
Sinopse:
Silêncio. O lugar onde os Deuses habitavam e chamavam de seu. O ponto onde tudo se iniciava e se transformava, mas que, como todos os outros, não era imune ao tempo.
Dez Deuses que, após muito trabalho, conseguiram criar um universo pacífico e sem erros. Um trabalho perfeito, que trouxe alguns inconvenientes. Tudo que tinham de fazer agora era cumprir com seus afazeres. O tempo corria, e nada acontecia. Cansados, um deles, aquele que aparentava ser o mais forte, propôs um jogo.
Deu-se início. Enquanto as peças se moviam, milhares de idéias afloravam em suas cabeças.
O que aparentava ser um simples jogo acabou se transformando no maior planeta já visto até então.
Hemisfério mal havia nascido, e já era o palco para uma estranha e sangrenta batalha. Os Deuses, assustados, observavam. Resolveram intervir. Mas em nenhum momento esperavam tal recepção. Palavras foram arremessadas como flechas. A situação estava fora de controle. Num piscar de olhos, os Deuses se viram de volta à Silêncio. Com o orgulho ferido, decidiram agir. Mas agora era tarde demais.
Daquele dia em diante, os Deuses vêm tentando restabelecer contato com Hemisfério, sem imaginar o que estava a acontecer naquelas terras.
Os mortais, acostumados com uma vida de paz e tranqüilidade, se encontravam agora dentro das mais estranhas situações.
E foi Lad, um desses mortais, o primeiro a descobrir que tudo aquilo era apenas o início.
Trecho do livro:
Silêncio. Entre tantas coisas interessantes e comuns, vidas e sombras, existe o Silêncio. É lá onde eles moram. Dez Deuses, dotados das mais variadas formas e personalidades. Em Silêncio habitam donos de poderes infinitos e pensamentos eternos. Silêncio era uma planície coberta por uma tenra e verde grama. Montanhas não existiam naquele lugar, fazendo com que o vento corresse incessantemente. O infinito verde da grama era recortado, em seu centro, por um colorido jardim. Um jardim de tulipas, das mais variadas cores e tamanhos, com suas flores a abrir e fechar. Os Deuses passavam grande parte do tempo naquele jardim. Por lá ficavam a conversar, tomavam importantes decisões, ou simplesmente observavam o tempo ser carregado pelo vento.
No centro desse belo jardim, se encontrava Kunr Anime, a casa dos Deuses. Aquele jardim era o lugar mais belo daquela planície, e por isso construíram a casa em seu exato centro. Todos os dez nela moravam, por isso a razão de seu tamanho. Era preciso subir grandes escadas dos mais variados formatos para entrar em Kunr Anime, pois, diferente das outras casas, ela não se encontrava no chão. As escadas eram os únicos pontos onde a casa mantinha algum contato com o chão, pois era sustentada por um grande homem com asas, que ficava a sustenta-la em seus braços por todo o tempo. Suas longas asas batiam incessantemente, fazendo assim com que o vento ao redor da casa corresse ainda mais rapidamente. Por todo o tempo, somente suas asas se mexiam.
Toda a casa era constituída de algo semelhante a um mármore azul, que facilmente reluzia qualquer luz. As pilastras que seguravam o teto tinham o formato de grandes tamanduás, que apoiados em suas patas traseiras, levantavam suas cabeças e, com suas línguas, seguravam o estranho teto que parecia mudar a cada instante. Num momento era como o restante da casa, no outro, como se fosse constituído por vários ossos. O chão de Kunr Anime era como um grande rio congelado, pois debaixo de sua crosta transparente, a impressão era que uma grande quantidade de água por ali corria.
Dentre as dezenas de quartos e salas existentes em Kunr Anime, uma era a mais usada, por isso, acabaram apelidando-na de Grande Cauda. Uma grande sala iluminada por abelhas que carregavam troncos recheados de fogo. No centro da Grande Cauda, existia uma grande mesa rodeada por dez cadeiras. Eram inúmeras as vezes em que se reuniam ao seu redor, quando não estavam no jardim. A Grande Cauda era o único cômodo da casa que dava acesso a todos os outros. Era impossível adentrar na casa sem passar por ela. Assim como era impossível um Deus ir para seus aposentos sem passar pelo Salão da Estrela.
O Salão da Estrela foi assim nomeado devido seu formato, que parecia com uma estrela de dez pontas. E cada uma dessas pontas era o corredor que dava acesso a um dos aposentos dos deuses. Cada uma das paredes que compunha os corredores tinha a seu lado, como se a mantivesse erguida, uma gigantesca estátua. Flamingo. Golfinho. Antílope. Esquilo. Jacaré. Gato. Cavalo. Leão-Marinho. Raposa e Polvo. Cada um desses animais, em forma de grandes estátuas, seguravam as paredes dos corredores. E ao fim de cada um destes, existia uma porta que se encontrava sempre fechada. O aposento onde repousavam. Em alguns dos corredores, próximo à porta de seus quartos, residia algo que parecia ser somente uma velha manta. Por todo o tempo elas ali permaneciam.
Por mais bela que fosse a casa, eles gostavam mesmo era de ficar no Jardim das Tulipas, e lá estavam naquele momento. Lóbulos tocava de maneira suave seu Oboé. Próximo a ele, Lahguna e Póllus, que jogavam uma partida de gamão. O jogo preferido dos Deuses. Zathara estava distante do restante do grupo. Olhava para o céu, pois naquele momento, estava a se entreter com suas Nurtas e Bóris. Havia criado três grandes bolas de fogo e três grandes pedras brancas que ficavam a girar pelo céu. Eram bonitos, mas nada como o tempo para fazer com que Zathara rapidamente se esquecesse deles.
Enquanto isso, Anchlión e os outros conversavam.
- Estamos há séculos parados como estátuas. Será que não existe nada no momento que precise de nossa intervenção? Imagino que todos aqui estejam cansados de ficar parados. – Reclamava Golffus.
- Está tudo correndo de maneira pacífica há séculos. Executamos nossos trabalho com perfeição, por isso tudo se encontra na mais perfeita harmonia. Inclusive nós. Mas acredito que em breve teremos algo empolgante para realizarmos. – Dizia Anchlión.
Sobre o autor:
Gerson J.V. Couto é Paulista, cresceu em Minas Gerais e, morando na capital carioca, se dedica às artes como literatura, música, e dança. Atualmente com 27 anos, cursa o Bacharelado em Dança – UFRJ, enquanto se dedica ao término de seu terceiro livro.
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