16 histórias fantásticas escritas por mestres da literatura brasileira, entre autores consagrados e gratas surpresas: Carlos Drummond de Andrade, Berilo Neves, Orígens Lessa, Coelho Neto, Rubens Figueiredo, Adelpho Monjardim, Lygia Fagundes Telles, André Carneiro, Machado de Assis, Carlos Emílio Corrêa Lima, Amândio Sobral, Murilo Rubião, Humberto de Campos, Aluízio Azevedo, Lília A. Pereira da Silva e Heloisa Seixas.

Resenha no Terra Magazine.

Areia nos Dentes: Um faroeste, a rivalidade entre duas famílias, a areia do oeste e zumbis.
O romance Areia nos Dentes, de Antônio Xerxenesky, foi lançado pela Não Editora em maio de 2008.
Um faroeste exótico que conta a história de rivalidade entre duas famílias e é narrado, entre uma e outra dose de tequila, por um velho em seu apartamento na Cidade do México. Se, à primeira vista, o romance Areia nos Dentes parece inspirado em filmes clássicos do gênero, espere até conhecer o ingrediente inusitado da obra: zumbis famintos por carne humana e andando sobre as areias quentes do vilarejo de Mavrak.

Areia nos Dentes apresenta a trama de rivalidade entre os Ramírez e os Marlowes, duas famílias de um remoto povoado do Velho Oeste. O assassinato de Martín Ramírez e a vinda de um xerife ortodoxo são os elementos dessa história que rompe os limites da própria literatura. Ou, melhor, da própria morte, pois outros personagens serão evocados por um xamã, diretamente de suas covas no cemitério.

Em texto publicado na orelha da edição, o escritor Daniel Galera fala sobre o estilo de Xerxenesky. “Aos poucos – ou nem tanto, pois o texto vai a galope, enfileirando guinadas –, a trama vai ganhando camadas que convidam o leitor a um jogo típico da literatura pós-modernista. Não se trata mais apenas de descobrir quem vai matar e quem vai morrer, mas também de refletir quem está contando essas histórias – e por que. Em meio às sobreposições metanarrativas e referências a gêneros, em tempo virá a descoberta mais importante: a de que há um mesmo drama humano unindo esses narradores e seus personagens. Na camada mais profunda, essa é uma história de pais e filhos.”

Antônio Xerxenesky nasceu em Porto Alegre em 1984. O autor já publicou o livro de contos Entre (Fumproarte / Ed. Movimento), além de outras narrativas curtas em antologias e revistas. Seu conto O Desvio (publicado na antologia Ficção de Polpa – Volume 1) foi transformado em curta-metragem e adaptado para a televisão pelo diretor Fernando Mantelli em 2007. Areia nos Dentes é seu primeiro romance.

  

Éden 4:
Astronautas, alienígenas, reis medievais e fantasmas. São esses os personagens de ÉDEN 4, o novo livro do jornalista Alexandre Raposo, autor de um texto erudito, mas com surpreendentes pitadas de leveza e humor, que chamou a atenção até do bibliófilo José Mindlin. Os quinze contos do livro nos transportam para um mundo fantástico e sobrenatural, onde o autor deu asas à imaginação, nos levando ora para um planeta no futuro ora para uma favela carioca, passando por reinos medievais em guerra. Os contos de ÉDEN 4 tratam, portanto, de assuntos diversos como clonagem, seqüestro e amor, muitas vezes sem uma moral explícita, deixando para o leitor a conclusão e os ensinamentos. Éden 4, nome do conto que dá título ao livro, nasceu de uma história envolvendo um astronauta perdido no espaço e uma paleontóloga. Numa conversa, ela explica que há milhares de anos não existem mais seres humanos do sexo masculino no seu planeta e por isso ele estava naquele mundo. Éden 4 é um conto sobre clonagem humana, mas acima de tudo, é sobre o amor. O conto fala do milagre da vida e da concepção, e acaba por alertar sobre os riscos de tentar interferir neste processo. Enquanto Éden 4 trata de um futuro longínquo e desastroso, o conto De Olhos Bem Abertos se passa em uma favela na Baixada Fluminense, onde fica o cativeiro do filho de um grande empresário. O rapaz é seqüestrado, fica preso em uma cova no terreiro de uma casa do morro e recebe estranhas visitas de um menino misterioso. Já A Cerveja em Três Tempos conta a história de divertidos bárbaros degustadores de cerveja. Outros contos de ÉDEN 4 como O peixe-rei, Succubus e A onda, fantasiam sobre animais falantes, fantasmas assustadores e extraterrestres que seqüestram seres humanos.

Memórias de um diabo de garrafa:
Renascentismo, grandes navegações, livros raros, música clássica e arqueologia – coisas quase sagradas para os apreciadores da arte, do conhecimento e da aventura. O que, então, teria um demônio a ver com elas? Na narrativa envolvente e bem-humorada deste romance, o escritor e jornalista Alexandre Raposo mostra que, em algumas empreitadas humanas, pode estar o dedo escamoso e frio do demo. O livro é a autobiografia de Giacomo Lorenzo Bembo, um diabo ‘conjurado nas ruínas do Coliseu romano, na madrugada de 31 de outubro do ano de 1526 d.C.’, pelo escultor e ourives renascentista Benvenuto Cellini (1500-1571). A narrativa se estende por cinco séculos, tempo no qual Giacomo se associa a gente famosa, como o pirata Francis Drake, o violinista Nicolò Paganini, bem como a outras criaturas menos célebres, mas igualmente pitorescas. Giacomo é um diabo extremamente inteligente, culto, multilíngue, mas desprovido de certa habilidade fundamental, inerente a todo diabo que se preze – a de ser essencialmente malévolo. Não que seja um anjo de candura, mas a verdade é que a pouca maldade que assimilou em seus quase 500 anos de existência, adquiriu-a dos humanos com quem teve contato. Hoje é cínico, amargo, cético… mas extremamente bem-humorado para alguém tão idoso.


Novo volume foi lançado pela Não Editora. Com organização do escritor Samir Machado de Machado, Ficção de Polpa reúne contos de 20 autores.

Após o sucesso do volume 1, lançado em julho de 2007, o projeto Ficção de Polpa retorna maior (em número de páginas e autores) e ultrapassa fronteiras (com autores de outras regiões do Brasil e de Portugal), mas ainda buscando representar o universo do terror, da ficção científica e do fantástico. Vinte autores aceitaram o novo desafio do organizador Samir Machado de Machado. Dessa forma, robôs, alienígenas, fantasmas e seres imaginários ganharam vida e mostram a força que a literatura tem para escritores e leitores. Eles estão de volta!

O primeiro volume do Ficção de Polpa, que reuniu 16 autores, pendeu mais para o horror. No Volume 2, que possui 176 páginas e tem apresentação de Daniel Pelizzari, os contos abordam mais a ficção científica, embora a edição tenha uma mistura dos três estilos (ficção científica, terror e fantástico). Robôs em crise de consciência, astronautas e alienígenas solitários, armadilhas do sobrenatural, experiências científicas malsucedidas, um golem descontrolado e um detetive do imaginário são alguns dos temas.

Participaram do volume 1 e retornam no volume 2 os escritores Annie Piagetti Müller, Antônio Xerxenesky, Guilherme Smee, Luciana Thomé, Marcelo Juchem Rafael Bán Jacobsen, Rafael Kasper, Rafael Spinelli, Rodrigo Rosp, Samir Machado de Machado e Silvio Pilau. E fazem sua estréia no projeto Bernardo Moraes, Carlos Orsi, Frederico Cabral, João P. Kowacs Castro, Juarez Guedes Cruz, Kelvin K., Leonardo Siviotti, Pena Cabreira e Yves Robert (Portugal).

O Ficção de Polpa foi inspirado nas revistas Pulp, ou Pulp Fictions, que foram publicadas entre as décadas de 1920 e 1950. O objetivo é dar continuidade ao projeto de incentivar a produção de uma literatura do gênero que, homenageando suas origens, se compromete em ser entretenimento do mais alto nível.

Seguindo a edição anterior, a antologia traz dois destaques. O primeiro é uma faixa-bônus, com a publicação de Uma Odisséia Marciana, de Stanley G. Weinbaum, história há muito tempo sumida das prateleiras. O conto, com tradução feita especialmente para o livro, é um dos mais importantes da história da ficção científica por ser o primeiro texto literário a retratar um alienígena inteligente, que não fosse um monstro de olhos esbugalhados ou um “humano de outro planeta”. Além disso, o livro contém os estudos para a arte da capa, com ilustração de Gisele Oliveira.

Resenha conto a conto no Pós-Estranho, do Fábio Fernandes:    Volume 1 e Volume 2.

Release:
Autor brasileiro lança infantil sobre Clarice Lispector na Alemanha e no Brasil
A única boneca de Clarice está molhada. E agora? Brincar com o quê, numa triste tarde de chuva? Procura daqui, procura dali, a menina acaba encontrando um livro. E, sem querer, descobre para si o novo mundo da leitura. Mais do que isso. Da curiosidade infantil em querer descobrir qual o mistério do nascimento dos livros, surge Clarice Lispector, uma das maiores e mais consagradas escritoras da nossa literatura. A história que dá origem a tantas outras histórias é contada de forma leve e didática pelo jovem autor Fábio Fabrício Fabretti.
“Inspirado na escritora, estreei na literatura infantil contando em prosa poética uma história inspirada em um fato da vida Clarice Lispector, quando ela descobre o prazer da leitura e quer desvendar de onde vêm os livros”, conta o autor, que fez as próprias ilustrações da obra. O livro está sendo adotado por algumas escolas do Brasil e ele já foi convidado a escrever uma versão de Cecília Meireles para crianças. 
O livro foi publicado e lançado em julho de 2007 na Alemanha, a convite do Projeto Cria-Brasil – Associação Alemã e Brasileira, Educacional e Cultural – que valoriza no exterior a cultura brasileira e a língua portuguesa das crianças teuto-brasileiras. O lançamento nacional ocorreu meses depois, no Rio de Janeiro, na Oficina de Talentos, com diversas atrações como teatro, dança e música.
“Escrever para crianças é mágico. E tudo aconteceu de brincadeira. Não imagina que o livro fosse repercutir tanto”, afirmou o autor que, em dezembro de 2007, no dia em que Clarice Lispector completou trinta anos de falecimento, teve seu livro transformado em um espetáculo com apresentação inédita, encenado pela Companhia Armacena no Teatro Contemporâneo, no Rio de Janeiro.

Fábio Fabrício Fabretti é escritor, professor e vive no Rio de Janeiro.




Release:
A editora Tarja lança de Roswell a Varginha”, do escritor Renato A. Azevedo. O livro apresenta uma história sobre OVNIS, que remonta ao famoso caso de Roswell, nos EUA, e o relaciona ao caso Varginha, no Brasil. Os alienígenas são um dos temas mais freqüentes nos meios televisivos e impressos, com milhares de referências e suposições apenas nos últimos 50 anos. Em janeiro de 1996 o Brasil foi o pilar de uma das maiores investigações sobre o tema, quando ocorreu o avistamento de vários seres extraterrenos na cidade mineira de Varginha. Toda a documentação a respeito desse caso foi arquivada sob sigilo e afastada do conhecimento público. Hoje, a Casa Civil da Presidência da República, está sendo pressionada para efetuar o acionamento da Lei 11.111/2005, que trata da salvaguarda de documentos sigilosos. Vários documentos estão para serem liberados. Antecipando-se a alguns deles, Renato Azevedo preparou um romance, onde trata desses temas polêmicos e, mais do que nunca, atuais. Unindo especulação a dados reais, é possível criar uma trama onde as Forças Armadas Brasileiras e até mesmo o governo norte-americano são esmiuçados e pressionados a apresentarem toda essa documentação e, acima de tudo, explicações sobre os casos de Roswell e Varginha.

 

O autor:
Renato A. Azevedo é engenheiro, e entusiasta da Ficção Científica e Fantasia. Foi membro do Conselho Editorial da Revista Ufo, como consultor de Ficção Científica, ciências e astronomia. Em 2001 tornou-se colaborador da Revista Scifi News, onde foi responsável pela coluna Espaço Ovni. Além disso, também é co-editor do site Aumanack, e escreve periodicamente para o blog Escritor com R. Já escreveu oito livros de Ficção Científica e duas coletâneas de contos.  De Roswell a Varginha é o romance que inicia um novo universo de sua criação.

Osíris Reis

8:01 pm

Release:
Ano 7523. Projetos ilegais executados às pressas, quântica e genética desafiadas. Sete humanos transformados em imortais e lançados para 5477 A.C. Retorno? Só a imortalidade. Efeitos colaterais? Pulsões hemofágicas injetadas na alma dos viajantes do tempo. Só o médico lutará, contra si mesmo e os outros, pra que o futuro não se reduza a chacina sádica e sangrenta. Uma batalha insana que, na melhor das hipóteses, durará 13 mil anos.”
Este é o mote da saga Treze Milênios. Dividida em oito livros, ela faz uma panorâmica da história da Civilização, do passado ao possível futuro. Em um texto intenso e bastante sinestésico, apresentam-se ao leitor as sensações e motivações de cada personagem. E é a natureza das mesmas que faz dessa uma história sensual, forte e violenta. Sem ter de se preocupar em sobreviver, os viajantes do tempo vêem seus antigos conceitos ruírem e entregam-se a uma vida hedônica e com poucos limites. É uma catarse, um mergulho no que há de mais negro no espírito humano para que aquilo que existe de mais sublime possa ser alcançado.
É isso que dá ao leitor a oportunidade de questionar o significado das próprias decisões. Em outras palavras, o traço sinestésico de Treze Milênios abre portas para discussões sociológicas, políticas, psicológicas, éticas, filosóficas e afetivas. É um convite para uma jornada épica, que entretém e chama ao crescimento pessoal. Em todos os sentidos.
Treze Milênios é uma saga que mistura cuidadosamente diversos gêneros. Ficção científica, futurismo, viagens no tempo, terror, suspense, vampiros, erotismo, romance e conflitos psicológicos são combinados de maneira coerente e harmoniosa.

Resenha:
“É uma história poderosa com personagens à altura. Combina space opera e terror vampiresco com seriedade e profundidade incomuns nesses gêneros.” – revista Carta Capital, revista 6/12/2006, pg. 57″

 

Release de O último imortal:
Venha conhecer Tyberius, um matador de imortais orgulhoso e implacável, que por uma faceta do destino tem sua esposa raptada pelas criaturas que caça sem piedade. Tyberius parte numa jornada em busca de sua esposa e pelo caminho tem de enfrentar uma horda de lobisomens e outros demônios. É hora de lutar para sobreviver. O último Imortal por Márcio Aragão.

Primeiro Capítulo:

- Precisamos encontrá-lo.
- Encontrar quem?
- O Último Imortal.
- Acha mesmo que ele poderá nos ajudar?
- É preciso. Ele é nossa única esperança.
- É verdade. Nessa época de trevas talvez só ele possa nos ajudar.
- Antes ele terá de ajudar a si mesmo.
O outro monge balançou afirmativamente. O céu estava estrelado, e os dois estavam sentados ao redor de uma fogueira, cobertos por suas túnicas. A mata ao redor formava uma parede que obstruía a visão, tornando a fogueira um pequeno ponto brilhante no meio de toda a escuridão.
- Ele é novo?
O outro monge sorriu.
- Ele nem nasceu.
- E como saberemos quem ele é?
- Não leu a profecia? “Dentre três um surgirá, e o Salvador se tornará”.
- Não entendo isso.
- Com o tempo entenderá.

Muito distante dali, do outro lado do continente, um jovem caçador vagueia pela penumbra da floresta. Com seu arco em punhos, espreita à frente. Ouve um rosnado. Suas pupilas dançam em seus olhos, olhando agilmente para todas as direções possíveis. Um movimento mal-calculado poderia ser o seu fim. Os arbustos movimentaram-se à frente. Ele armou seu arco, carregando-o com duas flechas.

- Venha, bebê. Venha para o papai.
O suor escorria por sua testa. Todos os seus movimentos eram pausados e calculados. Até sua respiração estava mais controlada e pausada. Outro rosnado. Mais uma vez os arbustos movimentaram-se à sua frente. O caçador deu um passo para trás, agachando-se para conseguir apoio. A floresta estava mais sombria do que de costume.
- Vamos, o que está esperando… mostre-se…! – sussurrou ele.
Um bando de morcegos passou voando pela cabeça do caçador. O mesmo não moveu um único músculo. Estava compenetrado em seu objetivo. Mas não podia avançar, pois poderia virar caça. Puxou a flecha, provocando a elasticidade do arco. Agora bastava sua caça aparecer e o caçador soltar aquela flecha que seria o sopro mortal. Sua mira era quase perfeita. Com certeza seria fatal.
Outro rosnado. O caçador via o pêlo cinzento daquele animal. Podia sentir já sua respiração quente em seu rosto.
- Venha! – gritou ele.

A fera urrou e pulou em direção ao caçador, com as garras à mostra. O som de um assobio no ar. O som de um impacto. Um uivo doloroso. O barulho de algo pesado caindo ao chão. O caçador levantou-se, vitorioso.
- Finalmente peguei você, Lupus – disse o caçador.
Ele fitava sua caça abatida no chão. A fera voltava à forma humana.
- Flechas com pontas de prata. Nunca falham contra sua raça – murmurou ele.
Deu as costas à sua caça e caminhou na direção oposta, com seu arco agora preso em suas costas.
Caminhou até chegar a uma cabana. A cabana que era sua casa. Imediatamente uma mulher de cabelos negros e aparentando pouca idade escancarou a porta, correndo em sua direção e atirando-se em seus braços. Os lábios tocaram-se com energia. Após um longo beijo, o caçador fitou-a, com um largo sorriso nos lábios.
- Consegui. Finalmente abati o Lupus.

- Usou prata?
- Sim. Os licantropos são vulneráveis à prata. Acertei bem no coração.
- Fico aliviada. Não conseguia mais suportar conviver com o perigo.
- Eu matei o imortal. Tirei a vida daquele que não podia dá-la por meios normais. Este foi o último.
- E os vampiros?
- Extintos.
- Você matou todos?
- Consegui destruir algumas tocas. Tive ajuda de outros caçadores.
A mulher abriu um largo sorriso.
- Meu bravo guerreiro!
Lançou-se em seus braços. Os lábios colaram-se. As mãos deslizavam pelos corpos um do outro, promovendo carícias sem malícia. Ficaram dessa forma durante vários e longos minutos.

Release:
Em verdade, os sistemas políticos e sociais do mundo pendem entre ramos opostos do pêndulo: controle central rígido e dirigista ou anarquia incoerente (no sentido fisico, o da não-coordenação de esforços e direção).
Nunca em toda a história da humanidade hodierna se esteve tão próximo de um controle total de todos os subsistemas humanos. E nunca também se esteve mais cônscio da grande diversidade dos modos de vida possíveis. Mesmo assim, ainda restam muitas culturas e aspectos ocultos a serem conhecidos. A narrativa se baseia num período histórico ainda mais adiantado no tempo que o nosso. Considerando que a humanidade tenha conseguido resolver alguns de seus problemas de gerenciamento, podem vir a existir muitos outros, ou ao menos em quantidade suficiente para nos preocuparmos daqui até a dois séculos. Nesse cenário, um grupo de pessoas que não conseguiram morrer, e que apesar de seguirem seus caminhos individuais se reunem de tempos em tempos para um bate-papo e atualização das novidades, sofre um atentado. Isto põe em questão a fragilidade que albergam os que estarão à margem deste estado atual de evolução da raça humana. Quer para melhor ou quer para pior. Uma pequena imortal, num arroubo de decisão, junta um grupo de pessoas que são não só talentosas como perseguidas por seus talentos, contra mais uma tentativa “Robespierreana” de moldar os padrões culturais do mundo em nome do paradigma de uma “adaptação aos novos tempos” -  A Era de Aquário ou a Nova Aurora.

No fundo deste conflito entre os que pretendem uma unidade forçada da raça humana, mesmo que sob altos princípios, e os poucos que tentam manter uma visão tolerante às diferenças e ao caos, residem os observadores da evolução humana. Eles mesmos não sendo imortais, porém especiais, e fazendo parte de uma comunidade vigilante que sempre esteve presente ao longo da história, tentam observar e só guiar em último caso.


Trecho do livro:
“Unidade, Re-Unificação, Yoga, Religare, Hierarquia. Pluralismo, Número, Biodiversidade, Teoria do Caos, Fractalização, Sinergia. Palavras…
Um milagre termodinâmico, a convivência harmoniosa de elementos diferentes entre si, produzindo algo que lhes é superior. Como quando as partes estão coordenadas rumo ao objetivo do todo. Como quando se escala uma montanha sem cordas, quando basta um passo em falso só para se deslizar até o fundo. Toda a atenção concentrada em cada passo dado, esquecendo-se do objetivo.
A preponderância hierárquica e o controle do centro se torna um sopro de ilusão frente à doce e crua realidade.  Àquela mesma realidade que afirma ser a multiplicidade um bem em si, tanto quanto o é a unidade de direção. O segredo da coordenação talvez estivesse na unidade de propósito em um tempo e na multiplicidade ao longo de sua variação. Fácil de falar e tão difícil de realizar quanto andar sobre o fio de uma navalha… Várias imagens correm pela escrínio de uma consciência, em golfadas, despertadas dos estratos inconscientes de sua totalidade: Branco em “fusain” na palheta de Rembrandt…
As Deusas da Beleza resplandescentes, surgindo do mar, Aphrodite e Lakshmi, a primeira da espuma branca da criatividade do céu, a segunda sobre um lótus flutuando sobre o leite cósmico…As duas confundindo a razão dos homens. A cambiante cauda do pavão mantendo as cores próximas, as fundindo em “degradé”, sem degradação tonal…
O expresso trans-siberiano, com seus vagões multicores a rolar pela estepe branca…o vapor de suas caldeiras cristalizando em sextavados de neve. Um arco-íris duplo com sua panóplia de cores ordenadas…
Perfumes agridoces… A tentativa de unificar aquela sobrenadante e vigorosa massa de informação provocava-lhe estranhos efeitos colaterais. Mas sua mente foi, é e sempre seria obcecada pela idéia do Um. 
Um, sob as estrelas, que são tantas. E, como o tempo, as imagens passam com largos passos. Parecia ter sido há tão pouco… Os ciclos celestes têm ritmos que passam gloriosos sobre a pálida e ao mesmo tempo tão promissora superfície do mundo, em sua azáfama superficial”.


  

Será

Release (por Nelson de Oliveira):
O progresso científico é como um machado nas mãos de um psicopata. Palavras de Einstein.
O primeiro romance de Ivan Hegenberg nos apresenta nada mais nada menos do que o futuro desse progresso. Qual seria ele? O mais assombrado e o mais assombroso possível, coordenado por máquinas inteligentes, suportado por homens e mulheres violentos e inseguros, às vezes esperançosos e confiantes, quase sempre desesperados ou deprimidos. O único futuro possível para o presente no qual vivemos: a continuação caótica do não menos caótico momento atual.
Dezenas de personagens, posicionadas pelo autor em pontos estratégicos, vão revelando pouco a pouco a estranha estrutura social e emocional dessa civilização alucinada, dessa sociedade em certos momentos muito mais angustiante do que as mais célebres distopias da ficção científica: a de George Orwell, em 1984, a de Aldous Huxley, no Admirável mundo novo, e a de Ray Bradbury, em Fahrenheit 451. Mesmo pertencendo a outra linhagem literária, A metamorfose e O castelo, de Franz Kafka, também lançam sua sombra sobre esse futuro.
Todos os fatos aqui revelados se passam no século XXIII. O oxigênio agora é retirado dos oceanos, a realidade virtual aboliu a distância espacial e a temporal (as pessoas podem viajar artificialmente para qualquer lugar e para qualquer época), a propriedade privada também foi abolida, a escassez de água e a superpopulação são as piores ameaças ao equilíbrio do planeta, as pessoas de carne e osso convivem (nem sempre tranqüilamente) com as pessoas virtuais, nos laboratórios os limites do macrocosmo e os do microcosmo são rompidos, as culpas e as neuroses podem ser extirpadas cirurgicamente da mente humana e agora a telepatia é a forma de comunicação mais sutil (até os sentimentos podem ser compartilhados).
A nossa espécie vive o apogeu da tecnologia e do cientificismo. Mas, ironia das ironias, essa situação é o reflexo da forte crise moral e existencial que devagar vai corrompendo as instituições e os indivíduos. Nesse sentido, apesar das possibilidades inimagináveis (a telepatia, a viagem ao centro da célula, a materialidade virtual), a sociedade futura continua estacionada espiritualmente no início do século XX. O fracasso das utopias, a fragmentação da consciência, a indústria cultural, a ideologia de direita e a de esquerda: nada mudou. Diante dos mesmos conflitos vividos por nossos antepassados, conflitos que levaram à Primeira e à Segunda Guerra Mundial, à Guerra do Vietnã e à do Iraque, fica bem claro que o progresso industrial e tecnológico não foi acompanhado pelo fortalecimento da subjetividade humana nem pelo enfraquecimento dos impulsos mais primitivos. Continuamos primatas egoístas e insaciáveis, dominados pelas paixões.
O sexo sádico e autodestrutivo, o fanatismo religioso e o instinto de agressão e dominação continuam testando os limites do amor e da sanidade. A última esperança para esse futuro sombrio e irracional é provavelmente o que a espécie humana vem buscando desde o início dos tempos: o verdadeiro contato com o sagrado. A procura desse contato último irá reunir e separar muitas das dezenas de personagens do romance. Elas precisam provar do sentimento do sagrado. Mesmo que esse sentimento esteja muitas vezes oculto numa cápsula de veneno.

Trecho do livro:
“Uma quinta-feira amanhece na longitude 170 leste, recebe a noite na longitude 40 oeste. Ovos de pássaros, de peixes e de répteis se rompem, maçãs caem das árvores, correm os rios, o mar em ondas visita as rochas. Magma quente percorre galerias subterrâneas, o vento agita as folhas, arrepia os bichos, transporta nuvens. No céu os gaviões atacam codornas, na mata leões devoram antílopes, no mar golfinhos amamentam seus filhotes. Sinais eletrônicos transcorrem o planeta, cai a chuva e estala o deserto sob o sol. Pensamentos e sensações se cruzam à deriva em trajeto pelo ar e milhões de mamíferos copulam no mesmo instante. Rebentam-se bolsas d’água, placas tectônicas rangem suavemente sob o solo, sementes germinam. Amanhece e anoitece no planeta que faz do calor e da luz fontes essenciais para a vida.”

Trecho de resenha (Ronaldo Cagiano):
“O universo narrativo de Ivan Hegenberg projeta-se para o século XXIII, uma época que sofre os efeitos de um caos já ancestral, que se manifesta na estagnação da vida, nos prejuízos causados pelos desequilíbrios sociais e ambientais, levando ao esgotamento não só da natureza, mas também à falta de perspectiva para a própria ciência, ainda que os seres tenham a seu favor todos os benefícios de um progresso alcançado nos séculos passados.  Ao mapear esse novo ambiente em que, de um lado o homem depara-se com os resultados da evolução e, de outro, com as conseqüências da transformação da vida pela tecnologia, criando suas ilhas tanto de excelência produtiva quanto de isolamento, solidão e neurose, o autor compartilha com o leitor uma preocupação com os destinos da humanidade e do Planeta, questionando o modus vivendi de uma civilização cujos ícones vão sendo paulatinamente desmantelados”.

 

Puro enquanto

Terceiro livro de Ivan Hegenberg, Puro enquanto reflete dez anos de trabalho, tendo como ponto de partida a anotação de centenas de sonhos. Com influências ecléticas como os beatniks, Clarice Lispector e James Joyce, o livro se projeta em linguagem própria, tortuosa como o caminho onírico. A narrativa se faz pelo avesso, com um mergulho no inconsciente do qual emergem contornos e acontecimentos tão intensos quanto voláteis, já que o personagem, em coma, duela com a dificuldade de despertar.

 

O autor:
Ivan Hegenberg, não exatamente “O Terrível”, mas assumindo a alcunha de L’Enfant Le Terrible, publicou A Grande Incógnita (contos, 2005), Será (romance, 2007), e prepara para 2008, Puro Enquanto, um dos projetos vencedores do PAC (Programa de Ação Cultural). Nasceu em São Paulo, em 1980, formou-se em Artes Plásticas pela ECA-USP, e atualmente trabalha no mercado editorial.


Aproveitando os 500 anos do Descobrimento do Brasil, a editora Ano Luz lançou a coletânea de contos Phantastica Brasiliana, organizada por Gerson Lodi-Ribeiro e Carlos Orsi Martinho.

Contos e novelas:

Ataíde Tartari participa com o conto de história alternativa Folha Imperial. Nele,  dois repórteres especializados em fofocas da corte flagram o príncipe em uma aventura amorosa.

Carlos Orsi Martinho participa com a novela Não Mais. O foco é um alquimista que instala no meio do Jardim Botânico uma usina para produzir uma misteriosa solução que torna as pessoas que se banharem nela imortais.

Carla C. Pereira apresenta o conto de história alternativa Xochiquetzal e a Esquadra da Vingança, explorando idéias de o que teria acontecido com a Espanha caso Portugal tivesse ficado com o ouro dos astecas. A Xochiquetzal do título é a princesa asteca que nessa versão casa-se com Vasco da Gama.

É de Gerson Lodi-Ribeiro a novela Capitão diabo das gerais, passada em Minas Gerais em 1750.

Quem também participa com uma novela é Roberval Barcellos. Em Primeiro de Abril, os Estados Unidos interferem no Golpe Militar de 1964 e o Brasil vive uma guerra sangrenta. A maior parte da ação se passa na Floresta Amazônica.

Daniel Tércio participa com Boto, explorando a história folclórica em um conto passado no interior do Pantanal.

Tem também Adriana Simon com Kupe-Dyeb, Octávio Aragão com Trevo,  Roberto de Souza Causo com O salvador da pátria e António de Macedo com Sereia dum Mar Sem Fim.


Entrevista no Overmundo.

Resenha no Ponto de Convergência, blog de Romeu Martins.

Resenha no Terra Magazine.


Trecho do prefácio por Telê Santana:
“Esta antologia fala de futebol, mas de uma maneira bastante inusitada, surpreendente, onde o que parece ser, geralmente não é. Futebol no futuro, futebol nos dias de hoje e também no passado, com elementos fantásticos, futuristas, sobrenaturais. O prazer pelo que pode ser imaginado ao prazer dos craques tabelando e marcando um gol de placa. Esta é a proposta deste livro com história sobre não como o futebol é, mas como ele poderia vir a ser.” – Telê Santana

Autores e Contos:
Marcelo Simão Branco – Derby
Fábio Fernandes – 2010, o ano em que faremos contato
Ataíde Tartari – Craque na família
Ivan Carlos Regina – Santos F.C.
Octávio Aragão – Eu matei Paolo Rossi
Adriana Simon e Gerson Lodi-Ribeiro – O Rude Esporte Humano
Braulio Tavares – Carta à Redação
Carla Cristina Pereira – Se Cortez Houvesse Vencido a Peleja de Cozumel
Carlos Orsi Martinho – Sob o signo de Xoth
Cesar R.T. Silva -  O que vale é bola na rede
Gerson Lodi-Ribeiro – Pátrias de chuteira

Trecho do conto 2010, de Fábio Fernandes:

“Ah, você quer uma entrevista? Para uma biografia? Ah, não é biografia, é só um perfil? Sei.
Você quer mesmo é saber como é que foi a história do contato com alienígenas? Mas isso é história antiga, tudo quanto é jornal já publicou isso há muito tempo. (…) Pra mim o pior foi os saranaii terem chegado à Terra em ano de Copa do Mundo. Eu não tinha tempo para nada, a gente estava a poucos meses do campeonato, o país inteiro estava me cobrando o hepta, aquela tortura psicológica toda. Aí os alienígenas vêm e me resolvem aparecer assim! Claro que o mundo inteiro parou”.

Release:
Em todas as culturas, desde a noite dos tempos, existiu algum tipo de vampiro, mas somente a partir do século XVIII o mito adquiriu certa notoriedade na sociedade ocidental ao entrar em contato com a literatura. Seu arquétipo, como conhecemos hoje, foi sendo construído através do século XIX pelas mãos de diversos escritores
Claudio Brites é o organizador de O livro negro dos vampiros. A obra conta com Liz Marins (‘Liz Vamp’), Octavio Cariello (HQ ‘A rainha dos condenados’), Helena Gomes (‘Lobo Alpha’) e Kizzy Ysatis (‘Clube dos imortais’) para dar boas-vindas a uma safra de novos escritores – literalmente selecionados – que aparecem aqui tratando de vampiros.

A obra reúne 53 contos de novos autores e também de alguns escritores do gênero exclusivamente convidados para encabeçarem a obra e darem boas-vindas aos estreantes.

Alguns destaques:

1. Zapping de Brontops
2. Destino de Vampy Lu
3. Ato Profano de Lady Wilmot
4. Santo Sepulcro de Denise M. Guimarães
5. Maternidade de Claudio Brites
6. No dobrar da hora morta de Kizzy Ysatis
7. Um conto de Vampiro de Octavio Variello
8. Vitela de Tiago Araújo
9. Passione Nocturnale de Dimítry Uziel
10. Reflexões de um vampiro sobre reflexos de Leo Vitor
11. As trevas que a cobriam (caracteres em grego no original) – Fábio Fabrício Fabretti

Trecho do prefácio de Kizzy Ysatis:

“E jamais morrer durou tanto tempo… As luzes se apagam. A noite se acende. É a hora do vampiro. Uns usam a máscara, outros se revelam qual um rockstar e outros são nobres condes a causar horror. Ninguém prova nada e eles agradecem o anonimato. O fato é que, em meados do século XVIII, num remoto povoado da Europa Oriental, uma superstição local subiu ao patamar de lenda ao entrar em contato com a palavra escrita. Tal crença versava sobre não-mortos que se alimentavam dos vivos e os levavam à morte. Nascia, então, uma nova quimera que ganharia o mundo através dos olhos da literatura.”

 

Trecho do conto de Kizzy Ysatis:
“Um pensamento lhe ocorreu ao ver seus livros de vampiro espalhados pelo chão. Seria isso, virou vampira? Seria bom demais para ela, sonhava com conde Dracula; queria que ele viesse lhe transformar. Note como sorri aquela criança, aquela ninfa. Sílfide ordinária. Sua mãe vivia lhe dizendo para não ler esse tipo de livro que ia lhe fazer mal. Bobagem! Sonhar um pouquinho não faz mal a ninguém e, seus vampiros, só os encontrava nas páginas da ficção. Mesmo assim queria acreditar que um daqueles pálidos góticos com quem saía fosse vampiro de verdade. Eram tão lindos e mágicos com seus sobretudos maravilhosos…”

Trecho do conto de Fábio Fabrício Fabretti:
“”Meia-noite aflora a hora mais completa da madrugada. Meia-noite. A noite por inteira, em seu mais belo instante. Costumava ouvir os ruídos noturnos serem repicados pelas doze badaladas do relógio. Sempre adormecia após o décimo segundo toque. Permanecia deitada, de olhos trancados, acolhida no escuro, engolida pelas sombras. Era um hábito doce. O sono viria de qualquer jeito, mais cedo ou mais tarde. Estranhamente, naquela noite, foi diferente. Depois dos sinos, o único barulho que soou foi o da vidraça continuamente socada pelo vento. Parecia que alguém a forçava. Era comum a ventania de outono travar uma guerra entre vento e vidro, naquela casa condenada pelo tempo. E aquele era só um duelo da natureza. Para mim, apenas mais uma noite de ventania. Nunca havia imaginado ou sentido coisa igual. Então começou. Da garganta noturna, vieram os passos. Os malditos passos, pelo quarto. As tábuas do assoalho gemendo ao meu redor. Passos, lentos, pesados, rumo à cama. Arregalei bem os olhos, mas o negrume me encobria. Girei o olhar para fora e nem o clarão da rua conseguiu vislumbrar. O poste deveria estar apagado. Fazia muito frio e evitava me mexer. Esperava os cobertores me aquecerem. Muitos cobertores. Foi aí que aconteceu. (…)”

  

Volume 2 – Fronteiras:
Da Introdução: “Assim como o Brasil dos muitos biomas é detentor da maior biodiversidade do planeta, nossa literatura deveria refletir a mesma diversidade — a diversidade cultural e social do Brasil urbano e do rural, do Brasil que fabrica satélites artificiais e daquele que constrói casas de barro e sapé, do Brasil do Primeiro Mundo e do Paleolítico internado na selva. “Este Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica: Fronteiras se dedica a fornecer um vislumbre dessa diversidade necessária. Histórias que exploram diferentes locações, seja no Brasil do Rio de Janeiro, do Espírito Santo ou de São Paulo, a praia, a serra, a megalópole anônima ou a cidade do interior, e pontos distantes no tempo e no espaço. Contos que transitam na linha fronteiriça entre a loucura e o vislumbre de uma outra realidade. Contos que abordam diferentes estratégias literárias, da objetividade narrativa ao experimentalismo formal, do tom confessional ao lírico. Histórias que contém uma herança pulp ou traços formalistas de autoconsciência literária.”

 O índice de Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica: Fronteiras

A Nova Califórnia (1910) -  Lima Barreto
A Vingança de Mendelejeff (1932) -  Berilo Neves
Delírio (1934) -  Afonso Schmidt
O Homem que Hipnotizava (1963) – André Carneiro
Sociedade Secreta (1966) -  Domingos Carvalho da Silva
Um Braço na Quarta Dimensão (1964) -  Jerônymo Monteiro
Número Transcendental (1961) -  Rubens Teixeira Scavone
Seminário dos Ratos (1977) -  Lygia Fagundes Telles
O Visitante (1977) -  Marien Calixte
Uma Semana na Vida de Fernando Alonso Filho (1984) -  Jorge Luiz Calife
Mestre-de-Armas (1989) -  Braulio Tavares
O Fruto Maduro da Civilização (1993) -  Ivan Carlos Regina
Engaiolado (1998) -  Cid Fernandez
Controlador (2001) -  Leonardo Nahoum


Volume 1 na imprensa:

“Faziam falta boas antologias de textos brasileiros… Agora, porém, o círculo vicioso começa a ser quebrado: pelo menos uma boa antologia, a primeira do gênero em muitos anos, recupera essa história: Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica, editada por Roberto de Sousa Causo… Essa antologia pode ser considerada uma referência e um marco do padrão de qualidade que pode e deve ser exigido do aspirante a autor [de ficção científica].”
—Antonio Luiz M. C. Costa. CartaCapital.

“Uma coletânea de ficção científica que coloca Machado de Assis ao lado de autores normalmente restritos ao gênero — como Gastão Cruls, André Carneiro, Jerônymo Monteiro, Rubens Teixeira Scavone — provoca certa estranheza… [N]ão é improvável que Causo tenha incluído Machado de Assis nesse rol para mostrar o reverso da medalha: se podemos ler um grande escritor por esse viés, por que não ler ícones da ficção científica para além do registro temático?…”
—Manuel da Costa Pinto. Folha de S. Paulo.

“Em meio ao número cada vez maior de antologias de contos publicadas no Brasil ultimamente, era de se estranhar que ainda não houvesse surgido nenhuma voltada para a ficção científica… Não cabe aqui buscar explicações para o fato, mas apenas apontar para a importância da recém-lançada coletânea organizada por Roberto Causo. A proposta é apresentar um panorama histórico da ficção científica brasileira e isto o organizador… faz bem, não apenas no texto introdutório com em apresentações que antecedem cada um dos contos e podem ser muito úteis a quem se interessar por uma introdução à história do gênero entre nós… Não há dúvida de que o leitor há de encontrar no livro bons momentos de leitura.”
—Flávio Carneiro. O Globo.

“Um volume muito bem editado pelo escritor e crítico Roberto de Sousa Causo para a coleção Pulsar da editora Devir… Causo selecionou contos que compreendem um período de mais de cem anos da literatura nacional…”
—Dorva Rezende. Diário Catarinense.

“Adotada pela nascente indústria cultural, no começo do século passado, a FC ficou associada à cultura norte-americana. Daí talvez o equívoco, nada racional, de se acreditar que no Brasil não se produzem obras do gênero. Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica não só prova o contrário, como dá mostras da qualidade do que por aqui se escreveu. A coletânea foi organizada por Roberto Causo, escritor de FC e estudioso das expressões nacionais desse tipo de literatura. A ‘Introdução’ de Causo cumpre bem o papel de apresentar… o histórico do gênero aos leitores, pontuando ainda as dificuldades do pesquisador e os percalços editoriais enfrentados pelos escritores.”
—Dellano Rios. Diário do Nordeste.



 

Release:
Assim começa esta alucinante aventura. A busca obstinada do personagem por si mesmo e, conseqüentemente, por uma “verdade oculta”, que está intimamente ligada com a sua situação atual, e que é o centro desta intrincada trama.
Caminhe lado a lado com este homem em uma jornada recheada de perigos sobrenaturais e inesperadas reviravoltas, se relacione com vários personagens inusitados e descubra, junto com ele, quais são os seus aliados e quais são os inimigos.
Com uma forte veia místico-religiosa, a obra tem na Bíblia e nos apócrifos cristãos grandes fontes de inspiração, mas não as únicas. Beba das mesmas fontes que o autor usou para compor esta inovadora obra e se maravilhe em descobrir personagens que todos julgavam conhecer intimamente. Até agora.

Imortalidade, Maldições, Magia e Pactos Místicos são recorrentes no decorrer da trama, que mistura, em um mesmo cotidiano, lobisomens, vampiros, demônios, gênios, deuses pagãos e personagens cristãos, tanto Bíblicos quanto apócrifos, e, claro, pessoas comuns. O suspense é mantido desde o primeiro capítulo, onde um mendigo sem memória é apresentado, até o último, onde, em meio a trágicos eventos, toda trama é revelada.

Autor:
O autor nasceu em 1967, na cidade de Aparecida d´Oeste no Paraná. Desde muito cedo desenvolveu o gosto pela leituta. Fã de cinema, HQs e autores de terror, sempre teve predileção por histórias que se aventuravam pelos tortuosos caminhos da religião e do misticismo. E agora resolveu ele mesmo trilhar estes caminhos. Com vários personagens bíblicos, revisitados sob a ótica dos textos apócrifos, o seu romance de estréia é uma intrigante viagem a um dos momentos mais conhecidos e mal documentados da história.

Paulistano, nascido em 07 de março de 1971, Amauri Modesto de Oliveira desenvolve trabalhos na área de designer gráfico e marketing. Atualmente vem se destacando como capista, desenvolvendo as capas dos livros da GIZ EDITORIAL, em especial para o escritor de suspense e terror J. MODESTO.

 

Contato: amanuri.oliv@terra.com.br





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