Vampiros! Vampiros! Vampiros! O eterno big hit.
Tem novidade vindo aí. Aguardem.
A OPELF (Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica) e a Livraria Cultura convidam ao 2º Ciclo Paulista de Literatura Fantástica.
Na edição de 2009 teremos diversas atrações preparadas especialmente para os fãs da literatura fantástica e mês a mês, uma mesa-redonda explorando os subgêneros de Ficção Científica, Fantasia e Terror, com sorteios, lançamentos de livros, novidades e workshops. O Ciclo tem seu início no sábado, 4 de abril, às 15h00, na unidade Bourbon Shopping Pompéia, confira abaixo a programação:
15h00 Palestra – O que é Literatura Fantástica? Nesta palestra a lingüísta formada pela USP, Janaina Azevedo, irá apresentar temas como gênero, subgêneros e a construção da escrita na literatura fantástica.
17h00 Mesa-Redonda de Ficção Científica. Neste ano a mesa-redonda terá a mediação da OPELF, representada por Horacio Corral e Janaina Azevedo.
Além do debate com os participantes da mesa e as perguntas do público, o evento terá atrações multimídias que visam divulgar a produção nacional e debater sobre o alcance da Ficção Científica no Brasil.
20h00 >> Lançamento do livro “Taikodom: Crônicas” de Gérson Lodi-Ribeiro.
Em parceria com a Hoplon e a Devir, a OPELF faz o lançamento de um dos melhores autores de Ficção Científica do Brasil, Gérson Lodi-Ribeiro. Seu mais novo livro faz parte do universo ficcional do jogo online de grande sucesso, Taikodom.
Mais informações, consulte o site da OPELF.
Contatos: contato@opelf.org ou pelo telefone (11) 2212-7539
Salve salve… não foi dessa vez que troquei umas idéias com o Neil Gaiman. Também não estou conversando com os livros da estante. A chamada é para dizer que já está no ar a edição número 5 do podcast Papo na Estante! O tema dessa vez, adivinhe quem puder, foi Neil Gaiman, autor da HQ Sandman, roteirista do tosco Beowulf, autor do premiadíssimo Deuses Americanos, autor do super Coraline e muito mais. Se você nunca ouviu falar de Neil Gaiman é melhor rever seus conceitos. Talvez você não seja desse planeta (e seus pais tenham um segredo para te contar).
A conversa foi muito divertida, com elogios e pedradas para todos os gostos. Estavam lá Thiago Cabello, Ana Carolina, Ana Cristina Rodrigues e eu, Eric Novello. Considerando a quantidade de mosquitos rondando meu pé naquele dia, posso dizer que dei meu sangue por esse podcast! Como vocês perceberão, a voz da Ana Carolina foi uma atração à parte.
Clique sem medo de ser feliz para ver o convite!
A Fábrica dos Sonhos é um coletivo de escritores de FC e Fantasia que desde 2005 vem batalhando, buscando criar e divulgar a sua literatura.
Depois do site e do ebook, é a vez de finalmente colocar nossos contos em papel. ‘Espelhos Irreais’ é uma coletânea com cinco contos sobre reis e princesas, em mundos fantásticos, históricos e futuros, publicada pela editora Multifoco.
Autores:
Aguinaldo Peres
Ana Carolina Silveira
Ana Cristina Rodrigues
Daniel Gomes
Roderico Reis
Organização:
Ana Cristina Rodrigues.
Giulia Moon dá a boa notícia. Terminou seu primeiro romance vampiresco. Para quem não sabe, a Giulia é uma contista de mão cheia e o romance é aguardado com bastante ansiedade entre os fãs da escritora e de literatura vampiresca em geral. Para começar a divulgação, um trecho do livro foi disponibilizado no blog da autora com o título Kaori – perfume de vampira.
A Cristina Alves, diretamente da terrinha, dá a dica de alguns livros disponíveis para download. Tem nomes como Naomi Novik e Stanley Robinson. Aproveitem para dar um bookmark no site dela, vale a pena.
A Ana Cristina Rodrigues está lançando o AnaCrônicas em SP.
É amanhã, dia 21 de março, a partir das 16hs, começando com um bate-papo sobre Fantasia, FC e otras cosas más com Fábio Fernandes. Vai ser na Cultura do Market Place. O livro custará R$ 23,00
Endereço: Av. Dr. Chucri Zaidan, 902 – Brooklin – São Paulo/SP

Endereço e conteúdo, vide posts abaixo.
A Lenda do Homem de Palha » Leonardo Pezzella Vieira » engenheiro que escrevia poesias. Dono de um forte hábito de leitura, participou de grupos de escritores e trocou as poesias pelos contos e pequenos romances de terror e ficção. Publicou no Jornal da Praça e em diversos sites de contos e crônicas. Participou do livro Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos (2006). Seus textos podem ser encontrados em seu blog pessoal, o Monologando.
A Teoria na Prática » Romeu Martins » jornalista especializado na área de divulgação científica, com ênfase em inovação tecnológica, é co-autor do livro Conhecimento & Riqueza (2007), o que o torna, na maioria das vezes, bastante cético quanto a avanços radicais em um futuro próximo. Resenhista e entrevistador, do site Overmundo, também é o criador do blog Terroristas da Conspiração.
O Combate » Maria Helena Bandeira » formada em jornalismo, artista plástica. Menção Especial do Prêmio Guararapes da União Brasileira de Escritores. Conto Brasileiro do Mês da Isaac Asimov Magazine, indicada pra o Prêmio Argos em 2002, colaboradora do fanzine Somnium, da revista Scarium e do site português E-nigma. Participou das antologias Anjos de Prata (2001-2007), Antoloblogue (2007) e FC do B – panorama 2006/2007 (2007) e GRAGEAS – 100 cuentos breves de todo el mundo (2007), na Argentina.
O Templo do Amor » Ana Cristina Rodrigues » escritora, historiadora, funcionária pública, professora, editora, agitadora cultural, roteirista e mãe. Balzaquiana, escreve para tentar calar as vozes (sem sucesso). Já apareceu com contos em diversos sites brasileiros e internacionais. Está escrevendo um romance de fantasia histórica alternativa.
Madalena » Osíris Reis » cursou três semestres em Medicina, e três em Mecatrônica, até assumir o gosto pela narrativa. Autor do livro Treze Milênios – Gênese Vermelha (2006), o primeiro de uma saga de Ficção Científica e Terror. Escreveu o conto Bandeiras, publicado na Scarium Megazine. Estudante do curso de Audiovisual (TV, Rádio, Cinema), trabalha com roteiros de cinema e HQ.
Una » Roberta Nunes » gosta tanto de literatura que não suporta quem a maltrata. Publicou alguns textos em listas de discussão de literatura e blogs literários, tendo um trabalho publicado o livro Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos (2006). Atualmente tenta, com afinco, se dedicar aos blogs pessoais Profana?Eu?, onde escreve suas desventuras e ao Estilhaços de Alma, dedicado a críticas de livros, peças teatrais, filmes, eventos e de bares onde a cerveja teima em não gelar.
Fogo de Artifício » Eric Novello » autor dos romances Dante – o Guardião da Morte (2004) e Histórias da Noite Carioca (2005). Participou do livro Necrópole – Histórias de Bruxaria (2008) com o conto De Fumaça e Sombras, possui mais de 60 contos e crônicas online e mantém atualmente o site Fantastik de divulgação de literatura fantástica nacional. É tradutor e trabalha como crítico literário e de cinema para o portal de arte Aguarrás. Está trabalhando em um romance de Fantasia Urbana com o mesmo protagonista de Fogo de Artifício.
Aqui Há Monstros » Camila Fernandes » alter ego de Mila F. Enquanto Camila Fernandes assina contos e revisões, Mila F, é ilustradora especializada em pintura digital e capista desta edição. Lançou seus primeiros contos no NecroZine, depois, participou dos livros Necrópole – Histórias de Vampiros (2005), Necrópole – Histórias de Fantasmas (2006), Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos (2006) e Necrópole – Histórias de Bruxaria (2008). No momento, tem desenhado muito, feito revisão de textos para editoras e autores independentes e reparado seu livro solo.
Sinfonia Para Narciso » Cristina Lasaitis » Não sabe dizer se é uma cientista que se apaixonou pela ficção ou se é uma escritora que se apaixonou pela ciência. Autora da coletânea de contos de ficção científica e fantasia Fábulas do Tempo e da Eternidade (2008) e participante do livro Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos (2006). Sua imaginação vive uma constante viagem, e ela sonha com o dia em que poderá viver de contar histórias. Atualmente mora com seus pais e vive catando as traças da sua biblioteca de estimação.
MAI-NI Expressas » Richard Diegues » autor dos livros Tempos de AlgóriA (2009), Sob A Luz do Abajur (2007), Magia – Tomo I (1997), além de organizador e co-autor do livro Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos (2006), co-autor dos livros Histórias do Tarô (2008), Necrópole – Histórias de Bruxaria (2008), Necrópole – Histórias de Fantasmas (2006) e Necrópole – Histórias de Vampiros (2005). Trabalha com eventos e palestras na área literária, atuando também como editor pela Tarja Editorial. Paga as contas como programador de computadores, consultor editorial para autores, rastreando hackers, e jogando bilhar. É o idealizador do projeto Paradigmas.
Vento, Seu Fôlego. O Mundo, Seu Coração » Jacques Barcia » é um escritor azul de ficção estranha. Tem contos publicados no Brasil e Romênia, em papel e prana. É editor da revista online Terra Incógnita junto com o rishi Fábio Fernandes, com quem também divide o blogue Post-Weird Thoughts. Quando não escreve, berra mantras e dança com duas belas apsarases.
Um Forte Desejo » M. D. Amado » analista de sistemas, mineiro de Belo Horizonte, e participou do livro Necrópole – Histórias de Fantasmas (2006) com o conto O Fotógrafo. Possui contos publicados em vários sites revistas eletrônicas. Desde 1996 mantém o site Estronho e Esquésito, que, entre outras coisas, disponibiliza gratuitamente um espaço para que autores de literatura fantástica divulguem seus trabalhos. Na atualidade desenvolve dois projetos literários solo, que em breve se tornarão livros.
O Mendigo e o Dragão » Bruno Cobbi » é tradutor, designer multimídia e escritor estreante. Descobriu seu talento para contar histórias através do RPG e atualmente é aluno da primeira turma do Curso de Pós Graduação em Formação de Escritores, em São Paulo. Fã de videogames, cinema e quadrinhos, é dono do blog Aprendiz de Escritor e editor do blog d3system.
Vivemos em um mundo onde os rótulos definem o que devemos consumir. Um universo de padrões. De predefinições. De paradigmas.
Conhecer o suficiente para gerar a capacidade de ignorar esses modelos é uma obrigação da literatura fantástica moderna. Seja na fantasia, no horror ou na ficção científica, assim como no realismo, o que importa é inovar constantemente. Conhecer as regras e quebrá-las por convicção, jamais por ignorância.
Causar o novo é preciso! Barreiras são erguidas apenas para serem colocadas abaixo. Um paradigma só é tão eterno quanto a capacidade humana de desafiá-lo.
A Coleção Paradigmas é justamente o ângulo que rompe a membrana entre os subgêneros consagrados para fomentar o nascimento do original. Nela são reunidos contos de – e para – uma geração de novos escritores, livres de preceitos e com a mente no futuro.
Abra as portas. Quebre os paradigmas!
Para quem piscou nos últimos dias: essa semana tem o lançamento do Paradigmas.
A Tarja Editorial organizou uma coletânea de literatura fantástica que, pelo visto, se tornará uma coleção.
O livro é baratinho, 13 reais. O lançamento é dia 20 de março (sexta-feira) no Bardo Batata, 18h30.
Basta pegar o metrô e saltar na estação Consolação (Av. Paulista). O Bardo fica na rua Bela Cintra 1333, quase esquina com a Paulista.
Mas quer ir a pé? Melhor ainda. Prefere ônibus? Não tem problema! Helicóptero? Hum, acho que tem um heliporto nas proximidades.
Olha aí os participantes do primeiro volume:
Ana Cristina Rodrigues
Bruno Cobbi
Camila Fernandes
Cris Lasaitis
Eric Novello (eu!)
Jacques Barcia
Leonardo Pezzella Vieira
MD Amado
Maria Helena Bandeira
Osíris Reis
Richard Diegues
Roberta Nunes
Romeu Martins
Se nenhum desses nomes te diz nada, gaste um tempinho aqui no site pesquisando depois vá direto para o Google. É hora de acordar!
No próximo post, mais detalhes sobre os autores e seus contos.
É por essas e outras que o Fantastik vale o trabalho que me dá.
O escritor Rober Pinheiro, autor de Lordes de Thargor, fez um artigo muito bom sobre A Song of Ice and Fire de George RR Martin.
Em Portugal saiu como As Crónicas de Gelo e Fogo. É uma série premiada, muito elogiada onde é publicada. No Brasil, continuamos esperando sentados. Se você curte livros de fantasia, recomendo enfaticamente a leitura do artigo.
Artigo de Rober Pinheiro sobre a série A Song of Ice and Fire, de George RR Martin.
Quando, em 1455, Ricardo de York liderou três mil homens na direção de Londres e derrotou Henrique VI, rei da Inglaterra, naquela que ficou conhecida com a Batalha de Saint Albins, a primeira de uma guerra que colocaria em lados opostos as poderosas casas de York e Lancaster, ele jamais poderia imaginar que, quase seis séculos depois, seus feitos serviriam de inspiração para uma das maiores e mais bem sucedidas obras de fantasia épica escritas desde que um hobbit encontrou um anel perdido numa caverna.
Falo, claro está, da série “Uma Canção de Gelo e Fogo” (A Song of Ice and Fire, no original), do escritor norte-americano George R. R. Martin. Composta por sete livros, dos quais quatro já foram publicados, ASoIaF tornou-se um êxito de crítica e venda, ocupando o topo da lista dos respeitáveis The New York Times e The Wall Street Journal com a expressiva quantia de 2,6 milhões de exemplares vendidos somente nos EUA, além de angariar importantes indicações e prêmios, como o Locus Award, o Nebula e o Hugo Award.
O Autor:
George Raymond Richard Martin nasceu em Bayonne, New Jersey, em 20 de Setembro de 1948. Apaixonado por livros, HQ’s e fanzines, desde cedo demonstrou grande interesse em se tornar escritor. No início da década de 70, começou a escrever pequenas histórias de ficção e fantasia, entre as quais se destacam The Thousand Worlds, uma space opera com temática histórica e Night of the Vampyres, uma ficção político-militar lançada na antologia The Best Military Science Fiction of the 20th Century, de Harry Turtledove. O sucesso, porém, tardou a vir. De fato, uma de suas primeiras histórias foi rejeitada 22 vezes por diferentes revistas, um duro começo. Em 73, With Morning Comes Mistfall, história publicada pela Analog Magazine foi indicada para os prêmios Hugo e Nebula.
No início da década seguinte, Martin ingressou na televisão, onde trabalhou como escritor e produtor para as séries Twilight Zone e A Bela e a Fera. Durante esta temporada em Hollywood, muitos projetos voltados para a área de ficção e fantasia foram desenvolvidos por ele, porém todos sem sucesso. Um dos mais proeminentes foi Doorways, uma ambiciosa série de ficção científica que contava a história de uma fugitiva de um universo paralelo que escapava para nosso mundo através de um portal dimensional, abortada após o episódio-piloto. Outros projetos também foram postos em prática, como as adaptações de Wild Cards, um suplemento de jogos com temática que misturava ficção científica e super-heróis, conhecido no Brasil como Cartas Selvagens, Princess of Mars, a famosa série de ficção de Edgar Rice Burroughs e Fevre Dream, um livro de sua própria autoria, mas Doorways foi o que mais próximo chegou de tornar-se real.
Com efeito, foi no final daquela que Martin considerou como “a década de Hollywood” (1985-1995) que ele, cansado do glamour e das oportunidades perdidas na terra das estrelas, resolveu abandonar a carreira na televisão e se dedicar novamente à arte da escrita. Em 1991, começava a ganhar forma à idéia que originaria o livro A Game of Thrones (Um Jogo de Tronos, em tradução livre), o primeiro da série que o tornaria mundialmente conhecido.
Ironicamente, o que poucos dos aficionados por Martin parecem saber é que ele já conta com mais de 30 anos de carreira, seja na literatura, na televisão ou cinema, atravessando sem a menor dificuldade os gêneros do fantástico, do terror e da ficção científica. E, de fato, seu leque de atuação é bem amplo, indo desde a ficção científica de Tuf Voyaging até os vampiros de Fevre Dream, que cruzaram o Mississipi num barco a vapor em pleno século XIX, passando pelo horror contemporâneo de teor histórico-político de Armagggeddon Rag ou a mistura de space opera e fantasia da coleção de pequenas histórias Windhaven. Também se pode citar uma de suas primeiras incursões pela fantasia, The Ice Dragon, um livro infanto-juvenil onde a presença da magia — em sua acepção mais plena — é bastante acentuada.
Com ASoIaF, no entanto, Martin foi considerado um entusiasta do novo, o escritor que revolucionou a temática épica e trouxe um novo enfoque para a literatura chamada fantástica. Não obstante, nem por isso ele deixou de buscar inspiração e referência para suas obras em outros autores. Fritz Leiber foi, juntamente com Robert E. Howard, criador de Conan, o Bárbaro e as HQ’s (histórias em quadrinhos) de Stan Lee e Steve Ditko, uma de suas influências assumidas. E, se de fato há um autor a que Martin mais se assemelha, este é Leiber, tal a variedade de temas e gêneros que ambos abordaram ao longo da carreira.
Outros grandes escritores também entraram para este rol de referências. No entanto, embora seja possível reconhecer certo débito para com obras como O Senhor dos Anéis, de Tolkien, The Dragon Masters, de Jack Vance e Tailchaser’s Song, The Memory, Sorrow and Thorn Series e The War of the Flowers, de Tad Williams, a série ASoIaF difere destas outras pelo uso diferenciado da linguagem ficcional e pela abordagem mais incisiva de elementos reais em detrimento da fantasia.
Enquanto Tolkien e Williams buscaram uma acentuada inspiração na mitologia, Martin teve sua influência calcada na história medieval européia, mais notadamente na Guerra das Duas Rosas, no clássico Ivanhoé e nas Cruzadas Albingueses. Não raro, ele costumava citar em suas entrevistas que foi ao ler The Memory, Sorrow and Thorn Series que se convenceu de que poderia escrever uma história mais adulta e madura. Isso acabou criando um novo filão de literatura de fantasia, cujo tratamento do real é muito mais acentuado em relação à fantasia. Filão que já angariou seguidores como Scott Lynch, Joe Abercrombie, Steven Erikson e Scott Bakker. Contudo, mesmo sendo visível esta preocupação com o real, Martin está a milhas de quilômetros do pioneirismo da chamada ficção histórica e, neste campo da fantasia pé no chão, também sofreu influências e, como tal, agradece abertamente a autores como Bernard Cornwell, George MacDonald Fraser e Robert Jordan, cuja capa para seu primeiro livro foi, ironicamente, a responsável por garantir seu sucesso junto aos leitores de fantasia.
O Mundo:
As histórias de ASoIaF se passam, principalmente, no grande continente de Ponente (Westeros, no original), uma vasta extensão de terras similares as ilhas britânicas, porém com aproximadamente o tamanho da América do Sul, tendo ao norte uma imensa área não mensurada, cuja ciência não é possível dadas as suas baixas temperaturas e a pouca cordialidade de seus habitantes, chamados simplesmente de selvagens ou de Povos Livres. Das terras conhecidas, a porção norte têm praticamente o mesmo tamanho da parte sul, porém sua população é infinitamente menor, dado o rigor climático da região. Entre as principais cidades de Ponente destacam-se, por ordem de tamanho, Porto Real, Antigua, Lannisport, Porto Gaivota e Porto Branco.
O mundo imaginado por Martin, contudo, vai muito além de apenas uma terra e uma gente. Outros dois continentes também aparecem no correr da série, numa alusão bem significativa à história do nosso próprio mundo medieval; a leste, depois do Grande Mar está localizado Essos. Em sua porção ocidental encontram-se as nações estrangeiras mais próximas a Ponente, um conjunto de cidades-estados chamadas de Cidades Livres, entre as quais estão Pentos, Braavos e Lys. Nesta porção do mundo encontra-se também a terra dos Dothraki, os Senhores dos Cavalos. Na verdade, terra, aqui, definiria toda a larga extensão das inóspitas plagas centrais do continente oriental, chamadas de Mar Dothraki, onde vivem centenas de grandes caravanas, os khalazares, cujos membros levam uma vida muito similar a dos antigos mongóis, turcos e hunos de nosso próprio mundo. Nas terras ao largo da costa sul deste continente, chamadas de forma genérica de Terras do Mar do Verão, estão localizadas as ruínas da cidade de Ghis e do Feudo Franco de Valyria, onde surgiu a dinastia Targaryen, a mais poderosa casa a governar os Sete Reinos. As terras ao sul de Ponente, chamadas Sothoryos, são praticamente desconhecidas. Delas, sabe-se apenas que são totalmente selvagens, infestadas de pragas e habitada por homens de pele escura, algo claramente próximo a um certo continente negro pouco conhecido durante a idade média.
Não obstante, mesmo sendo o mundo de ASoIaF vasto e bem definido, seu elemento mais característico é o Muro, ou Muralha de Gelo, uma gigantesca construção de mais de 200 metros de altura e 500 quilômetros de largura. Construído a quase 8.000 mil anos por Brandon Stark, o primeiro Rei no Norte, tinha por finalidade proteger as terras dos Sete Reinos da ameaça d’Os Outros, uma raça de seres malignos que viviam para além das terras conhecidas. Sua defesa foi posta a cargo da Guarda da Noite (Nigth’s Watch, no original), um grupo de irmãos juramentados que dedicaram a vida a lutar contra a ameaça vinda das regiões geladas do norte, das terras “para além do muro”. Aqui, a analogia com a realidade histórico-medieval européia é, também, bastante acentuada. Refiro-me à Muralha de Adriano, uma grande construção erguida próximo à fronteira da Escócia que tinha por finalidade defender a zona britânica do Império Romano das incursões dos pictos e escotos, habitantes do norte da ilha.
Entretanto, apesar do realismo que busca imprimir a seu mundo, Martin é um experto em criar situações mirabolantes que fazem sua história ser única entre tantas outras. Dos muitos fatores que tornam ASoIaF tão interessante, um dos mais peculiares diz respeito à inconstância do clima. Ao contrário de outros mundos conhecidos, Ponente está à mercê de estações erráticas que podem durar anos a fio, mas de forma imprevisível. No início da saga, o continente está no final de um verão que dura já uma década. Um largo verão ao que, segundo as crenças tradicionais, se seguirá um inverno tão longo e duro quanto. Contudo, Martin não deixa claro se esta regra é planetária ou se vale apenas para as regiões de Ponente e seus arredores. Segundo ele, a explicação para este estranho comportamento temporal virá ao final da série e será de natureza mágica, sem elemento de ficção científica.
Outro ponto de destaque da serie é a concepção das raças. Em Ponente, praticamente não há raças mágicas e, à época do início da saga, as que existiram são meramente mencionadas. À exceção dos poucas vezes citados Filhos dos Bosques, d’Os Outros e de uma esquecida raça de Gigantes habitantes do norte, todos as demais criaturas são assumidamente humanas, com todas as cores, estirpes, defeitos e qualidades inerentes à espécie. Porém, que fique claro, estes não são simples humanos e, sim, os melhores representantes da raça, homens fortes, altos e não corrompidos (fisicamente falando), como numa espécie de releitura genérica e bastante crível do Übermensch Nietzschiano.
E, em se falando de raças, há aquelas próprias da engenhosa mãe-natureza, criaturas ferozes que habitam as matas e montanhas do mundo. Lobos huargos, mamutes, uros e gatos das sombras, além dos irascíveis dragões. Sim, em ASoIaF há dragões. Ou havia, já que os três últimos morreram junto com seus senhores Targaryen. Ou, ao menos, é nisso que todos acreditam. E, em torno dessa raça é que gira o grande mistério de Ponente
A História:
Em meados dos anos 90, quando a série A Bela e a Fera chegou ao fim e o desencanto para com os ares de Hollywood se tornou evidente, Martin voltou a escrever prosas longas e um de seus primeiros trabalhos foi um romance de ficção científica chamado Avalon. Em 91, enquanto tentava definir rumos para a história, a idéia de uma cena onde alguns jovens encontravam uma loba, cuja garganta havia sido cortada, lhe veio à mente. A loba, antes de morrer, havia dado a luz a alguns filhotes, que seriam adotados pelos jovens que os encontraram e cresceriam junto com eles. A partir deste ponto, Martin começou a tecer idéias e a desenvolvê-las, até criar um épico fantástico que dividiu em uma trilogia (sim, as muy famigeradas trilogias), cuja composição seriam os livros A Game of Thrones, A Dance with Dragons e The Winds of Winter.
Porém, ao terminar o primeiro livro, após um hiato de quase dois anos, Martin chegou à fatídica conclusão de que sua saga não caberia em apenas três volumes e, a partir daí, anunciou um quarto livro e, mais tarde um quinto, um sexto e um sétimo. As muitas crônicas de Ponente começavam a ganhar formas e os enormes calhamaços que saíam de seu computador pareciam não ser suficiente para contê-las todas.
É fato que muitas histórias permeiam as entrelinhas de ASoIaF, desde a guerra entre os Filhos dos Bosques e os Primeiros Homens, no início do mundo, até a trégua estabelecida entre eles e sua posterior luta contra os demônios chamados de Os Outros. Mas, para não fugirmos demais ao ponto central, fiquemos apenas com aquela que narra a ascensão, o declínio e as conseqüências da chegada dos reis Targaryen a Ponente.
Após cinco séculos de expansão, os poderosos senhores do Feudo Franco de Valyria, no leste, atravessaram o Grande Mar e alcançaram a longa costa de Ponente, utilizando a ilha da Rocha do Dragão como porto de comércio. Contudo, pouco mais de um século depois, Valyria foi destruída por um desastre conhecido como “O Destino”. Por esta época, a família que controlava a Rocha do Dragão, os Targaryen, começaram a preparar uma larga invasão e, sob as ordens de Aegon, o Conquistador, se lançaram contra Ponente. Embora suas forças fossem pequenas, eles tinham entre seus exércitos os três últimos dragões conhecidos, cuja força era mais que suficiente para subjugar todo o continente. Seis dos Sete Reinos foram rapidamente conquistados, mas Dorne, no sul, resistiu batalha após batalha, até que Aegon concordou em deixá-lo independente. Até então, o continente estava dividido em vários reinos independentes. Porém, depois d’A Conquista, as diferentes regiões, unidas sob o estandarte da Casa Targaryen, formaram os chamados Sete Reinos de Ponente.
Uma vez estabelecido seu poder, os reis Targaryen adotaram a crença na Fé dos Sete (religião que reverenciava as sete faces de Deus) para conquistar o coração do povo, embora ainda mantivesse certos costumes de sua antiga nação, como o casamento entre irmãos. Com isso, em pouco tempo os conquistadores quebraram todas as resistências à sua conquista e impuseram, sem a menor oposição, as suas leis. Os três últimos dragões morreram cerca de um século e meio após A Conquista, mas neste ínterim, as leis e o poder da Casa Targaryen já estavam bastantes arraigadas e não haviam sido contestadas até então.
Quinze anos antes do início de A Game of Thrones, uma guerra civil, chamada de A Rebelião de Robert, destronou Aerys II, o Rei Louco, pondo fim à longa dinastia da Casa Targaryen. Uma aliança formada pelas maiores Casas de Ponente e lideradas por Lord Robert Baratheon, Lord Eddard Stark e Lord Jon Arryn pôs fim aos exércitos e ao regime insano de Aerys e assassinou quase todos os membros de sua família, à exceção de sua esposa grávida — que posteriormente daria a luz a Daenerys Targaryen, a última descendente desta linhagem — e de seu filho Viserys, que fugiram de volta a Rocha do Dragão, ajudados por aqueles que ainda lhes eram fiéis.
Após derrotar o príncipe Rhaegar na Batalha do Tridente, Robert Baratheon assumiu a coroa e o Trono de Ferro, casou-se com Cersei, da poderosa Casa Lannister e tornou-se o primeiro rei de sua linhagem.
O que é interessante observar nesta sucessão de guerras pelo poder é que a conquista não se deu apenas pela espada. Intrigas e traições, jogos de poder e alianças são uma constante na escrita de Martin. Na verdade, se conhece muito mais da história pela força da palavra que pelo fio da espada. Outro ponto importante que Martin ressalta é a questão da fé. Para se dominar um povo, não é suficiente apenas subjugá-los, mas conquistá-los através de seu mais profundo sentimento, de seu mais arraigado desejo. Ponente é, assim, um mosaico de crenças e expressões religiosas. Como fizeram os reis Targaryen ao abraçar a fé no deus de sete rostos, outros, a seu modo e a seu tempo, também jogaram com a crença nos deuses, seja para forjar alianças ou para destruir aquelas que os ameaçavam.
Segunda parte do artigo.
Site do autor Rober Pinheiro.
Segunda parte do artigo de Rober Pinheiro sobre a série A Song of Ice and Fire, de George RR Martin.
Os Livros:
Canção de Gelo e Fogo é, sem dúvida, uma das obras de maior êxito dentro do gênero fantástico, seja pelo grande número e complexidade das personagens que permeiam suas páginas, pela súbita e violeta mudança das linhas narrativas ou pelo intrincado jogo de tramas políticas que formam a espinha dorsal de sua linha de argumentação.
Também cabe ressaltar que em sua concepção há muito pouco da literatura dita juvenil que se multiplica às pencas por aí. A história em si é mais complexa, adulta, com um limite bem demarcado entre o real e o fantástico — a magia, quando aparece, é tratada com sutileza e geralmente de forma ambígua, muitas vezes, negativa —, além de não fugir de temas cujo conteúdo poderia gerar olhares de reveses dos mais puritanos, como a violência, o sexo ou até mesmo temas tabus, como o incesto. Martin, aliás, tornou-se famoso por quebrar paradigmas, como a já conhecida falta de apego às suas criações. As personagens de sua saga estão tão fadadas à morte quanto quaisquer outras criaturas. Tudo, claro, virá da necessidade da trama e dos caminhos que a história deve seguir.
Aparte de todos estes atributos, um dos aspectos mais inovadores de ASoIaF é a forma como a história vai sendo construída. Cada capítulo é visto sob o ponto de vista de uma personagem distinta que narra/vê os acontecimentos a sua volta segundo uma ótica bem particular. Isto cria um viés deveras interessante, pois para um mesmo episódio tem-se narrados os fatores a partir de olhares diferentes. Além do que, devido à forma realista com que Martin constrói suas personagens, fica extremamente difícil classificá-los como bons ou maus. Em última instância, eles nada mais são que humanos, tristes e miseráveis humanos e a visão que compartilham com o leitor está, justamente, impregnada destas vivências e emoções.
Um problema que particularmente vejo nesta forma de narrativa é o espaço vago que há entre uma e outra aparição das personagens. Como são muitos os pontos de vistas presentes no decorrer da história — apenas nos quarto primeiros livros cerca de 25 diferentes narradores já deram às caras — às vezes é necessário esperar dezenas de páginas para ver uma personagem reaparecer, muitas vezes completamente fora da situação em que se encontrava anteriormente. Isso gera uma confusão de sentidos e, até certo ponto, de entendimento. Porém, nada que prejudique a leitura como um todo.
Outro aspecto interessante é que os livros não giram em torno do eterno maniqueísmo da luta bem versus mal ou na busca pelo escolhido que livrará o mundo da destruição. Sua linha narrativa está centrada principalmente nas lutas políticas e nas guerras civis que assolam aquela pequena grande parte do mundo. De fato, entre todos os arcos narrativos, há apenas um ou dois que sugerem a possibilidade de uma ameaça externa.
Uma curiosidade: o título da série é mencionado apenas duas vezes ao longo de toda a historia narrada até aqui. A primeira delas aparece durante uma visão que Daenerys tem no segundo livro da série, A Clash of Kings (Choque de Reis, em tradução livre): “Ele é o príncipe prometido e sua é a canção de gelo e fogo”. Estas palavras são proferidas por um rei Targaryen, embora não fique claro qual rei seja nem a quem as palavras são dirigidas, se a própria Daenerys ou a seu filho natimorto. A segunda vez em que é mencionada é durante a renovação dos juramentos de lealdade dos irmãos Reed a Brandon Stark, cena também presente no livro A Clash of Kings.
Aparte dos sete tomos principais, outros três livros curtos podem ser incorporados à série como uma espécie de prólogo, já que se passam no mesmo mundo, porém aproximadamente 90 anos antes dos eventos narrados em ASoIaF. Dos três, The Hedge Knight (O Cavaleiro Errante, em tradução livre) e The Sworn Sword (A Espada Leal), já foram publicados e The Mystery Knight (O Cavaleiro Misterioso) tem sua data de lançamento prevista para 2009. As histórias, conhecidas como Os Contos de Dunk e Egg, também foram adaptados para as HQ’s por Ben Avery e Mike S. Miller e lançados em 2007 pela Marvel Comics, alcançando um relativo sucesso.
Vários capítulos dos livros já lançados foram compilados em coleções seguindo o destino de algumas personagens ou os lugares onde se ambientavam partes das histórias. O mais famoso deles é Sangue de Dragão (Blood of the Dragon, no original), baseado nos capítulos sobre Daenerys Targaryen constantes no livro A Game of Thrones. Este excerto ganhou o premio Hugo de melhor livro em 1997.
Embora possuam personagens / narradores que contam a história através de seus pontos de vistas, de suas vivências e anseios pessoais, os livros seguem, regra geral, por três grandes arcos argumentativos principais que se passam em Ponente e em parte do continente oriental de Essos, mais precisamente nas cidades livres e nas terras dos Dothraki.
O primeiro deles transcorre em Ponente e narra a luta entre casas rivais pela posse do Trono de Ferro após a morte do rei Robert Baratheon. O primeiro a reclamar o trono é seu filho mais velho, Joffrey, cujo apoio para tal empreitada vem da poderosa família de sua mãe: a Casa Lannister. Ao mesmo tempo, Stannis Baratheon, irmão mais velho do rei, reclama o trono para si por acreditar que os filhos de Robert são, na realidade, o produto da relação incestuosa entre a rainha Cersei e seu irmão, Jaime Lannister, chamado de Matador de Reis. Ao mesmo tempo, o irmão mais novo da Casa Baratheon, Renly, também reclama o trono para si, apoiado pela poderosa família de sua esposa Margaery, a Casa Tyrell. Com o reino se esfacelando, as casas do Norte proclamam Robb Stark, herdeiro de Eddard Stark, a antiga Mão do Rei, como Rei no Norte, buscado tornarem-se novamente independentes do poder do Trono de Ferro. De forma parecida, Balon Greyjoy, senhor das Ilhas de Ferro reclama para si o trono e a independência desta região.
O segundo arco de histórias se passa no norte de Ponente, na região gelada onde foi construída a grande Muralha de Gelo. Este arco segue principalmente as aventuras de Jon Neve, filho bastando de Lorde Eddard Stark e sua ascensão na hierarquia da Guarda da Noite que, por esta época, encontra-se bastante defasada de homens e de status. Ao mesmo tempo em que tenta manter longe a ameaça dos povos selvagens, liderados pelo Último Rei Além do Muro, Jon vai descobrindo a verdadeira natureza da ameaça que vem das desconhecidas terras do norte.
O terceiro arco se passa no continente oriental de Essos e segue os passos de Daenerys Targaryen, chamada de Filha da Tormenta, a última descendente da Casa Targaryen que também reclama para si o Trono de Ferro, como última herdeira dos antigos reis dragões. Ao longo desta parte da historia, descobrimos como Daenerys se transforma, de fugitiva, em uma rainha astuta e poderosa, senhora de muitos segredos e mãe dos últimos dragões vivos.
Durante o primeiro livro, os três arcos argumentativos se mantêm coesos, aparecendo de forma homogênea. Entre o segundo e o terceiro, chamado de A Storm of Swords (Tormenta de Espada, em tradução livre), o foco é mais voltado para as intrigas internas e as consequências da Guerra dos Cinco Reis pelo trono de Ponente. No quarto livro, A Feast for Crows (Festim de Corvos), no entanto, a coisa já muda um pouco de figura. Martin é um escritor ávido por detalhes, e o resultado disto é a inacreditável quantidade de informações presentes em sua obra. Com o desenrolar da história, os livros tornaram-se cada vez mais volumosos para conseguir conter todas as personagens e seus enredos. O terceiro livro, por exemplo, saiu com a exorbitante quantia de 1022 páginas (tão absurda que em muitos países onde foi traduzido, como Espanha, Portugal e França, ele foi dividido em duas edições distintas).
Tentando por um pouco de ordem nesse exagero, Martin decidiu dividi-la em partes, obedecendo aos seguintes critérios; um livro contaria as aventuras das personagens cujas histórias se passariam no continente, enquanto o seguinte traria as escaramuças das personagens do norte e das terras além de Ponente. Assim, enquanto A Feast for Crows traria as histórias da corte e demais localidades dos Sete Reinos, A Dance with Dragons (Dança com Dragões, em tradução livre), o quinto livro da série, daria enfoque às personagens que estão no norte (Jon Neve e Samwell Tarly, principalmente) e de além mar (Gata dos Canais e Daenerys Targaryen, entre outros). Espera-se que o mesmo procedimento seja adotado também para os livros restantes, The Winds of Winter e A Dream of Spring.
Porém, independente do caminho escolhido por Martin para apresentar o desfecho de suas personagens, o fato é que esta série já é um sucesso comprovado, seja em livros, jogos, suvenires ou HQ’s. Tanto que os direitos autorais foram recentemente adquiridos pela rede de TV norte-americana HBO, que pretende transformá-la em uma série nos mesmos moldes do que foi feito com Roma e The Tudors. Os produtores David Benioff e D.B. Weiss, que estão a cargo da adaptação são, inclusive, os responsáveis por estes dois sucessos.
Agora, a dúvida: diante de tão boa publicidade, resta saber o que mais falta para que alguma editora brasileira perceba o potencial desta série e resolva trazê-la, com todos os tils e ãos necessários ao entendimento de nossa língua mater, para o Brasil.
“O Inverno está chegando”.
Ao se ler ASoIaF, tem-se a estranha sensação de que, dentre todos os lemas das muitas Casas Nobres que desfilam diante de nossos olhos ao longo de toda a série, é a divisa da Casa Stark aquela que parece ser a apropriada às personagens como um todo. Há uma certa fatalidade na maneira de escrever de Martin, como se todos os caminhos levassem ao norte, ao desespero final, como se a vida fosse feita de momentos efêmeros e de esquecimentos e que apenas o final, inevitável, fosse eterno.
Mas, mesmo diante da fatalidade da vida, ainda há a esperança dos dias vindouros. E, talvez, ela venha ligeira nas asas de algum dragão, ou desponte junto ao primeiro raio de sol do verão longínquo. Mas, enquanto isso, é bom que nos preparemos para o longo inverno que se aproxima.
Links de interesse:
Quem tem site sabe que as estatísticas mudam muito de um mês para outro.
Geralmente, os números refletem lançamentos e divulgações, e uma página pouco visitada pode virar um hit instantâneo e depois desaparecer novamente no limbo.
Alguns dados mais técnicos:
(1) 7,5% dos visitantes passaram mais de 30 minutos aqui no site. Quando consideramos a faixa dos 15 minutos o valor sobe para 9,3%.
(2) Portugal ainda é presença modesta, mas já começa a aparecer nas estatísticas. Curiosamente, perdeu em fevereiro para a Alemanha.
(3) Google Chrome apareceu pela primeira vez entre os navegadores, com modesto 1%. O firefox ficou na frente com 44,4%.
(4) As capas dos livros são um chamariz de peso equivalente aos textos. Façam boas capas, pessoal!
(5) Nas palavras de busca ‘fantastik’ aparece em primeiro lugar disparado, o que mostra que muita gente ainda não colocou o site no bookmark! Ô preguiça.
Sobre as páginas de livros e autores:
(1) Com ultrapassagem na última curva, O livro negro dos vampiros foi o maior destaque do site. A coletânea paga da Andross conta com cerca de 50 autores e traz, claro, contos vampirescos.
(2) Em segundo lugar vem Ana Cristina Rodrigues. O resultado se deve à boa divulgação do primeiro livro da Ana em papel.
(3) Quem também tem sido um hit constante desde o lançamento é O vampiro antes Drácula. É um livro referência para todo mundo que gosta do tema. É uma das páginas mais completas aqui do site.
(4) O podcast Papo na Estante sempre tem boa visitação. Mas o primeirão sobre Edgard Allan Poe não sai dos mais visitados. Resultado realmente muito bom. O link para a página do Papo na Estante você encontra alguns posts abaixo.
(5) Outro big hit clássico aqui do site é o artigo da Cristina Lasaitis sobre os subgêneros da ficção-científica. O que é ficção-científica afinal? Aproveitando, esse mês entra no ar um artigo do Rober Pinheiro sobre o George RR Martin. Feito no capricho.
(6) Quase terminando, uma dobradinha vampiresca também se destacou. Kizzy Ysatis e Martha Argel fizeram bonito nas visitações. A Martha já era um hit constante e o sucesso de O vampiro antes de Drácula só fez melhorar a situação.
(7) Por fim, a página da série Necrópole conseguiu uma boa marca. Lá estão os três livros: Histórias de vampiros, histórias de fantasmas e histórias de bruxaria. Para quem gosta de terror, é um prato cheio! Estou negociando com a Camila Fernandes trazer os antigos zines do grupo para cá, vamos ver o que acontece (no pressure).
Post rápido para dizer que dois novos autores entraram para o banco de dados fo Fantastik: Victor Maduro com Além da Terra do Gelo e Suasana Lorena com o livro A mudança das estações, lançado pela editora multifoco.
Ali no Blogroll a novidade é o site da Fábrica dos Sonhos. Só passando lá para saber.
Ana Cristina Rodrigues lança o AnaCrônicas dia 4 de março, a partir das 17h30.
O local? Livaria Leonardo da Vinci.
O preço? R$23.
Onde fica? A Leonardo da Vinci fica na Av. Rio Branco em frente à Caixa Econômica, no subsolo.
Aproveitem e visitem o sebo em frente. Se chama Berinjela.
O nome do edifício é Ed. Marquês de Herval.
A Livraria Leonardo da Vinci é uma grande referência de livros importados no RJ.
Contos Fantásticos no Labirinto de Borges
Editora Casa da Palavra, 285 páginas, 2ª edição em setembro de 2007
Seleção, apresentação e posfácio por Braulio Tavares
Ilustrações por Romero Cavalcanti
Traduções dos contos por Carolina Alfaro, Cristiana Serra, Daniela Pereira de Carvalho, Edmundo Barreiros, Heloisa Seixas, Julio Silveira, Marcos Ribas de Farias, Pedro Süssekind
Jorge Luís Borges é um dos raros autores de literatura fantástica com reconhecimento crítico e acadêmico. Nesta coletânea, Braulio Tavares guia o leitor por dezoito contos que dialogam de diversas formas com a obra deste grande escritor argentino. Desde autores bem conhecidos pelo público, como Franz Kafka, Edgar Allan Poe e H. G. Wells; passando por autores mais conhecidos pelo público que consome literatura fantástica, como Ray Bradbury, Robert L. Stevenson, Arthur Machen e G. K. Chesterton até aqueles que são, praticamente, desconhecidos, como Lord Dunsany, Eden Phillpotts e Ellery Queen.
Alguns contos da seleção feita por Tavares são inéditos em português e apresentam obras raras de autores conhecidos, como é o caso de “O Ovo de Cristal”, de H. G. Wells. Em outros casos, como “Um artista da fome”, é interessante reler – agora sob uma ótica “borgiana”: a mudança de “lentes” traz um renovado e interessante olhar para algo já bem conhecido.
Poderia justificar essa dica de leitura apenas com isso: a seleção de grandes autores, os textos inéditos, as análises históricas e o posfácio com que Braulio presenteia os leitores ao final do livro (e leia-o apenas ao final, para não ter surpresas interessantes estragadas). Mas, prefiro outro argumento: é uma excelente coletânea, daquelas raras em que nenhum texto é, de fato, ruim – e a maioria é excelente. Se você quer conhecer a Literatura (assim, com o “éle” maiúsculo) fantástica, este livro é um excelente começo.
Descobri Michael Chabon na época de Garotos Incríveis. Foi uma surpresa e tanto esbarrar com Yiddish Policemen’s Union, uma história alternativa muito elogiada pela imprensa. Espia a contracapa:
“For sixty years, Jewish refugees and their descendants have prospered in the Federal District of Sitka in the Alaskan panhandle – a “temporary” safe haven created in the wake of the Holocaust and the shocking 1948 collapse of the fledgling state of Israel. But now the District is set to revert to Alaska control, and their dream is coming to an end”.
Pois o livro acaba de ser lançado em português pela Companhia das Letras. Apesar do climão de história alternativa (ficção-científica), a editora preferiu vender o livro como um policial, utilizando inclusive a identidade visual. O livro saiu como Associação Judaica de Polícia e, gostem ou não da editora, é um título que merece uma leitura.
Quem quiser conhecer um pouco mais, saiu uma resenha na Terra Magazine assinada pelo Causo. Só para ninguém se confundir, vale um aviso: a capa que está lá não é da edição brasileira.
Release:
Cada estação guarda em si características que pode também pertencer a algumas das pessoas a sua volta. O calor e paixão do verão. A alegria e inocência da primavera. A introspecção e solidão do outono. A frieza e distância do inverno. Todas essas estações em um ano. Todos esses sentimentos em nove contos, numa mistura de gêneros e histórias.
Todas elas buscam a surpresa, em qualquer situação. Cada personagem se mostra o mais real possível, com verdadeiros problemas, traços e detalhes, podendo ser qualquer pessoa que você conheça. Não importando o quão impossível os acontecimentos sejam. O que poderia acontecer numa visita à cidade em que cresceu? Ou numa simples descida ao porão de casa? Como terminaria uma briga inocente entre duas gêmeas? Contos que passam por suspense, terror e até mesmo romance, contados em uma narrativa dinâmica que tenta prender o leitor a cada palavra.
O primeiro livro dessa autora reúne nove contos escritos durante o ano de 2008, muitos deles enquanto ela fazia parte do grupo Irmandade das Sombras, grupo de escritores de literatura fantástica. Criados a partir das mais variadas formas de inspirações. Desde músicas, fotografia e até acontecimentos reais na vida dela, tudo é possível de se tornar uma história que vale a pena ser contada.
Trecho do livro:
Era mais um pôr do sol que ela assistia da janela. O céu mudava de um tom alaranjado para um tom de rosa estranho. Logo seria possível ver algumas estrelas. A lua já era visível. A maioria das pessoas quando olha para o céu a noite se interessa pela lua, ou pelas estrelas cintilando. Não ela. Estava interessada no manto negro que cobria o céu nas noites. A escuridão que cobria todas as coisas. Claro, a lua também tinha seu charme, mas a escuridão era a atriz principal no espetáculo que a noite apresentava vez após vez.
Contos:
Como se parte um coração: O que seu amor não conta para você.
Caça: Mulher e cachorro são duas metades de um mesmo caçador sanguinário.
Gêmeas: Brigas podem ser bem mais do que um simples rivalidade entre irmãs.
Felizes para sempre: Até onde você iria para viver uma vida feliz e perfeita?
O beijo: Uma mulher está para ser morta na fogueira acusada de bruxaria. Ele precisa impedir isso e pagar o preço.
No escuro: Na escuridão se escondem coisas que você não imagina.
Da última vez: Um casal pacato vai voltar ao seu antigo trabalho. Um trabalho que já quase custou a vida de um deles.
Árvore dos sonhos: As coisas que se perdem ao longo dos anos precisam ser recuperadas.
Mohave: Uma cidade é invadida por vampiros. E esse casal tem mais do que bons motivos para exterminá-los.
E agora com vocês, a autora:
Sempre gostei de escrever e escolher a área de exatas não me afastou dessa paixão pela ficção. Agora estou lançando meu primeiro livro de contos. Fui resenhista de filmes de suspense e terror na Zine “IS Magazine. Tenho contos publicados no site “Contos Grotescos”. O conto “Da última vez”, presente nesse livro, é um conto vencedor do último concurso literário de Porto Seguro.
Ah, os livros da Multifoco só podem ser adquiridos pelo site da editora.
Release:
Quem dera Vanhardt fosse apenas um garoto comum lutando contra a rejeição dos outros habitantes de Crivengart, uma vila ao norte da Terra do Gelo. Ele é também o filho de uma deusa. Quando adulto, o rapaz se vê obrigado a sair numa incrível jornada que se mostraria mais longa, difícil e maravilhosa que se poderia supor. Com a ajuda da poderosa deusa do gelo, além de amigos que faz durante o caminho, Vanhardt irá enfrentar desafios épicos. O fantástico mundo de Kether oferecerá perigos como vermes gigantes, exércitos de seres amaldiçoados, feiticeiras, portais selados e ocultos, e o jovem deverá mostrar toda a inteligência, força e crescimento interior para superar tais obstáculos.
Trecho do livro:
Vanhardt nasceu num lugar chamado “terra do gelo”, região ao extremo norte de Kether onde há neve o ano todo. Seria mentira se não dissesse que o garoto teve uma infância muito difícil e solitária; era o menino da vila de Crivengart que todos cuidavam para manter à distância. Nunca encontrou colegas para brincar, e via de longe os garotos correrem uns atrás dos outros, subir em pinheiros, lutar com galhos quebrados como se fossem espadas. O pior, de qualquer maneira, nem era isso. O pior era que ele já se acostumava. Sentia-se diferente, e o fato de ser muito pequeno comparado aos meninos de sua idade não ajudava em nada. A distração favorita do garoto era observar o pai, Thomas, o carpinteiro, trabalhar. Sua mãe, Dóris, morrera logo após seu nascimento, e Thomas teve de criá-lo sozinho.
Certo dia, do alto de seus sete anos de idade (na verdade, ainda era baixinho), Vanhardt viu os garotos vizinhos montarem fortes de neve. Os meninos simularam uma guerra, jogando bolas de neve uns nos outros enquanto se escondiam nos fortes, gritando e gargalhando. Era uma oportunidade! Queria viver como qualquer outro moleque de crivengart, queria ter amigos, brincar. Os olhinhos de Vanhardt brilhavam de alegria, e depois de alguns minutos ele tomou coragem e pediu para entrar na brincadeira:
— Posso brincar também? – gritou bem alto, parado no meio do campo de batalha.
Um silêncio profundo pairou no ar por alguns segundos, enquanto todos, imóveis e sérios, olhavam para Vanhardt.
Autor:
Victor Maduro, natural de Ipatinga-MG, desde criança fascinado com a “fantasia” em suas várias facetas: livros, RPG, filmes, desenhos como Caverna do Dragão, e animes. Sempre envolvido com o mundo das letras, publicou contos em jornais da medicina, informes internos e numa antologia de contos medievais. Atualmente com 24 anos, cursando a Faculdade de Medicina da UFMG.