Filhos de Galagah, traz a você, personagens inesquecíveis que irão te acompanhar neste mundo de glórias e tragédias. Heróis nobres e companheiros de passado sombrio, que põe em prática o treinamento de uma vida.

Galatea é uma heroína de ideais nobres, filha do rei e Campeã Sagrada de sua religião, que parte para uma busca ordenada por seus sacerdotes, dragões. Iallanara é uma bruxa rejeitada pela sociedade, uma assassina fria presa a um ser cruel e misterioso. Ela se juntará à Campeã Sagrada para proteger-se e tentar buscar sua liberdade, criando um relacionamento de mentiras e desconfianças. Por último, Gawyn um elfo criado por humanos, e Sephiros, um elfo forjado para a batalha, serão convidados a proteger estas mulheres, entrando em um relacionamento mais intrigante que qualquer aventura.

A jornada os levará à lendária Lemurian, a cidadela invertida, onde o destino decidirá o sucesso ou fracasso na busca do que procura: A Primeira Runa.

Prólogo:
A porta da velha cabana abriu violentamente. A luz vermelha do pôr do sol invadiu a pequena sala, assim como parte dos outros aposentos, revelando seu macabro interior. Uma velha deformada, com cabelos emaranhados, ficou à porta observando o local. Procurava alguém.
Passou os olhos pela sala. Ao meio, havia uma mesa de madeira barata, cercada por ossos de pequenos roedores e de pássaros. Um corvo, morto há pouco tempo, encontrava-se pendurado e seu sangue gotejava no centro da mesa, que ostentava algumas pedras metálicas, verdes e azuis, em conjunto com pequenos crânios, todos dispostos de maneira peculiar. Nesse centro, repousava a última peça daquela intrincada formação: o crânio de um gato banhado pelo sangue do corvo.
A velha apoiou-se com as mãos no batente e deu um passo adentro para examinar melhor à esquerda. Seus dedos eram delgados e longos e suas unhas amareladas faziam curvas que a impediriam de fechar a mão. Algumas cestas com pequenos frutos estavam próximas à cortina vermelha e negra que servia como porta para o seu aposento predileto.

Sabia, porém, que quem procurava não estaria lá, pois era disciplinada o suficiente para não entrar em um local proibido.
Ela estreitou os olhos leitosos, um deles, completamente coberto por uma camada de líquido viscoso. Sorriu finalmente, exibindo os dentes podres, ao olhar à direita e ver, no monte de palha no chão, a pequena menina dormindo com um livro imenso sobre o peito.

- Iallanara! – gritou com sua voz estridente. A criança levantou-se imediatamente, os olhos arregalados e o coração disparado. Ao ver o susto que a jovem tomou, a velha gargalhou com gosto.

Iallanara Nindra baixou a cabeça e permaneceu parada, de mãos juntas, olhando para o chão. A menina de sete anos vestia um saco, outrora abrigo de batatas, preso por uma corda feita de folhas da Floresta do Tormento. Sua pele clara destacava seus cabelos ruivos, que, mesmo sujos, pareciam estar em chamas. Seus olhos verdes tinham o brilho apagado pela tristeza e pelo sofrimento e, na testa, trazia o que a tornava especial: um pequeno rubi losângico que parecia fazer parte de seu crânio, pois ali estava desde que nascera e dali não podia ser removido, apesar das tentativas da velha.

- Adormeceu novamente sob o livro de Necromância? Estenda a mão!

A menina obedeceu. Fechou os olhos como se isso pudesse evitar a dor. A bruxa tirou da manga um alfinete e a espetou profundamente, fazendo com que encolhesse, abraçando a mão ferida sem emitir um gemido sequer. A dor era óbvia, mas aquela criança aprendera a não chorar.

O autor:
Leandro Reis, mora em São José dos Campos/SP. Fascinado pelas estórias de dragões, elfos e magia, sua paixão por Grinmelken surgiu quando, há mais de uma década, imaginou este mundo pela primeira vez. Inspirado pelo sonho de escrever, criou lugares, personagens e sociedades, complementando seu mundo.

o natal do Faraó   De repente outubro   Terra Consagrada

O Natal do Faraó

release:
Quem seria o assassino que deixa poemas junto aos corpos de suas vítimas? Às vésperas do Natal, o detetive particular Ivo Eitelfer é chamado para investigar um crime intrigante, um jovem é encontrado morto na sala da própria casa, junto há um poema assinado pelo nome Faraó. No decorrer das investigações, outro crime semelhante acontece na cidade e leva o detetive a descobrir uma trama do passado, um acontecimento abafado que agora vinha reclamar seu ódio, seu preço era a morte de três pessoas. Em sua primeira aventura, Ivo tem que correr contra o tempo para salvar a terceira vítima e descobrir quem é o autor dos crimes.

 

De repente outubro

release:
Numa silenciosa noite de 1945 o professor Millani é encontrado gravemente ferido em sua casa. Em seus últimos momentos de vida, confia a Luís seus estudos sobre uma antiga sociedade secreta, a responsável pelo crime. Decidido a encontrar os culpados, o jovem estudante de numismática viaja para o Rio de Janeiro e se infiltra na misteriosa mansão do assassino. Furtando-se a olhares atentos mergulha num mundo de conspirações envolvendo Sócrates, o Renascimento, a Revolução Francesa, o Brasil Imperial, Getúlio Vargas e a Guerra Fria. Nessa enigmática aventura, sua vida está por um fio e o futuro de muitos em suas mãos.

 

Terra Consagrada

release:
Ivo Eitelfer está diante de um grande mistério, numa pequena cidade considerada patrimônio histórico, um crime aparentemente simples se mostra extremamente complexo. Uma peça foi roubada de um museu, sobre ela reza a lenda de uma maldição, há rumores de que uma antiga seita religiosa renasceu. Tudo piora ao descobrir que dias antes, um garoto desapareceu. O irmão do dono do museu foi baleado pelo ladrão na noite do roubo. Mas o que ele fazia lá àquela hora? Ambos brigaram no sepultamento do próprio pai por causa da herança naquele mesmo dia. Ivo vai passar por grandes perigos nessa apaixonante investigação.

Meu Mestre de História Sobrenatural


Livro juvenil celebra a cultura gótica

Meu Mestre de História Sobrenatural, de Luiz Roberto Guedes (Editora Nankin) é uma novela composta por uma série de histórias dos gêneros fantástico, horror sobrenatural e ficção científica. Gêneros que se tornam mais interessantes “quando encontram o trilho da tradição literária”, como assinalou o crítico Bruno Zeni, no Guia da Folha de São Paulo (29/02/2009). Como exemplo dessa conexão com os mundos da literatura, os escritores Machado de Assis e Antoine de Saint-Exupéry fazem “aparições” especiais nessas histórias assombrosas. O mestre do título é o livreiro Alpheu, dono do sebo Bazar Bizarro, que gosta de contar histórias fantásticas para uma turma de jovens. Esse “clubinho do Tio Bizarro” é a origem de uma futura Sociedade da Sombra, uma tribo de jovens góticos que costuma se reunir num cemitério, à meia-noite, para cultuar a memória de seu mestre em iniciação literária. Com ilustrações de Rubens Matuck, Meu Mestre de História Sobrenatural é uma leitura fascinante, para jovens ou aficionados do gênero fantástico. – Ricardo Berlitz

Para saber mais.

 LUIZ ROBERTO GUEDES, brasileiro, natural de São Paulo, SP, nascido em 1º de setembro de 1955. Poeta, escritor, tradutor, letrista sob o pseudônimo de Paulo Flexa. Publicou o poemário bilíngüe (português/italiano) Calendário Lunático (2000), organizou a antologia poética paulistana Paixão por São Paulo (2004), a novela histórica O mamaluco voador (2006), Minima Immoralia/Dirty Limerix (2007), e alguns “juvenis”, como Treze Noites de Terror (Editora do Brasil, 2002), O caçador do arco-íris (Escala Educacional, 2007), O Livro das Mákinas Malukas (Dubolsinho, 2007), e Meu Mestre de História Sobrenatural (Nankin, 2008).


Release de O último imortal:
Venha conhecer Tyberius, um matador de imortais orgulhoso e implacável, que por uma faceta do destino tem sua esposa raptada pelas criaturas que caça sem piedade. Tyberius parte numa jornada em busca de sua esposa e pelo caminho tem de enfrentar uma horda de lobisomens e outros demônios. É hora de lutar para sobreviver. O último Imortal por Márcio Aragão.

Primeiro Capítulo:

- Precisamos encontrá-lo.
- Encontrar quem?
- O Último Imortal.
- Acha mesmo que ele poderá nos ajudar?
- É preciso. Ele é nossa única esperança.
- É verdade. Nessa época de trevas talvez só ele possa nos ajudar.
- Antes ele terá de ajudar a si mesmo.
O outro monge balançou afirmativamente. O céu estava estrelado, e os dois estavam sentados ao redor de uma fogueira, cobertos por suas túnicas. A mata ao redor formava uma parede que obstruía a visão, tornando a fogueira um pequeno ponto brilhante no meio de toda a escuridão.
- Ele é novo?
O outro monge sorriu.
- Ele nem nasceu.
- E como saberemos quem ele é?
- Não leu a profecia? “Dentre três um surgirá, e o Salvador se tornará”.
- Não entendo isso.
- Com o tempo entenderá.

Muito distante dali, do outro lado do continente, um jovem caçador vagueia pela penumbra da floresta. Com seu arco em punhos, espreita à frente. Ouve um rosnado. Suas pupilas dançam em seus olhos, olhando agilmente para todas as direções possíveis. Um movimento mal-calculado poderia ser o seu fim. Os arbustos movimentaram-se à frente. Ele armou seu arco, carregando-o com duas flechas.

- Venha, bebê. Venha para o papai.
O suor escorria por sua testa. Todos os seus movimentos eram pausados e calculados. Até sua respiração estava mais controlada e pausada. Outro rosnado. Mais uma vez os arbustos movimentaram-se à sua frente. O caçador deu um passo para trás, agachando-se para conseguir apoio. A floresta estava mais sombria do que de costume.
- Vamos, o que está esperando… mostre-se…! – sussurrou ele.
Um bando de morcegos passou voando pela cabeça do caçador. O mesmo não moveu um único músculo. Estava compenetrado em seu objetivo. Mas não podia avançar, pois poderia virar caça. Puxou a flecha, provocando a elasticidade do arco. Agora bastava sua caça aparecer e o caçador soltar aquela flecha que seria o sopro mortal. Sua mira era quase perfeita. Com certeza seria fatal.
Outro rosnado. O caçador via o pêlo cinzento daquele animal. Podia sentir já sua respiração quente em seu rosto.
- Venha! – gritou ele.

A fera urrou e pulou em direção ao caçador, com as garras à mostra. O som de um assobio no ar. O som de um impacto. Um uivo doloroso. O barulho de algo pesado caindo ao chão. O caçador levantou-se, vitorioso.
- Finalmente peguei você, Lupus – disse o caçador.
Ele fitava sua caça abatida no chão. A fera voltava à forma humana.
- Flechas com pontas de prata. Nunca falham contra sua raça – murmurou ele.
Deu as costas à sua caça e caminhou na direção oposta, com seu arco agora preso em suas costas.
Caminhou até chegar a uma cabana. A cabana que era sua casa. Imediatamente uma mulher de cabelos negros e aparentando pouca idade escancarou a porta, correndo em sua direção e atirando-se em seus braços. Os lábios tocaram-se com energia. Após um longo beijo, o caçador fitou-a, com um largo sorriso nos lábios.
- Consegui. Finalmente abati o Lupus.

- Usou prata?
- Sim. Os licantropos são vulneráveis à prata. Acertei bem no coração.
- Fico aliviada. Não conseguia mais suportar conviver com o perigo.
- Eu matei o imortal. Tirei a vida daquele que não podia dá-la por meios normais. Este foi o último.
- E os vampiros?
- Extintos.
- Você matou todos?
- Consegui destruir algumas tocas. Tive ajuda de outros caçadores.
A mulher abriu um largo sorriso.
- Meu bravo guerreiro!
Lançou-se em seus braços. Os lábios colaram-se. As mãos deslizavam pelos corpos um do outro, promovendo carícias sem malícia. Ficaram dessa forma durante vários e longos minutos.

o-elo


Sinopse:

Nesta que foi a primeira obra a ser concebida para o universo da Trissência, a trama se passa em um contexto paralelo mágico-fantasioso, sendo inicialmente centrada em três personagens que se verão envolvidos nos fluxos criativos, preservadores e transformadores de seu planeta, sentindo-os em suas almas. Diante de um portal que depende dos corações humanos, ocorrerão conflitos internos e externos, descobertas espirituais e, o fundamental, despontará a árvore que alcança os céus e possui raízes firmes na terra, a Ligação, que permanece, sólida ou num lampejo que a revela por um instante.

O eixo da trama é a Trissência, constituída por três forças cósmicas primordiais: Poder, Sabedoria e Prosperidade.
A história se inicia com a chegada de Tirésias, um vidente cego e andrógino, à ilha de Himavat, residência dos Supremos Sacerdotes Rudra e Parvati, dirigentes espirituais ocultos deste mundo. Ambos requisitaram a presença do sábio para localizar os portadores dos sahajas, os amuletos lendários que permitem aos que os possuem canalizar a essência trina. Os protagonistas Erik Donar, um mercenário, Sofia Simurg, uma maga, e Aido, o protetor de seu vilarejo em um “mar de árvores”, logo receberão sobre si os olhos do cego…

 

Trecho:

“O Supremo Sacerdote vestia um longo e límpido manto alvo, cravejado com pingentes de ouro e prata decorados com folhas de parreira; um conjunto metálico formado por uma máscara de dragão e um capacete com chifres de cervo encobria-lhe a cabeça e o rosto; e tratava-se do único ser naquele santuário, além da Suprema Sacerdotisa, que podia usar no pescoço medalhões-símbolos da Deusa em ouro. A Suprema Sacerdotisa, por sua vez, usava um manto idêntico ao do seu consorte, só que noturnamente negro e com um conjunto de máscara de tigre e tiara em forma de lua crescente. Tremeluzia uma aura de extraordinário carisma em volta dela; já ele, esforçando-se arduamente para se manter altivo, com as mãos trêmulas, os ombros tensos e fazendo força para não despencar do trono, emanava uma energia ferida e cansada…
-  Continua nas sombras, meu velho amigo?- Reverberou a voz acúlea da Suprema Sacerdotisa, que transmitia uma receptiva satisfação.
-  As sombras nunca me perturbaram, minha senhora.- O cego percebeu que ela sorrira por baixo da máscara.- Mas também nunca me acompanharam…
Transcorrido um momento de silêncio, ela tornou a falar:
-  Sabe que não precisa ficar ajoelhado…
-  Não posso desrespeitar dois paramuktas…
-  Tirésias…Você sabe melhor do que ninguém que títulos e gestos burocráticos nunca contêm a dor, a responsabilidade e o respeito verdadeiros, e que as doenças são indiferentes às formalidades. Sei que não veio para isso…
-  De fato…- O cego ficou de pé e levantou as pálpebras, alardeando as pupilas vazias; sua fisionomia era aparentemente inexpressiva, distante, e ao mesmo tempo oceânica…- Vim porque vi, há alguns dias atrás, a estrela da manhã, de sinistro presságio, brilhar nos céus com um esplendor e uma vitalidade incomparáveis até mesmo para quem está acostumado a observá-la…
-  Você VÊ melhor do que todos nós…É por isso que precisamos agora, mais do que nunca, da sua ajuda…
O Supremo Sacerdote tossiu forte, seguidas vezes. Tirésias apontou suas pupilas vazias na direção dele, com uma aura de discreta preocupação:
-  A situação não parece ser das melhores…Foi a estrela que deixou assim o mestre Rudra?- Estendeu a pergunta com sua voz de leão-raposa.
-  Os homens temem o sofrimento e a morte, Tirésias…- Ela fez uma pausa, abaixou a cabeça timidamente, levantou-a vigorosamente alguns segundos depois, encheu o peito e então volveu a falar, soltando o ar, em um tom que tornava a explicitar seu sorriso oculto.- …Mas os tesouros guardados no ventre da Deusa são eternos…
Do lado de fora, os raios do dia começavam a enrubescer. Um fogaréu descia sobre o mar que circundava a ilha de Himavat, sem feri-lo e sem se apagar; um fogo fúlgido, decorrente das faíscas que pipocavam da boca da Deusa enquanto esta engolia seu ovo dourado. O vermelho chamuscado prevaleceria…Até que a refeição e o parto divinos fossem consumados. E dentro de breve subiria uma ingrata fumaça escura, que limitaria as faíscas que a originaram a fugidios pontinhos brilhantes em sua barriga em forma de gruta…”

 

Martha Argel

1:45 pm

      O Vampiro da Mata Atlântica

Martha Argel é uma autora paulistana que divide seu tempo entre livros de literatura fantástica e publicações sobre aves. A Martha é bióloga com doutorado em ecologia de aves, possui diversos trabalhos na área, e um dos mais famosos é o Maravilhas do Brasil: Aves. O livro foi um grande sucesso de vendas e esgotou a primeira edição em menos de um ano, gerando um calendário premiado e uma agenda. Novos volumes devem sair em breve.

Na parte de literatura fantástica, um de seus trabalhos de maiores destaque é O Vampiro Antes de Drácula, escrito com o Humberto Moura Neto. Se você quer saber como as histórias de vampiro foram se transformando na literatura e no cinema até chegar ao que conhecemos hoje, é por ele que você deve começar. O livro é dividido em uma parte teórica, com muita pesquisa, e uma parte de contos, com presença de Bram Stoker e Allan poe, por exemplo. Ela também participou da coletânea Amor Vampiro, ao lado de André Vianco e Giulia Moon, dos autores ícones da literatura vampiresca.

Release de O Vampiro da Mata Atlântica:
Dois jovens cientistas, Xavier Damasceno e Júlio Leverreaux, são contratados para avaliar a biodiversidade de uma área a ser preservada, situada na região do Alto Ribeira, sul do estado de São Paulo.
Depois de uma viagem difícil, chegam ao local e ficam fascinados com a beleza da floresta e o excelente estado de conservação do ambiente. As descobertas se sucedem, mas uma delas não é nada do que esperavam. Daí em diante, eles vão ter que se esforçar muito para conseguirem ficar vivos!

O Vampiro da Mata Atlântica traz todos os ingredientes de uma boa aventura na selva: os heróis destemidos e idealistas, a floresta exuberante, uma sucessão de fatos emocionantes e, especialmente, um vilão feroz, assustador e cruel.
Não fosse suficiente a trama intrigante e bem tecida, o livro ainda traz uma qualidade que o torna único. Ao mesmo tempo em que narra as fascinantes descobertas e os perigos vividos por dois jovens cientistas na floresta tropical da Serra do Mar, o romance traz, como pano de fundo, um retrato vívido do dia a dia dos pesquisadores brasileiros em campo e de como é gerado o conhecimento sobre nosso ambiente.

Recheado de informações sobre a Mata Atlântica, sua biodiversidade e os perigos que enfrenta, este livro destaca-se pelo modo como combina, de modo hábil, a ficção e a realidade. Embora abundante, a informação científica não aparece de forma gratuita ou maçante. A Mata Atlântica, com todas as características que vão sendo descritas ao longo do livro, tem um papel importantíssimo em toda a trama, e é sem dúvida um personagem tão destacado quanto os dois biólogos e o monstro que os ameaça.

Nascido sobretudo da vivência de quase 30 anos de Martha Argel em seu trabalho como ornitóloga e ecóloga, O Vampiro da Mata Atlântica revela uma certa tonalidade autobiográfica. Isso porque em suas páginas aparecem inúmeras situações reais, vividas de verdade pela autora e por seus colegas cientistas.

Para tornar o livro ainda mais especial, ao final foi incluído um apêndice com informações adicionais sobre a Mata Atlântica, espécies animais citadas no texto e outros assuntos de interesse, além de sugestões de leitura e a bibliografia usada.
A Mata Atlântica, considerada um dos hotspots mundiais de diversidade biológica (isto é, uma das áreas mais ricas em espécies no mundo), é um patrimônio dos brasileiros e da humanidade. Entendê-la, para entender como enfrentar os perigos que a ameaçam, é, mais que um dever, um direito de todos aqueles que se importam com a sobrevivência da Vida no planeta Terra. Conhecer melhor o patrimônio natural brasileiro nos dá mais instrumentos para defender o que é de todos. E isso nada mais é do que o exercício da cidadania.

Personagens:

Xavier Damasceno é um jovem ornitólogo (especialista no estudo das aves) que batalhou muito para romper a barreira do racismo informal brasileiro, e agora está terminando sua dissertação de mestrado sobre a mais magnífica das aves brasileiras: a espetacular harpia, ou gavião-real. E é por causa de sua paixão científica que acaba se metendo na mais assustadora experiência que já enfrentou.

Júlio Leverreaux é um mastozoólogo, ou seja, especialista em mamíferos. Além de ser um excelente pesquisador, com uma energia e um conhecimento impressionantes, é um safado oportunista e folgado. Mas uma coisa deve ficar clara: embora tenha sido dele a desastrosa idéia da excursão às matas do Alto Ribeira, ele não teve culpa alguma pelos acontecimentos horríveis que se desenrolaram.

O vampiro. Dizem que ele mora lá pros lados da Saripoca. Andou matando gente. Hoje a vila está abandonada, fugiu todo mundo por causa dessa assombração horrorosa. Vocês querem passar a noite lá? Isso é coisa de maluco!

 

Saindo um pouco da literatura vampiresca, Martha lançou em 2006 o pocket O livro dos contos enfeitiçados, da coleção Novos Caminhos da editora Landy.

O livro dos contos enfeitiçados

São 109 páginas, divididas em 7 contos:
- Amarelo… amarelo…
- Eu detesto futebol
- O verdadeiro poder
- O olho vermelho
- Final feliz (meu predileto, uma verdadeira crítica ao hipermodernismo e a sociedade de consumo)
- O livro dos contos enfeitiçados
- Sofia

Um pouco da introdução:
“Desde que surgiu como espécie, o ser humano tenta entender os fenômenos que ocorrem ao seu redor, procurando estabelecer as relações de causa e efeito capazes de explicar os acontecimentos que testemunha e que interferem em sua vida.
Quando tais relações não são evidentes, ou de tão complexas são rejeitadas pelo senso comum, surgem as explicações sobrenaturais. Evocam-se processos maravilhosos, míticos e mágicos como responsáveis por fatos de outra forma inexplicáveis atribuídos a seres de outras dimensões – deuses, espíritos, demônios, fadas.
Afinal, existe ou não magia?
Quem pode saber se as bruxas, os feiticeiros e a magia são reais ou não?”.

Atuando com força total em livros de contos, Martha Argel publicou sem primeiro romance em 2002. Uma história policial com vampiros, nas palavras da própria autora.

Release de Relações de Sangue:
Esqueça os cemitérios, masmorras ou castelos isolados em algum país distante. Em seu romance de estréia, Relações de Sangue, Martha Argel traz os vampiros para o dia-a-dia, para o cotidiano de uma metrópole brasileira, para dentro de nossa vida.
Ambientado na capital paulista, o livro é narrado por Clara, uma mulher que levava uma vida comum até o dia em que a primeira criatura das trevas cruzou seu caminho. Para ajudar Lucila, sua sedutora “amiga” vampira, Clara envolve-se cada vez mais com o perigoso mundo dos vampiros e com a investigação de uma série de mortes misteriosas. De um lado, a vida normal e os amigos mortais, que quer a todo custo proteger; de outro, o fascínio pelo encanto e poder dos vampiros. Clara sabe que sua vida nunca mais será a mesma e que terá que lutar para continuar… viva!
Com uma narrativa bem-humorada e inteligente, Relações de Sangue é um livro com um ritmo alucinante e uma trama envolvente, que prende a atenção dos leitores do início ao fim.
Martha Argel aproxima os vampiros de nosso dia a dia, trazendo-os para um cenário tipicamente brasileiro e moderno. Nada de caixões, capas, frágeis donzelas e vampiros monstruosos. O que há de mais aterrorizante nesses vampiros é que eles podem estar em qualquer lugar: dirigindo o carro da frente ou assistindo a um filme a seu lado no cinema. E se você não reconhece o inimigo, como poderá se proteger?

Um trecho do primeiro capítulo:

“Eu levava uma vida bem normalzinha até que conheci meu primeiro vampiro. Na verdade, uma vampira. Uma coisinha delicada, do tipo mignon, que logo de cara quebrou o pescoço de dois sujeitos, secou um terceiro e ainda por cima me passou uma cantada. Hum, essa última pode não parecer grande coisa pra você, mas considerando o quão raras eram as cantadas na minha vida de eremita voluntária, que nunca na vida eu tinha levado uma cantada de outra mulher, e muito menos de alguém que vive de chupar sangue dos outros…

Mas acredite, um vampiro traz outro, o primeiro pode demorar, mas depois de algum tempo sua vida fica cheia deles. Opa, a palavra-chave aí é vida. Desde que você continue vivo, bem entendido.

Eu pelo menos continuo. So far, so good, como dizem os anglófonos, “Até aqui, tudo bem”.

Depois da primeira, não demorou muito pra aparecer o segundo.

Eram duas da manhã, pouco mais, pouco menos, e eu lutando contra o sono para continuar vertendo para o inglês um trabalho científico. É o que eu faço para viver. Quer dizer, uma das coisas que faço. Faço de tudo um pouco. Aproveito minha formação em biologia, minha natural facilidade em escrever e um dom para as línguas, e vivo de quebrar o galho de outros que foram menos favorecidos pela natureza nesses quesitos. Traduções de livros-texto, documentários e bulas de remédio, revisões de trabalhos científicos, um servicinho aqui e ali como ghost-writer para médicos e cientistas que acham que uma cultura geral é dispensável se você consegue um título acadêmico alto o suficiente, e vou tocando a vidinha. Não vou ficar rica com isso, mas dá pra viver. Também não é emocionante. O bom da coisa é não ter de sair de casa. Pensando bem, acho que melhor ainda é não ter de enfrentar classe após classe de alunos pentelhos, como fiz durante oito anos de minha vida. Não me arrependo dos anos de docência, mas também não me arrependo de ter largado dessa vida”.


No ano seguinte, Martha voltou aos contos com o instigante O vampiro de cada um.

Release:
“Qual é seu vampiro? Porque, claro, você tem um vampiro. Todos nós temos, na imaginação ou dentro do coração. E qualquer que seja ele, você o encontrará nestas páginas. O vampiro sedutor. O vampiro seduzido. O morto-vivo ambulante. O monstro sedento de sangue, vida e energia ou o ser imortal e irresistível faminto de amor e paixão. Em um destes treze contos, lá estará ele: o vampiro dos seus sonhos. Ou de seus pesadelos.
Espere a noite cair, sirva-se de uma taça de bom vinho tinto e escolha a poltrona mais confortável. Uma trilha sonora adequada. Não esqueça o crucifixo e a água benta e dê início à caçada…”

Pesquisando um pouco, consegui achar a lista dos contos e uma explicação sobre cada um deles.

Contos:
-  Introdução: O vampiro de todos nós >> Porque todos nós somos vampiros…
-  Maldição – Um conto manuelino >> Um conto gótico, inspirado na delicada e exuberante arquitetura do Mosteiro dos Jerônimos, uma das mais belas construções de Portugal.
-  Filha da noite >> O que você faria caso se encontrasse com uma vampira em plena noite paulistana? A vampira Lucila, personagem do romance Relações de Sangue, revela-se ao leitor, neste conto, sem nenhum disfarce.
-  Mas eu não queria… >> Pode ser arriscado bisbilhotar a conversa alheia…
-  Lua de sangue >> Existem criaturas muito mais aterradoras que os vampiros. Você duvida?
-  Notas boas >> Algo estranho acontece na escola do diretor Cléuber e ele não vai descansar até desvendar esse mistério!
-  O amor e a queda >> O fim de um romance é sempre trágico, em especial quando envolve um vampiro.
-  A noite do voyeur >> Um jogo de sedução com a vampira Lucila, baseado num roteiro do escritor Adriano Siqueira.
-  Reencontro com a humanidade >> Até mesmo um vampiro pode precisar de um pouquinho de encorajamento…
-  Roupas e vingança, que mulher não adora? >> Tudo é possível quando uma escritora resolve contracenar com sua própria vampira!
-  O defunto assanhado >> No bairro do Ariá, ali memo na divisa cum Minas,cunticia cada coisa que contano ansim ninguém nem cridita. Qui nem o causo do difunto assanhado…
-  A lei do mais forte >> Os vampiros existem, e exigem seus direitos de cidadãos mortos-vivos. Inclusive o direito de matar.
-  Um conto trash >> O pânico invade as pequenas cidades de Murituba e Sepodi quando os mortos resolvem atacar os vivos.
- De arte e imortalidade >> Um debate sobre a mortalidade do artista e a permanência da arte, na Veneza renascentista. Este conto é um prólogo para meu próximo livro, uma história de sedução e dominação passada no século XVIII.

Trecho do conto A noite do voyeur:
Ele está lá.  Ela se aproxima da janela, e erguendo os braços começa uma dança sensual, ao som da música que diz que cada coisa tem seu tempo. Mesmo daquela distância ela sabe que o coração dele bate mais forte. Ela conhece o homem que a vigia. Ela o compreende. Ele, seu brinquedo.
Ela fecha os olhos e deixa-se levar pela música para o centro da sala, onde pés descalços afundam no tapete espesso. Há semanas ela sabe que toda noite ele estará àquela janela, por trás da luneta, observando-a, sabendo-se percebido e sabendo que, assim como ela tem a atenção dele, ele tem a dela. Jogo à distância, dois jogadores com movimentos diferentes e objetivos diferentes, mas um só jogo.
E há semanas ela brinca com ele. Veste-se para ele. Escolhe suas vítimas para ele. O homem gordo, o adolescente cheio de espinhas, o velho trêmulo, o mendigo andrajoso. Mais que petiscos, palavra que uma noite ela lhe sussurrou ao ouvido, eles são instrumentos. Qual o escandaliza mais? Qual o excita mais?
Toda as noites ela tem dançado, corpo ondulando num ritual hipnótico, a mira mais nos olhos dele que nos do amante fugaz, nunca o mesmo, sempre igual”.


Pela antiga editora Writers, lançou 2 livros de contos e organizou 1:

olhos-de-gato

Release:
Nove contos  que exploram situações pelas quais muita gente já passou: Você nunca se pegou imaginando o que se passa por trás do olhar profundo de um gato? Quantas mulheres já não desejaram que o futebol sumisse da face da terra? Quantos amigos ou parentes seus não terão tido a terrível experiência de serem assaltados no meio da noite?

Lista de contos:
Olhos de gato
Aparências enganam…
Terceira de Górecki
Do lado errado do Atlântico
Mas existem vampiros?
Eu detesto futebol
Bichinhos cheios de pernas
Más companhias
Durante as compras
A última colheita

Trecho do conto As aparências enganam:
“Era uma daquelas noites típicas de julho, gelada e seca, em que o ar corta os pulmões da gente a cada respiração. O céu estava tão estrelado que a lua, nova por essa época, nem fazia falta; daria para ler um jornal só com a luz das estrelas, se os jornais chegassem naquelas lonjuras. O inverno tinha calado os grilos e espantado para terras mais quentes quase todas as aves noturnas. A paisagem parecia ter sido mergulhada em algum líquido conservante escuro e frio, e parecia que ia ficar assim para sempre, imóvel, silenciosa e sem vida.
É em noites como aquela que a gente não só se sente inclinado a acreditar que os discos voadores existem, e que estão visitando nosso planetinha a toda hora, como tem a sensação de que seria um desperdício se não existissem visitantes alienígenas.
Ela foi acordada por um facho de luz que vinha lá de fora através da janela da sala e, passando pela porta de comunicação, iluminava todo o pequeno hall para o qual se abriam os quartos e o banheiro.
Um raio de luz branca, poderoso, que se movia para os lados, para cima e para baixo, examinando tudo e procurando algo. Ela se arrepiou inteira”.

Os outros são Contos Improváveis, com nove histórias que vão do humor ao terror…

Consulte o Aurélio
Cola
O mal que as estatísticas ocultam
Amarelo… amarelo…
Para além da vida e da morte
Guardião
Vizinhança
A escolha

… e Lugar de Mulher é na Cozinha, que merece um relançamento ou segunda versão (né, Martha?).

Release e participantes:
“Esta coletânea que coordenei é formada por doze contos de Literatura Fantástica, Fantasia e Ficção Científica, escritos por doze autoras, sobre mulheres, cozinhas, coisas que mulheres fazem na cozinha e coisas que você jamais pensaria que uma mulher pudesse fazer na cozinha… Participaram deste apetitoso projeto: Liliana Medeiros, Ana Cristina Luz (de Portugal), Giulia Pierro, Nilza Amaral, Mariana Albuquerque, Neusa Ximenes, Fernanda Bohm, Maria Lúcia Perrone Passos, May Parreira e Ferreira, Adrana Simon, Viviane Scholtz e Martha Argel”

A Autora:

Tempo de caçadoras

A saga da Liga Mundial, universo ficcional criado a partir da novela “O fantasma do apito” (Edições Scarium, Rio de Janeiro, 2007) prossegue no novo livro de Miguel Carqueija, “Tempo das caçadoras” (Scarium, 2009), onde a ação se desdobra em duas partes: “O Clube da Luluzinha” e “O olho mortal”.

Num mundo onde, há muitas décadas, o avanço tecnológico é jugulado, e em pleno século XXI as pessoas ainda viajam em carruagens, três inocentes estudantes universitárias, Fátima, Andréia e Carol, vêem-se ameaçadas, a troco de nada, por um “serial killer” que é também indivíduo detentor de grande poder na sociedade e tido como intocável. Inesperadamente elas são apoiadas por uma misteriosa policial, a Detetive Irina, que, como Fátima, é capaz de operar com vidência.

Após os dramáticos acontecimentos no Colégio Modelo, descritos em “O fantasma do apito”, Irina – que além de detetive da Polícia de Investigação do Rio de Janeiro, é uma agente secreta da enigmática Liga Mundial (organização que se arvora o controle sobre o equilíbrio da civilização) – chama as três meninas para acompanhá-la ao estado de São Paulo, para cuidarem do assassino pelas próprias mãos, já que o mesmo possui imunidades que impedem a sua prisão. As quatro mulheres vivenciam uma sinistra jornada, onde defrontam com outros criminosos e reencontram afinal o inimigo, numa sequencia de grande “suspense”.

“Tempo das caçadoras” mantem um clima gótico temperado pela picardia das garotas e pela intromissão do Detetive Anselmo, que insiste em seguir o quarteto. Penetramos numa estalagem decadente e arruinada, onde crimes obscuros têm lugar. O próprio clima cria um ambiente sinistro, de chuva torrencial; parte da ação se passa numa cidade poeirenta e parada no tempo; Andréia insiste em adotar um cachorro abandonado e levá-lo na aventura; a ação se encaminha para o novo confronto com o terrível “serial killer”. E, como pano de fundo da série, o conflito secreto entre a Liga Mundial e a Rede.

Release:
Um vampiro desperta em São Luís, num casarão abandonado, e apaixona-se pela restauradora do imóvel. A partir daí a história se desenvolve num vaivém amoroso. Intrigas, falsidade, poder, vingança; tudo em nome do amor. Os personagens centrais são fortes, decididos, seja para o bem ou para o mal, dando o toque de suspense e de reviravolta nas tramas. A autora narra os encontros e desencontros de Jan Kman e Kara Ramos através dos séculos. As surpresas e as ironias da vida. O amor e o ódio caminhando juntos. A tentativa de Kara de fugir de um destino já traçado.
Alma e Sangue é um best-seller da literatura fantástica nacional, com mais de 5.000 cópias vendidas.

Trecho do livro:

O aparelho de som parou. Ergui-me preguiçosa do assento e dei uma longa olhada no desenho. Ficara perfeito. Satisfeita com o resultado, resolvi encerrar o trabalho. Olhei pela janela, fitei o relógio de pulso e me assustei. Passava das sete horas, o vigia estava muito atrasado. Recolhi minhas coisas e deixei tudo organizado à minha volta. Tirei o boné e penteei o cabelo rapidamente, para logo em seguida refazer o rabo – de – cavalo. Mochila nas costas, mesa organizada, tomadas desligadas, tudo arrumado… A janela! Fui até ela e a fechei; cruzei o quarto em direção à porta e nesse momento as luzes se apagaram. Não somente as da sala, mas todas as luzes do casarão. O susto foi tão grande que gritei. Simplesmente, não via um palmo à frente do nariz. Não sobrou
nada, nem uma fresta de luz para guiar-me. Fiz meia-volta e ali fiquei, tentando achar qualquer coisa para guiar minha saída do casarão.
— Estúpida! — gritei comigo mesma. Afinal, tinha um isqueiro no chaveiro.
Toquei a calça em busca das chaves e do isqueiro para me lembrar que o havia retirado dali a pedido de Alva… — Ai, droga! Merda… — xinguei, após esbarrar na mesa e machucar o quadril. Era isso! Estava sobre a mesa em algum lugar, mas onde? Toquei a superfície da mesa e passei a mão sobre papéis, canetas, tesoura… Onde está? — perguntava- me, desesperada.Medo. Esta era a definição mais precisa para o que sentia. Sempre tive medo do escuro, fugia ao meu controle, perdia a noção de espaço, de onde estava e, simplesmente, me sentia sufocar. Levei a mão à testa suada e notei que tremia de tão apavorada.
Decidida a me acalmar, comecei a repetir:
— Não há nada no escuro, não há nada no escuro. — Enquanto dizia as palavras, respirava fundo tentando recobrar o fôlego e o controle. Com as mãos sobre a mesa, recomecei uma busca mais calma; quando toquei o isqueiro, gritei de alegria. — Graças a Deus! — Afinal, não foi fácil encontrá-lo e quanto mais acendê-lo. Tentei três vezes sem nada conseguir. Só consegui respirar melhor depois de ver a chama frágil tremular à minha frente, dando-me confiança.
— Não tenha tanto medo do escuro.
O aviso soou de maneira suave, sensual, cortando a escuridão como uma flecha. Ergui os olhos e dei de cara com um completo desconhecido. Sentado comodamente na cadeira, na cabeceira da mesa, ele me observava de maneira calma. Fiquei tão aborrecida com a possibilidade de ele ter me visto naquele estado de pavor que não o olhei direito.
— Que houve com as luzes? — perguntei, achando que se tratava do vigia.
— Eu as apaguei — falou insolente, sem sequer levantar-se.
— E por que o fez? Não há necessidade de o casarão ficar às escuras — falei
taxativa.
— Gosto do escuro — falou, sem dar um pingo de importância ao que eu dizia.
Seu rosto não parecia ter movimento; os olhos azuis brilhavam no escuro, fazendo aquele efeito só conseguido por cães e gatos.
Ele pareceu notar que eu o observava e deu-me um leve sorriso, mas um sorriso malévolo e malicioso. Recuei para trás um tanto assustada.
— Quem é você e o que faz aqui? — perguntei, notando que a voz estava trêmula.
— Acho que a invasora aqui é você — falou, apontando o dedo em riste em
minha direção. Somente naquele momento percebi suas roupas estranhas, ou melhor, antigas. A manga de sua camisa era larga e trazia no punho cordões e uma renda que provavelmente algum dia fora branca, bem como o resto da camisa.
— Vamos, diga! Que faz em minha casa? Que está havendo, onde estão os móveis e todo o resto? — perguntou, alteando a voz, fazendo-me piscar de susto.
Fiquei tão atônita surpresa que ri dele. Foi isso mesmo, eu ri. Nervosismo, medo, sei lá! Mas não foi uma das atitudes mais acertadas a tomar,
porque ele ficou furioso. Saltou da cadeira e ficou em pé para mostrar quanto era alto e forte. Seus ombros largos eram valorizados pela camisa de tecido solto. Foi com grande surpresa que notei o lenço de seda em volta de seu pescoço largo. Era um Plastron, uma espécie de gravata usada no século XIX, se não me engano.
— Do que ri? Acha que sou algum bufão, um truão para rir de mim? — perguntou
mais alto e muito mais agressivo enquanto andava para a frente.
— Não se aproxime! — gritei, reagindo no mesmo tom, recuando para trás.
— E quem pensa que é para gritar comigo, sua pequena insignificante! — Seus movimentos assemelhavam-se ao de um tigre. A calça preta moldada perfeitamente às suas pernas másculas, fortes. Não sei bem ao certo como, mas, totalmente assustada, ainda conseguia sentir-me atraída. Sua beleza chegava a ser um insulto, a assustar, essa era a verdade. — É só isso que consegue sentir? Medo? — o homem perguntou, quase ofendido. Passou a mão pelos cabelos loiros presos numa fita escura e continuou a falar: — Kara, Kara, Kara, pensei que fosse mais corajosa, forte, decidida — falou com um leve sotaque que, no momento, não identifiquei.
— Como… como sabe meu nome? — tentava lembrar-me de onde conhecia seu  rosto. Foi em vão; nunca o tinha visto em toda minha vida, mas seu olhar… eu conhecia.
— Sua amiga, a negra forra, falou, enquanto usava aquela estranha máquina.
Diga-me, sua mão melhorou? — O modo descuidado como falou me chocou.
— De onde afinal você saiu?
— Do sótão, é claro.
— Ai, meu Deus!
— Você chama muito a “Deus”; ele a ajuda tanto como parece?
— Olhe, não sei de onde diabos saiu, mas ordeno que saia desta casa imediatamente!— falei, tentando parecer o mais segura possível. O silêncio foi quebrado com
sua gargalhada, no mínimo gostosa.
— Kara, você deve ter sido uma menina muito mimada e levada, mas lhe digo,uma boca tão perfeita e carnuda não deveria ser manchada com tantos palavrões; contei quatro, apenas enquanto a vigiava — comentou cínico. — Agora, vamos — falou, estendendo a mão num convite perturbador.
— Acho melhor não tentar.

Resenha no site Speculum.


Release:
Melhor do que revisitar antigos personagens é poder dar a eles uma nova vida, mais detalhes e, acima de tudo, muito mais força e carisma. É o que Nazarethe Fonseca fez em sua nova obra, com Kara Ramos e Jan Kmam, o casal de vampiros mais complexo e apaixonante dos últimos séculos.
Neste livro, fica clara a referência aos vampiros clássicos, como o de Bram Stocker, que são jogados em um caldeirão de romantismo digno dos protagonistas de Francis Ford Copolla. Para quem espera algo leve, este é o livro errado, pois a intriga e o terror se entrelaçam como ervas daninhas ao romance dos casal.
Envolvente, atual e real. Acima de tudo, assustadoramente real. É isso o que você pode esperar deste romance. Sinta-se à vontade para entrar na vida de Kara e Kmam. O risco é inteiramente seu! A trama: Um casal de vampiros se vê em meio a uma grande rede de intrigas, perigos e poder. Sua existência é regada a doses vertiginosas de romance e sedução, do tipo que somente as criaturas da noite são capazes de criar. E, como não poderia deixar de ser, igualmente permeada de interesses, jogos de poder e vingança. Os protagonistas da trama já são velhos conhecidos dos amantes dos vampiros: surgiram aos milhares nos velhos séculos e suas histórias foram contadas em Alma e Sangue, o despertar do vampiro. Agora ressurgem com muito mais paixão e fascínio para dar continuidade a esta saga de alma e sangue.

Trecho do livro:
O tom de voz firme, a pergunta direta me alertou, ele estava desconfiado de algo. Estendi a mão e peguei o roupão, Jan não me impediu. Continuou dentro da banheira, majestoso, fitando-me como o mestre, esperando por meus movimentos, por minhas
mentiras.
– Está sempre desconfiando de tudo que digo e faço – reclamei sentida.
– Por que se aborrece quando sabe que é meu dever como seu mestre?
– Vigiar-me, desconfiar? – lutaria até o fim por minha liberdade.
– Kara, não faça drama – ele reclamou, erguendo-se para pegar a toalha.
Ficou à minha frente enquanto enrolava a toalha na cintura, empurrava os cabelos úmidos para trás e prosseguiu:
– O que fez hoje merecia punição – Jan me censurou com firmeza.
– É isso? Quer me punir, usar seu poder de “mestre”?
– Kara… Não seja atrevida – ele avisou.
– O que fiz de errado? Eu apenas despenquei de um prédio…
– Não se faça de tola, Kara! – falou, pondo as mãos na cintura larga. – Quem a ensinou a fazer o bloqueio? Otávio? – pensou e por fim revelou seguro. – Não, ele jamais o faria. Foi Asti, não foi? – Jan Kmam cobrou aborrecido. – Ela não tem o direito de passar por cima de minha autoridade – quem falava era o mestre e não meu amante. – Eu decido o que você deve ou não aprender. Além disso, é um dom de proteção e não de vigilância, como acredita ser, Kara.Jan Kmam deixou o banheiro e foi para o quarto sem ouvir meus pedidos de desculpa. Chegando lá, vestiu somente o roupão de seda negra com impaciência.
Não prendeu os cabelos ou procurou os chinelos, continuou descalço. E quando entrei no quarto ele foi para a cozinha se servir de um cálice de sangue. Mas podia sentir seu olhar sobre mim enquanto me penteava.

A autora:
Nazarethe Fonseca nasceu em São Luís, no Maranhão. Leitora voraz desde a infância, manteve o hábito de devorar seus livros na calada da noite. Sua paixão pelo soturno passou a abraçar os filmes, as músicas e tudo com uma capacidade inerente de gerar a atmosfera fascinante do sobrenatural. Como predestinação, os vampiros foram os personagens que mais marcaram esse prazer, fazendo aflorar a arte das letras, que a autora exerce desde seu primeiro romance.

Entrevista para o site Vampirus Brasil

Entrevista para o site Cranik


Guardiões do Templo

Release:
Os Guardiões do Tempo é uma fantasia de ficção, com muita aventura, mistério e humor, voltada para todas as idades. A trama envolve três garotos, Duda e sua irmã mais nova, Ciça, e o amigo Rogério, que são levados ao futuro. Em uma corrida pela galáxia eles têm que desvendar um mistério, através de enigmas, pistas que vão decifrando ao longo da trama. Embora de um estilo mais ameno, não faltam os tradicionais elementos de suspense, mistério e medo, em uma aventura de tirar o fôlego, e com boas doses de humor.

 

Trecho do livro:

Lentamente, um imenso objeto metálico começou a se erguer do lago. A água escorria por sobre a estrutura que emergia e, pouco a pouco, todo o corpo do objeto foi se revelando, flutuando a poucos centímetros da superfície. Duda, Ciça e Rogério se achavam imóveis, os olhos grudados na súbita aparição. A menos que os três estivessem sonhando, aquilo realmente parecia uma nave espacial. Subitamente, as águas se iluminaram. Um facho de luz partiu da parte de baixo do misterioso objeto, bem rente à superfície do lago. O facho estendeu-se até o barco, envolvendo-o por completo. A luz não chegava a ofuscar, embora dificultasse a visão dos garotos. Duda levou a mão em forma de concha aos olhos, procurando protegê-los e ver mais claramente. Uma estreita abertura aparecera ao fundo da nave, e ele pensava ter visto uma figura saltar para o facho de luz.

– Ei, vocês viram isso? Tem alguém ali! – disse Rogério, por cima dos ombros de Duda, e apontando para o objeto.

Para surpresa de todos, o estranho começou a caminhar através da luz, como se andasse por cima das águas. Quase ao mesmo tempo, os três suspiraram aliviados. Eles não sabiam quem era o estranho ou de onde viera aquele gigantesco objeto, no entanto, se sentiam mais seguros ao verem uma figura semelhante a um homem, que se dirigia ao barco. Ainda assim, permanecia em silêncio, o coração batendo acelerado.

A figura continuou caminhando até chegar próximo. Ele não trazia nada de especial em relação a equipamentos ou roupas. Salvo o fato de trajar uma espécie de macacão, todo negro, com botas ou sapatos integrados à roupa, sua aparência não tinha nada de anormal ou assustadora.

– Seu nome é Eduardo Junqueira Silva, não? – questionou o homem, falando com um sotaque estranho e apontando para Duda.

– S-Sim, sou eu – respondeu, perplexo, balançando a cabeça sem perceber, em sinal afirmativo.

– Nós precisamos da sua ajuda.

– M-Minha ajuda? Mas… nós, quem?

– S-Sim, quem é você? – perguntou Ciça, encolhida e assustada, atrás do irmão e do amigo.

– E de onde você vem? – completou Rogério, nenhum deles sequer se dando conta de que continuavam encharcados.

 


Release:
Relâmpagos de Sangue é uma obra que vai além de ANJO A Face do Mal ao extrapolar as sensações angustiantes de mistério, suspense e medo, uma trama nascida para assustar, para levar os leitores a vivenciarem todas as paixões, sentimentos e angústias dos personagens, em uma interatividade sufocante.
A trama gira em torno de dois personagens, Sara e Josimar (Jôs), que há aproximadamente um mês estão tendo estranhas visões que envolvem sangue, a cor vermelha e tempestades, além de lapsos de memória. Em função disso, ambos resolvem voltar ao local onde passaram as últimas férias, certos de que alguma coisa muito errada lhes aconteceu.
A aventura se passa em uma cidade fictícia, Germinade, no interior de Minas Gerais, aonde fatos estranhos vão ganhando proporções inimagináveis, envolvendo tanto os personagens principais como outros, que vão surgindo ao correr da história, num suspense crescente, aonde o mistério por detrás de tudo vai se revelando aos poucos e descobri-lo faz parte da leitura, onde por fim, se chega ao clímax, com um desfecho inesperado.
Acima das expectativas, Relâmpagos de Sangue traz uma linguagem extremamente visual, um livro denso e assustador, que prende firmemente o leitor com garras invisíveis, magistralmente tecidas, e que revela um amadurecimento e evolução tanto na escrita como na trama.

Trecho:
“Desde quando ela estava tendo aquelas visões? Não sabia de um modo exato, não tinha certeza. Acreditava que tudo havia começado após a viagem de quinze dias, que fizera há pouco mais de um mês, mas não poderia jurar. Na realidade, não se lembrava. E por estranho que fosse, havia várias outras coisas que não se recordava, e os lapsos de memória também começaram após aquela viagem. Ela não sabia dizer que coisas eram; apenas sabia que eram importantes e que estavam em sua memória, muito perto, no entanto, não conseguia acessá-las. Estavam lá, mas eram fugidias, toscos espíritos que pareciam flutuar sem rumo, ao redor de sua mente, zombando dela, zombando de sua sanidade e de seu medo. Ela apenas sabia que tinha medo, e esse medo, não tinha dúvidas, era real. Sara aproximou-se novamente da janela, olhando para fora. A chuva continuava a castigar sem piedade. Um relâmpago iluminou a sala e, imediatamente, se seguiu um trovão fortíssimo, que fez com que as paredes estremecessem mais uma vez. Sara tremeu, sentindo um pavor ainda mais intenso, apoiando-se no batente próximo para não cair. Porém, desta vez, não fora o estrondo do trovão que a assustara, ou a fúria das águas; desta vez fora o relâmpago, um relâmpago diferente e, por tudo que conhecia e sabia, não podia existir. Sara olhou para as mãos tremulas. Apesar de tudo, tinha certeza de que não estava tendo uma visão agora; sabia que era real o que tinha visto. Um relâmpago diferente, um relâmpago vermelho, igual a sangue. E podia jurar que sussurrava seu nome.”

 

Release:
ANJO A Face do Mal explora a fundo mistério e suspense, cujo personagem principal é o polêmico Lúcifer, o chamado Anjo Caído. Em uma obra impar, a história mistura entidades do misticismo afro-brasileiro com anjos, arcanjos e demônios, apresentando a figura de Lúcifer não como o conhecido Diabo das religiões, mas um poderosíssimo ser, cujas finalidades somente ele próprio conhece. Sua figura não tem nada de macabro, mas sua inteligência, retórica e perspicácia o tornam o mais terrível adversário que qualquer um poderia enfrentar. Em uma leitura ágil e intrigante, que cultiva todas as características de uma trama envolvente e de tirar o fôlego, tem como ponto central a repetição do evento que deu origem à Criação.
O livro conta que antes do início, antes do Tempo, existiam dois Princípios, Ação e Oposição, e que a partir deles, houve luz. E agora, infinitas eras após, o indivisível Princípio da Oposição irá se dividir mais uma vez, dando origem a uma nova gênese. Os Anjos, mandatários do Céu, farão tudo para impedir tal evento, pois vêem a Oposição como as Trevas Eternas, o inimigo máximo de Deus, ainda pior que seus opostos, os próprios Demônios. Estes, por sua vez, estão dispostos a tudo para que a divisão se concretize, ávidos pelos segredos que ali se escondem. Em meio à tensão crescente, que ameaça eclodir em uma guerra sem precedentes, que devastaria a existência, um ser observa, uma entidade sem igual, único detentor das energias de ambos os Princípios, Lúcifer.

Enquanto isso, na Terra, algo misterioso e incrivelmente poderoso, caça e aniquila indistintamente Anjos, Homens e Demônios, guiado apenas pelo seu propósito sombrio, uma entidade que só poderia ser descrita como a própria entropia encarnada. A balança do equilíbrio ameaça pender, e é chagada a hora de Lúcifer intervir. O futuro de tudo o que existe se acha em suas mãos. Se falhar, restará apenas desolada e fria destruição.

O autor:
O autor, Nelson Walter Magrini Jr, nasceu na cidade de São Paulo, é Engenheiro Mecânico pela Universidade Mackenzie, Consultor Internacional de Gestão Empresarial e Logística, ainda desenvolve estudos e trabalhos em Mecânica Quântica. Tem como principais hobbys a música e a literatura de ficção e sobrenatural. Passou a escrever a partir do ano 2000 e seus projetos, mesmo os voltados para o público pré-adolescente, trazem ingredientes de intenso mistério e suspense.
Tem quatro livros publicados, ANJO A Face do Mal, de 2004; Relâmpagos de Sangue, de 2006, ambos pela Novo Século Editora; Visões de São Paulo – Coletânea, com o conto Sombra, de 2006 e Amor Vampiro – Coletânea, com o conto Isabella, de 2008.

 

Curiosidades:
Anjo, a face do mal encontra-se praticamente esgotado e deve ganhar uma nova edição.


Num mundo povoado por alguns dos mais célebres personagens da literatura fantástica, essa história leva o leitor ao cerne de uma luta secular entre duas famílias e dois ideais. Frutos da engenhosidade humana, o Ariano e Lours McKenzie vivem os últimos lances de um duelo iniciado por paixão e ódio no século XIX.
O conflito, porém, acontece numa Europa modificada pelos sonhos tecnológicos implementados durante o mandato de Júlio Verne como presidente da França. Com isso, submarinos inspirados na nau do capitão Nemo e armas maravilhosas desenvolvidas para combater as tropas alemãs durante a Segunda Guerra Mundial dividiam espaço com outros prodígios da tecnologia. Mas, uma luta maior e mais importante para o mundo acontece nas profundezas dos mares.
No romance, que pode ser considerado como a primeira aventura brasileira no ramo da ficção alternativa, Octavio Aragão, criador do projeto Intempol®, pede licença a autores com H.G. Wells, Mary Shelley e ao próprio Júlio Verne, que é um dos personagens-chave de A Mão que Cria.
Ação inteligente, pesquisa histórica e ficcional impecável e dois personagens marcantes dão o tom a esta história de tirar o fôlego do mais ávido dos leitores.

O autor:

Doutorando e mestre em arte visuais, graduado em design gráfico pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Octavio Aragão exerce hoje a função de professor assistente no departamento de design da Universidade Federal do Espírito Santo.
Foi editor de arte das revistas Internet.br, Internet Business e Web Guide, da Ediouro, sub-editor de arte do Jornal o Dia e coordenador de arte do jornal O Globo.
Estreou como escritor em 1998, com a publicação do conto EU MATEI PAOLO ROSSI, na antologia OUTRAS COPAS, OUTORS MUNDOS, da editora Ano Luz, mas ficou um pouco mais conhecido como o criador e editor do Projeto Intempol, que reune desde 2000 vários criadores em torno de um mesmo Universo Ficcional, onde cada conto contribui para construir um panorama diversificado da literatura fantástica contemporânea produzida no Brasil.

Osíris Reis

8:01 pm

Release:
Ano 7523. Projetos ilegais executados às pressas, quântica e genética desafiadas. Sete humanos transformados em imortais e lançados para 5477 A.C. Retorno? Só a imortalidade. Efeitos colaterais? Pulsões hemofágicas injetadas na alma dos viajantes do tempo. Só o médico lutará, contra si mesmo e os outros, pra que o futuro não se reduza a chacina sádica e sangrenta. Uma batalha insana que, na melhor das hipóteses, durará 13 mil anos.”
Este é o mote da saga Treze Milênios. Dividida em oito livros, ela faz uma panorâmica da história da Civilização, do passado ao possível futuro. Em um texto intenso e bastante sinestésico, apresentam-se ao leitor as sensações e motivações de cada personagem. E é a natureza das mesmas que faz dessa uma história sensual, forte e violenta. Sem ter de se preocupar em sobreviver, os viajantes do tempo vêem seus antigos conceitos ruírem e entregam-se a uma vida hedônica e com poucos limites. É uma catarse, um mergulho no que há de mais negro no espírito humano para que aquilo que existe de mais sublime possa ser alcançado.
É isso que dá ao leitor a oportunidade de questionar o significado das próprias decisões. Em outras palavras, o traço sinestésico de Treze Milênios abre portas para discussões sociológicas, políticas, psicológicas, éticas, filosóficas e afetivas. É um convite para uma jornada épica, que entretém e chama ao crescimento pessoal. Em todos os sentidos.
Treze Milênios é uma saga que mistura cuidadosamente diversos gêneros. Ficção científica, futurismo, viagens no tempo, terror, suspense, vampiros, erotismo, romance e conflitos psicológicos são combinados de maneira coerente e harmoniosa.

Resenha:
“É uma história poderosa com personagens à altura. Combina space opera e terror vampiresco com seriedade e profundidade incomuns nesses gêneros.” – revista Carta Capital, revista 6/12/2006, pg. 57″

 

Paulo Coelho

4:29 pm

   

100 milhões de livros depois, Paulo Coelho ainda causa polêmica no Brasil. Literatura ou auto-ajuda? Essa é a pergunta mais freqüente. Aqui no Fantastik, Paulo Coelho é, pelo menos em parte, autor de literatura fantástica.  Bruxas? Valquírias? Demônios? Anjos? Por que não?

A bruxa de Portobello: Quem é Athena? A órfã abandonada pela mãe cigana na Transilvânia. A criança levada pelos pais adotivos para Beirute. A funcionária de um grande banco em Londres. A bem sucedida vendedora de terrenos em Dubai. A sacerdotisa de Portobello Road. Athena é o personagem principal de ‘A bruxa de Portobello’. Quem conta a história são as pessoas que conviveram com ela. Sua mãe adotiva, um jornalista interessado em vampirismo, um padre, um mestre de caligrafia, uma atriz, entre outros. Eles traçam diferentes perfis da personagem, mesclando acontecimentos com impressões, crenças próprias, anseios.

Brida: Um texto anônimo diz que cada um de nós, em sua existência, pode ter duas atitudes – construir ou plantar. Os construtores podem demorar anos em suas tarefas, mas um dia terminam e acabam por ficar limitados às suas próprias paredes. A vida perde sentido quando a construção acaba. Os que plantam podem sofrer tempestades e poucas vezes descansam. Mas o jardim jamais cessa de crescer e, ainda que exija a atenção do jardineiro, também permite que a vida seja uma grande aventura. Na história de cada planta está o crescimento de toda a terra.

As Valkírias: Em 1988, Paulo Coelho e sua mulher, a artista plástica Christina Oiticica, passaram quarenta dias no deserto do Mojave, em busca de uma das mais importantes experiências místicas do ser humano – a conversa com o Anjo da Guarda. As armadilhas do deserto, o processo mágico da canalização, os conflitos do casamento, a simplicidade da busca, o surpreendente encontro com mulheres que já tinham visto seus anjos – tudo isto faz de ‘As Valkírias’ um livro dirigido àqueles que estão procurando criar e participar de um novo mundo.

O demônio e a Srta. Prym: Com ‘O demônio e a Srta. Prym’, Paulo Coelho concluiu a trilogia ‘E no sétimo dia…’, da qual fazem parte ‘Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei’ e ‘Veronika decide morrer’. Os três livros falam de uma semana na vida de pessoas normais, que subitamente se vêem confrontadas com o amor, a morte, e o poder. Quando menos esperamos, a vida coloca diante de nós um desafio para testar nossa coragem e nossa vontade de mudança; neste momento, não adianta fingir que nada acontece, ou desculpar-se dizendo que ainda não estamos prontos. O desafio não espera. A vida não olha para trás. Uma semana é tempo suficiente para sabermos decidir se aceitamos ou não o nosso destino.

     


Release de Caçadores de Bruxas:
Nova Ether é um mundo protegido por poderosos avatares sob a forma de fadas-amazonas.
Após uma caçada, centenas de bruxas foram levadas à fogueira, e por quase 20 anos Nova Ether acreditou na Paz. Há alguns anos, contudo, coisas estranhas começaram a acontecer, despertando o medo de uma tenebrosa Era Antiga. E de tudo que ressurge com ela.

Uma menina vê a própria avó ser devorada por um lobo marcado. Dois irmãos comem estilhaços de vidro como se fossem passas silvestres e bebem água barrenta como se fosse suco, envolvidos pela magia escura de uma antiga bruxa canibal. Um navio pirata esquecido retorna aos mares com um obscuro sucessor, disposto a se envolver com forças escuras por uma surpreendente razão. E duas sociedades criminosas entram em guerra, dando início a uma intriga que irá mexer em tristes mistérios da família real.
E mudará o mundo.
Com diversas referências à cultura pop, que vão de séries como Final Fantasy a contos de fadas sombrios, passando por bandas de rock como Limp Bizkit e Nirvana, o autor constrói uma narrativa em que romances, guerras, intrigas, fantasias e sonhos juvenis se entrelaçam para construir o final poético de um fantástico quebra-cabeça.
Dragões de Éter nasceu do desejo de trazer para a literatura uma história de fantasia que resgatasse o espírito sombrio e juvenil por detrás da antiga “Caverna do Dragão”, animação que se tornou referência para a sua geração.

O autor:
Raphael Draccon começou a carreira profissional aos 16 anos, como digitador de um jornal de bairro. Aos 18 anos ingressou na Faculdade de Cinema, onde se dedicou na especialização da escrita cinematográfica. Em 2001, no primeiro período de faculdade, recebeu uma Menção Honrosa da American Screenwriter Association (ASA), pela co-parceria em seu primeiro roteiro de longa-metragem, o drama sobrenatural In Your Hands. Ao longo desse tempo se tornou roteirista e avaliador de roteiros de projetos nacionais e internacionais envolvendo grandes produtoras, como Conspiração Filmes, O2 Filmes, Aquarela Filmes e Intervalo Produções. Escreveu seu primeiro romance, “Dragões de Éter”, aos 22 anos, ainda durante os tempos de faculdade. Aos 24, adaptou o romance “O Futuro da Humanidade”, do mega-bestseller Dr. Augusto Cury, ainda em fase de pré-produção. Aos 25 anos tornou-se o autor mais jovem a assinar com a editora Planeta do Brasil, e também a primeira investida da editora no setor literário de fantasia. Acumulando prêmios e indicações em concursos de roteiros e contos, Raphael Draccon atualmente se divide entre escrever para o mercado literário, o audiovisual e o de quadrinhos.


Release:
A editora Tarja lança de Roswell a Varginha”, do escritor Renato A. Azevedo. O livro apresenta uma história sobre OVNIS, que remonta ao famoso caso de Roswell, nos EUA, e o relaciona ao caso Varginha, no Brasil. Os alienígenas são um dos temas mais freqüentes nos meios televisivos e impressos, com milhares de referências e suposições apenas nos últimos 50 anos. Em janeiro de 1996 o Brasil foi o pilar de uma das maiores investigações sobre o tema, quando ocorreu o avistamento de vários seres extraterrenos na cidade mineira de Varginha. Toda a documentação a respeito desse caso foi arquivada sob sigilo e afastada do conhecimento público. Hoje, a Casa Civil da Presidência da República, está sendo pressionada para efetuar o acionamento da Lei 11.111/2005, que trata da salvaguarda de documentos sigilosos. Vários documentos estão para serem liberados. Antecipando-se a alguns deles, Renato Azevedo preparou um romance, onde trata desses temas polêmicos e, mais do que nunca, atuais. Unindo especulação a dados reais, é possível criar uma trama onde as Forças Armadas Brasileiras e até mesmo o governo norte-americano são esmiuçados e pressionados a apresentarem toda essa documentação e, acima de tudo, explicações sobre os casos de Roswell e Varginha.

 

O autor:
Renato A. Azevedo é engenheiro, e entusiasta da Ficção Científica e Fantasia. Foi membro do Conselho Editorial da Revista Ufo, como consultor de Ficção Científica, ciências e astronomia. Em 2001 tornou-se colaborador da Revista Scifi News, onde foi responsável pela coluna Espaço Ovni. Além disso, também é co-editor do site Aumanack, e escreve periodicamente para o blog Escritor com R. Já escreveu oito livros de Ficção Científica e duas coletâneas de contos.  De Roswell a Varginha é o romance que inicia um novo universo de sua criação.

Release:
Em verdade, os sistemas políticos e sociais do mundo pendem entre ramos opostos do pêndulo: controle central rígido e dirigista ou anarquia incoerente (no sentido fisico, o da não-coordenação de esforços e direção).
Nunca em toda a história da humanidade hodierna se esteve tão próximo de um controle total de todos os subsistemas humanos. E nunca também se esteve mais cônscio da grande diversidade dos modos de vida possíveis. Mesmo assim, ainda restam muitas culturas e aspectos ocultos a serem conhecidos. A narrativa se baseia num período histórico ainda mais adiantado no tempo que o nosso. Considerando que a humanidade tenha conseguido resolver alguns de seus problemas de gerenciamento, podem vir a existir muitos outros, ou ao menos em quantidade suficiente para nos preocuparmos daqui até a dois séculos. Nesse cenário, um grupo de pessoas que não conseguiram morrer, e que apesar de seguirem seus caminhos individuais se reunem de tempos em tempos para um bate-papo e atualização das novidades, sofre um atentado. Isto põe em questão a fragilidade que albergam os que estarão à margem deste estado atual de evolução da raça humana. Quer para melhor ou quer para pior. Uma pequena imortal, num arroubo de decisão, junta um grupo de pessoas que são não só talentosas como perseguidas por seus talentos, contra mais uma tentativa “Robespierreana” de moldar os padrões culturais do mundo em nome do paradigma de uma “adaptação aos novos tempos” -  A Era de Aquário ou a Nova Aurora.

No fundo deste conflito entre os que pretendem uma unidade forçada da raça humana, mesmo que sob altos princípios, e os poucos que tentam manter uma visão tolerante às diferenças e ao caos, residem os observadores da evolução humana. Eles mesmos não sendo imortais, porém especiais, e fazendo parte de uma comunidade vigilante que sempre esteve presente ao longo da história, tentam observar e só guiar em último caso.


Trecho do livro:
“Unidade, Re-Unificação, Yoga, Religare, Hierarquia. Pluralismo, Número, Biodiversidade, Teoria do Caos, Fractalização, Sinergia. Palavras…
Um milagre termodinâmico, a convivência harmoniosa de elementos diferentes entre si, produzindo algo que lhes é superior. Como quando as partes estão coordenadas rumo ao objetivo do todo. Como quando se escala uma montanha sem cordas, quando basta um passo em falso só para se deslizar até o fundo. Toda a atenção concentrada em cada passo dado, esquecendo-se do objetivo.
A preponderância hierárquica e o controle do centro se torna um sopro de ilusão frente à doce e crua realidade.  Àquela mesma realidade que afirma ser a multiplicidade um bem em si, tanto quanto o é a unidade de direção. O segredo da coordenação talvez estivesse na unidade de propósito em um tempo e na multiplicidade ao longo de sua variação. Fácil de falar e tão difícil de realizar quanto andar sobre o fio de uma navalha… Várias imagens correm pela escrínio de uma consciência, em golfadas, despertadas dos estratos inconscientes de sua totalidade: Branco em “fusain” na palheta de Rembrandt…
As Deusas da Beleza resplandescentes, surgindo do mar, Aphrodite e Lakshmi, a primeira da espuma branca da criatividade do céu, a segunda sobre um lótus flutuando sobre o leite cósmico…As duas confundindo a razão dos homens. A cambiante cauda do pavão mantendo as cores próximas, as fundindo em “degradé”, sem degradação tonal…
O expresso trans-siberiano, com seus vagões multicores a rolar pela estepe branca…o vapor de suas caldeiras cristalizando em sextavados de neve. Um arco-íris duplo com sua panóplia de cores ordenadas…
Perfumes agridoces… A tentativa de unificar aquela sobrenadante e vigorosa massa de informação provocava-lhe estranhos efeitos colaterais. Mas sua mente foi, é e sempre seria obcecada pela idéia do Um. 
Um, sob as estrelas, que são tantas. E, como o tempo, as imagens passam com largos passos. Parecia ter sido há tão pouco… Os ciclos celestes têm ritmos que passam gloriosos sobre a pálida e ao mesmo tempo tão promissora superfície do mundo, em sua azáfama superficial”.



Sinopse:
Uma coleção de 17 histórias antológicas sobre todos os tipos de temores humanos, centralizada sobre os monstros que assolam nossa imaginação, e principalmente, nossa realidade. Uma compilação de histórias com dezenas de estilos distintos de narrativa e forma, cada uma com um recurso diferente de linguagem, selecionados e criados especialmente para imprimir um ritmo diferenciado ao conjunto final. A cada conto lido o leitor vai ganhando uma percepção diferente das monstruosidades inerentes ao ser humano. Com algumas tramas tão oníricas quanto uma neblina, outras tão densas quanto o concreto dos grandes centros urbanos, os contos surpreendem justamente por essa diversidade moldada. Um dos livros de contos mais bem recebidos pela crítica, onde se brinca internamente que o fato foi gerado pelo medo, que se impregna tão fortemente quanto os conceitos de monstros que o livro revela. E eles são reais.

Trecho do livro, extraído do conto No fio da navalha.
“Por ocasião, vou lhe dizer que é apavorante trabalhar neste lugar. Fora o cuidado ao se mover, também é necessário olhar bem onde se senta. Mas isso é simples, adquire-se o hábito depois do terceiro ou quarto corte”.

Resenha no Aguarrás.

 

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Release:
Lordes de Thargor, o Vale de Eldor é o primeiro romance do escritor Roberlandio A. Pinheiro. O livro narra as aventuras de Deiv Martins, um jovem comum que, à exceção de sua constante falta de memória, não tem nada de muito diferente ou especial. Com 18 anos ainda incompletos, ele se divide entre a correria do trabalho no centro de São Paulo e a relativa calma da vida no subúrbio, onde mora com a mãe num pequeno sobrado caiado e de muros baixos. Seus grandes projetos são simples e consistem basicamente em subir de cargo na empresa, ganhar um salário melhor do que o atual e convencer a mãe a fixar de vez moradia num único lugar. Sua vida é, enfim, simples e sem grandes novidades.

Porém, numa noite tudo muda radicalmente.
Após uma acalorada discussão com a mãe por causa das constantes mudanças e da ausência de histórias sobre o pai que não conhece, Deiv sai aborrecido porta afora e, sem querer, vê uma estrela cadente riscar o céu e cair sobre a colina atrás de sua casa. Ao chegar ao local da queda ele descobre, no lugar da estrela, um artefato de metal escuro que vai virar sua vida de ponta cabeça. Ao pegá-lo, o pequeno objeto — um talismã de quatro braços e cinco pedras brilhantes — lhe revela seu primeiro segredo: uma pequena imagem viva de uma sereia azul. Porém, ele também o expõe a um perigo antigo e, na mesma noite em que Deiv se encanta com o ar de mistério que envolve aquele objeto, sua vida é ameaçada por uma terrível criatura de asas negras que aparece do nada e o ataca ferozmente.

Em meio à destruição de seu quarto e a quase morte de sua mãe, que desesperadamente tenta defendê-lo, outra inesperada visita surge diante dele: um estranho guerreiro de pele azul entra em cena e salva a ambos das garras da enorme criatura alada.
Deiv acorda no dia seguinte com a certeza que tudo não passou de um sonho ruim, até se descobrir numa cama de hospital com o braço engessado e se deparar novamente com o estranho homem azul, que lhe conta sobre a existência de um lugar muito diferente do qual ele está acostumado; um mundo feito de magia que existe em paralelo ao mundo dos homens.

Ao retornar para casa, ele se vê as voltas com outra curiosa surpresa: além de reencontrar Háriel, seu salvador, encontra também um sorridente anão em sua companhia. O mago, chamado Namesin, após certificar-se de que o talismã encontrado por ele trata-se realmente da Pedra de Zhar, um antigo amuleto de poder, lhe explica toda a história de Thargor, o mundo de onde ambos vieram. Através do mago, Deiv vê o nascimento de um mundo distante, suas maravilhas, o surgimento das raças que o habitam e as muitas guerras que o assolaram até sua quase completa destruição.
Descobre também que, por dois breves períodos da sua história, este reino mágico entrou em contato com outro graças à destruição do tecido do tempo e espaço provocado pela guerra entre deuses ancestrais e que, por isso, muito do que havia em um mundo foi atirado em outro. E, surpreso, nota que este outro lugar com o qual Thargor fez contato é a Terra.

O mago e o guerreiro então o convencem a partir em busca de respostas. Porém, antes de qualquer coisa é necessário encontrar os Primais, os Grandes Poderes de Thargor e assim evitar que uma nova guerra se inicie e ponha em perigo ambos os mundos. Mas, outros também procuram pelos Poderes e sua busca torna-se uma corrida contra o tempo.
Deiv, então, inicia sua jornada e encontra pelo caminho muitas maravilhas, novas aventuras e grandes perigos, entre eles seu primeiro vôo nas costas de um dragão.

Contudo, ele não está sozinho. Novos amigos juntam-se a sua busca, inesperados reforços que vão auxiliá-lo a carregar o fardo que caiu sobre seus ombros e guiá-lo através deste mundo novo e misterioso.
E, mais do que a certeza de que terá muitos e perigosos desafios pela frente, Deiv descobre que o valor da amizade e a necessidade de lutar pelo que se acredita é o combustível que move cada um de seus passos. E que a vida finalmente desenhou um propósito para ele: sua busca o pôs diante de um mundo de beleza indizível, cuja energia mágica vibra no mesmo ritmo de seu coração. Um mundo, contudo, ameaçado.
E somente sua força e fé podem fazê-lo permanecer vivo e livre.

Trecho do livro:
- O que, ou quem, são os Poderes do Mundo? Perguntou-lhe Deiv.
O pequeno ancião fitou-o, sério. O abajur iluminando-lhe parcialmente os pequenos olhos enrugados.
- Para que você entenda a magia dos Primais, Namesin terá de lhe contar uma longa história. Mas, antes, deixe que lhe faça uma pergunta.
E, aproximando-se mais dele, continuou:
- Você acredita em deuses?
- Eu acredito em Deus, respondeu prontamente Deiv.
- Bom, já é um começo, disse o mago.

O autor:
Roberlandio A. Pinheiro nasceu em Piquet Carneiro/CE e se mudou aos 11 anos para São Paulo, lugar em que mora atualmente.
Publicitário e desenhista nas horas vagas, desde muito cedo desenvolveu uma grande paixão pelas letras e pela literatura. O gosto pela escrita veio naturalmente e, no pouco tempo livre que sobrava entre as aulas e o trabalho, começou a escrever pequenos contos e histórias, cujas narrativas preenchiam praticamente todas as páginas da agenda escolar.
Lordes de Thargor, o Vale de Eldor é seu primeiro romance. Sua origem surgiu a partir da reunião de muitas destas histórias, escritas ao longo de quase cinco anos.

Compre o livro com desconto direto com o autor.

Leia o primeiro capítulo de Lordes de Thargor.

Entrevista para o site Cranik.

    


Release de A corrida do rinoceronte:
O primeiro romance de Roberto de Sousa Causo, autor de A Sombra dos Homens (Devir, 2004), é uma fantasia contemporânea sobre Eduardo Câmara, um brasileiro que vai trabalhar numa empresa de informática nos Estados Unidos. Na cidadezinha de South River, no norte da Califórnia, Eduardo sofre a tomada de consciência de uma si-tuação étnica que ele não assumira antes, e testemunha a aparição de um rinoceronte, que surge nos momentos mais inesperados — e com as suas próprias intenções. Essa é uma presença sobrenatural que passa a guiar Eduardo em uma série de situações que o levam não apenas a descobrir uma identidade racial antes abafada, mas também a con-frontar um problema ambiental naquela região americana.
Ele conhece Jennifer Adams, uma determinada (e bonita) policial, Sasha Bailey, uma desorientada adolescente com problemas com o tráfico de drogas, Seymour Bly, um desiludido intelectual negro — e uma galeria de outros personagens, que inclui Gordon Kellner, o ambicioso diretor da empresa e um dos patronos da cidade.
Em paralelo à questão racial e ao problema ecológico, há também a descrição do mundo das corridas ilegais de rua, com o qual Eduardo também se envolve.
Apesar de relativamente curto, é um romance variado em seus temas e conotações, indo de questões de identidade racial e cultural, à defesa do meio ambiente e à revolução da economia informacional.


Comentários sobre o livro:
“As questões raciais e de abuso de poder são… diretamente tratadas em A Corrida do Rinoceronte, de Roberto Causo, crítico e autor de fantasia e ficção científica… Um programador brasileiro é contratado para trabalhar em uma empresa de alta tecnologia no interior da Califórnia, onde se descobre vítima do preconceito racial ao qual sua pele relativamente clara lhe permitia escapar no Brasil. Ao mesmo tempo, apaixona-se por uma policial branca e gringa e é chamado a lutar por um ambiente que não é o seu, pela vida e felicidade de estranhos e contra mazelas éticas, políticas e sociais que a princípio não lhe dizem respeito. [O romance tem como] preocupação central… as questões raciais, a negação do outro, os rumos da história e o abuso e corrupção do poder.” – Antonio Luiz M. C. Costa, Carta Capital.

“A Corrida do Rinoceronte, de Roberto de Sousa Causo, uma fantasia contemporânea que foi o melhor livro dos três gêneros [ficção científica, fantasia e horror] por um autor brasileiro publicado em 2006… Certamente deve ser lido pelos leitores mais próximos da FC&F, como também por leitores em geral. Em especial pelos temas que discute, colocando questões interessantes neste mundo globalizado e cada vez menos comprometido com suas raízes, sejam elas históricas, culturais ou ambientais. E sem esquecer do necessário fantástico que a tudo desestrutura e transforma, que nos faz lembrar que a realidade como a percebemos é apenas um dos ângulos possíveis de entendermos um pouco mais o que nos cerca e desafia.”
— Marcello Simão Branco. Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2006.

“Roberto de Sousa Causo pode ser considerado um dos mais importantes autores da atualidade de Ficção Científica e Fantasia brasileiros… O autor nos apresenta um livro de fantasia contemporânea com um sabor especial, que nos faz ao mesmo tempo reconhecer e estranhar o nosso mundo… A Corrida do Rinoceronte é um excelente livro, leitura obrigatória para quem gosta de um bom romance, onde o realismo mistura com o fantástico para criticar a nossa sociedade contemporânea. Ler Roberto Causo é muito mais do que ler um ótimo romance, é refletir sobre a nossa vida e o nosso mundo.” — Marco Bourguignon. Scarium Online.

“A Corrida do Rinoceronte nos leva a refletir sobre preconceito, globalização e identidade nacional. Mais ainda: a história do brasileiro na Califórnia às voltas com a assombrosa aparição do rinoceronte de sonhos pode ser lida como um questionamento sobre a própria ficção especulativa brasileira. Como é produzir no Brasil um gênero que é pela maioria visto como produto exclusivamente estrangeiro? Nenhum desses questionamentos, contudo, entra no caminho do fluir da narrativa, antes colaborando para seu natural desenvolvimento.” — Ramiro Giroldo, Universidade Federal do Mato Grosso do Sul.


Release de O Par:

Oscar Feitosa é um jovem que tem sua identidade desfeita pelo contato com o alienígena. Na tentativa de recompô-la, ele vaga por uma paisagem transformada, que põe em cheque os mitos nacionais e o faz reencontrar os pesadelos do passado. Como em um Coração das trevas brasileiro, em sua jornada de contornos conradianos Oscar tem como companheira a reencarnação de seu sonho mais querido – que faz com que ele torne a enfrentar o lado mais sombrio do seu caráter – a violência sempre presente, a incapacidade de se comunicar com o outro.

 

Release de Ficção Científica, Fantasia e Horror no Brasil:
Poucos sabem que a ficção científica, fantasia e horror têm estado presentes nas letras brasileiras desde o século XIX. Este estudo acompanha o desenvolvimento dessa literatura até 1950, comparada à produção internacional, levantando as principais influências, divergências e a sua originalidade potencial no Brasil. Registra as suas raízes, sua história e a qualidade mítica nela presente, observando que as obras nacionais mais interessantes são aquelas que se realizam a partir de uma ‘distância ideológica’ estabelecida diante da influência estrangeira.

Apesar de ser circunscrito ao período de 1875 a 1950, o estudo freqüentemente recua para o passado ou avança para uma fase mais moderna, mencionando autores ainda em atividade. O livro traz ainda um caderno com ilustrações e reproduções de capas de livros e revistas, a cores, e ilustração de capa de Henrique Alvim Corrêa, o primeiro ilustrador brasileiro de ficção científica.

 

Comentários sobre o livro:

“Sem nada da estrutura rígida e indigesta de uma típica tese acadêmica [Ficção Científica, Fantasia e Horror no Brasil] é uma leitura agradável e reveladora para aficcionados da FC e da cultura brasileira e uma nova referência para historiadores da cultura e críticos literários.” – Antonio Luiz M. C. Costa, revista CartaCapital.

“Sem dúvida, uma séria pesquisa. Daqui por diante será documento imprescindível dentro de qualquer análise do assunto.” – André Carneiro, autor de Introdução ao Estudo da “Science Fiction”.

“A modernidade na periferia leva a um tipo de inventor fantasioso… que lida continuamente com a insuficiência das condições materiais… Resta, no entanto, o vôo da fantasia, a criação literária que propõe não o discurso da ciência e sim um discurso que imita a ciência e, assim fazendo, recria os mitos da narrativa tradicional… Daí o grande interesse despertado pela monografia pioneira de Roberto Causo sobre a história da ciência-ficção no Brasil.” – Albert von Brunn (Biblioteca Central de Zurique), Iberoamericana IV, 13 (2004).

        

Renascimento

Release:
Um misterioso homem, Dr. Varshae, que se apresenta como pesquisador dos sonhos procura Roger Briggs, o filho de um casal de cientistas mortos no 11 de Setembro, para propor um negócio. Ele quer ser o novo sócio de sua loja virtual e ampliar a empresa. Em troca de todo o dinheiro que Roger necessita ele faz apenas uma exigência: que ele passe o fim de semana com ele em Roma, para comemorar.
Roger aceita relutante e leva sua noiva Liz e a irmã desta Emile, duas britânicas que perderam seus pais durante os ataques de sete de julho. Emile é recém-convertida ao Kardecismo e percebe algo de estranho no Dr. Varshae. Pouco antes de embarcar ela é procurada por um misterioso frade franciscano que quer alertá-la de um perigo, o que a deixa ainda mais desconfiada.
Quando Liz e seqüestrada numa pensão próxima ao Vaticano, Roger e Emile são obrigados a seguirem viagem até Florença, a cidade berço do movimento conhecido como Renascimento. Em pleno museu Uffizi, em meio ás obras de Boticelli, eles encontram Frei Cello, a mente pro trás das manipulações, que acredita ser a reencarnação do frei Savonarolla, que promoveu as Fogueiras das Vaidades há tantos anos. Ele crê que Roger seja a reencarnação de Lorenço de Médici, patrono de nomes como Leonardo da Vinci e Michelangelo. E ele precisa saldar seus débitos para poder seguir em frente.
Mas por que Roger acha que o frei, na verdade, é seu pai morto no 11 de setembro? E qual é a verdade sobre Varshae, que revela ser Ahasverus, o judeu errante condenado por Cristo a vagar na Terra até Sua Segunda Vinda?
Recheado de citações do Livro dos Espíritos, esta aventura é totalmente inspirada em ensinamentos kardecistas e mostra que antigos débitos sempre voltam para assombrar, quer você queira ou não. Uma verdadeira Conspiração Renascentista.

Trecho – Capítulo 1:
Roger Briggs (cujo nome verdadeiro é Rogério Brigstein) andava de um lado para o outro em seu escritório localizado na zona oeste de São Paulo. Tinha trinta anos, 1,80 de altura e seus oitenta quilos eram bem distribuídos, fazendo-o parecer mais jovem do que realmente era. Vestia calça jeans e camisa estampada, além de usar mocassins novos. Seu tempo como proprietário do site multimarket.com havia rendido não só fama como também o havia colocado numa posição de destaque como um dos empresários de Internet mais promissores do Brasil. Os altos e baixos de uma empresa que opera na Internet conseguem minar as atenções de qualquer um, mas Roger foi capaz de manter braço firme na direção. Assim, o multimarket.com conseguiu se firmar como a maior e melhor loja de departamentos na rede mundial, atendendo a todo o país.
Roger estava tenso. Sabia que, apesar de tudo, era hora de ter um sócio. Mas os tempos eram difíceis. Muitos impostos levavam a muitas preocupações. Ainda assim, quando parava para pensar, chegava à conclusão de que não havia se saído tão mal. Principalmente depois que veio para o Brasil, onde passou cinco anos construindo a empresa com o dinheiro que havia recebido como indenização pela morte de seus pais.
Roger sentou-se em sua mesa com um copo de uísque na mão. Tinha orgulho do que havia construído em tão pouco tempo. Mas também trauma sobre como havia chegado ali. A vida não foi nunca fácil para esse filho de israelenses. Os conflitos em seu país natal não cessavam, e seus pais tomaram a difícil decisão de emigrar para onde acreditavam ser a terra da oportunidade: a América do Norte, mais precisamente
os Estados Unidos. Ele nunca havia confiado no governo de George W. Bush. Naquela época, com apenas 25 anos e muita vontade de aprender, Roger quis ver na terra do Tio Sam a oportunidade de começar uma nova vida. Seu pai, um cientista ligado à Universidade de Yale, aceitou a bolsa de estudos que permitiu levar sua esposa e fi lho para o novo país.
Até o fatídico 11 de setembro de 2001.

 

Sociedades Secretas – O submundo

Release:
Quatro anos se passaram desde o fim trágico do livro anterior. O autor está casado com Angela e vive de seus livros. Seu editor resolve pedir uma continuação do livro quando misteriosos assassinatos envolvendo os líderes das principais sociedades secretas começam a aparecer na mídia.
Determinado a investigar o que está acontecendo, o personagem entra clandestinamente no submundo das sociedades secretas em busca da verdadeira identidade do culpado pelas mortes. Encontra o irmão gêmeo de Gabriel, Rafael, que também quer sua ajuda para descobrir o que realmente aconteceu com seu irmão. E tem um confronto com a misteriosa e sedutora líder da Golden Dawn, Janete, que anseia por assumir o cargo de hierofante, uma posição eleita pelas várias sociedades secretas que escolhem aquele que será o líder de todas em momentos de crise.
Porém a investigação coloca sua própria vida em risco, bem como seu casamento com Angela. Agora ele deve correr contra o tempo para conseguir salvar sua vida, a de seus amigos, entender várias pontas soltas do romance anterior e ainda voltar para Londres em busca de uma maneira de deter o esquema pro trás dos assassinatos.
Neste livro o leitor conhecerá mais informações sobre sociedades secretas já conhecidas (maçonaria, illuminati, teosofia, skull and bones) e algums inéditas, como as sociedades secretas árabes (Tariqa), a Golden Dawn, a Astrum Argentum, a Ordo Aurum Solis, xamânicos, entre outras.

Trecho – Capítulo 1:
- Espere!
Tomei um susto e verifiquei que se tratava de Eduardo. Vinha afobado com um papel na mão.
- Desculpe, meu caro, mas vou precisar de mais alguns minutos do seu tempo. Acabei de receber um comunicado da diretoria e preciso muito lhe falar.
Estranhei. Eduardo sempre foi do tipo discreto, mas agora era um homem completamente agitado que estava na minha frente. O que poderia ser tão urgente?
- O que foi, homem? Fale logo!
- Vamos ter que colocar esse seu livro de história do rock em suspenso. Há interessados em um outro projeto literário que somente você pode escrever.
O elevador chegou e ele entrou. Fez um sinal para mim:
- Venha logo! Vamos até a padaria da esquina para conversarmos.
Entrei, ainda sem saber o que pensar. O que poderia ser de tão interessante para ele vir daquele jeito atrás de mim?
- Por que não podemos conversar na sua sala? – Perguntei, sem nem pensar o motivo pelo qual perguntava aquilo.
Ele me olhou sério e depois para o papel que tinha em mãos.
- Porque este projeto é secreto e pode significar muito para você em vários sentidos. Se você realmente não quer ser um Dan Brown da vida, esta pode ser sua chance.
Quando o elevador finalmente chegou no térreo e a porta se abriu minha curiosidade estava a mil por hora. Eduardo saiu na frente e nem olhou para trás. Com certeza esperava que eu o seguisse. Porém não conseguia entender todo aquele mistério. A tal padaria, uma do tipo sofisticado que misturava restaurante e bar, ficava bem na esquina do quarteirão onde estava o prédio da editora. O celular tocou e atendi, ainda seguindo-o.
- Onde você está? – Era Ângela, já preocupada. – Preciso falar com você antes mesmo de voltar ao trabalho.
Ela era, agora, assessora de imprensa de uma empresa especializada em eventos. Parecia bem com seu trabalho, mas de vez em quando batia nela uma certa insegurança. Era quando ela me ligava para poder conversar. Afinal, antes daquele emprego, o único universo que ela conhecera era o das sociedades secretas, que hoje a consideravam como uma espécie de traidora, já que ela resolvera sair dos Illuminati e admitira em público que me ajudara (e muito) no relato publicado em livro. Seus superiores, incluindo Adam, não a perdoaram por se entregar de volta ao “mundo profano” depois de ter sido iniciada.
- Calma, querida, estou aqui numa padaria próxima à editora com o Eduardo.
- Esse idiota? – Ela realmente não escondia que não ia com a cara dele. – O que ele quer? Não te alugou por tempo suficiente?
- Sei lá. Mas vou ter um papo rápido com ele e quando estiver a caminho de meu encontrar com você te ligo avisando.
Ela ficou quieta por alguns segundos e então respondeu:
- É bom mesmo você se livrar dele. Temos um assunto bastante sério para discutir.
Eduardo sentou-se numa mesa e fez sinal para que eu fizesse o mesmo. Pediu uma coca-cola e ficou encarando o papel.
- Outra crise? – perguntei, enquanto me sentava. – Meu bem, isso não é nada…
- Pior. Adam está morto. Foi assassinado num ritual ainda desconhecido. E os Illuminati querem minha ajuda para investigar o caso.
Senti um arrepio tremendo percorrer minha espinha.
- Quando? Onde? Como? Por que?
- É sobre isso que quero lhe falar. A coisa foi feia. Livre-se desse mala sem alça do seu editor e venha se encontrar comigo.
- Assim que puder. Falamo-nos depois.
Desliguei ainda atônito com a notícia. Eduardo percebeu e perguntou:
- Algo grave?
- Nada que não possa esperar. Mas você disse sobre um projeto? O que é?
Ele me empurrou finalmente a folha enquanto apanhava a coca do garçom. Olhei para o papel e vi que era o recorte de uma notícia da Folha de São Paulo. Dizia: 

 EMPRESÁRIO PAULISTA MORTO EM RITUAL SECRETO
O empresário paulista Adão Rodrigues, 47, foi encontrado morto esta manhã em circunstâncias misteriosas em sua casa no bairro do Morumbi, zona sul de São Paulo. Rodrigues era conhecido por ser um dos donos de clubes noturnos mais influentes da noite paulistana. Nunca apresentou nenhum histórico de problemas com a polícia ou com qualquer atividade ilícita.
As autoridades declararam que o motivo do crime, considerado bárbaro, ainda está obscuro para eles. Rodrigues foi encontrado em cima de uma mesa na sala de jantar. Estava com os braços e pernas amarrados e esticados. Seu abdome foi aberto e suas entranhas estavam espalhadas por todos os lados. Acima de sua cabeça havia alguns caracteres em aramaico. Na parede um desenho feito com o sangue da vítima retratava um olho de Hórus, símbolo comumente associado com o oculto e com sociedades secretas.
A polícia está se encontra na fase de interrogatório, mas já levantou a suspeita de que membros de sociedades como a maçonaria ou os templários possa estar envolvido
.

 

Sociedades Secretas

Release:
Uma história cheia de suspense e mistério. O personagem central, que se confunde com o próprio escritor, recebe uma proposta para publicar um livro de entrevistas sobre as principais sociedades secretas conhecidas. Com a ajuda de seu amigo Gabriel, que já teve contato com as sociedades anteriormente, embarca numa viagem em busca de conhecimento.
No caminho eles conhecem a misteriosa Oráculo, uma ex-namorada de Gabriel, que também é a líder da misteriosa sociedade conhecida como O Processo. Convencido por ela, Gabriel larga tudo para se tornar o novo líder do Processo.
Enquanto isso o autor conhece a bela Angela, representante dos Illuminati, e com ela embarca numa misteriosa viagem à Inglaterra, França e Itália. Lá eles deverão participar de uma misteriosa Caça ao Tesouro em busca dos diários perdidos de Aleister Crowley, William Blake e do Conde Cagliostro.
A busca pelo poder, entretanto, toma conta de Gabriel, que fará de tudo para se tornar o líder supremo do Processo, perdendo sua inocência e suas amizades durante toda a história até o desfecho trágico no Castelo de Sant´Angelo, em Roma..
Várias sociedades secretas passam pelo livro, entre elas Os Illuminati, Priorado de Sião, Carbonários, Skull and Bones, Rosacruz AMORC, Maçonaria, Teosofia, Templários, Templo do Vampiro, entre outra.
Descubra as informações mais comuns e algumas não tão comuns neste livro que já vendeu mais de oitenta mil cópias até o momento.

Trecho – Capítulo 1:
“Já parou para pensar nas ligações entre o Priorado de Sião, Hugo de Payens, os Cavaleiros Templários, Maria Madalena, Rennes le Chateau, o clã escocês Orkney e outros?”
Olhei sem entender para Gabriel. Na agência de publicidade em que trabalhamos temos uma certa liberdade de discutir assuntos que podem, em outros lugares, serem um tanto polêmicos. E Gabriel era o verdadeiro especialista no assunto. Sempre discutimos sobre os mais diversos pontos esotéricos e ambos éramos fissurados em debater sobre sociedades secretas. Depois que uma colega nossa apareceu com um exemplar de O Código da Vinci embaixo do braço, praticamente não paramos de falar sobre o assunto.
Até aquela manhã, quando fomos ambos convidados para juntarmo-nos ao famoso site de relações pessoais Orkut.
Aceitamos o convite sem saber o que esperar de uma página de internet dedicada a classificar amigos e ver quem tinha o índice de popularidade mais alto. Gabriel foi o primeiro a se inscrever e navegar pelas páginas que, nem sempre, ficam no ar. Nada que já não havia visto em outros sites de bate-papo ou mesmo de fóruns.
Foi quando algo me chamou a atenção: as chamadas comunidades. Páginas que reúnem interessados num mesmo assunto e fazem com que idéias sejam trocadas, opiniões exprimidas e encontros marcados. Sou jornalista e trabalho como redator. Qualquer ferramenta que possa me colocar em contato com fontes é bem vinda, por isso quis saber mais sobre o site.
- Já sei – disse a Gabriel – Dá para procurar uma comunidade por um determinado assunto?
- Parece que sim – respondeu ele sem tirar os olhos do horrível tom azul calcinha que domina o site – O que você quer achar?
- O que você me diria se encontrássemos mais loucos que, como nós, se interessam por sociedades secretas?
- Parece que, aqui, tem de tudo. Vamos tentar.
Ele clicou em Search e digitou em inglês “secret orders”. Uma comunidade baseada na Inglaterra apareceu e demos uma olhada. Foi de lá que apareceu o texto de abertura que citei acima. Dei risada e olhei para Gabriel com ar misterioso:
- A ligação parece óbvia, meu caro. A Ordem de Sião protege o suposto casamento de Jesus com Maria Madalena, registrado em documentos guardados pelos Cavaleiros Templários, ordem de Hugo de Payens, encontrados nas ruínas do Templo de Jerusalém.
- E onde diabos entra o resto dos itens citados?
- Como vou saber? Nem sou iniciado.
Gabriel parou de digitar e olhou-me sério.
- Sabe que tenho um tio maçônico? De vez em quando ele deixa escapar algumas coisas sobre a ligação entre a maçonaria e os templários. Mas nunca sei se ele fala a verdade ou apenas contribui para a propagação do mistério maçom.
- Se é seu parente você poderia também entrar. Nunca pensou nisso?
- Já, mas meu negócio é outro. Prefiro ir aos encontros de jovens que a Igreja Católica promove. Pelo menos é mais aberto e não tão cheio de segredos.
- Mas, meu caro, o que mais atrai as pessoas a este assunto é justamente a aura de segredo que essas sociedades possuem. Será que O Código Da Vinci seria o sucesso que é hoje se não possuísse esse ar?
- Se levar isso em conta Harry Potter é tão misterioso quanto o Código.
Ri da comparação. Gabriel tinha nome de anjo e freqüentava a juventude católica, tendo já comparecido a encontros mundiais na Europa, promovidos pelo Vaticano. O cara era mesmo bem atípico e sugeria alguns itens de debate que não teria pensado por mim mesmo.
O que me dava uma idéia…
- Ei, Gabriel, que tal bancar o agente secreto?
- Como é? Tá maluco?
- Não, não estou. É uma idéia que me surgiu agora. Primeiro, tenho que acionar um contato meu, depois te falo.
Voltei correndo para minha mesa e procurei minha agenda eletrônica. Achei o número de um certo contato de uma editora de livros e liguei. Não preciso dizer o quanto ele achou a idéia maluca mas que poderia dar certo se tivéssemos o material adequado. Claro que isso iria denotar um certo cuidado, pois o terreno dessas ordens é perigoso para quem não é iniciado, o que poderia nos colocar numa situação perigosa. Mas a perspectiva de sucesso estava no ar. Voltei para a mesa de Gabriel e puxei uma cadeira. Expliquei em detalhes o que pretendia e ele me olhava como se eu acabasse de ter sido mordido por uma cobra e estivesse delirando.
- Um livro contando como são as ordens secretas vistas por dentro? Você realmente deve ter pirado.
- Não, não pirei. É claro que não dá para fazer sozinho, pois o melhor é nos revezarmos. Dependendo do lugar dá para irmos juntos ou sozinhos. Depois é só juntar os dados colhidos, montarmos os capítulos e temos um trabalho digno da lista dos melhores best sellers!
Ainda assim Gabriel me olhava desconfiado.
- Meu caro, pense bem. Não estamos nas páginas do Código nem numa aventura filmada para os cinemas. Isto é a vida real. E se sofrermos alguma perseguição?
- Você mesmo disse que o que o Código afirma sobre o Opus Dei não corresponde à verdade, não é?
Estava me referindo ao fato do livro de Dan Brown colocar esse braço da Igreja Católica como um dos responsáveis pela perseguição dos personagens principais, ameaçados de morte, por um monge albino. Gabriel riu ante à lembrança e repetiu:
- E é mesmo. Mas estaremos indo atrás do que? O Santo Graal está na Inglaterra, alguns mistérios dos Templários estão na França e mesmo os Rosacruzes já não são mais o que eram.
Dei de ombros.
- O templo deles em São Paulo sempre me pareceu extravagante o suficiente. Quero dizer, aquelas entradas com esfinges de ambos os lados do caminho, a enorme porta dupla de bronze e os símbolos. Dei uma olhada no site deles. Falam tanto de amor e fraternidade que chega a ser chato. Mas mesmo assim eles devem ter um motivo para manter uma aparência assim, não acha?

 

  

Os Heróis de Esparta

Release:
Em 480 a.C. as tropas de Xerxes, rei do Império Persa,prepararam-se para invadir a Grécia.
Derrotados alguns anos antes, na Batalha de Maratona, os persas pareciam ter desistido desse intento, até que o novo monarca resolveu vingar a humilhação sofrida por seu pai.
Apenas uma liga de cidades-estado gregas, lideradas pela poderosa Esparta, resolveu opor-se ao invasor. O palco escolhido foi o Desfiladeiro das Termópilas, na Grécia Central, que ficaria para sempre marcado pelo sangue daquela batalha e pelo heroísmo de seus combatentes.
A história, nos relatos de Heródoto, imortalizou o conflito na pessoa do rei Leônidas, e de sua guarda pessoal, conhecida como os 300 de Esparta. Mas poucos sabem que muitos outros representantes de diversas cidades morreram junto aos espartanos.
Em 191 a.C., às vésperas do quarto conflito a ocorrer naquele mesmo cenário, desta vez enfocando os romanos, um aluno da Escola de Heródoto, um macedônio chamado Filipe, é escolhido para acompanhar a nova batalha e registrá-la. Ansioso para cumprir com seu dever, ele parte em busca de alguém que possa ajudá-lo a entender melhor como realizar sua missão. Conhece, então, o organizador oficial de documentos do Senado, Cláudio Germânico, que, interessado na missão de Filipe, resolve contar o que sabe a respeito do clássico confronto das Termópilas. Com a ajuda de um amigo mercador ateniense e de um bardo grego quase cego, Cláudio dá uma aula e conta a Filipe e seus colegas a verdadeira história da Batalha das Termópilas.
Um relato fascinante que conta o episódio como ele realmente aconteceu. Uma ficção baseada nos escritos de Heródoto e Plutarco. Uma história que vai além da obra de Frank Miller e dos filmes acerca do assunto.

Trecho – Capítulo 1:
Filipe da Macedônia (não o rei, mas o filho de pastores pobres) largou a pátria de seus antepassados e de seus pais para se arriscar numa cidade maior que lhe desse a oportunidade de crescer e desenvolver seus dotes intelectuais, considerados bons demais para a sociedade pastoral onde nasceu. Foi inicialmente idéia de seu pai que, ao verificar a pouca habilidade do filho de se imiscuir nos meios militares, decidiu que ele partisse para Roma a fim de se tornar o que quisesse, desde que estivesse ligado a uma atividade intelectual.
De fato o pai de Filipe, que se apoiava no filho mais velho Parmênio para lhe ajudar, liberou o mais novo com muito pesar. Há muito tempo não aparecia alguém assim em sua família, com talento para atividades intelectuais. Mas o velho sabia que, com a situação de seu país se deteriorando e com um governo fraco, logo eles se tornariam província romana. De fato isso aconteceu pouco tempo depois que nossa história se iniciou.
O fato é que Filipe foi estudar com ninguém menos que Marcus Agrappa, que pertencia a uma linhagem de historiadores ensinados pelo próprio Heródoto, chamado de pai da História. O ano era 196 a.C. Filipe contava com 23 anos, estava fora de casa há uns três anos e contava com um aspecto que seus pais,s e o vissem, nem reconheceriam: alto, magro, cabelos negros, ar intelectual, vestindo togas brancas que mais pareciam as roupas de um senador.
Não demorou muito para que Agrappa notasse que seu aluno era especial. Tinha um poder de observação tremendo e sabia relacionar fatos antigos com os atuais. Sua lógica era irrepreensível e tudo o que falava era levado a sério pelos demais alunos. Por isso não foi espanto para ninguém da escola quando, no final do ano 192 a.C., seu professor anunciou em público uma honra que muitos deles matariam para obter.
- Filipe foi o escolhido para acompanhar os cônsules Mânio Acílio Glábrio e Marco Pórcio Catão na campanha que ambos liderarão contra as forças de Antíoco III da Síria.
Todos aplaudiram com entusiasmo, pois a presença de um historiador numa batalha era uma honra que poucos recebiam. Filipe, porém, mostrou-se um tanto nervoso com a notícia. Agrappa, com seu ar de professor velho e sabido, calvo e gordo como somente os mais abastados patrícios romanos poderiam ser, viu a apreensão nos olhos do agora quase ex-aluno e resolveu chamá-lo para uma conversa em seu estúdio.
Lá, sentados em divãs e observando as águas de uma fonte jorrando no meio da sala, o professor foi direto ao assunto:
- Sinto que ainda pensas se deves ou não aceitar esta tarefa.
Filipe abaixou os olhos. Estava claro que sentia-se envergonhado por ter demonstrado de maneira tão aberta seus sentimentos. Mas não pronunciou uma só palavra.
- Conte-me o que lhe aflige, filho.
Agrappa sempre teve o hábito de tratar seus alunos como se fossem filhos. Sabia que essa tarefa era essencial para que pudessem proclamar Filipe como um historiador oficial da Escola. Mas a vergonha impedia que seu pupilo dissesse o que realmente acontecia em seu interior. O professor levantou-se de seu divã e aproximou-se dele. Colocou a mão no ombro e esperou pacientemente. Filipe parecia lutar com seus sentimentos. Quando finalmente falou, estava com as palavras embargadas por tristeza.
- Sei que isso é importante para o senhor e suas escola, e nem pensei na possibilidade de desonrá-lo. Mas por que partir para registrar uma batalha contra o rei da Síria que talvez nunca signifique nada a não ser mais uma oportunidade para Roma impor seu poder?
Agrappa sentou-se ao lado do aluno no divã.
- Esse é o problema de se pensar com sentimentos, Filipe. Você não consegue verificar muitas coisas e deixa que isso obscureça seu pensamento. A tal ponto que não percebe o quanto isso pode ser importante para seu crescimento.
- Meu crescimento? Como assim?
- Você leu sobre o assunto nos avisos do fórum?
- Alguma coisa. Por que?
- Quem é Antíoco III?
Quase mecanicamente o aluno respondeu:
- Antíoco III Magno, também conhecido como Antíoco Megas, o Grande, é um rei selêucida, de um estado helenístico que surgiu logo após a morte de Alexandre o Grande. O nome veio de um dos generais do conquistador, Seleuco. Antíoco é filho mais novo de Seleuco II Calinico e sucedeu a seu irmão Seleuco III. Casou-se com Laodice II, filha do rei Mitrídates II do Ponto e formou uma aliança com este reino. Fez frente à revolta de Mólon, governador da província da Média que se declarou independente. Ele abandonou uma campanha no sul da Síria contra o Egito para poder derrotar esse rebelde.

 

 Investigação Criminal

Release:
Tony Draschko é um jovem brasileiro filho de poloneses cujos pais morrem durante um assalto em São Paulo. Seu tio, comissário de polícia da cidade de Little Rock, no estado norte-americano do Arkansas, leva o sobrinho para viver com ele e sua esposa, Donna.
Lá ele estuda e desenvolve um gosto pela investigação criminal. E passa a esperar por uma oportunidade de obter um emprego como CSA (Analista de Cena de Crime) no laboratório local, um dos melhores dos Estados Unidos. Com sérios problemas emocionais devido à morte de seus pais, o psicólogo forense encarregado de examiná-lo libera-o em troca de sessões constantes para tratamento de seus medos.
Tony é chamado pelo tio para investigar o misterioso assassinato de um músico de blues num clube noturno. Ele e sua parceira embarcam então numa investigação onde ele usará os conhecimentos pessoais mais tudo que aprendeu como fã da série de TV CSI para capturar o assassino antes que seja tarde demais.
O livro, que foi revisado pela autora escritora forense Ilana Casoy, autora de Serial Killer: Louco ou Cruel? e Serial Killers Made in Brazil comentou:
“Se você é fã do seriado C.S.I., vai ler este romance de Sérgio Pereira Couto num fôlego só. Com informações preciosas sobre perícia científica permeando toda a história, é leitura obrigatória para os amantes da ciência aplicada na solução de crimes. E mesmo os mais experientes não adivinharão o final!”

Trecho – Capítulo 1:
Tony acompanhou-o com os olhos e viu quando ele sentou-se em sua cadeira, pegou o telefone e discou um número. Começou a falar baixo demais para que acompanhasse a conversa e sua atenção voltou-se de novo para a janela, pois a chuva continuava a cair e molhar os vidros. O ruído da chuva sempre havia exercido sobre ele um efeito calmante. Ficou assim por pelo menos cinco minutos e já estava quase fechando os olhos quando sentiu algo vibrando em seu cinto. Apalpou o suporte onde estava seu Pager e viu a mensagem:

“10-24 Exceter Club. 10-12. Possível 01”

Tony franziu a testa. Não lembrava de cabeça todos os códigos e abriu a carteira, onde guardava uma tabela usada pela polícia do Arkansas, fornecida por seu tio Colin. Consultou rapidamente e viu as referências:

10-24 Problemas em ___ todos para o local.
10-12 Policiais ou visitantes presentes.
01 Assassinato e homicídio não intencional

Estranhou a mensagem, que era despachada assim apenas para os CSIs. O que estaria fazendo isso em seu Pager?
Quando o dr. Mendes voltou, sentou-se na poltrona e falou com voz calma:
- Tony, sinto que estou a ponto de fazer algo que jamais havia feito e que pode comprometer minha carreira. Primeiro vamos esperar mais um pouco.
- Esperar? Esperar o que?
De repente o Pager voltou a vibrar. Quando Tony o pegou, não acreditou no que estava lendo:

“Apresente-se imediatamente no meu gabinete. Levarei-o até o chefe Nelson. Colin”.

Tony olhou para o dr. Mendes sem, entender:
- O que significa isso?
- Que você é um tipo bem interessante, Tony, e que pode ir mais longe do que você pensa. Você inspira confiança e isso é muito importante. Mas não pense que isso o isentará de vir aqui regularmente.
- O senhor está me dizendo…
- … que estou aprovando sua requisição para tornar-se um CSI, CSA, sei lá como você quer chamar. Seu tio e o chefe Nelson o encaminharão para sua primeira missão. As coisas já estão caminhando para você. Aproveite.
Tony levantou-se da poltrona e começou a encaminhar-se lentamente para a porta. De repente parou e virou-se para o psiquiatra:
- Então esta era apenas…
- … uma entrevista para confirmar sua admissão. Aproveite. Mas você deverá voltar aqui quando for solicitado. Há muito em sua história pessoal que eu gostaria de discutir.

 

A mudança das estações

Release:
Cada estação guarda em si características que pode também pertencer a algumas das pessoas a sua volta. O calor e paixão do verão. A alegria e inocência da primavera. A introspecção e solidão do outono. A frieza e distância do inverno. Todas essas estações em um ano. Todos esses sentimentos em nove contos, numa mistura de gêneros e histórias.
Todas elas buscam a surpresa, em qualquer situação. Cada personagem se mostra o mais real possível, com verdadeiros problemas, traços e detalhes, podendo ser qualquer pessoa que você conheça. Não importando o quão impossível os acontecimentos sejam.  O que poderia acontecer numa visita à cidade em que cresceu? Ou numa simples descida ao porão de casa? Como terminaria uma briga inocente entre duas gêmeas? Contos que passam por suspense, terror e até mesmo romance, contados em uma narrativa dinâmica que tenta prender o leitor a cada palavra.
O primeiro livro dessa autora reúne nove contos escritos durante o ano de 2008, muitos deles enquanto ela fazia parte do grupo Irmandade das Sombras, grupo de escritores de literatura fantástica. Criados a partir das mais variadas formas de inspirações. Desde músicas, fotografia e até acontecimentos reais na vida dela, tudo é possível de se tornar uma história que vale a pena ser contada.

Trecho do livro:
Era mais um pôr do sol que ela assistia da janela. O céu mudava de um tom alaranjado para um tom de rosa estranho. Logo seria possível ver algumas estrelas. A lua já era visível. A maioria das pessoas quando olha para o céu a noite se interessa pela lua, ou pelas estrelas cintilando. Não ela. Estava interessada no manto negro que cobria o céu nas noites. A escuridão que cobria todas as coisas. Claro, a lua também tinha seu charme, mas a escuridão era a atriz principal no espetáculo que a noite apresentava vez após vez.

 

Contos:
Como se parte um coração:  O que seu amor não conta para você.

Caça: Mulher e cachorro são duas metades de um mesmo caçador sanguinário.

Gêmeas: Brigas podem ser bem mais do que um simples rivalidade entre irmãs.

Felizes para sempre: Até onde você iria para viver uma vida feliz e perfeita?

O beijo: Uma mulher está para ser morta na fogueira acusada de bruxaria. Ele precisa impedir isso e pagar o preço.

No escuro: Na escuridão se escondem coisas que você não imagina.

Da última vez: Um casal pacato vai voltar ao seu antigo trabalho. Um trabalho que já quase custou a vida de um deles.

Árvore dos sonhos: As coisas que se perdem ao longo dos anos precisam ser recuperadas.

Mohave: Uma cidade é invadida por vampiros. E esse casal tem mais do que bons motivos para exterminá-los.

E agora com vocês, a autora:
Sempre gostei de escrever e escolher a área de exatas não me afastou dessa paixão pela ficção. Agora estou lançando meu primeiro livro de contos. Fui resenhista de filmes de suspense e terror na Zine “IS Magazine. Tenho contos publicados no site “Contos Grotescos”. O conto “Da última vez”, presente nesse livro, é um conto vencedor do último concurso literário de Porto Seguro.

Ah, os livros da Multifoco só podem ser adquiridos pelo site da editora.

Tibor Moricz

1:43 pm

  

Síndrome de Cérebro

Maio de 1964. Um piquenique, o campo, o sol, as flores e… um tiro certeiro. Robert Cameron, um congressista de futuro brilhante, tem o crânio atravessado por uma bala diante de Martha, sua mulher, e de Leonard seu filho de apenas 10 anos. Esse é o ponto de partida para a construção dessa narrativa, que conta a história de Leonard Cameron, um homem obcecado pelo passado. Físico, ele trabalha numa renomada Fundação de Pesquisas Científicas e tem seu mundo abalado, quando descobre um projeto em curso que possibilitará algo surpreendente – a viagem no tempo. Leonardo Cameron gravita entre mundos conflitantes, vivendo realidades distorcidas e dramáticas. ‘Síndrome de Cérbero’ é um livro de ficção científica que retrata a existência angustiante e obcecada, do protagonista.Passado, presente e futuro tornam-se um único tempo. Uma realidade atormentada;enlouquecedora.Uma obra rica e envolvente,que vai conduzi-lo por uma trama repleta de descobertas insuspeitas.

Fome

Livro de contos pós-apocalípticos envolvendo extrema violência, canibalismo, novas religiões e cenas fortes de conotação sexual.

Além da terra do gelo


Release:
Quem dera Vanhardt fosse apenas um garoto comum lutando contra a rejeição dos outros habitantes de Crivengart, uma vila ao norte da Terra do Gelo. Ele é também o filho de uma deusa. Quando adulto, o rapaz se vê obrigado a sair numa incrível jornada que se mostraria mais longa, difícil e maravilhosa que se poderia supor. Com a ajuda da poderosa deusa do gelo, além de amigos que faz durante o caminho, Vanhardt irá enfrentar desafios épicos. O fantástico mundo de Kether oferecerá perigos como vermes gigantes, exércitos de seres amaldiçoados, feiticeiras, portais selados e ocultos, e o jovem deverá mostrar toda a inteligência, força e crescimento interior para superar tais obstáculos.

Trecho do livro:
Vanhardt nasceu num lugar chamado “terra do gelo”, região ao extremo norte de Kether onde há neve o ano todo. Seria mentira se não dissesse que o garoto teve uma infância muito difícil e solitária; era o menino da vila de Crivengart que todos cuidavam para manter à distância. Nunca encontrou colegas para brincar, e via de longe os garotos correrem uns atrás dos outros, subir em pinheiros, lutar com galhos quebrados como se fossem espadas. O pior, de qualquer maneira, nem era isso. O pior era que ele já se acostumava. Sentia-se diferente, e o fato de ser muito pequeno comparado aos meninos de sua idade não ajudava em nada. A distração favorita do garoto era observar o pai, Thomas, o carpinteiro, trabalhar. Sua mãe, Dóris, morrera logo após seu nascimento, e Thomas teve de criá-lo sozinho.
Certo dia, do alto de seus sete anos de idade (na verdade, ainda era baixinho), Vanhardt viu os garotos vizinhos montarem fortes de neve. Os meninos simularam uma guerra, jogando bolas de neve uns nos outros enquanto se escondiam nos fortes, gritando e gargalhando. Era uma oportunidade! Queria viver como qualquer outro moleque de crivengart, queria ter amigos, brincar. Os olhinhos de Vanhardt brilhavam de alegria, e depois de alguns minutos ele tomou coragem e pediu para entrar na brincadeira:
— Posso brincar também? – gritou bem alto, parado no meio do campo de batalha.
Um silêncio profundo pairou no ar por alguns segundos, enquanto todos, imóveis e sérios, olhavam para Vanhardt.

 

Autor:
Victor Maduro, natural de Ipatinga-MG, desde criança fascinado com a “fantasia” em suas várias facetas: livros, RPG, filmes, desenhos como Caverna do Dragão, e animes. Sempre envolvido com o mundo das letras, publicou contos em jornais da medicina, informes internos e numa antologia de contos medievais. Atualmente com 24 anos, cursando a Faculdade de Medicina da UFMG.

Site do livro.

  

Manuscritos de Sangue

Release:
A ficção de Waldick Garrett é esculpida em histórias sobrenaturais, estranhas, mágicas, misteriosas. Em 13 contos, o leitor é conduzido a um mundo de sangue, a vielas imundas e a cantos sombrios. Há também viagens para um futuro dos mais distantes, quando dois capitães brasileiros são enviados em missão exploratória ao planeta Maya – algo nada agradável os espera. Em outros contos, vemos um homem que desperta num sótão escuro, assolado por uma amnésia temporária; ao evitar um acidente, um motorista solitário acaba despertando um ser aterrorizante que se esconde próximo à rodovia. O mistério é uma névoa que envolve todos os textos de Garrett. Ao dedicar os contos a autores como Allan Poe, Isaac Asimov, Stephen King e Lovecraft ficam claras as influências do autor.

Os contos:
1 O Canto Esquerdo
2 A Fotografia
3 Rodovia KM 313
4 Projeção
5 A maldição da Vila Pequena
6 Pacto Sob o Luar
7 O Cabo Grorski
8 A Encosta
9 Coma
10 O Diário de Victor
11 Assassinato no templo
12 O Perfume
13 A Expedição

Trecho do conto O canto esquerdo:
“… A cena aterrorizou Gentil que, por um segundo, jurou ter visto sombras negras circundando as paredes do sótão. De soslaio, vislumbrou aquela mesma figura tétrica em pé, às suas costas, à esquerda. – Como pôde esquecer-se dela? – Enregelou rapidamente, e uma leve insegurança dominou suas pernas. Sentiu o suor escorrendo de sua testa e pescoço e imaginou que seria obrigado a virar-se.
Girou sobre os calcanhares solene e vagarosamente e, naquela penumbra, pôde notar um par de sapatos que saíam do breu que assolava o canto.
- Que… quem está aí? – sussurrou com voz trêmula.
Nada ouviu. Nem os trovões e tampouco os galhos serpenteantes. Os clarões ofuscavam e faziam pouco efeito no canto esquerdo. Pé ante pé, aproximou-se. Ao parar próximo dos sapatos, percebeu que eles postavam-se com os calcanhares sobre o solo e as pontas viradas para cima.
Está sentado, pensou.
Ao agachar-se, um enorme e anormal relâmpago lampejou, clareando o canto, e Gentil pôde finalmente ver…”

  

O grito da Esfinge

Um professor de história da USP faz escavações próximas às pirâmides de Gizé, no Egito, quando desaparece misteriosamente após encontrar uma nova tumba. A polícia não descobre o que aconteceu. Mesmo assim, o aluno que o acompanhava, Christian, volta ao Brasil sob suspeita de estar envolvido no contrabando de relíquias arqueológicas que levaram ao sumiço do professor. Tentando salvar o projeto de pesquisa, a própria carreira de futuro pesquisador e provar sua inocência, Christian começa a reunir pistas deixadas pelo professor, desconhecidas da polícia. Enfrentando dificuldades, equívocos e autoridades, consegue encontrar a entrada da tumba após decifrar enigmas que só estudiosos de egiptologia conseguiriam.
Tarde demais ele e seus colegas percebem não se tratar de um túmulo, mas de um túnel ainda não descoberto pelos arqueólogos, no qual provavelmente o professor desapareceu. Como não estão sozinhos nesse lugar e não são bem-vindos, a busca aventureira do paradeiro do professor acaba s tornando uma tentativa desesperada de sobrevivência.
Antigos acontecimentos da vida de Christian, relacionados ao desaparecimento do próprio pai durante a Primeira Guerra do Golfo, começam a ressurgir, obrigando-o a reviver fatos traumatizantes e a fazer escolhas difíceis. Terrorismo internacional, feitiçaria, aventura e espiritualidade cruzam os caminhos dos alunos que, como cada um de nós, têm de tomar decisões todos os dias e enfrentar os resultados de suas escolhas.