Sinopse de Crianças da noite:
Quando o sol se põe e as trevas depositam sua ira sobre a face da Terra, seres sombrios despertam.
Criaturas sobrenaturais como os vampiros espreitam pela noite, realizando suas caçadas sangrentas às escondidas dos olhos mortais. Mas até mesmo no mundo proibido dos vampiros existe política, conflito e, principalmente, traição. No momento que se descobre um vampiro espião infiltrado em uma poderosa seita, tem início uma verdadeira guerra. Uma violenta guerra que trás à tona um valioso segredo que vem desde a época da criação do mundo. Esse segredo que é a base para o verdadeiro conhecimento.
Antigos pergaminhos que narram uma terrível profecia foram espalhados pelo mundo. Agora é necessário uma união improvável entre alguns vampiros para que se descubra os mistérios desta profecia.
O tempo corre contra. Sinais precedem o Fim dos Tempos.
Vampiros, Lobisomens, Magos, Aparições. Um verdadeiro universo obscuro existe ao nosso redor.
A batalha entre os vampiros mudará a vida humana.

 

Trecho do livro:
Não andavam depressa. Havia raízes e tocos de ávores no caminho, pouco visíveis na escuridão quase total. Procuravam desviar de gravetos para fazer o mínimo possível de barulho.
- Vocês repararam no silêncio?
- Sim, eu estava percebendo isso há algum tempo.
- Engraçado. Nas outra noites havia bastante barulho e… PARA TRÁS DAQUELA ÁRVORE!
Foram para fora da trilha, e ficaram atrás de um enorme carvalho. Um puxou a faca que estava escondida na sua calça, enquanto um outro apagava a lanterna. Apuraram os ouvidos. Alguma coisa deslisava pelas folhas mortas ali perto. Concentraram na trilha escura à frente, mas, passados alguns segundos, o ruído desapareceu.
- Estamos em perigo.
- O que era?
- Não era apenas um lobo.

Um som estalado e alto, e, de repente, a carne das costas rasgada por uma poderosa garra.
A escuridão parecia estar empurando para dentro as órbitas dos olhos dos outros vampiros, enquanto observavam aterrorizados.
Então eles viram a criatura que atacara. A verdadeira Morte Final sobre duas pernas grandes e peludas. Com três metros e pouco, presas e garras enormes, a cabeça de um lobo e músculos de aço sob um espesso casaco de peles: um Lobisomem na sua forma mais poderosa…

O autor:
Juliano é Engenheiro Agrônomo e escritor. Nasceu a 6 de dezembro de 1985, em Andradas, MG. Escreveu seu primeiro livro (uma publicação independente) com 18 anos. Gosta de diversos gêneros literários, sendo o preferido: literatura fantástica. Boêmio, gosta de sair e se divertir. Adora fazer novas amizades e ter contato direto com os leitores. Escreveu livros de suspense e de fantasia. Criou um mundo habitado por elfos, magos, anões, guerreiros, dragões e outras criaturas mágicas, no qual já escreveu as duas primeiras das quatros histórias programadas.

Paulo Coelho

4:29 pm

   

100 milhões de livros depois, Paulo Coelho ainda causa polêmica no Brasil. Literatura ou auto-ajuda? Essa é a pergunta mais freqüente. Aqui no Fantastik, Paulo Coelho é, pelo menos em parte, autor de literatura fantástica.  Bruxas? Valquírias? Demônios? Anjos? Por que não?

A bruxa de Portobello: Quem é Athena? A órfã abandonada pela mãe cigana na Transilvânia. A criança levada pelos pais adotivos para Beirute. A funcionária de um grande banco em Londres. A bem sucedida vendedora de terrenos em Dubai. A sacerdotisa de Portobello Road. Athena é o personagem principal de ‘A bruxa de Portobello’. Quem conta a história são as pessoas que conviveram com ela. Sua mãe adotiva, um jornalista interessado em vampirismo, um padre, um mestre de caligrafia, uma atriz, entre outros. Eles traçam diferentes perfis da personagem, mesclando acontecimentos com impressões, crenças próprias, anseios.

Brida: Um texto anônimo diz que cada um de nós, em sua existência, pode ter duas atitudes – construir ou plantar. Os construtores podem demorar anos em suas tarefas, mas um dia terminam e acabam por ficar limitados às suas próprias paredes. A vida perde sentido quando a construção acaba. Os que plantam podem sofrer tempestades e poucas vezes descansam. Mas o jardim jamais cessa de crescer e, ainda que exija a atenção do jardineiro, também permite que a vida seja uma grande aventura. Na história de cada planta está o crescimento de toda a terra.

As Valkírias: Em 1988, Paulo Coelho e sua mulher, a artista plástica Christina Oiticica, passaram quarenta dias no deserto do Mojave, em busca de uma das mais importantes experiências místicas do ser humano – a conversa com o Anjo da Guarda. As armadilhas do deserto, o processo mágico da canalização, os conflitos do casamento, a simplicidade da busca, o surpreendente encontro com mulheres que já tinham visto seus anjos – tudo isto faz de ‘As Valkírias’ um livro dirigido àqueles que estão procurando criar e participar de um novo mundo.

O demônio e a Srta. Prym: Com ‘O demônio e a Srta. Prym’, Paulo Coelho concluiu a trilogia ‘E no sétimo dia…’, da qual fazem parte ‘Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei’ e ‘Veronika decide morrer’. Os três livros falam de uma semana na vida de pessoas normais, que subitamente se vêem confrontadas com o amor, a morte, e o poder. Quando menos esperamos, a vida coloca diante de nós um desafio para testar nossa coragem e nossa vontade de mudança; neste momento, não adianta fingir que nada acontece, ou desculpar-se dizendo que ainda não estamos prontos. O desafio não espera. A vida não olha para trás. Uma semana é tempo suficiente para sabermos decidir se aceitamos ou não o nosso destino.

Livros lançados até agora:
Os Sete
O Senhor da Chuva
Sétimo
Sementes no Gelo
A Casa
Bento
O Vampiro Rei vol. 1
O Vampiro Rei vol. 2
O turno da noite vol. 1: Os filhos de Sétimo
O turno da noite vol. 2: Revelações
O turno da noite vol. 3: O livro de Jó
Vampiros do Rio Douro vol. 1
Vampiros do Rio Douro vol. 2
O Caminho do Poço das Lágrimas

Novo trabalho: Caminho do Poço das Lágrimas.

Release de O caminho do poço das lágrimas:
Jonas viajava com os filhos Ingrid e Bosco por uma estrada escura. De repente, os três adormecem e, quando acordam, depois de muitos sonhos agitados, se dão conta de que estão em um vasto campo verde. O carro em que viajavam desapareceu e a única saída daquele campo é um caminho formado por pedras justapostas… é o Caminho do Poço das Lágrimas. Mas para onde os levará esse caminho? Que mistérios e perigos os esperam?

Release:
Frodo Oliveira tem nome de personagem, mas é um autor que lança seu primeiro livro, no qual reúne alguns contos já antes publicados em seu blog. E nestes exercícios literários, nos brinda com instigantes passeios pelo sobrenatural, pelo suspense e pelo terror, buscando trilhar caminhos inesperados, capazes de levar os leitores pela senda da surpresa.
Os contos, aqui reunidos em Extrema Perfeição, revelam os paradoxos e as crueldades do cotidiano, muitas vezes abafadas pelas aparências e ilusões; é justamente tal contradição o cerne do tom misterioso que alinhava as narrativas e as aloca como peças de um jogo ficcional, interessado em revelar a precariedade humana em meio a sua imperfeição extrema, representada pela sutil ironia do autor.

No conto homônimo do livro, somos surpreendidos pela narrativa que dispõe as peças aos poucos, revelando a cruel tensão entre o perfeito e o imperfeito da alma humana, e, de forma capciosa, desconstruindo qualquer obviedade.
Em Sinistro, o sobrenatural mescla-se à experimentação de uma linguagem representativa da dicção carioca. Essa mesma dicção reaparece em Elvis não morreu, conto que inverte a frase feita e a reinventa, em um enredo que aborda, de forma surpreendente, a semente e o desabrochar da barbárie, em um cotidiano aparentemente normal.
A experimentação com a variação regional lingüística, dessa vez nordestina, reaparece em O almoço, conto que encerra o livro, revelando o desespero da miséria, figurado de forma ainda mais dolorosa em Chumbinho. E se passeia pelas variações lingüísticas nos referidos contos, em O engano mostra como o mau uso da língua portuguesa, quando a serviço de línguas ferinas e ignorantes, é, literalmente, um caso de morte.

Em Kamille, o experimental está na estrutura narrativa, calcada no diálogo com a estratégia do camera-eye; disposta de modo estereoscópico e sustentada pela marcação do tempo, a narrativa aborda as diferentes percepções das personagens, em pontos de vista que se mesclarão no epílogo surpreendente.
Poderíamos ainda destacar no livro a interessante relação entre memória, mentira e resgate em Amnésia e o inusitado conforto trazido pela morte em A menina que fazia chover. Por fim, sublinhamos, em A maldição, o instigante intertexto com a narrativa bíblica e a sedução humana pela cobiça e pela vaidade. Com competência, Frodo Oliveira costura em sua ficção os sonhos, as fragilidades e os desesperos do homem, sempre de forma criativa e inusitada. E é com prazer que anuncio neste prefácio: Frodo é o nome de um autor, que nos convida e desafia em seus contos, a segui-lo em sua viagem fantástica…

 Trecho do conto Abstinência:
“Acordou. Ainda estava escuro lá fora. Pela janela aberta viu a claridade fosca da lua, que entrava pela cortina agitada pelo vento frio da madrugada. Engraçado, podia jurar que a janela do quarto estava fechada quando chegaram. Percebeu que estava sozinho no quarto. Levantou-se para fechar a janela, pois estava sentindo frio. Viu que continuava completamente despido e virou-se para procurar sua roupa, mas escorregou em alguma coisa viscosa que encharcava o chão e quase caiu. Conseguiu equilibrar-se, soltou um palavrão enquanto tateava pela parede, tentando encontrar o interruptor para acender a luz. Apertou o botão, mas estranhamente nada aconteceu. Sentia-se tonto, provavelmente efeito do vinho.
- Andréia, onde está você?
Silêncio.
- Droga! Onde essa mulher se meteu?
Podia sentir a viscosidade grudando seu pé esquerdo no assoalho de tábua corrida. Continuou tateando até encontrar uma estante, e conseguiu divisar um abajur. Puxou a cordinha e a pequena luz acendeu, lançando uma claridade amarelada no quarto escuro. Virou-se, procurando suas roupas. Foi quando percebeu uma mancha escura em cima da cama. Aproximou-se mais, passou um dedo no lençol e examinou aquele líquido que escorria da cama e banhava todo o chão do quarto.
- Mas isso é… Sangue!
Olhou ao redor do quarto mal-iluminado e viu seus próprios passos… O quarto estava coberto por marcas dos seus pés sujos de sangue. Uma mão.   Havia uma mão que saía de baixo da cama. Aproximou-se e levantou a ponta do lençol. Olhou horrorizado, era um corpo. O corpo de Andréia.
Soltou um grito abafado e puxou o corpo pela mão. Ela estava nua, como estivera horas atrás, em seus braços. A diferença é que agora ela estava morta. No rosto, uma expressão de surpresa. No abdômen, uma faca de cozinha cravada até o cabo.”

Sobre o autor:
Frodo Oliveira nasceu em 30 de dezembro de 1967 na cidade de Recife, Pernambuco. Reside há mais de vinte anos no Rio de Janeiro, onde é comerciário e acadêmico de Letras da Faculdade Simonsen. Além do livro Extrema Perfeição (2007), publicou trabalhos nas antologias Noctâmbulos (2007) e Caminhos do Medo (2008), ambas pela Andross Editora, a acaba de concluir seu segundo livro, A Torre Negra, com lançamento previsto para o final de 2008. Mantém atualmente um site no Recanto das Letras e um blog, onde publica contos, crônicas e poemas de sua autoria.

A ficção-científica um gênero muito rico, que engloba vários subgêneros, comportando obras tão diferentes entre si que muita gente nem suspeita se tratar de FC. Costumam designa-la também como ficção especulativa, porque sua função é especular sobre realidades diferentes e explorar novos universos de possibilidades. É a ficção do: “como seria se…?”, e sobre essa pergunta, os autores constroem universos inteiros dentro de uma complexidade própria, abordando aspectos científicos, políticos, tecnológicos e culturais; partindo de premissas que nos conduzem a reflexões por horizontes além dos limites do convencional. E é aí que reside o grande valor da ficção científica: ela exercita a criatividade, a imaginação, o raciocínio, o poder de abstração e a flexibilidade de pensamento. São habilidades exploradas pela literatura como um todo, mas que florescem de forma especial quando a ficção extrapola as fronteiras do cotidiano.

A ficção científica pode ser fatiada em vários subgêneros, que não são absolutos. Muitas obras não podem ser classificadas dentro de uma vertente ou outra, por reunirem características de vários subgêneros. Farei um resumo das principais vanguardas da FC, mas entenda que as fronteiras que separam uma e outra são tênues, algumas fizeram sentido em momentos específicos da literatura, outras são divisões tão virtuais quanto as dos times de futebol.

Hard Science Fiction

É um dos gêneros mais clássicos da FC, cujo principal representante é o escritor Arthur C. Clarke e sua famosa Odisséia 2001. O grande barato da FC hard é dar embasamento científico para as maravilhas tecnológicas inventadas pelo autor, valorizando a acurácia, a viabilidade técnica, os detalhes, a verossimilhança. Imagine uma nave em órbita, a milhares de quilômetros da Terra, e pense numa forma de fazer com que nela exista gravidade. Esse é um problema clássico para os diretores de Hollywood (tendo em vista que a gravidade zero pode gerar um buraco-negro no orçamento de um filme). No filme Armageddon, a solução foi instalar um “botão de gravidade” na parede da nave; já na Odisséia 2001, a solução de Arthur Clarke foi dar à estação orbital um eixo de rotação mantido por inércia, para que a força centrípeta sirva como gravidade simulada. Nesse quesito, a ficção hard passa muito perto da ciência aplicada, e, como próprio nome diz, é hard – dura, difícil – porque exige que o escritor tenha um bom conhecimento científico.

Além da série Odisséia, outras obras interessantes são Encontro com Rama, A Cidade e as Estrelas e O Fim da Infância; todas essas do vovô Clarke.

Soft Science Fiction

Arte de capa de Um Estranho Numa Terra Estranha, de Robert Heinlein

Contrapondo à ficção hard, que tem foco nas ciências exatas e tecnologia, a ficção soft é centrada no ser humano e na sociedade. Refere-se, de modo geral, às obras de ficção científica com um pé nas ciências humanas, cujo intuito é, através de comparações, tecer críticas sobre os modelos sócio-culturais e político-hierárquicos de nossa realidade. A soft sci-fi floresceu nos anos 60/70, num momento histórico de grandes transformações sociais; época em que o movimento feminista estava nas ruas, nascia o movimento gay, triunfava a luta pela igualdade racial com a derrubada das leis racistas nos EUA, a América Latina sofria com o cabresto das ditaduras militares e o mundo vivia sob a tensão da Guerra Fria.

Os autores que mais se destacaram nesse gênero foram Robert Heinlein (com Um Estranho Numa Terra Estranha) e Ursula K. Le Guin (com A Mão Esquerda da Escuridão e Os Despossuídos).

Em A Mão Esquerda da Escuridão, Le Guin apresenta um planeta onde vive uma espécie humana muito singular pela característica de ser totalmente hermafrodita e andrógina. Não existem sexos nem papéis sexuais pré-estabelecidos, toda e qualquer pessoa pode ser pai e ser mãe. Na viagem através desse mundo, o leitor experimenta a vivência de uma realidade onde a dicotomia mais básica da nossa psique – o masculino/feminino – é rompida. Uma experiência literária e tanto!

Distopia

Grandiosidade é a marca registrada dos regimes autoritários

Um gênero inteiro dedicado a tratar de utopias que saíram pela culatra. Ficção ou nem tão ficção assim, as distopias exploram meios de opressão institucionalizada, cujos padrões se repetem interminavelmente na história da humanidade. É provável que estejam entre as obras mais conhecidas da ficção científica (raramente assumidas como FC): Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley), 1984 (George Orwell), Farenheit 451 (Ray Bradbury), Laranja Mecânica (Anthony Burgess), O Caçador de Andróides (ou Blade Runner, Philip K. Dick) e The Handmaid’s Tale (Margaret Atwood). No cinema, bons exemplos são os filmes Gattaca, Filhos da Esperança, Aeon Flux, além das adaptações das obras já citadas. A receita da boa distopia é angustiar o leitor situando-o numa atmosfera opressiva, de regras intrincadas, leis injustas, estreita vigilância, desesperança e desilusão. Um dos meus livros preferidos nessa vertente é The Handmaid’s Tale, que remonta a um Estados Unidos alternativo dominado por uma ordem religiosa fundamentalista que instituiu uma estrutura social rígida baseada nos preceitos do Velho Testamento. Para tal, todas as mulheres perdem o status de cidadãs e são apropriadas pelo Estado, grande parte delas se tornam aias, na verdade, ventres-de-aluguel, e são mandadas para as casas dos coronéis do sistema para lhes dar filhos. O detalhe é que após uma guerra química os homens ficaram estéreis, e caso as aias não consigam conceber a curto-prazo, são enviadas para campos de extermínio. Injustamente, The Handmaid’s Tale é uma obra pouco conhecida no Brasil, (onde foi publicada como O Conto da Aia, em 2006, pela Rocco). Na minha opinião, é uma distopia tão potente quanto 1984.

Space Opera

Duna, de Frank Herbert, já está na sua terceira adaptação cinematográfica

A faceta mais pulp da FC. Aqui estão as guerras de naves que fazem barulho no espaço, as pistolas de raios-laser, os caçadores de recompensa e salvadores de mocinhas indefesas raptadas por monstros do espaço sideral. O space opera traz a marca das aventuras melodramáticas e românticas, do maniqueísmo – bem versus mal (sendo que o bem sempre vence no final) – gerador de heróis galantes invencíveis e vilões terríveis e feios. São exageros e clichês inumeráveis, mas que fizeram história no cinema e nos folhetins estilo Amazing Stories. Algumas obras que flertam (muito) com o space opera são Star Wars, Battlestar Galactica e Duna (de Frank Herbert). Em Duna, por exemplo, há uma atmosfera messiânica cercando a figura do herói, Paul Atreides, que move uma guerra contra seu arqui-inimigo, o maquiavélico Barão Harkonnen, para vingar a morte de seu pai e reconquistar o poder sobre seu feudo – o planeta Arrakis-Duna. Nada aqui é tão simples ou tão bobo como os clichês do space opera fazem parecer. Herbert teve o mérito de construir um cenário magnífico, com tramas políticas complexas e uma saga muito envolvente e bem narrada, que tornaram Duna o mais venerado épico da ficção científica.

Cyberpunk

A inconfundível estética cyberpunk

Vida desgraçada com alta tecnologia – essa é a premissa e a promessa do estilo cyberpunk. Tudo começou em 1984 com a publicação de Neuromancer, de William Gibson, um romance tão diferente de tudo que existia até então, que provocou um impacto imediato e profundo na ficção científica. Aqui, o hacker é o herói, o ciberespaço é o campo de batalha, o submundo das ruas é o cenário, o capitalismo selvagem é o pano de fundo, os implantes ciborgues, computadores e aparatos eletrônicos são o tempero.

O cyberpunk é dotado de um apelo estético poderosíssimo, reconhecível a quilômetros de distância. São comuns os cenários noturnos das megalópoles industriais, as roupas escuras de tecidos sintéticos, aparelhagem tecnológica, muitos implantes, sexo, drogas e rock’n’roll, o estilo de vida desconexo e anfetaminado, o palavreado de sarjeta, espiões, mercenários, samurais pós-modernos, figurões da máfia, inteligências artificiais, megacorporações, a coisificação generalizada, o desencantamento da realidade e o sempre presente mundo virtual. Foi com Neuromancer que nasceu a idéia do ciberespaço, uma profecia que se realizou anos mais tarde com o surgimento da internet. Já outro clássico cyber, Snowcrash (Nevasca), de Neal Stephenson, originou a idéia de realidade virtual compartilhada, o que hoje temos com o Second Life.

Se você está pensando em Matrix, acertou. A rede matrix, propriamente dita, surgiu em Neuromancer, que foi o ponto de partida para a trilogia cinematográfica Matrix, Matrix Reloaded e Matrix Revolutions.

O cyberpunk nasceu como a profecia de um “futuro terrível, porém provável”, ao menos, era o futuro para o qual o mundo parecia estar caminhando nos anos 80. Mas hoje em dia o futuro não é mais como era antigamente. A onda cyber nos atingiu, legou-nos a internet, os celulares e as noites delirantes em companhia dos computadores; e passou… tantas coisas mudaram, tantas ficaram como sempre são. É nesse instante que o filósofo olha para o hacker e pergunta: “e agora? o que vem depois?”, e o hacker responde: “Não vem. O cyber morreu. Viva o pós-cyber!”

Steampunk

Amostra de um futuro que jamais houve

Um dia William Gibson (o mesmo autor de Neuromancer) acordou com um bug nas idéias, se reuniu com Bruce Sterling e juntos eles decidiram desenterrar o projeto da máquina diferencial de Charles Babbage (que se tivesse funcionado teria se tornado o primeiro computador da história, isso em… 1822!), puseram-na para funcionar sob forças fictícias e criaram um desvio na história, situando a revolução da informática um século antes que ela realmente acontecesse. O resultado foi The Difference Engine, outro romance que chegou para abalar a FC com estilo.

Imagine você que maravilha o mundo computadorizado batendo cartões em máquinas a vapor, os céus tomados por zeppelins movidos por piloto automático e a Rainha Vitória atravessando os oceanos com os submarinos da Nautilus Rapinante Ltda. Sim, isso mais parece Júlio Verne recauchutado, com engrenagens de ouro e rococós barrocos. O steampunk – punk a vapor – é a tendência que veio explorar o progresso científico que o passado poderia ter vivido e que jamais aconteceu. A premissa sempre é fundamentada em um ponto crítico da história, gerando um desvio para uma revolução tecnológica bem-sucedida.

Nos quadrinhos, o gênero foi muito bem explorado por Alan Moore em A Liga Extraordinária (cuja adaptação cinematográfica deixa a desejar). E mais recentemente, o filme A Bússola de Ouro traz uma linda amostra dos devaneios estéticos do steampunk.

Na verdade, o punk a vapor é um gênero pouco ou nada funcional, mas com um apelo estético fortíssimo, retro-futurista e quase parnasiano. Em outras palavras: “essa engenhoca do vovô não serve pra nada, mas é tão bonitinha, tão legal, tão bacana…!!”

História Alternativa

E se…?

E se os nazistas tivessem ganho a segunda guerra mundial? E se Napoleão vencesse a batalha contra a Rússia? Como seria se a colonização holandesa tivesse vingado no Brasil?

Perguntas desse tipo deram origem a um gênero inteiro dentro da ficção especulativa que se dedica a recontar a história, criando realidades alternativas que divergiram da nossa em um ponto crucial do passado.

A obra mais conhecida é O Homem do Castelo Alto, de Philip K. Dick, que responde exatamente à questão: e se o Eixo tivesse vencido a segunda guerra? O romance de Dick apresenta um mundo dominado por duas potências: Alemanha e Japão. Os personagens são pessoas comuns oprimidas pela estrutura social fundamentada nas ideologias racistas que se tornaram parte do zeitgeist dessa nova ordem mundial, onde os negros são escravos e os poucos judeus que ainda existem vivem na iminência do extermínio.

Também é digno de nota o livro Outros Brasis, de Gérson Lódi-Ribeiro, que traz insights de realidades alternativas brasileiras. Por exemplo, se o Quilombo dos Palmares tivesse resistido, teriam os quilombolas criado seu próprio Brasil Palmarino? E ainda, se o Paraguai tivesse ganho a Guerra do Paraguai, teria se tornado a potência sulamericana que de fato prometera ser? E não seria o Brasil somente um paisinho agrícola sob sua esfera de influência? Questões intrigantes, possibilidades infinitas.

New Weird

Concepção artística de Perdido Street Station

Novo estranho. Novo, muito novo mesmo, tem sido considerado por algumas pessoas o gênero da vez. E como toda avant-garde que se preze tem um manifesto de origem, cito o manifesto new weird, na definição de Jeff VanderMeer:

“New weird é um tipo de ficção urbana de segundo mundo, que subverte as idéias romantizadas de ‘lugar’ encontradas na fantasia tradicional, principalmente pela escolha de modelos complexos e realistas de mundo como ponto de partida para cenários que podem combinar elementos tanto de ficção científica como de fantasia.”

Em outras palavras, é uma ficção que acontece em um lugar que pode ser qualquer lugar, e faz uma miscelânea de influências mil, colocando no mesmo balaio elementos que não têm aparentemente nenhuma relação entre si. É um estilo que apela para o bizarro e o estranho, e também tem uma estética própria – muuuuiiito psicodélica! O gênero é tão novo que existe apenas um autor que é rotulado new weird por unanimidade: China Miéville, e sua obra considerada a última bolacha do pacote: Perdido Street Station.

Quem fez uma incursão no gênero foi Alan Moore, com a série de quadrinhos Promethea. Promethea é um arquétipo de heroína que se manifesta sob inspiração em algumas mulheres – e homens também – abrindo os portais de um universo semiótico de faz-de-conta, onde vivem os arquétipos. É uma história se passa em um lugar que poderia ser qualquer lugar no mundo, e bate no liquidificador elementos de ficção científica, policial, noir, fantasia, mitologia e o que mais a imaginação puder comportar…

copyright Fantastik, Eric Novello - design Carolina Vigna-Maru