Na semana da Coleção Imaginários no Fantastik, o lustrador Osnei Roko dá o pontapé inicial e comenta as capas dos dois primeiros volumes.

Entre o insólito e o imponderável

Imaginarios 1

São raras as vezes em que podemos fazer uma ilustração cujo tema ou briefing seja o limite da nossa imaginação. E é nesse momento que surge justamente a coleção IMAGINÁRIOS (que não se perca pelo nome) da Editora Draco, para nos dar esse mustang louco e selvagem para cavalgar. Sem sela e arreios, apenas com a firme recomendação de transformar nossas mais insanas e obscuras fantasias em imagens palpáveis, reais e críveis através de universos paralelos, que se não existem de fato pelo menos acreditamos nisso. Para um ilustrador afeito às HQs européias “moebianas” e a publicações como Heavy Metal, ilustrar as capas do IMAGINÁRIOS foi como ficar trancado durante um fim de semana numa livraria cheia de clássicos da fantasia, ficção científica e Terror. Devaneio em estado puro.


Imaginários 2

Depois de anos ilustrando principalmente para o editorial didático e publicitário, poder navegar nestas águas revoltas do insólito e imponderável foi como reciclar nossos arquivos imaginários (olha essa palavra aí de novo…) e exercer assim a verdadeira função do artista plástico, que é se comprometer apenas com sua liberdade criativa. Nada mais.

Erick Sama nos proporcionou esse presente dando-nos total liberdade na confecção das suas capas. Esperamos que o resultado agrade a quem se deleitar com as páginas maravilhosamente escritas pelos novos autores da Draco e que essa caixa de Pandora chamada IMAGINÁRIOS nunca mais seja fechada.


Empadas e Morte

M.D. Amado comenta a capa de Empadas e Morte, seu e-book de contos.

Bom… Eu realmente espero que aquela imagem da capa não tenha direitos autorais (risos)… Pelo menos no site onde peguei dizia que não, mas vai saber né? De qualquer forma, fiz uns efeitos e usei apenas parte da original. Cheguei nessa capa depois de algumas tentativas frustradas. Achei que essa tinha mais a ver (depois de umas dicas do Rober) porque remetia aos contos direta ou indiretamente. A mocinha na capa representando os finais inesperados de alguns contos, afinal a imagem que geralmente se tem de assassinos é de sujeitos truculentos. As mãos sujas de sangue, encostando no muro já mostram que tipo de coisa você vai encontrar nas escritas. Sangue… Em boa quantidade, sem exageros. A marca da mão também acompanha a diagramação das páginas. E o muro… Bem, o muro não representa porcaria nenhuma.

Para chegar na fonte mais adequada, perturbei um pouco o Rober Pinheiro e a R. Raven também (risos). Acho que deu pra fazer algo que chamasse a atenção e que ao mesmo tempo desse um “aviso” sobre o conteúdo do e-book.

Paradigmas 3

Camila Fernandes comenta a capa do terceiro volume da coleção Paradigmas, um de seus trabalhos mais elogiados.

O editor Richard Diegues e eu bolamos juntos o projeto gráfico da coleção Paradigmas. Nossa intenção era que desde o primeiro número a série tivesse uma identidade visual forte. Não queríamos capas figurativas, que retratassem algo fantástico de forma literal – até porque seria difícil escolher uma figura que expressasse com justiça o conteúdo de cada livro, já que seus contos variam muito nos subgêneros da literatura fantástica. Assim, decidimos ter capas conceituais, com elementos que atuam como uma metáfora visual. Nesta terceira capa a ordem é: “Abra suas asas, quebre os paradigmas.”

 

Por isso usei criaturas aladas: insetos, pássaros, morcegos, tem até um anjo barroco escondido em algum lugar. A composição se harmoniza porque segue um paradigma clássico das artes plásticas: a espiral áurea. Mas, em lugar de apenas guiar discretamente a composição, ela aparece muito clara como parte da ilustração.

Steampunk

Marcelo Tonidandel comenta a capa de Steampunk – Histórias de um passado extraordinário, lançamento da Editora Tarja.

“Eu não conhecia esse gênero de ficção-científica (steampunk) antes do Richard Diegues me convidar para ilustrar a capa. Toda a coordenação do layout ficou por conta do Gianpaolo Celli, que me forneceu uma quantidade bacana de referências, sites, etc. Em função disso, achei necessário fazer um número grande de esboços pra gerar um bate-papo, me direcionando de uma forma cada vez mais clara. Tivemos uma reunião super funcional na casa do Richard, nós quatro, (Richard, Verena, Gian e eu) pra acertar as últimas dúvidas e iniciar a arte-final. Foi aí que surgiu um desafio.

Como seria um livro de vertente inédita aqui no Brasil, o público já tinha uma identidade visual de reconhecimento a partir de material estrangeiro. Personagens vitorianos com equipamentos improvisados, dirigível, máquinas surreais mas com visual do fim do século XIX, enfim… Aí pegou! Numa capa com esses elementos, todos ricos em detalhes, o projeto demandava um salto qualitativo principalmente no acabamento. Mas o que ajudou muito foi conhecer o trabalho de um ilustrador, João Ruas (dica fornecida por um amigo meu, “broderagem providencial”) que na época estava fazendo as capas dos quadrinhos Fábulas. Seu acabamento, texturização e padrão cromático foram fundamentais para que eu conseguisse resolver a ilustração de uma forma diferente do que eu estava acostumado”.

copyright Fantastik, Eric Novello - design Carolina Vigna-Maru